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domingo, dezembro 23, 2018

Um Balanço de 2018 - Produção Literária


Pessoas Queridas, 

O ano vai chegando ao fim, e eu estou muito cansada em vários sentidos, mas queria deixar um registro daquilo que fiz no campo da Literatura. A ideia é falar da produção, depois das publicações, dos eventos de que participei... Bom, não sei se farei tudo isso, ou se o farei ainda este ano, mas começar já é alguma coisa! 

Eu entrei em 2018 com dois trabalhos importantes já iniciados: "Orlando e o Escudo da Coragem", que pertence ao universo de O Castelo das Águias, e um dos Contos da Clepsidra, narrando a viagem de Lísias e Balthazar à Creta do Rei Minos. "Orlando" era o foco maior, porque eu queria que fosse publicado na Bienal. Era um livro curto, para um público jovem, que eu tinha boa ideia de como seria, mas foi mudando muito ao longo do processo. Finalmente ele foi concluído a tempo de passar pela leitura beta e crítica e de ser lindamente ilustrado e editado pelo super Erick Sama. Ficou com um pouco mais de 30.000 palavras.



Estou muito feliz com esse trabalho, que vem recebendo elogios e que espero seja adotado em duas ou três escolas ano que vem, além de já estar nas mãos de várias crianças. Espero que vocês gostem. Se alguém se interessar, aqui está o link para o livro no site da Editora Draco.

Enquanto escrevia "Orlando e o Escudo da Coragem", eu ia também produzindo muitos textos no universo dos Contos da Clepsidra, mas que dizem respeito a histórias da nova geração. Ao terminar "Orlando" e voltar dos eventos de meio do ano (FLIP e Bienal), voltei a mergulhar nos mares de Creta e... eis que o conto virou novela, praticamente do mesmo tamanho do "Orlando". "Os Touros de Creta" permanece inédito e eu espero publicá-lo dentro de um ou dois anos junto com outras histórias de Balthazar e Lísias.
Ilustração para "Os Touros de Creta" por Hidaru Mei


Ao concluir "Os Touros de Creta", eu estava envolvida com a geração seguinte dos Contos da Clepsidra, e eis que produzi uma série de seis contos longos narrados por Liserbal, um dos filhos de Sikkar de Cartago. Metade ainda está no caderno, mas serão, por baixo, umas 60.000 palavras, que devem ser publicadas apenas online ou no máximo em e-book. Por quê? Porque são contos "slice of life", falam mais do desenvolvimento dos personagens, têm muito pouco de fantástico e propriamente de aventura. São contos que quero dar de presente a quem ler as histórias mais "emocionantes" que sairão em livros. Ou são contos que eu me dei de presente. Vai saber? ;)

Liser e sua esposa prestes a saborear um
delicioso peixe com molho de garum, por Sheila Lima

Então, com a conclusão de "Orlando" e de "Os Touros de Creta" e dos contos de Liserbal, mais outras coisas esparsas escritas aqui e ali - e sem contar os textos de divulgação, posts e outras coisas - eu escrevi 183.326 palavras de janeiro até agora. O número deve aumentar em no máximo umas 5.000 até o fim do ano. É um pouco menos que ano passado, mas a produção poderia ter sido menor ainda; estou muito orgulhosa dos resultados obtidos.

****

E aqui, pessoas queridas, não tem ilustração, mas se tivesse seria uma grande porta aberta, e todo um mundo de histórias que esperam lá fora. Quero vivê-las, espero escrevê-las, prometo partilhá-las.

sábado, dezembro 01, 2018

Vitória no Prêmio Argos 2018

A capa maravilhosa do nosso livro.
Por dentro é incrível também. Trabalho do Erick Sama! 

Pessoas Queridas,

É com prazer e orgulho que comunico a vitória de "Magos: histórias de feiticeiros e mestres do oculto" na categoria coletânea do Prêmio Argos de Ficção Fantástica, conferido pelo CLFC - Clube de Leitores de Ficção Científica.

O livro concorreu com várias outras coletâneas, algumas autorais, outras, como a nossa, com participação de vários autores. Em "Magos", somos doze, cada qual com seu estilo e sua história para contar: Eduardo Kasse, Simone Saueressig, Erick Santos Cardoso, Karen Alvares, Marcelo A. Galvão, Vivianne Fair, Eric Novello, Liège Báccaro Toledo, Charles Krüger, Melissa de Sá, Cirilo S. Lemos... e eu, é claro! Passamos por muitos subgêneros da fantasia, que vão desde a fantasia urbana ao weird west e dois contos fenomenais de fantasia histórica, passando, é claro, pela fantasia épica com elfos e unicórnios.


"Magos : histórias de feiticeiros e mestres do oculto" foi lançado na Bienal 2017 e sempre está à venda nos eventos de que a Editora Draco participa. Também pode ser encomendado em livrarias ou no site da editora, seja na versão impressa ou em e-book. Basta clicar aqui.

Balthazar e Lísias, personagens de "O Ouro de Tartessos"
e de outros contos da série de fantasia histórica "Contos da Clepsidra".
Ilustração de Angela Takagui

Outra conquista no Argos foi o terceiro lugar na categoria conto, obtido por "O Ouro de Tartessos", que foi publicado pela Draco como e-book. Para adquiri-lo, clique aqui.

Enfim, estou muito feliz com essa dupla vitória, que me motiva a seguir em frente. Espero que vocês conheçam meu trabalho -- meu, não, nosso! -- e que curtam bastante! E depois me digam.

Grande abraço a todos!

quinta-feira, novembro 08, 2018

Novo Livro com o Projeto Pegaí e a Editora Draco

Pessoas Queridas,

Acabo de voltar do Paraná, onde aconteceram muitas coisas incríveis.

Antes da Literatiba, que eu tinha anunciado aqui e que também foi bem legal, estive na cidade de Ponta Grossa, sede do Projeto Pegaí Leitura Grátis. Lá visitei duas escolas -- o Colégio Bom Pastor e a Escola Desafio -- e, ainda, o Hospital de Livros que funciona na Penitenciária Estadual da cidade. Mas devo confessar que o momento mais emocionante se deu na noite de 31 de outubro, quando foi lançado "Contos Fantásticos de Avós Extraordinários", meu segundo livro a sair pelo Projeto Pegaí, com parceria da Editora Draco.

No lançamento, feliz da vida!

Para quem não sabe, em 2015 já tinha sido lançado um título, O Tesouro dos Mares Gelados, que teve 3.000 exemplares disponibilizados de graça nas estantes do Projeto. Agora, com o Pegaí Leitura Grátis indo de vento em popa, foram nada menos de 5.000 exemplares, que trazem quatro contos sobre avós e netos. Dois se passam em Athelgard, com o jovem saltimbanco Zemel (de Pão e Arte) e seu avô Thiers e nossa conhecida Anna de Bryke e sua avó Kyara; um é de Balthazar, dos Contos da Clepsidra, com suas netas adotivas Nikka e Jeza; o último se passa no espaço sideral, no universo Medistelara, que os leitores passam agora a conhecer.

Escola Desafio

A capa é ilustrada por Vilson Gonçalves e o projeto gráfico foi do Erick Sama, da Editora Draco, que, assim como eu, não recebeu nem um centavo pelo trabalho ou pelos exemplares. Nossa recompensa foi apenas a divulgação da marca e, claro, a satisfação de levar literatura fantástica a um círculo cada vez maior de leitores.


Colégio Bom Pastor

Nós receberemos alguns exemplares para divulgação, que serão prioritariamente doados a escolas, bibliotecas públicas e projetos de leitura. Uns poucos podem ser dados de brinde a quem adquirir meus livros. Mas quem não conseguir não precisa ficar triste! Em breve, "Contos Fantásticos de Avós Extraordinários" sairá em e-book pela Draco, e até lá todos os contos podem ser lidos gratuitamente aqui na Estante, bastando acessar esta postagem.

Só não se esqueçam de deixar um feedback nos comentários!

quarta-feira, junho 06, 2018

O Inverno da Vida e da Morte : trecho do conto em andamento


Pessoas Queridas,

         Tendo fechado o próximo livro de Athelgard  e mais um outro que é surpresa, deixo com vocês um trecho do conto em andamento, narrado por um personagem da nova geração dos Contos da Clepsidra -- Liserbal -- em que ele reconstrói lembranças de quando era bem criança e estava prestes a ganhar um irmão. Ou irmã, como sua mãe reivindicava depois de dar dois varões à família do marido. Complicado? É que estamos em Cartago, em torno do ano 314 antes da Era Cristã. E mesmo assim essa é uma família bem avançada para os padrões da época. :)
         Se alguém quiser ler e opinar, ficarei feliz!



-- Liser! – Do cômodo onde as mulheres se reuniam para tecer, minha mãe me viu e me chamou antes que encontrasse os homens. – Onde vai com essa pressa? Me diga o que aconteceu.
-- Foi o Tio Aníbal – ofeguei, sem querer parar, porque eu era um soldado com uma missão. Minha mãe, porém, me deteve com um franzir das sobrancelhas, e logo minha avó Enidala deixava o tear e corria para me pegar pelos braços.
-- O que houve com seu tio? – perguntou, aflita.
-- Levou um tombo, no jardim – respondi, e a comoção foi geral. Minha avó me largou e correu ao encontro do irmão; minha mãe, pesada demais para correr, mandou uma das tecelãs chamar meu pai e me deu a mão para irmos juntos até o jardim. Seus dedos eram macios e quentinhos. Cheguei o mais perto dela que pude, mas evitei olhar para sua barriga, porque nos últimos tempos ela vinha se mexendo sozinha, e aquilo me assustava um pouco. Era muito diferente de pôr a mão e sentir os movimentos lá dentro. A Avó Zora tinha explicado que o novo irmãozinho era muito inquieto, e que por isso gostava tanto de se mexer, mas mesmo assim eu preferia não olhar. Compensaria brincando bastante com ele quando nascesse. Mesmo que fosse uma irmã, como minha mãe vinha pedindo em suas preces a Pene-Baal desde que engravidara pela terceira vez. Não que ela não houvesse se alegrado com a chegada de Tarish, de olhos verdes como esmeraldas, que recebera o nome do avô caravaneiro. Amaria do mesmo jeito o novo bebê, se viesse menino. Mas, uma vez que dera herdeiros varões à Casa Aníbal, ter pelo menos uma filha era um direito que minha mãe reivindicava como seu.


***

Ilustração em estilo fofo pela Sheila Lima Wing. Aqui o pessoal do conto já está mais velho, e a família está completa. Quem você acha que é o Liser?

Curtiu? Leia outro conto do pessoal de Cartago clicando aqui.

terça-feira, julho 04, 2017

De Amor e Eternidade : parte 2

-- E nessas viagens todas, Avô Baltha, quem você mais gostou de conhecer? – perguntou Nikka. – Os deuses do Egito?
-- Aposto que foram as ninfas – disse Jeza, com expressão marota.
-- Não. Os deuses eram muito carrancudos, e as ninfas não sabiam conversar, só davam risadinhas.
-- Então quem? O príncipe que dançava com os touros?
-- Teseu? Aquele baixinho invocado? Não mesmo – disse Balthazar.
-- E o homem do cavalo de pau? Esse era esperto.
-- Sim, era. Podíamos ter sido amigos – suspirou o fenício --, mas Lísias e eu estávamos do lado dos troianos.
-- Já sei! – exclamou Jeza, batendo palmas. – Você gostou do rei de Tiro, aquele que mandou a madeira para o amigo dele construir o templo.
-- Foi uma honra estar na presença do Rei Hiram, que eu admirava desde criança – confirmou Balthazar. – Mas não chegamos a ser próximos, e no decorrer das viagens encontrei pessoas a quem me afeiçoei bem mais. Em geral, pessoas comuns, das quais ninguém ouviu falar. Mestre Gaspar e seu discípulo Belchior, os atores no festival de teatro, Tita, a garota que me livrou de morrer na arena. Não vou me esquecer deles, apesar de ter conhecido deuses e reis.
-- Você passou todo o tempo das viagens querendo voltar para Cartago, não foi? – perguntou Jeza, muito séria. – Lísias sempre errava de tempo e de lugar quando dizia o encanto, mas era para cá que vocês estavam tentando vir.
-- Mais ou menos. – Ele preferiu não explicar sobre Alexandre da Macedônia e o desejo de vingança que o fizera procurá-lo: isso levaria ao massacre de Tiro e da sua família de sangue, histórias dolorosas demais para os ouvidos de duas garotinhas. – Eu queria voltar ao barco e reencontrar seu pai, ajudá-lo a acabar de derrotar os piratas. Não queria ser lembrado como o capitão que deixou seus homens para trás. Nessas tentativas nós até conseguimos vir a Cartago, uma vez no passado, outra no futuro. Nenhuma dessas viagens foi muito boa.
-- Ah, Avô Baltha! Essa do futuro é que a gente menos gosta. – Nikka franziu a testa. – Você falou que Cartago tinha acabado. Como é que pode?
-- Não é que tivesse acabado. Foi conquistada. – Evitou cuidadosamente as palavras cruéis: destruição, massacre, sacrifício. – Houve uma série de guerras e, no final, Cartago passou a ser dos romanos. Tudo que era cartaginês...
-- Ah, olhe só! – exclamou Jeza, sacudindo o dedinho como se o tivesse pegado numa mentira. – Os romanos? Aníbal disse que isso é impossível. Roma nunca poderia vencer Cartago. É por isso que ele diz que as histórias são inventadas.
-- Pois eu conheci outro Aníbal que provaria o contrário. Mas tudo bem. Essa não é mesmo uma boa história. – Ele se lembrou daqueles dias sombrios, a pavorosa travessia dos Alpes, Lísias chorando junto ao cadáver de um elefante. – O que eu preciso que vocês acreditem é que eu sei, de fato, algumas coisas que vão acontecer no futuro – guerras, por exemplo – e tento usar isso para ajudar seu pai, porque ele agora é como se fosse meu filho. Eu não sei tudo – desculpou-se --, mas só quero o que for melhor para vocês.
-- A gente sabe disso, Avô Baltha. – Nikka, que estava sentada no chão, pôs a mão em seu joelho.
-- É sim. Que bom que você conseguiu voltar! – exclamou Jeza, dando-lhe um abraço.
O capitão fechou os olhos e sorriu, emocionado. Sim, valera a pena, apesar de tudo que deixara para trás. Só esperava viver o bastante para cumprir a missão que impusera a si mesmo, que o impedira de seguir Lísias até onde ele estava agora, navegando entre as estrelas: com seu conhecimento do futuro, não partiria em paz se não assegurasse que os descendentes de Sikkar iriam sobreviver à queda de Cartago. Vinha trabalhando nisso desde que voltara, abrindo uma filial da casa comercial da família e criando um lar acolhedor para os netos em Alexandria. Não que a cidade egípcia fosse atravessar ilesa os próximos séculos, também passaria por guerras e conflitos, mas ficaria de pé, ao menos até o ponto que ele e Lísias tinham sido capazes de ver. Fora o porto mais seguro que conseguira encontrar para as próximas gerações.
Lísias teria apoiado sua decisão. Era o que dava a entender quando se encontravam em sonhos, nos quais ele nunca surgia como o menino dos primeiros tempos e sim como nas viagens da clepsidra, um jovem marinheiro com uma penugem loura no queixo e um colar do qual pendia uma concha de múrex. Faltava apenas o golfinho de vidro colorido que usara nos últimos anos. Os sonhos também transcorriam sempre do mesmo jeito, com os dois deitados no convés de um barco, olhando estrelas, como tinham feito tantas vezes, em diferentes épocas e lugares. No entanto, ao contrário do que seria de se esperar, Lísias não dizia nada, apenas ouvia as histórias de Balthazar, e só abria de verdade um sorriso quando o fenício contava as proezas dos netos. Como teria gostado de conhecê-los!
E aquelas meninas, Nikka e Jeza, que tinham nascido tão frágeis e cresciam tão fortes – Lísias certamente as teria amado. O capitão olhou para as duas, engenhosas e cheias de carisma como o pai, decididas como a mãe a quebrar as barreiras impostas pelo sexo, e pensou nelas dali a alguns anos, percorrendo os corredores da Grande Biblioteca para desvendar seus segredos. Buscando viver os ideais que os contos da clepsidra haviam despertado. Esse seria o legado que Balthazar deixaria sobre a terra.
-- Meninas! Dando trabalho ao capitão? – Era Núria, a aia siciliana, que vinha descendo as escadas. – O bebê dormiu, e sua mãe está descansando também. Venham comer alguma coisa e se lavar, e assim, quando ele acordar, vocês vão poder logo subir para brincar com ele.
-- Podemos, Avô Baltha? – Jeza o olhou com expectativa.
-- É claro. Já falei um bocado por hoje. Podem ir.
-- O senhor quer beber alguma coisa? – indagou Núria, solícita. – Água, suco, vinho de tâmaras?
-- Depois. Leve as meninas, eu fico um pouco mais por aqui, tomando a fresca.
Piscou para a moça, que enrubesceu, baixando o rosto para esconder o sorriso. Muito bem, Capitão Balthazar. Pelo futuro dos seus netos, que aquele fosse o prenúncio de pelo menos mais duas décadas de vigor e saúde.
Nikka e Jeza beijaram sua barba – um gesto de respeito, muito antiquado na visão do fenício, mas ainda se usava em Cartago – e acompanharam a siciliana. Imprecações em helênico vinham da sala ao lado, onde o preceptor tentava ensinar retórica aos irmãos delas, de treze e onze anos, que só pensavam em travessias do deserto e proezas navais. Esses seriam os primeiros a aceitar a ideia de mudar de cidade. Aníbal, o teimoso primogênito de Sikkar, e o irmão seguinte, de temperamento indeciso, talvez ficassem lá até o fim da vida, mas não fazia mal. Seus filhos, netos ou bisnetos saberiam para onde ir quando a guerra se abatesse sobre Cartago. Quanto a ele, Balthazar, já não caminharia neste mundo, mas ali não cabiam arrependimentos. Outra eternidade o esperava ao fim da jornada. Ou será que todas as suas viagens, todos os encontros com deuses e heróis, todas as surpresas vindas de pessoas comuns não o tinham feito compreender que existia algo além?
-- Nós sabemos melhor, meu Lísias – murmurou o capitão, tateando sob a gola da túnica e encontrando o golfinho de vidro. – Um dia...  

Um vento leve beijou seus cabelos quando ele apertou o talismã contra o peito, junto ao coração.

***

Então? O que acharam do conto? O feedback de vocês é muito importante, porque estou escrevendo histórias sobre Nikka, Jeza e os demais irmãos, mas alguns já devem conhecer o Balthazar e o Lísias. Alguns contos deles estão em e-books e outro está disponível aqui na Estante. 

Para quem quiser vê-los, aqui vão os links:

Os Pilares de Melkart (na coletânea "Piratas")
            O Ouro de Tartessos
            A Caverna de Zakynthos
            Em Busca do Rei 

Ah, e a Parte 1 deste conto, para quem não leu. :)

Muito obrigada -- e volte sexta-feira, que tem mais uma dupla à sua espera, desta vez de avó e neta!

segunda-feira, julho 03, 2017

De Amor e Eternidade : parte 1



O primeiro conto do projeto nos leva até a Cartago do século IV a. C. Ali, Balhazar de Tiro (que meus quatorze leitores e meio devem conhecer) foi adotado como avô pelos filhos de seu antigo ajudante, Sikkar, sobrinho do rico negociante Aníbal, o Achacoso. Ele visualiza um futuro para a família longe de Cartago, especialmente para as gêmeas Nikka e Jeza, a quem conta histórias do seu passado com a clepsidra mágica... e com alguém de quem nunca foi capaz de se esquecer. 

A ilustração foi pedida a Sheila Lima Wing, que tem um traço limpo, bem legal para ilustrar histórias para crianças ou jovens. E aqui vai uma confidência: estou escrevendo histórias da Nikka e da Jeza um pouco mais velhas. Espero que vocês gostem e deixem muitos comentários!


-- Ei, vocês, podem parar! Aonde as gatinhas sorrateiras pensam que vão?
Balthazar cruzou os braços e fez cara de mau. Pegas em flagrante, as gêmeas se deram as mãos, faces vermelhas num primeiro momento, para explodir em risadinhas logo a seguir. O fenício também riu. Atravessando a sala, sentou-se num divã, próximo à janela, e chamou as garotas para junto de si.
-- Sua mãe está fazendo seu irmãozinho dormir – explicou, pela terceira ou quarta vez, apontando a escada. -- Não é para vocês irem lá em cima.
-- Ah, Avô Baltha, a gente só queria ver ele. É tão gordinho e fofinho – disse uma das gêmeas, apertando as próprias bochechas.
-- E a gente não iria fazer barulho. Tiramos até as pulseiras – disse a outra, estendendo os braços.
-- Eu sei, mas ele fica agitado quando vê vocês, mesmo que estejam quietas. Sua mãe precisa de tranquilidade, e sua aia está ocupada, então vamos ficar um pouco aqui embaixo, certo?
-- Certo, mas a gente pode brincar? – perguntou a menina. Balthazar concordou, e ela olhou com malicia para a gêmea antes de prosseguir. – Adivinha quem eu sou: a Nikka ou a Jeza?
-- Hum... Deixe-me ver. – Enrolou a barba branca entre os dedos, fazendo-as rir: o Avô Baltha era um ótimo parceiro de jogos. – De manhã me disseram que Nikka estava de verde e Jeza de lilás. Mas vocês podem ter trocado uma com a outra nesse meio-tempo, não podem?
-- Podemos. – As vozes iguais, os dentes como gotinhas de leite, um deles faltando. Até os dentes elas mudam ao mesmo tempo, pensou o capitão.
-- Bom, não sei se trocaram de roupa, então... Já sei: levantem o braço direito. Aaaargh! Podem baixar, já vi que as duas vão precisar de um bom banho daqui a pouco!
Com isso, as crianças se puseram a rir, uma apenas divertida, a outra gargalhando tanto que teve de segurar a barriga. Essa devia ser Jezabel, que chamavam de Jeza, sempre disposta a uma brincadeira. A outra, mais comedida, era Nikka, apelido de Nikkal. Se bem que ele tinha um jeito infalível de saber, bastando olhar a trancinha discreta, quase escondida entre os cachos negros da gêmea risonha. Aquilo fora feito em segredo por Núria, a aia siciliana, enquanto as duas dormiam – e não fora descoberto, nem refeito por dedinhos de sete anos no cabelo da irmã mais séria.
-- Bom, vou arriscar. Você, que não para de rir, é a Jeza – disse Balthazar, sem querer deixá-las ganhar todas as vezes. – A outra é a Nikka. E vocês não trocaram de roupa. Acertei?
-- Acertoooou! – Jeza se atirou para a frente, caindo nos seus braços e o beijando na face antes de subir no divã.
-- Como você descobriu? – Nikka o olhou desconfiada.
-- Ah, eu conheço vocês – disse ele, evitando revelar o truque da siciliana. – Mesmo vivendo em Alexandria e vindo poucas vezes a Cartago, conheço o jeito de todos os meus netos.
As palavras saíram de seus lábios com facilidade. Ele conhecera o pai e a mãe daquelas meninas quando bem jovens, e, com o tempo, passara a amá-los como se fossem do seu sangue. Agora tinham sete filhos, e Balthazar se sentia um avô de verdade, gostava de aconselhar os rapazes mais velhos e de brincar com as crianças. Estava encantado com o novo bebê. Em tudo e por tudo, por mais que anos atrás isso parecesse impossível, aqueles cartagineses tinham se tornado a sua família, e isso o ajudava a aplacar a dor de tantas perdas.
E, ainda assim, às vezes ele tinha que achar maneiras de extravasá-la.
-- Bom, venci o jogo – disse, sorrindo para as gêmeas. – Agora, quem quer ouvir uma história?
-- Eu! – gritaram as duas.
-- Uma história do Lísias – disse Jeza, como Balthazar esperava que uma delas fizesse. – Mas não uma das tristes, em que vocês viram escravos e são chicoteados ou coisa assim. Conte uma engraçada.
-- Qual? A do Epaminondas?
-- Não, a do cachorro não. A do camelo Menelau – propôs Nikka.
-- Ah, essa também não – disse Jeza. – Conte uma nova, Avô Baltha!
-- Uma nova? Acho que já contei todas.
-- Invente uma – replicou a menina.
-- Não posso. Essas histórias não são inventadas.
-- Aníbal disse que sim – teimou Jeza. – Que o Lísias existiu, claro, mas era só um escravo que viajava com você. Não houve nada dessas histórias de clessipidra.
-- Clepsidra – corrigiu Balthazar. – Seu irmão diz isso porque é um cabeça-dura, igual ao velho tio de quem herdou o nome. A clepsidra era real. Lísias e eu viajávamos com ela para o passado e para o futuro. Já contei como a conseguimos?
-- Eu sei! No templo do deus egípcio! – exclamou Nikka.
-- Não, não. Você está misturando as coisas. A clepsidra era de Thoth, o deus egípcio de cabeça de íbis, mas nós a pegamos num templo dos helenos. Do deus do mar, que eles chamam de Poseidon. Então, estávamos na ilha de Ebusos...
Foi em frente, contando como um estranho sacerdote egípcio o contratara para roubar a relíquia, como eles tinham feito para descobrir o encanto da viagem no tempo e como Lísias o usara pela primeira vez, tirando-os de cena em meio a um ataque de piratas. Enfeitou a narrativa para ressaltar a bravura de Sikkar, o pai das meninas, embora não tivesse visto como ele se saíra em combate. Tudo que sabia é que ficara vivo e negociara sua liberdade e a dos companheiros remanescentes, paga por seu tio Aníbal, que era o dono do barco. Isso naquela outra linha da história, a linha em que Balthazar não retornava de suas viagens. Por que, no fim, tinha escolhido um caminho diferente? Essa pergunta o acompanhara por um bom tempo depois de voltar a Cartago.
E só mais tarde – bem mais tarde – ele conseguira entender.

(Continua... Mas, para quem ficou curioso, dá para ler, aqui mesmo no blog, a história do Camelo Menelau.)

Sigam para a Parte 2!

quinta-feira, junho 01, 2017

domingo, fevereiro 12, 2017

O Ouro de Tartessos : Nova Aventura de Balthazar e Lísias


Pessoas Queridas,

O Balthazar e o Lísias não param!

Além do conto A Caverna de Zakynthos e da coletânea Piratas, eles estão numa nova história solo, O Ouro de Tartessos.

Eis a sinopse:

Acompanhado por Lísias, seu fiel escravo heleno, o Capitão Balthazar vai parar na mítica Tartessos, onde sempre ouviu dizer que existiam montanhas de ouro. Mas será que ele é o único a querer se apossar dessa incrível fortuna?

Que tal, curtiram? Espero que sim! E aguardo seus comentários sobre a história e os personagens!

quinta-feira, janeiro 19, 2017

A Caverna de Zakynthos: novo conto de Balthazar e Lísias

Pessoas Queridas,

O Balthazar e o Lísias, que vocês talvez já conheçam do conto Em Busca do Rei e da coletânea Piratas, aparecem agora numa nova aventura, dessa vez acompanhados por alguém muito especial: Diodoros, personagem da série "Tempos de Sangue" do Eduardo Kasse.

Eis a sinopse:

Cansado de prazeres vazios, o imortal Diodoros de Atenas está em busca de novas emoções. É quando se depara com o capitão fenício Balthazar de Tiro e seu fiel escravo Lísias. Onde esse encontro pode levar? Este conto reúne um personagem da série Tempos de Sangue, de Eduardo Kasse, e a dupla de viajantes do tempo criada por Ana Lúcia Merege, autora da série Athelgard, que agora se aventura pelas águas do Mediterrâneo - com muito humor, ação e aventura.

Que tal, curtiram? Espero que sim!

Para adquirir o conto, basta clicar aqui. E, para comemorar, aí acima estão Balthazar, Lísias e Diodoros em ilustração da querida e talentosa
Angela Takagui.