terça-feira, agosto 09, 2016

O Grande Livro do Fogo: Meu conto na coletânea "Medieval"



Meu fascínio pelo Oriente não começou ontem. Sempre gostei de saber que tinha antepassados vindos do Líbano e do Algarve; fiz minha monografia de fim de curso sobre a influência do Islã na literatura ibérica, e desde então tenho estudado e publicado mais alguns artigos de divulgação por aí. O início dessa atração, porém, foi muito anterior: foi do tempo em que, criança, eu devorava recontos de histórias orientais, como as de Simbad e Aladim, e os livros de Júlio César de Mello e Souza, mais conhecido pelo pseudônimo de Malba Tahan.

Quando o Eduardo Kasse e eu começamos a bolar a “Medieval”, não precisei pensar muito para decidir que escreveria sobre a Ibéria muçulmana. Também me veio muito rápido a ideia de fazer desse conto uma espécie de tributo a Malba Tahan, inclusive no que se referisse ao estilo de escrita. Alguns dizem que ela é datada, e eu tenho que concordar que dificilmente o autor agradaria às crianças de hoje. No entanto, ao que percebo, ele tentava emular o tipo de narrativa que se encontra em clássicos como “Calila e Dimna” (uma coleção de contos orientais, mandada traduzir pelo rei Afonso X de Castela no século XIII) e “As Mil e uma Noites” (conhecidas no Ocidente a partir da tradução de 1704, pelo francês Antoine Galland). Por isso resolvi arriscar, usando inclusive o “vós” e as mesóclises, sem falar nas hipérboles, nos adjetivos, nas invocações e nas exclamações. Se vai dar certo ou não… Bom, o futuro dirá.

Por falar em futuro, esse é, pode-se dizer, o tema central da história. Ou talvez não seja o futuro, mas o destino, que, segundo um dos meus contos favoritos de Malba Tahan, se inscreve num livro mágico, dificílimo de encontrar. Pois outra coisa que eu logo decidi foi fazer uma espécie de releitura do conto “O Livro do Destino”, aqui chamado de “O Grande Livro do Fogo”, pondo à sua procura meus personagens que, no início, deveriam ser um muçulmano, um cristão e um judeu. Logo nos primeiros rascunhos desisti dessa ideia em favor de um casal muçulmano, mais tarde convertido numa dupla de pai e filha e acrescido de um estudioso que representa os muitos eruditos cordobeses. Por meio dele não faltaram menções a personagens e fatos da época, nem, é claro, à grande biblioteca que funcionou vários anos sob a supervisão de uma mulher notável, Lubna de Córdoba.

Além desse enquadramento histórico, eu decidi usar os elementos mais emblemáticos das histórias de sabor islâmico, tais como os gênios e os tapetes voadores. Também temos doces muito doces, turbantes, babuchas e um pai cujo maior anseio é ver sua filha bem casada. Só faltaram os camelos (mas acho que mesmo assim eles são citados em algum lugar). E, em meio ao clima de “Sessão da Tarde” que eu tentei dar à segunda parte do conto, há espaço para um pouco de humor e também um tiquinho de melodrama.

A ilustração que acompanha este post foi feita a meu pedido pelo escritor, professor e artista plástico Vilson Gonçalves. Nela se podem ver nossos três heróis partindo rumo à aventura, acompanhados por ninguém menos que… uma águia dourada. Não fui eu que pedi para ela estar ali. Talvez tenha fugido de algum outro livro, onde tem uma contadora de histórias que não é a Sherazade… ;)

Enfim, espero que os leitores de “Medieval” curtam bastante a viagem nesse tapete mágico. E pensem bem no que desejam para o futuro. Quem sabe um dia surge a oportunidade de acrescentar palavras às páginas do Grande Livro do Fogo?

Medieval está à venda na Amazon e no site da Editora Draco. Em breve teremos também a versão digital, compatível com vários leitores de e-book. 

segunda-feira, agosto 01, 2016

Feliz Imbolc


Pessoas Queridas,

Apesar da minha espirituosidade-não-exatamente-religiosa se identificar mais com os nativos americanos, eu acho muito legal o conceito da Roda do Ano usada pelos praticantes de Wicca.

Hoje, para os que vivem no Hemisfério Sul, é comemorado o Imbolc, ou Candlemas, que celebra o despertar do Sol e o poder da Terra, e eu espero que seja também um momento de despertar e de entrar em ação - de uma maneira positiva - para todos nós que procuramos fazer do Planeta Azul um lugar melhor de se viver.

Tudo de bom neste mês de agosto!

sexta-feira, julho 15, 2016

Cabuloso Cast 172 : Muito Além da Jornada do Herói



Pessoas Queridas,

Esta semana foi ao ar o Episódio 172 do Cabuloso Cast, onde, com a mediação do Lucien, o Bibliotecário, discuti a Jornada do Herói com Pablo de Assis e Ivan Mizanzuk.

A gravação foi feita há um bom tempo e, claro, teve bastante edição. Ouvindo de novo, fiquei agradavelmente surpresa por perceber que tem muita informação ali, um conteúdo que realmente pode interessar a escritores, pesquisadores e todos os que curtem o assunto. Falamos das limitações da Jornada do Herói, de suas vantagens em alguns casos, de sua aplicação a histórias do Oriente e da África (talvez por isso boa parte da trilha sonora é de O Rei Leão !), da ideia de "história única" sobre a qual nos alertou Chimamanda Ngozi Adichie, de diversidade, representatividade e muito mais.

Se vocês quiserem ouvir, acho que serão duas horas bem empregadas. ;)

domingo, julho 03, 2016

Medieval : contos de uma era fantástica


Pessoas Queridas,

É com grande orgulho que anuncio a pré-venda de uma coletânea que organizei juntamente com o Eduardo Kasse, autor da série Tempos de Sangue e, mais que um parceiro literário, um grande amigo que eu espero conservar pela vida toda.

Nesta "Medieval" nós quisemos resgatar a tradição da fantasia histórica, distanciando-a um pouco do que hoje conhecemos como alta fantasia -- a obra de Tolkien, por exemplo -- e a ambientando na Idade Média do nosso universo, inclusive no que se refere ao imaginário próprio de cada local visitado. Isso porque não nos limitamos à Europa; alguns autores excursionaram pelo mundo islâmico e por várias terras do Oriente, fazendo deste um livro surpreendente pela diversidade e riqueza das narrativas.

Em breve, no blog da Draco, esperamos compartilhar os depoimentos de alguns autores sobre o processo de criação desses textos. Eu também falarei do meu, que ganhou até mesmo uma ilustração exclusiva. Por ora, ficam aqui a belíssima capa do Erick Sama, inspirada em livros medievais, e o link da pré-venda no site da editora.

Que sua imaginação viaje, seja num drakkar, num tapete mágico, num corcel de batalha -- ou simplesmente nas páginas deste livro!