terça-feira, junho 23, 2020

Duendes : vencedor do Prêmio Le Blanc

Pessoas Queridas,

No dia 20 de junho aconteceu a live que anunciou o Prêmio Le Blanc, organizado pela ECO/UFRJ e pela UVA - Universidade Veiga de Almeida.

Após os votos populares terem determinado os finalistas, um júri técnico ligado a cada área entrou em ação. Foram premiadas várias categorias de quadrinhos, tirinhas, trabalhos de animação e, ainda, o melhor romance e a melhor coletânea de Literatura Fantástica publicados em 2019. Eeeee...


Sim! Duendes levou o prêmio!

Quero agradecer muitíssimo ao Erick e ao Raphael, da Editora Draco, aos autores que colaboraram com o livro e aos apoiadores que o adquiriram no Catarse, bem como a todo mundo que leu, divulgou, resenhou e se interessou de alguma forma. A vitória é de todos esses e não apenas minha.

Para os que quiserem assistir à cerimônia, conhecer os outros vencedores e me ver pagar mico online, a live está disponível no Instagram.

Aqui, uma prévia do livro, com seu interior e alguns trechinhos dos onze contos, no site do Omelete

E como eu seu que você gostou e vai querer comprar, aqui vão os links para a obra no site da Editora Draco e na Amazon.

Espero que vocês gostem, e... Ai, como estou feliz!

terça-feira, junho 02, 2020

Sonethos dos Profetas, por Evandro von Sydow


o nome deste rio é Maranhão
em Minas coração de Minas se
te causa isso estranheza lembra
o nome desta pedra é sabão


Assim meu amigo de décadas, Evandro Von Sydow, inicia seu livro de sonetos em homenagem aos profetas de Congonhas. E que livro, senhoras e senhores! Além do trabalho delicado de poeta, que é também professor de Literatura, Evandro o faz acompanhar por suas fotos, umas em cores, outras em preto e branco – fotos que ele já gostava de tirar nos tempos em que, adolescentes, fomos juntos a Minas e caminhamos por aquelas cidades e paisagens antigas.

Evandro é autor de outros livros, marido de Camila e pai de um menino lindo chamado Dante. Mora no Rio de Janeiro e será um dos primeiros que eu vou convidar para tomar um café, quando as tempestades passarem.

Agora, meu convite é para que conheçam o trabalho dele, disponível no blog-revista virtual Escamandro

quinta-feira, maio 14, 2020

Na Mesa do Escritor : Coluna no Blog Ficções Humanas

Pessoas Queridas,

Venho contar pra vocês uma novidade muito legal: estou responsável por uma coluna do blog Ficções Humanas, aquele das resenhas e dicas literárias incríveis!


O convite foi feito pelo Paulo Vinícius, e a ideia é compartilhar um pouco da minha experiência como escritora e organizadora de coletâneas. Os assuntos serão os mais variados, indo desde a construção de mundos e personagens até questões ligadas ao mundo editorial.

Os dois primeiros artigos já foram publicados, e vocês podem conferi-los aqui:


Apresentação

Essa Tal de Pesquisa


Espero que vocês passem por lá, deixem comentários e sugestões para textos futuros. Vou adorar!

E fiquem com a famosa "mensagem que eu deixo para meus leitores"...



Até breve, aqui ou no blog Ficções!

sábado, maio 09, 2020

Das Páginas Perdidas de um Bestiário



A criatura nasce em cativeiro, numa jaula de ossos. Dentro desta, para alimentá-la, um coração, do qual irá começar por roer as beiradas, e que, se for frio e consistente o bastante, irá bastar até que chegue à maturidade. Ali ela crescerá, de preferência em segredo: os criadores que deixam seus espécimes à mostra têm menos chances de sucesso. Sabendo disso, a maior parte deles escolhe o anonimato, acabando por se converter em seres tão sombrios e ensimesmados quanto suas criaturas.
O escuro é preferível, assim como o silêncio. Luz e alegria tendem a irritar e inibir os pequenos seres, embora, à medida que crescem, eles se tornem mais resistentes. Perto da idade adulta, já não importa se contam ou não com um ambiente tranquilo, prosperam ainda que em meio à algazarra e ao entusiasmo, e alguns são capazes de coexistir até mesmo com a felicidade. Para que isso aconteça, basta garantir que já tenham devorado a maior parte do coração, e é ainda melhor que tenham se aninhado em seu interior, garantindo o fluxo contínuo de sangue para o interior de suas próprias artérias. Quando isso chega a acontecer, pode-se ter certeza de se haver atingido o sucesso: consumido o coração hospedeiro, em pouco tempo a criatura romperá com garras e dentes a jaula de ossos e se lançará sobre o inimigo.
Então, tudo pode acontecer. Talvez o contendor seja destruído, talvez apenas ferido; talvez saia incólume, cantarolando uma canção pelas estradas enquanto a criatura agoniza em meio ao sofrimento de seu criador. Este é sempre quem recebe o dano maior, razão pela qual não compreendo como pode haver demanda. O sacrifício me parece grande demais, sem que se tenha, ao menos, garantia do resultado.
E, ainda assim, cada vez mais pessoas se esgueiram pelas ruas, braços cruzados sobre o peito, acalentando o ódio que aos poucos lhes devora o coração.

***

Imagem: reprodução de manuscrito de Leonardo da Vinci

terça-feira, março 31, 2020

Na Quarentena : Comédia de Erros

      Após onze dias em isolamento, para fazer compras no mercado em frente de casa. Não usei luvas, porque não achei para comprar, mas estava de máscara e com o cabelo preso em coque. Pensei que estaria irreconhecível, mas mal entrei as caixas saudaram: "Oi, Ana!" "Tá sumida, estranhei!" , e o gerente "Aqui o nosso número se a senhora quiser fazer compra pelo zap". Mas o zap não garante a data de validade do queijo minas, então... a senhora entrou.

      Depois das compras - mercado bem abastecido, não muito cheio, só uma ou duas pessoas de máscara, mas dando bom espaço de uma para a outra na fila --, voltei com alguns itens de geladeira e cruzei com minha vizinha, Ana Cristina, subindo com compras pedidas por Whatsapp no mesmo mercado. Entrei, fiz todo o ritual de tira roupa/tira máscara/higieniza produto/guarda produto e estava quase no fim quando tive que me paramentar de novo e descer pra pegar minhas compras. Estava esvaziando o carrinho quando toca o interfone. Meu marido atende e o porteiro informa:

     -- Seu João, o rapaz da entrega voltou e disse que vieram umas coisas que não são pro seu apartamento.

     -- Olha, João -- eu, da porta, conferindo as compras e o nome inequívoco na papeleta de entrega: -- Eles misturaram minhas compras de produtos resfriados com as da vizinha.

      Meu marido entende e avisa ao porteiro que já vou descer. O porteiro:

      -- Seu João, ele está dizendo que "Dona Lúcia" já tinha levado seus gelados para casa.

      Meu marido informa que não, que alguns de meus itens não foram entregues. O rapaz do mercado assume a interlocução e há uma irritada troca de frases entre ele e João, que ele tentava convencer a todo custo de que eu só tinha o que devolver e não o que pegar. Mas vê lá se eu vou abrir mão das minhas pizzas e das minhas bandejas de frango. No way! Termino de esvaziar o carrinho, desço com ele e a sacola e levo cinco minutos explicando que eu tinha pegado o iogurte, sim, mas o frango e a pizza não, e que a sacola da Ana Lúcia tinha ido para a Ana Cristina, três andares abaixo. Que, avisada, desceu com meu frango e pizza e pegou seu queijo, salsichas e... as mesmas pizzas, que de relance haviam nos confundido e nos feito subir com as sacolas trocadas.

   Shakespeare escreveu ótimas peças em quarentena, mas essa é a melhor Comédia de Erros que eu sou capaz de narrar.

***

   Imagem retirada da loja online do Magazine Luiza, que está fazendo bonito neste período complicado: fez uma doação para ajudar a quem precisa e não vai demitir ninguém nos próximos meses. Porque o oceano é feito de muitas gotas.