quarta-feira, janeiro 10, 2018

Sobre meu conto em Girl Power



Quando a Fernanda Chazan me convidou para participar de uma coletânea sobre garotas empoderadas, a primeira história que comecei a escrever foi a das gêmeas de Cartago, Nikka e Jeza. Acabou ficando grande demais para um conto, agora a ideia é que seja uma série de vários livros... mas isso é outra história.

O que eu quero dizer é que a história que acabei escrevendo se passa no universo Terra Sem Males, que apareceu pela primeira vez na coletânea Dimensões BR da Ed. Andross, teve um segundo conto publicado na coletânea A Guerra dos Muitos Mundos, organizada pela Rita Maria Felix, e agora ressurge aqui. Neles vocês reencontrarão o casal Victor e Fiona apoiando a jovem protagonista Manuela, que se mete em apuros com uma tribo de duendes conhecidos como O Povo do Pesadelo. A história se passa aqui na serra fluminense e o povo duende tem um jeitão de tribo de índios brasileiros - e a ideia de criá-los é tão antiga quanto os personagens em quem se inspirou, como esses aí embaixo, Rool e Franjean, membros da tribo de brownies de "Willow na Terra da Magia" (1988).

Espero que vocês curtam e apoiem o nosso projeto. Ele sai amanhã, e terá sua renda destinada a uma ONG que dá suporte a crianças e jovens vítimas de violência.

E espero também que gostem do conto. Com um bom feedback, quem sabe eu me animo a escrever mais sobre a Terra Sem Males e as suas tribos do lado de lá da cachoeira?

terça-feira, janeiro 09, 2018

Girl Power: coletânea YA chegando em breve




E se houvesse uma coletânea de contos fantásticos que, além de empoderar seus leitores, ajudasse uma ONG que cuida de crianças e adolescentes que sofreram violência e abuso sexual? E se tal antologia reunisse histórias de garotas destemidas, corajosas e dispostas a enfrentar quaisquer adversidades em busca de superação? E se os contos fossem destinados a adolescentes, pré-adolescentes e – por que não?! – aos leitores de todas as idades que se interessam por fantasia e terror  - um terrorzinho de leve, daqueles que fazem a gente se sentar na pontinha da cadeira?


Fiquem ligados, pois em breve lançaremos “GIRL POWER – HISTÓRIAS DE GAROTAS DESTEMIDAS”, uma coletânea com contos de Ana Lúcia Merege, Camila Pelegrini, Carolina Mancini (também responsável pela linda capa!), Fernanda Chazan e Tatiane Durães. A obra estará disponível apenas em formato e-book na Amazon e toda a renda adquirida com a venda do livro será revertida ao CRAMI (Centro Regional de Atenção aos Maus Tratos na Infância), que ajuda crianças e adolescentes do ABC paulista que sofreram violência e/ou abuso. 

sábado, dezembro 30, 2017

Melhores Leituras em 2017: Cinco Romances e Cinco Contistas Nacionais


Pessoas Queridas,

Continuando na mesma tradição que motivou o post anterior, aqui vão os livros nacionais que mais me agradaram ao longo de 2017. Com um adendo: grande parte das minhas leituras de autores nacionais se deu por meio dos contos que publicaram na Amazon, alguns deles solo; então também vou citar alguns contistas que se destacaram, a meu ver, por diferentes razões. Vamos lá?



CINCO ROMANCES

O Segredo do Kelpie, de Aya Imaeda.

Esse livro conquistou meu coração desde as primeiras páginas. Aya Imaeda trabalha com uma criatura que eu nunca tinha visto aparecer em livros nacionais, e o faz com um à-vontade que deriva de uma excelente pesquisa. Combinada a uma grande habilidade para contar histórias, este romance para jovens e adultos vai proporcionar um inesquecível passeio pela Escócia do século XIX, com seus campos verdes, seu folclore – várias criaturas aparecem além do kelpie, todas elas apresentadas com mestria! -- e um punhado de escoceses teimosos e resmungões. Indicadíssimo!

O Romance do Horto, de António Corvo.

Os amantes da literatura medieval não podem perder este livro! Trata-se de uma história saborosíssima, que se entrelaça com várias narrativas daquela época – crônicas de reis, canções de gesta, coleções de contos como o Decamerão – e ecoa em outras, mais contemporâneas, tecendo uma trama rica e sofisticada. Não farei comparações com Umberto Eco nem com Saramago; o prazer que tive com este livro foi único, e eu o recomendo a quem quer que esteja disposto a desfrutar de uma boa história à moda das narrativas do medievo, sem pressa e com atenção.

Machamba, de Gisele Mirabai.

Só depois de ter lido e favoritado vim a perceber que esse e-book venceu o I Prêmio Kindle de Literatura. Trata-se da história de uma brasileira que reconstrói sua vida a partir de memórias fragmentadas – daqui veio a expressão que eu adorei e adotei, porque me traduz, muito bem, “cabeça de ovo mexido” –, e seu jeito de escrever também é cheio de idas e vindas, mas eu o achei muito hábil e envolvente. Recomendo.

Guanabara Real: a Alcova da Morte, de Nikelen Witter, Enéias Tavares e A. Z. Cordenonsi.

Esta é a primeira aventura de um trio de investigadores sui generis no Brasil do final do século XIX. O cenário e a trama são interessantes, mas o que achei mais legal foi a construção dos personagens. Os três protagonistas vêm de backgrounds complicados e são frequentemente marginalizados, por razões várias; a interação entre eles e com os personagens secundários, alguns dos quais também muito bem construídos, agrega profundidade ao livro e dá vontade de prosseguir com a série.

Os Vendilhões do Templo, de Moacyr Scliar

De vez em quando eu acho alguma coisa do Moacyr que ainda não tinha lido e corro para comprar. Este livro parte da conhecida história da expulsão dos vendilhões para compor três narrativas: uma do próprio episódio bíblico – e nessa, confesso, achei o texto um pouco tedioso, confuso – e duas outras, ótimas, ambientadas no território das Missões no século XVII e numa cidade gaúcha contemporânea. Moacyr Scliar é um dos meus autores preferidos e posso dizer que este livro, no geral, não me decepcionou nos dois quesitos básicos: entretenimento e pontos para reflexão. Vale a pena conhecer.

CINCO CONTISTAS

Em se tratando dos romances, falei sobre as obras. Agora falo dos contistas -- de algumas obras em especial, mas quase sempre do conjunto da obra de alguns autores (não que não haja muitos outros) que me chamaram atenção ao longo de 2017.


Cristiano Konno fez sua estreia na coletânea Samurais X Ninjas e vem crescendo a cada novo trabalho. É um prazer acompanhar sua evolução.

Sheila Lima Wing é autora do romance Louco Amor de Fã e de vários contos em que explora questões como aceitação, tolerância e empatia, tudo escrito de um jeito simples e muito hábil.

Renan Santos é outro que cresceu a olhos vistos, um jovem autor no qual devemos prestar muita atenção. Recomendo especialmente sua novela A Canção das Sereias.

Cláudia Dugim é talvez a voz mais diferenciada que tenho lido entre os contistas nacionais. O conto-título de O Desejo de Ser Como um Rio é magistral. Quem não tiver lido ainda, faça a si mesmo/a esse favor e adquira!

Camila Fernandes, autora já consagrada (e um tanto bissexta!), decidiu este ano lançar uma coletânea chamada Contos Sombrios, que eu considero imperdível para leitores de todos os gêneros literários e em especial do fantástico.

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Bom, pessoal, é isso. Obrigada por terem me acompanhado ou pelo menos visitado ao longo do ano. Espero que o próximo seja maravilhoso para todos, quer na Literatura, quer em outras atividades e na vida pessoal.

Abraços pra vocês e até 2018!

domingo, dezembro 24, 2017

Melhores Leituras em 2017 : Cinco Livros Estrangeiros

Pessoas Queridas,

Pensei por um longo tempo antes de escrever este post sobre as melhores leituras de 2017. Como eu já disse em uma postagem do Facebook, li muito pouca fantasia, e praticamente nenhum livro de fantasia épica. No entanto, tradição é tradição, literatura é literatura... por isso, para começar, aqui vão os cinco livros estrangeiros cuja leitura mais me intrigou, mexeu comigo ou simplesmente me deu prazer ao longo deste ano que termina.



The Animal Wife, de Elizabeth Marshall Thomas.

Embora as histórias sejam independentes, pode-se dizer que este livro é a continuação de A Lua da Rena (Reindeer Moon), um dos meus livros favoritos, que muito contribuiu para eu escrever histórias de xamãs e caçadores. O ponto de vista agora é de um rapaz, portanto vemos o lado masculino daquele universo rústico, pragmático, às vezes violento, em que a sobrevivência está sempre por um fio. Por outro lado, as relações familiares formam um mosaico intrincado e determinam boa parte das ações e decisões. O livro não foi traduzido aqui, comprei em e-book pela Amazon; não foi barato, mas valeu muitíssimo a pena.

Aproveito para deixar aqui um link para o meu artigo, bem antiguinho, sobre ficção pré-histórica. Isso se vocês ainda não viram. E outro fica aqui para o meu conto A Mãe da Montanha das Águias, escrito sob influência de A Lua da Rena. Ah, só um detalhe: A Montanha citada é o lugar onde, séculos mais tarde, construiriam o Castelo das Águias.

Os Pescadores, de Chigozie Obioma.

Em meio a um processo de eleição que poderia mudar o destino da Nigéria, quatro jovens irmãos desobedecem às ordens do pai e vão pescar no rio. Ao regressar, encontram um louco que faz uma profecia sombria acerca de um deles, o que interfere poderosamente em sua vida e em seu futuro. A história é narrada com força e sensibilidade, fazendo deste um livro que você não consegue largar até chegar ao final.

As Rãs, de Mo Yan.

Na China dos anos 1960, a política do filho único foi levada às últimas consequências, e os obstetras encarregados de trabalhar em uma região eram responsabilizados pelos nascimentos “fora da lei”. Este livro, em parte ficção histórica, em parte realismo mágico, narra as peripécias de uma delas sob o ponto de vista de seu sobrinho, que viu sua vida, a de sua família e amigos serem marcadas pelo radicalismo dessa medida.

Underground Railroad, de Colson Whitehead.

Cora é escrava numa fazenda do sul dos Estados Unidos. Ao conhecer Caesar, ele lhe conta sobre a rede de rotas clandestinas que ajuda escravos a fugirem para o Norte e para o Canadá, e os dois se lançam numa longa viagem cheia de percalços, conhecendo todo tipo de gente e tendo um vingativo caçador de escravos nos calcanhares. As imagens fortes, o ritmo de escrita e o interesse pelo assunto me fizeram ler esse livro de uma sentada.

A Língua dos Pássaros, de Stephen Kelman.

Narrado sob o ponto de vista de um menino africano, que vive em Londres com a mãe e a irmã mais velha, o livro gira em torno de um cotidiano escolar marcado pela atuação de gangues, pela competição, pelos delitos e por segredos às vezes perturbadores. Os toques ocasionais de humor e lirismo ganham sabor agridoce dentro do grande quadro. Recomendo!

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Bom, Pessoas... Foram esses os livros estrangeiros que mais me marcaram ao longo do ano. Volto depois do Natal para falar dos nacionais, onde vocês encontrarão, finalmente, alguns títulos de fantasia.

Desejo a todos bom período de festas, de encontros, de descanso.

Até breve!

domingo, dezembro 17, 2017

Vitória no Prêmio Argos 2017

Pessoas Queridas,

Ontem, dia 16, ocorreu a cerimônia de entrega do Prêmio Argos de Ficção Fantástica, promovida pelo Clube de Leitores de Ficção Científica. Foi a eleição com o maior número de votantes e eu fiquei entre os cinco finalistas das três categorias: romance, com A Fonte Âmbar, coletânea, com Medieval (que teve Eduardo Kasse como coorganizador) e conto, com o conto de Medieval, O Grande Livro do Fogo.

Eu até achava que poderia ganhar algum dos dois últimos, pois algumas pessoas me disseram que tinham votado em mim, e acompanhei a prévia. Só não esperava ganhar os Argos de coletânea E de conto, e ainda ficar em terceiro lugar na categoria romance. Foi uma emoção enorme, e eu só tenho a agradecer a todos que me apoiaram, leram, votaram e participaram de alguma forma para que isso fosse possível. Em especial ao Erick Santos, editor da Draco, ao meu parceiro Eduardo Kasse e a todos os demais autores de Medieval.

Com o vencedor da categoria romance, Alexey Dodsworth

O vídeo da cerimônia foi gentilmente disponibilizado pelo Eduardo Torres, do CLFC, e pode ser conferido aqui.

Para conhecer A Fonte Âmbar, ler a sinopse e algumas resenhas e conhecer o universo Athelgard, clique aqui

Para conhecer a coletânea Medieval, sua premissa, seus autores, clique aqui

Ilustração de Vilson Gonçalves para O Grande Livro do Fogo

Para saber um pouco mais sobre o conto vitorioso, seu processo de criação, influências e tudo mais, clique aqui.

No mais... Parabenizo a todos os indicados e deixo meu agradecimento a todos aqueles -- autores, editores, leitores, ilustradores, blogueiros, divulgadores -- que contribuem para o fortalecimento da Literatura Fantástica nacional.