segunda-feira, julho 05, 2004

Malba Tahan



Malba Tahan foi o nome utilizado pelo escritor, pedagogo e professor Júlio César de Mello e Souza para publicar suas histórias ambientadas no Oriente, da qual a mais famosa é “O Homem que Calculava”. Mesmo sem ter lido o livro, aposto que todos vocês já ouviram falar no “problema da divisão dos camelos”, resolvido pelo protagonista, Beremiz Samir, numa genial sacada matemática... exatamente como teria feito o autor por trás do pseudônimo.

Carioca, nascido em 1895, Júlio César sempre soube utilizar sua criatividade e imaginação, primeiro redigindo composições escolares e as vendendo a seus colegas e, mais tarde, driblando a indiferença do editor do jornal “O Imparcial” para com seus primeiros contos. Vendo que não eram publicados, Júlio inventou que se tratava da tradução de contos escritos por um americano premiadíssimo, R. S. Slade - e o resultado foi ver um deles na primeira página da edição seguinte.

A criação de Malba Tahan já exigiu maiores preparativos. Na verdade, vários anos, nos quais Júlio César estudou a cultura, a língua e a Literatura árabes. Em 1925, sob os auspícios de Irineu Marinho, então dono do jornal carioca “A Noite”, ele começou a publicar os escritos de Malba, mais tarde reunidos em livros. A exemplo dos heterônimos de Fernando Pessoa, o escritor árabe não tinha apenas um nome, mas toda uma biografia: ele teria nascido em 1885 na aldeia de Muzalit, perto de Meca, e estudado no Cairo e em Constantinopla antes de empreender uma grande viagem pelo Japão, Rússia e Índia. Rica em aventuras, sua vida foi no entanto curta, pois ele teria morrido em 1921, deixando como legado um grande número de contos, lendas e relatos, cujas primeiras edições tinham sempre a “tradução e notas do prof. Breno Alencar Bianco”. Pois é claro que um personagem tão bem-construído não podia deixar de trazer consigo seus coadujvantes...!

Enquanto isso, seu criador, Júlio César, que tinha sido um aluno apenas mediano em Matemática, instituiu-se como professor dessa matéria, para a qual defendia um ensino baseado em jogos, charadas e atividades lúdicas. Apesar de suas idéias serem combatidas pelos professores mais tradicionais, o método foi pouco a pouco influenciando os educadores mais jovens, e Júlio César passou a ser convidado para aulas, palestras e atividades pedagógicas em todo o Brasil. Sua última conferência foi, porém, sobre a outra arte da qual era mestre: a de contar histórias, tema sobre o qual discorreu para um público de normalistas, no Recife, em 18 de junho de 1974. De volta ao hotel, o coração, de quase 80 anos, se sentiu subitamente cansado... e lá se foi Júlio César, lá se foi Malba, seguindo uma caravana com destino às estrelas.

Eu tinha cinco anos nessa época, e já conhecia alguns dos contos de Malba, principalmente os do livro “Céu de Allah”. Um deles, “O Livro do Destino”, ainda vou recontar para vocês, pois ele traz um ensinamento que marcou a minha infância, e pelo qual ainda hoje procuro nortear minha vida. Com um outro livro, “Salim, o Mágico”, tenho uma relação engraçada. Eu conheço vários episódios, lidos ou contados para mim pelo vovô. No livro, porém, esses episódios eram entremeados com trechos de narrativa que então eu achava sem interesse, e por isso nunca cheguei a lê-lo, embora muita coisa tenha ficado na memória e até no inconsciente. Por exemplo, Munir, o nome do filho de Salim, apareceu como o nome de um rei numa das minhas histórias; e a profissão verdadeira do pseudo-mágico, a de cordoeiro, é a profissão da família materna de meu protagonista, Cyprien. Outras relíquias do tempo vão aparecendo, aqui e ali, e é muito bom reconhecê-las, apesar da saudade que dá às vezes. Os aventureiros podem achar seus tesouros de uma só vez, em alguma cripta perdida ou baú de pirata... Mas os sonhadores têm que se contentar em reuni-los aos poucos.

Bons sonhos - e boas aventuras - a todos vocês!

Até a próxima!

Ana Lúcia

2 comentários:

Anônimo disse...

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Ana disse...

7 anos depois, aqui estou eu adicionando imagens aos posts que republico. Que tal? :)