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quarta-feira, dezembro 31, 2025

Escrita e Publicações de 2025

Heeey, pessoas queridas... Tudo bem?

Mais uma vez, espanei as teias de aranha pra vir contar como foi o meu 2025, em termos literários. A vida pessoal está demandando bastante, assim como o trabalho na Biblioteca Nacional, e eu acabei escrevendo e publicando menos que nos anos anteriores. 

No total, foram nove contos escritos (tem um em andamento, mas entrará na conta do ano que vem), cujas versões finais somaram 39.383 palavras. Publicados, apenas cinco, sendo um reedição e outro a tradução de um conto curto para o espanhol. Além disso, publiquei um livro teórico que rendeu entrevistas e artigos, e deixarei aqui o link para alguns deles. Preparados?


O ano começou justamente com a publicação de "A História do Livro: marcos e transformações", pela editora da Fundação Biblioteca Nacional. O livro reúne 38 dos artigos que escrevi durante a pandemia, a maioria dos quais está na página e nas redes da BN, mas acho que valeu a pena reuni-los. A publicação física só pode ser encontrada na livraria da Biblioteca Nacional, e restam poucos exemplares, mas o PDF pode ser baixado gratuitamente aqui.

Ao longo do ano, a obra - que não pretende se aprofundar no assunto, é bem introdutória, feita para divulgação mesmo - teve alguma repercussão entre professores, bibliotecários e outros profissionais do livro. Com isso apareci em blogs, dei entrevistas e escrevi pequenos artigos. Não vou linkar os que estão em áudio ou vídeo; os escritos podem ser conferidos nos sites da Revista Especiaria, da Divulga-CI e da Revista Informação e Cultura.

Agora, as publicações de ficção. Várias ficaram para 2026; creio que os editores também tiveram um ano atribulado... ! 


A primeira deste ano é o conto "O Que Salka Faz com a Água", que saiu na coletânea "U. G. A.", organizada por Lu Evans. Nele eu narro a história de uma jovem denisovana muito curiosa, cuja descoberta desafia o conhecimento e a própria autoridade dos mais velhos do seu clã. Quem se interessar, pode comprar aqui, quase de graça.


Por falar em gratuidade, é o que oferece o e-book "Fábulas de Laniakea", organizado também pela Lu Evans e por Liana Zilber Vivekananda. Republico, bem modificado, meu conto "Cybermadrinha", que ao mesmo tempo homenageia autores da ficção científica e narradores de contos de fadas. Confiram aqui. E, na sequência, uma segunda republicação, que saiu no finalzinho deste ano:  Los Dioses del Planeta Azul,  versão para o espanhol da minha FC farsante e mitológica. 


A Revista Literatura Fantástica n. 20 ganhou o Prêmio Argos de Melhor Coletânea, e dela fazia parte meu conto de fantasia sombria "A Nau do Sétimo Dia". No número 29, participo com "O Vale das Almas Errantes", que traz a segunda aventura do personagem Tarish de Cartago. Confiram neste link.

Por fim, participei de uma edição especial natalina da série Companheiros Mágicos, da Editora Medusa, na qual os protagonistas são bruxos e feiticeiros e seus familiares. Escrevo uma história passada no Brasil de tempos atrás, em que a bruxa veterana Esmeralda e seu amigo de quatro patas, Bartolomeu, têm que lidar com um presente inesperado. O link da pré-venda do livro físico está aqui, e deve haver um e-book também mais para a frente.

***

Bom... Esses foram os trabalhos, esses foram os frutos colhidos no ano. Outros foram plantados e amadurecem. A seu tempo brotarão. E ainda que não, como vocês sabem, valeu a intenção da semente. 

A todos vocês, antigos e novos amigos, que 2026 seja um ano incrível, com muita paz, saúde e realizações. Até a próxima!



sábado, dezembro 31, 2022

Retrospectiva de Escrita 2022

 Pessoas Queridas,

Este é o último dia do ano, e eu decidi quebrar uma das minhas tradições (listar as melhores leituras que fiz ao longo dos doze meses), mas também repetir algo que fiz ano passado, uma espécie de retrospectiva dos trabalhos literários.

Em 2020 e 2021, anos da pandemia, eu escrevi 22 contos de tamanhos diversos, um total aproximado de 100.000 palavras. Este ano, mesmo voltando ao trabalho presencial, e ainda que tenha passado por vários problemas de saúde (meus e do meu marido), a média se manteve, com um número menor de trabalhos finalizados (foram 9), mas totalizando 51.323 palavras nas versões finais.



Meus originais.
Lamento informar que, uma vez digitados,
seu destino é o beleléu. 


Até o final de novembro, eu não esperava chegar nem perto dessa marca, mas no último mês escrevi dois dos três contos longos (noveletas, vá) que produzi este ano. Dei a sorte de ser apanhada pelo que chamo de "febre ficcional" -- resumidamente, o contrário do bloqueio do escritor -- que me acomete vez por outra, e que  cheguei a descrever num post de 2004. Se alguém estiver interessado em detalhes, ei-los aqui. Seja como for, a produção me deixou bem feliz, e houve ainda vários textos escritos para a Biblioteca Nacional, um pouco mais da série sobre escritores brasileiros e uma sobre livros de aventura. 

Quanto a publicações, além do livro de contos Os Pilares de Melkart., publiquei duas novelas solo no mesmo universo, participei de nove coletâneas ou revistas, publiquei um artigo de divulgação e um capítulo de livro acadêmico -- esses trabalhos e seus links estão nos dois posts anteriores aqui da Estante Mágica. Não ganhei prêmio (acho; Allana e eu somos finalistas do Argos com o Jack London), mas o primeiro quadrinho que roteirizei está na coletânea Babalon, que ganhou o Prêmio ABERST de melhor HQ de horror ou crime. Fui jurada do Prêmio ABERST (noutra categoria, claro) e do Odisseia de Literatura Fantástica. Escrevi paratextos, fiz revisões, participei de lives, dei entrevistas e opinei em projetos que, tenho certeza, vão ter uma repercussão bacana. Infelizmente não participei de muitos eventos literários, como gostaria, mas espero compensar isso no ano que vem.

E o que mais espero, além, claro, de todos termos saúde e de ver o país iniciar sua recuperação após esses últimos anos tão difíceis? Espero escrever contos que fechem dois romances fix-up, espero produzir mais do universo do Balthazar, escrever um livro para adolescentes, ambientado no Brasil durante a pandemia, e possivelmente um romance curto de fantasia urbana. Espero participar de projetos e vibrar com as conquistas de amigos. Espero ler e assistir muita coisa boa, espero fazer um trabalho digno na Biblioteca Nacional (sob outra direção, hurra!) e se tudo der certo voltar a viajar, mesmo que pra pertinho daqui. Enfim, espero que o próximo ano seja pelo menos tão bom quanto os últimos em termos de produção e publicações... e que seja melhor, em todos os outros aspectos, pra mim e pra todos nós.

E, acima de tudo, espero que continuemos juntos, porque vocês fazem parte dessa jornada, e eu sempre soube, ninguém vai longe quando anda sozinho.

Grande abraço, e até o ano que vem!


sexta-feira, dezembro 23, 2022

Livro, Contos e um Capítulo Publicados: Segundo Semestre de 2022

 Pessoas Queridas,

Que ano doido foi esse! Aconteceram muitas coisas, infelizmente nem todas boas, na minha vida pessoal e profissional. Quase não vim aqui e estou repensando os canais de comunicação com amigos e leitores, inclusive para incluir algumas coisas que faço, publico e gostaria de partilhar. Mas ainda não tive como parar e resolver isso, então... Aqui vai pelo menos um post sobre as minhas publicações do segundo semestre. 


 Pra começar, claro que tinha de ser esse livro no qual venho trabalhando há tanto tempo! Os Pilares de Melkart é uma coletânea de três contos e duas novelas, que acompanham o capitão fenício Balthazar de Tiro e o jovem heleno Lísias em suas viagens no tempo, em vários lugares da Antiguidade. Neste livro, além da história ambientada em 323 a. C., que se passa no mar, eles participam de uma peça de Aristófanes na Magna Grécia, vão à Jerusalém do Ano Zero, à mítica Tartessos, na Hispânia, e à Creta do Rei Minos, vivendo muitas aventuras cheias de emoção e bom-humor. O projeto foi financiado pelo Catarse. Quem não tiver pode conferir a sinopse e, se curtir, adquirir o livro clicando aqui




Jogo do Destino é uma das duas prequels de os Pilares de Melkart que foram meta extra no Catarse. Nesta novela, conto como Balthazar e Lísias se conheceram e como o jovem heleno conquistou seu lugar na tripulação, apesar de algumas brincadeiras nem sempre inocentes dos marinheiros. Também apresento Sikkar de Cartago, herdeiro da Casa Aníbal e muito importante para sagas futuras, e a jovem vidente Hermínia, que faz algumas revelações a Lísias. Saiba mais e adquira clicando  aqui.



Outra prequel de Os Pilares de Melkart, a novela Entre Paredes é uma história de amor e fantasmas ambientada em Cartago. Sua protagonista é a jovem Thira, que tem sua deterninação posta à prova quando algo sinistro acontece durante a reforma da taverna de seu pai. A seu lado, enfrentando as forças do Outro Mundo, estão os hóspedes da casa, Balthazar e Lísias, e o mercador Sikkar, pretendente de Thira, além de um misterioso egípcio e da sorrateira gatinha Bastet. Sei que você se interessou, então adquira clicando aqui.



Uma coletânea muito incrível de que participo! Terrores Asiáticos traz vinte contos de autores nacionais, que escrevem sobre seres assustadores do folclore da Tailândia, Coreia, China, Japão e outros países da Ásia. A mim coube escrever sobre o vetala, uma espécie de vampiro indiano que aparece em sagas e contos populares, e ambientei meu conto, O Banquete, em meio a algo bem presente na Índia contemporânea: uma filmagem de Bollywood. Todos os contos são ilustrados, e além do conteúdo bacana o livro ficou muito bonito. Saiba mais e adquira o livro  clicando aqui.



Produto do projeto Em um Mês, um Conto, Fragmentos Fantásticos traz 25 contos de fantasia de subgêneros variados. O meu, A Feiticeira do Mar, se passa na Antiguidade e mostra o relacionamento entre a feiticeira Cunala, vítima da maldição de um deus do rio, e o jovem hispânico Ilano, que é salvo de um naufrágio e passa alguns dias com ela em seu palácio sob as águas. O conto está publicado em três partes aqui no blog, mas com certeza você vai querer ler também os dos outros autores, então adquira o e-book clicando aqui



Rodas de Leitura Literária é um projeto desenvolvido na UERJ, para o qual fui convidada pela Prof. Márcia Cabral da Silva. O convite para participar de um debate e contar um pouco sobre minha trajetória como leitora e autora se estendeu a este livro, em que, num capítulo intitulado A História e as Histórias: uma bibliotecária nas trilhas do fantástico, eu conto tudo e mais um pouco sobre a minha vida, influências, trajetória e planos para o futuro. Quem tiver curiosidade pode adquirir o livro clicando aqui.

Teve mais? Sim, teve mais. Meu conto curto Às Margens do Rio Límpido foi selecionado numa coletânea de contos patrocinada pela Prefeitura de Bragança Paulista (foi publicado, mas acho que não tem como adquirir). Escrevi paratextos: a apresentação de um livro ainda inédito do Clecius Duran, a 4a. capa de Necroloquion, organizado por Carlos Hollanda, e o posfácio de Fractais, coletânea integrada pelo Lucas Amaral. Participei de um monte de projetos e estou trabalhando em histórias e livros bacanas que logo vêm por aí. E, claro, escrevi vários artigos sobre escritores brasileiros e sobre livros de aventura que foram publicados na página da Biblioteca Nacional -- é só clicar  aqui que você acha.

Enfim, gente querida, este foi um ano confuso, não muito feliz, não muito equilibrado, mas não deixou de ser produtivo. Espero, ano que vem, escrever com mais frequência, neste blog ou em algum outro meio que não sejam as redes sociais. Ainda passo aqui este ano, então... Até breve, não desistam de mim! 

segunda-feira, julho 04, 2022

Contos (e um Artigo) Publicados : Primeiro Semestre de 2022

Gente amiga,

Ainda muito feliz com o resultado da campanha de Os Pilares de Melkart, e um pouco frustrada por não ter podido ir à Bienal, venho atualizar vocês sobre as minhas publicações. Já saiu até mais coisa, mas vou mostrar o que já tenho na mão (ou, em alguns casos, no virtual). 

Vamos lá:


Das Profundezas saiu em janeiro. Organizada pela Lu Evans, é uma coletânea temática, que trata de encontros com criaturas míticas ligadas a corpos de água: rios, lagos, oceanos. Vários contos são ambientados no Brasil; o meu, intitulado Encontro em Mararaloka, se passa na Antiga Índia, e é mais uma história do jovem herói Mattan de Cartago, de seu amigo Necos e da jovem mergulhadora Rukmini. De todas as coletâneas organizadas pela Lu, eu acho, sinceramente, que essa é uma das melhores, se não a melhor. Vocês podem conhecê-la aqui.


Também organizada por Lu Evans, Estelar republica os melhores contos que saíram em suas coletâneas, bem como um conto da própria Lu e, ainda, os dos jurados do concurso. Sou uma dessas juradas, e o conto que escolhi para figurar aqui foi o vencedor do Prêmio Argos 2021, Vovó Nevasca -- uma história distópica que, embora singela, já fez alguns perderem o sono. Confiram aqui.


Com organização de Ale Dossena, Rafael Bertozzo Duarte e Valter Cardoso, Neon é uma coletânea do NLCAC - Núcleo de Literatura e Cinema André Carneiro - que homenageia os 20 anos de sua existência. Sou um membro remoto desde o início da pandemia. Meu conto se passa entre o mundo atual e a Idade Média e se chama Concerto para o Podestà. O livro pode ser encontrado aqui


Em maio foi lançado um projeto da Incubadora Literária em parceria com a Luva Editora. É um clube do livro com pacotes mensais diferenciados, e um deles dá direito a uma revista, a Litera. Fui convidada para participar de o primeiro número, e para ele escrevi o conto Os Ventos de Tamária, no mesmo universo dos contos que publiquei nas coletâneas Tempo de Dragões, Tempo de Exploradores e Histórias Fantásticas do Guardião. Conheçam o projeto aqui e, se curtirem, considerem assinar! : )


Outra revista, esta virtual, do pessoal do Movimento RPG. A Aetherica traz vários artigos e entrevistas sobre o universo do RPG e também três contos literários. A convite, escrevi um inspirado na Mitologia, que conta como dois fenícios recolheram do mar um náufrago fortão e confuso e o que rolou a partir daí. Confiram Trazido pelo Mar e os outros contos e textos da revista fazendo a assinatura mensal, bem aqui.


Lu Evans disse que Desígnios é a última coletânea que ela organiza, eu espero que venham mais! Por ora, foi um prazer entrar neste livro de contos inspirados pelo Tarot. Minha carta é O Eremita, e o conto A Escolha de Narendra novamente traz o trio Mattan, Necos e Rukmini. Ainda em Makaraloka, ele se veem às voltas com um sadhu muito indeciso.  Encontrem o livro aqui.



Por fim, sob o meu outro chapéu, além de vários artigos publicados na página da BN -- sobre escritores brasileiros e livros de aventura -- saiu meu artigo Assinado : Machado na Comunicação e Memória, revista da Memória da Eletricidade. Falo sobre a publicação de livros no Brasil do século XIX e início do XX, com base, principalmente, nos contratos da Livraria e Editora Garnier existentes na Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional, da qual sou curadora. A revista está aqui

*****

Como viram, foi um semestre bem cheio de novidades. No segundo espero ter mais, porém escreverei menos contos do que nos dois últimos anos. A produção, a partir de agora, deve se concentrar em algo um pouco mais longo, para lançar em 2023 ou 2024... o que não quer dizer que não role mais um continho ou dois, se eu receber  algum convite tentador ou me sentir inspirada a levar meus personagens em alguma aventura.

Até a próxima! 

quarta-feira, abril 27, 2022

Os Pilares de Melkart : Rumo às Metas Extras!

Evoé! Tenho o prazer de anunciar que nossos navegadores chegaram ao porto!!!

Muito obrigada, de coração, a todos que apoiaram, divulgaram e torceram pra que a gente conseguisse.

Ilustra de Nilo Nobre

Mas, embora tenhamos chegado ao primeiro porto, a viagem não terminou! 

Até o dia 6 de maio, lutaremos pelas metas estendidas de "Os Pilares de Melkart", que serão enviadas a todos os apoiadores. Começaremos com marcador e postal, depois virão e-books de duas Novelas de Cartago (histórias de Balthazar que se passam antes das viagens narradas no livro), ilustras exclusivas do Erick Sama e, se atingirmos 200%, um LIVRO IMPRESSO EXTRA contendo as duas novelas!! 



Se você não apoiou, este é o momento. Se apoiou, continue a dar uma força na divulgação, para chegarmos o mais longe possível. Quanto mais metas alcançarmos, mais recompensas para todos!

Acesse a página do projeto e nos ajude a ir mais além!

quinta-feira, março 17, 2022

A Feiticeira do Mar (Segunda Parte)

Pessoas Queridas,

Aqui vai a segunda parte de "A Feiticeira do Mar". Espero que gostem do desenrolar da história, do romance e do mistério!



A Feiticeira do Mar

(Parte 2)

Ele começa em tom formal, agradecendo pela ajuda, depois se solta um pouco e diz que sua avó sempre falou sobre Cunala, sobre o palácio no mar e a cova na superfície. Fica junto a uma aldeia chamada Pedra do Abutre, não longe da grande cidade onde ele vive, e onde também há quem faça oferendas com vistas a ganhar as boas graças da feiticeira. Ela pergunta qual a cidade, e ele esclarece tratar-se de Gadir, fundada pelos fenícios sobre um arquipélago e agora sob os auspícios de seus deuses exigentes e caprichosos. Baal, Astarte...

-- E Melkart – diz Cunala, sem disfarçar o travo de rancor. É esse deus dos fenícios que vem angariando cada vez mais devotos, e com isso se fortalece, amplia seu poder sobre as águas e os ventos e as marés. Isso, porém, ela guarda para si, preferindo ouvir mais a respeito do náufrago, que diz se chamar Ilano e pertencer a uma família muito antiga de Gadir. Possuem uma salga de peixe, e ele tentava ampliar os negócios vendendo seu produto na Sicília. Muita esperança e boa parte do dinheiro da família viajavam naquele barco que nunca chegará a seu destino.

Cunala não tem como ajudá-lo a enfrentar essa perda. A tempestade não foi trazida por ela; o mar tem seus caprichos. Também não pode resgatar os tripulantes, pois seu poder a faz saber que estão todos mortos. Ela diz isso a Ilano, e o rapaz chora lágrimas amargas que ela recolhe no seio. Do abraço à primeira carícia, ao primeiro beijo com gosto de sal e mel – não é muito, na verdade, o tempo que transcorre.

Ilano tem pouca experiência, mas o que a maioria dos jovens compensa apenas com ardor ele oferece em carinho e cuidado. Suas mãos são ternas, a voz é doce; o ato em si é desajeitado, mas nunca brutal. Quando terminam, ele continua a fitar Cunala com os olhos muito abertos, cheios de um brilho diferente do que havia até então.

-- Quero ficar com você – ele murmura. A feiticeira hesita – já viu esse brilho noutros olhos, e lembra o que aconteceu --, mas no fim decide seguir com seus planos. Não será isso que irá perder Ilano para sempre, e ela merece esse presente, sete dias e sete noites em que terá um amante, quem sabe um amigo, alguém que a ajude a não esquecer as palavras humanas. É isso, e nada mais, que ela promete ao náufrago.

Ilano não entende o porquê de um prazo tão curto, mas aceita e jura devotar a Cunala cada instante que passar no palácio. Nessa noite, os dois se dedicam ao conhecimento do outro, bocas, mãos e cada desvão do corpo do outro, um aprendizado que dispensa palavras, mas que, ao menos para Cunala, é o que se mostra mais urgente. Por sua vez, Ilano tem perguntas, porém as guarda para fazer ao longo dos dias seguintes: os sete dias que passarão juntos, boa parte deles na cama, mas às vezes diante das janelas translúcidas que lhes permitem ver o mar sem deixar o palácio.

A paisagem de rochas e algas é sempre a mesma, mas Ilano se encanta com os cardumes prateados, com os polvos lentos e solenes, com o ruído surdo das correntes e os súbitos clarões do mar noturno. Em Gadir, ele sempre esteve cercado pela água, mas nunca foi além da superfície. Jamais teria sonhado ver essas maravilhas, como jamais teria sonhado estar com alguém como Cunala, e tanto o mar quanto a mulher o têm cada vez mais preso a seus encantos. Ela percebe o que se passa com ele, e às vezes pensa em adverti-lo, mas sempre acaba por deixar a ideia de lado. Não há por que antecipar o sofrimento que virá no fim, provavelmente intenso para ele – um homem doce, e ainda tão jovem --, porém mais duradouro para ela, porque as lembranças dele se misturarão com as de outros amantes, a todas as ausências que acrescentam peso à sua solidão.

Sem querer falar do assunto, Cunala se desvia das perguntas que, como a maioria dos homens, Ilano faz a respeito de seus antecessores. Em vez disso, conta sua própria história: a história de uma jovem comum, de uma beleza sem par, diziam, porém mais uma moça vivendo numa aldeia à sombra da Pedra do Abutre, naquele tempo em que os deuses fenícios ainda não haviam destronado os locais. Lá vivia um antigo senhor do rio, que cobiçou Cunala e tentou arrastá-la para sua morada sob as águas. Para livrar-se dele, ela se atirou ao mar, onde a Grande Mãe lhe deu refúgio e onde, com o tempo, cresceram seus poderes de feiticeira. Há muito ela suplantou o deus do rio, que desapareceu pelo esquecimento, como tantos senhores das águas, dos bosques e das cavernas. Suplantou e sobreviveu a ele, embora carregasse uma maldição que a impediu de voltar ao mundo dos homens e causou a morte de muitos dos seus amantes. O último foi o pastor de ovelhas, que ela pensou poder manter para sempre a seu lado... e cujo rosto lhe vem à memória sempre que ela vê o perfil bem desenhado de Ilano.

As lembranças são dolorosas, mesmo para alguém tão provado pelo tempo como a feiticeira. Ela não fala do pastor nem conta os detalhes da maldição, embora isso lhe passe pela cabeça sempre que as mãos do amante encontram suas cicatrizes. São miríades de linhas brancas que se entrecruzam em seu ventre, em seus seios, em suas coxas, e sobre elas algumas rosadas mostrando os ferimentos mais recentes. Outras virão, muito em breve: ela nem precisa olhar para as conchas enfileiradas ao lado da cama, às quais jamais se esquece de fazer o acréscimo diário. Cunala sabe, porque seu ânimo é cada vez mais sombrio; ela se enfureceu com os servos, por entrarem sem avisar em seus aposentos, e com os homens na superfície pela escassez de oferendas. Zangou-se até com Ilano e suas perguntas. E quando, nessa mesma noite, volta a sonhar com a câmara do tesouro, ela compreende que já não pode adiar o assunto doloroso.

-- A lua cheia se aproxima – diz Cunala ao jovem hispânico. – Você precisa deixar o palácio. Leve moedas, joias, o que puder ajudá-lo em seu regresso a Gadir. Aqui... em breve... deixará de ser um lugar seguro.

Cada palavra é um espinho ferindo sua boca. Ela não quer que Ilano se vá, não porque o ame – sua alma é velha demais, experiente demais, ela conhece demasiado o mundo e a si mesma para receber a dádiva do amor --, mas porque gosta de sua companhia e de ter companhia. Mais uma vez, precisa resistir ao desejo de prolongar sua estada ali, como fez com o pastor, pois sabe que no fim virão a amargura e o arrependimento. De qualquer modo não é justo. Salvar a vida de alguém para depois decidir onde e como ele irá vivê-la – é o mesmo que salvá-la pela metade.

Ilano não recebe bem as palavras da feiticeira. Ele a ama, diz, sem saber quantos homens fizeram o mesmo ao longo dos séculos que dura a maldição. Ele fala sem saber que em sua voz ecoa a dos amantes mortos. Cunala insiste que ele vá, ameaça-o com seus encantos e até com sua ira, mas tudo que consegue é que se ajoelhe e implore que o deixe ficar, ainda que como um simples escravo. Então ela decide contar sobre o pastor de ovelhas, e o faz num tom sussurrado que a cada momento se torna mais áspero.

O mar escurece através das janelas enquanto ela murmura: o homem antes de Ilano foi o que mais falou a seu coração. A feiticeira deixou que ficasse, porque pensava ter achado um jeito de mantê-lo ali para sempre. A cada quarto de lua, mandava-o ficar na superfície, oculto nas proximidades da Cova de Cunala, alimentando-se das oferendas que levava consigo. Depois, voltava para ela, que o fazia beber um elixir a fim de preservá-lo da velhice. E assim viveram juntos muitos e muitos anos.

-- Então, ele começou a ter saudades de casa – sussurra a feiticeira. -- Lembrava-se dos pais, chorava por tê-los abandonado, e seu coração se afastou de mim. No entanto, muito tempo havia se passado; ele se converteria num ancião assim que se afastasse de minha magia. Eu lhe disse isso, mas mesmo assim ele partiu, e eu não pude impedi-lo. Não sei o que aconteceu, mas... se ele voltou à sua aldeia... deve ter sido apenas para morrer nos braços de homens e mulheres que poderiam ter sido seus netos.  

Ilano engole em seco, mas mesmo assim insiste em ficar. Não precisam ser anos; que seja uma lua, um quarto de lua, o tempo que Cunala decidir. Ela pensa na solidão que a aguarda quando ele se for, dias e noites sem outro som que não os ruídos do mar, sua cama vazia, mas disso mesmo consegue fazer sua fortaleza: ela é capaz de passar por tudo outra vez. O que não quer é reviver sua história com o pastor, nem que aconteça a Ilano o mesmo que a ele, ou ainda que se arrisque a acabar como alguns dos outros – e antes que se traia, revelando aquilo que, por monstruoso demais, decidiu guardar só para si, Cunala endurece suas palavras e seu coração.

-- Nem mais um dia. Eu me cansei de você – diz ela. Usa seu poder para fazê-lo acreditar que é verdade. Escorraçado, o jovem mal consegue erguer os olhos cheios de dor, e assim permanece enquanto a feiticeira põe em seus ombros a pele de uma ovelha deixada na gruta pelos devotos. Não torna a oferecer dinheiro e joias, porque estão na sala dos tesouros e ela a evita o mais que pode na proximidade da lua cheia, mas lhe dá um odre de vinho e alguma comida para levar na viagem. Dentre os súditos fiéis, convoca os que podem sair à superfície, seres com pinças e duras carapaças, e ordena que escoltem Ilano pelo túnel de terra que dá acesso à cova em Pedra do Abutre.

-- Perto dali passa um rio que se encontra com o mar, e deve haver barcos. Entre num deles e siga sua vida – diz Cunala. – Não olhe para trás.


(Continua... Voltem dia 24/3 para ler o final!)

***

E aí, o que acharam? Deixem nos comentários! E não se esqueçam de visitar o perfil Um Mês, um Conto no Instagram!

Até a próxima!

quinta-feira, março 10, 2022

A Feiticeira do Mar (Primeira Parte)

 Pessoas Queridas,

Hoje começa o projeto "Um Mês, um Conto", idealizado pelos amigos Paloma Bernardino e Luca Creido. Vários autores irão postar contos de fantasia divididos em três partes, e as postagens serão divulgadas pelo instagram do projeto.


Minha participação se dá com um conto (até agora) inédito, passado na Antiguidade. Espero que gostem!


A Feiticeira do Mar 

(Parte 1)

 

O sonho é o mesmo, noite após noite. Cunala está em seu palácio, no salão onde se erguem montes de joias sobre as quais ela rasteja. O metal lhe fere a pele, e a feiticeira se debate, sem saber se este é apenas mais um pesadelo ou uma daquelas noites das quais desperta em agonia, nua sobre uma pilha de ouro sangrento.

Para seu alívio, o dia a encontra na câmara de nácar que lembra o interior de uma concha. Ao lado está o desjejum trazido por seus súditos, fruto de diferentes sacrifícios. O deles próprios, seres do mar, que ofertam a carne de seus semelhantes, e o dos homens e mulheres da superfície, que temem sua ira e querem apaziguá-la. Eles lhe trazem animais da terra, além de grãos, azeite e vinho deixados numa gruta. Na lua cheia, a maré carrega as oferendas, e por isso o lugar é chamado de Cova de Cunala: seu principal local de devoção, ligado à sua morada por um túnel escavado na rocha. Pois sob o Grande Mar há inúmeras portas, embora poucos, até hoje, as tenham atravessado.

Entre as ondas e os seres do mar, a feiticeira vive em silêncio.

Ela contempla sua imagem num espelho de prata. Tem traços delicados, a pele ainda mais translúcida em contraste com os cabelos negros. Seus olhos refletem a cor do mar, e hoje eles lhe dizem que uma tempestade se aproxima. Isso traz um sorriso a seus lábios: Cunala ama as tempestades. Não as provoca, exceto quando algum navegante é tolo o suficiente para incorrer de verdade em sua ira, mas raramente as detém, por mais que a gente da superfície lhe dedique oferendas. O que ela faz é deixar que os ventos soprem, que as ondas quebrem sobre os barcos e os atirem contra os rochedos, que seus destroços sejam arrastados para as profundezas. Quanto aos homens... Qual deles não sabia dos riscos, quando entregou seu destino aos caprichos do mar?

As águas se agitam, percorridas por uma vibração que ela sente ao deixar o palácio. A tempestade começou, e a feiticeira quer estar lá, dançar nos turbilhões, ouvir o bramido das ondas e o uivo do vento. Não quer perder um só momento do espetáculo, por isso busca uma corrente marinha e se impulsiona até a superfície, onde um rochedo acaba de cobrar seu tributo a um barco mercante. Os destroços passam diante dos olhos de Cunala: primeiro as ânforas em que levavam a carga, depois madeiras e remos, restos de corda e velas feitas em trapos. Por fim, os homens. Estes costumam ser pesados, mas demoram a chegar ao fundo porque resistem, lutam para voltar à superfície e ao que resta do barco. Alguns conseguem, talvez acabem sobrevivendo à tempestade; outros tornam a afundar e se debatem até perder as forças. Então sobrevém uma estranha calma, e é quando eles se entregam ao mar e se deixam conduzir numa última viagem.

Os homens colhidos pelas ondas neste naufrágio ainda não aceitaram seu destino. Cunala os vê em meio a redemoinhos de espuma, clamando aos deuses por misericórdia enquanto suas bocas não se enchem de água. Nesse momento nada mais importa, o barco, os bens, todas as coisas levadas pelo mar. Eles nem percebem quando a feiticeira sobe numa rocha, embora – quem sabe? – talvez, num último momento, a visão da mulher de vestes esvoaçantes fique para sempre gravada em suas pupilas.

Cunala se põe de pé e ergue a cabeça. O vento uiva em seus ouvidos; as ondas batem contra as rochas, molhando seus pés e salpicando-lhe o rosto com água salgada. A feiticeira ri, ergue os braços e grita para a tempestade, trazendo uma chuva de raios que se abatem sobre o mar. Eles atingem o mastro, naquele destroço de barco que teima em se manter à superfície, e os homens que ainda estavam lá são precipitados para o meio das ondas. É quando a voz de um deles rasga o céu.

-- Ó Mãe! – é o que ele grita, e poderia ter usado qualquer das línguas faladas no entorno do Grande Mar: não é à sua própria mãe que se dirige, e sim à Mãe Primordial que vive em todas as mulheres. Muitos homens a invocam, mas raramente o fazem com tanta força, com tanto fervor. É isso que atrai a atenção de Cunala para esse náufrago.

Num impulso, ela mergulha e nada em direção ao barco. Ainda não viu o rosto do homem, mas sabe que deve salvá-lo. Ele tenta voltar à superfície, e em seus esforços gasta o ar que tem nos pulmões, por isso está quase inconsciente quando Cunala o alcança. Ainda consegue vê-la, arregalar os olhos cheios de espanto, mas em seguida eles rolam nas órbitas, e isso a faz saber que cada instante passou a ser precioso.

Ela se concentra, convocando os súditos mais próximos enquanto sopra no rosto do náufrago. Uma bolha de ar se cria ao redor da cabeça do homem, permitindo-lhe respirar até que possa ser levado para a superfície e deixado num ponto em que as ondas não tornem a arrastá-lo. Era o que Cunala pensava ao socorrê-lo: pouparia sua vida, pelo amor da Mãe que vive no mar, mas o deixaria entregue ao destino, para que outros homens ou deuses se apiedassem dele. No entanto, o corpo que ela segura nos braços é jovem e forte, e o rosto envolto pela bolha lembra o de alguém que não pode esquecer, de forma que, no fim, a feiticeira não consegue ignorar o apelo. Os súditos que chamou não questionam a ordem, e o jovem é transportado, sobre escamas e dorsos brilhantes, até as profundezas do mar.

Na antecâmara do palácio, outros servos estão a postos para despir o náufrago e enxugá-lo com panos de lã. Depositam-no numa cama em outro aposento e partem em silêncio, enquanto a feiticeira murmura os encantos que irão induzi-lo a um sono profundo. Assim ela poderá ver melhor, ou ao menos contemplá-lo por algum tempo antes que acorde e fale com ela, sabe-se lá em que língua, sabe-se lá se com medo, ou raiva, ou ímpeto de fuga. Também que indague sobre o barco ou sobre os companheiros, pois as respostas que Cunala tem para lhe dar não são alegres.

Ela se pergunta se ele é responsável por eles, o que tornará as coisas ainda mais difíceis. As pistas são contraditórias: ele parece jovem demais para ser o capitão, mas suas roupas não eram as de um simples marinheiro. Suas mãos são fortes, mas não grosseiras. O rosto é bonito, com traços bem desenhados e queixo forte, o cabelo castanho-escuro é cheio de cachos. Cunala se pergunta de onde vem – Hispânia, Cartago, Oriente --, e então decide que não importa. De qualquer forma ele lhe agrada, e ela fará com que a deseje e permaneça ao seu lado. Desta vez, porém, não será como foi com a maioria dos outros – e pensando nisso ela consulta o calendário de conchas que mantém sobre uma pedra, perto de onde repousa o jovem resgatado. É o seu jeito de contar os dias, marcados pela alta e baixa das marés: para cada um, uma concha alinhada sobre a pedra lisa, e quando somam vinte ela sabe que em breve será lua cheia.

-- Sete dias – diz, em voz alta. É o tempo que terá ao lado desse belo jovem, e não é muito, portanto ela não deve desperdiçar um só momento antes de despertá-lo. Para isso, usa os lábios duas vezes: primeiro, murmurando o encanto que irá tirá-lo desse estado suspenso, e em seguida, quando ele já franze a testa e flexiona os músculos, beijando-o no canto da boca. Ele abre os olhos, que logo se arregalam, cheios de surpresa, diante da mulher e da câmara com paredes cobertas de conchas nacaradas.

-- Eu estou... – pergunta, mas em seguida junta as mãos diante do peito. – Não acredito, não pode ser... Você é Cunala!

O nome sai de sua boca com uma forte carga de medo, mas também veneração. Isso a faz saber que ele é hispânico, descendente dos povos antigos da península, e não de helenos ou fenícios, que dificilmente saberiam quem é a feiticeira do mar. Ela o acalma, assegura que nada lhe fará de mal, e depois de algum tempo o temor recua o suficiente para que o jovem recobre a fala.

(Continua... Voltem dia 17/3 para ler a segunda parte!)

***

E aí, o que acharam? Deixem nos comentários! E não se esqueçam de visitar o perfil Um Mês, um Conto no Instagram!

Até a próxima!

segunda-feira, dezembro 27, 2021

Minhas Leituras Favoritas em 2021 - Nacionais

 Gente amiga,

Como prometido, estou de volta para falar sobre minhas melhores leituras em 2021, agora com foco nos nacionais.

Tive oportunidade de ler muita coisa boa publicada em revistas, em e-books solo, em blogs, em newsletters. Aqui falarei apenas de livros, impressos ou digitais, sendo um de contos (de autora única), quatro romances adultos e um juvenil. Vale lembrar que li muitas outras obras nacionais de que gostei e que foram habilmente construídas e escritas; as que destaquei foram as que, acima dos critérios técnicos, me proporcionaram os melhores momentos como leitora, me empolgaram, prenderam e/ou tocaram de diferentes formas. Sem mais delongas, vamos lá?


O Jovem Arsène Lupin e a Dança Macabra, de Simone Saueressig

Vou começar minha lista de nacionais por onde terminou a de estrangeiros: pelo juvenil! Este livro da Simone traz uma história bem amarrada, cuja caprichada ambientação nos leva a uma jornada pelas ruas e, especialmente, pelos subterrâneos de Paris. Um ponto muito positivo é que seu personagem consegue agir como o adolescente que é e, ao mesmo tempo, ter atitudes que revelam o futuro anti-herói Arsène Lupin, o Ladrão de Casaca. Este é o primeiro livro de uma série e eu já estou de olho para ver quando sairão os demais!



O Som do Rugido da Onça, de Micheliny Verunschk

Esse livro me transportou a muitas histórias que li e muitos documentos que estudei na Biblioteca Nacional. Umas e outros contam de jovens indígenas levados ao Velho Mundo por viajantes e naturalistas -- Spix e Martius, neste caso, que estiveram no Brasil  em 1817 –, mas poucos mostraram tão bem e de perto o choque de culturas, indo além do factual e do simples estranhamento e permitindo ao leitor ter um vislumbre do mundo europeu através dos olhos das duas crianças. A boa narrativa é por conta da autora, mas o livro se baseia numa história real -- e eu não direi que tem um toque de fantástico ou realismo mágico, pois sei, no fundo do coração, que a Grande Onça existe. E, com sorte, ainda anda por aí.



Calote, de Leonardo Valente

O primeiro de todos os livros que li este ano nos coloca diante de uma situação à primeira vista singela: e se de repente ninguém pagasse as contas pendentes? Como iriam se virar os bancos, as empresas, o que seria do capital especulativo? Acompanhamos a trajetória de dois personagens nesse ato de resistência – para então nos darmos conta de que, na verdade, o que acompanhamos é uma bola de neve passando como um rolo compressor por cima de um sistema cruel. E dá muita, muita vontade de juntar mais uns punhados para fazer a bola crescer.



Crônicas da Lua Cheia – A Ascensão do Alfa, de Clecius Alexandre Duran

Meu carinho pelos lobos e a convicção de que eles são (ou podem ser) bonzinhos meio que cai por terra com os livros do Clecius. Ele explora o lado mais violento e sanguinário do mito do lobisomem, e faz isso muito bem, com um estilo todo próprio, cada vez mais apurado, e mostrando capricho na pesquisa. Neste livro, ele nos leva a uma viagem pelo Rio Grande do Sul, nos tempos da Revolução Farroupilha, para contar a história de Sétimo, um jovem e impetuoso gaúcho cujo caminho cruza com o de uma alcateia de metamorfos – e com outros personagens das lendas locais, que aparecem quando menos se espera e dão uma outra dimensão à história. É ler para crer.



Dezessete Mortos, de Nikelen Witter

Mais um passeio pelo pampa gaúcho, desta vez levada por uma nativa. O livro reúne contos de Nikelen Witter cuja ação transcorre no Rio Grande do Sul, em diferentes períodos. A maior parte deles tem um forte sabor regional, tradicionalista; outros soam mais universais, pela ambientação ou pelo próprio tema, mas todas as narrativas são bem contruídas e amarradas, os personagens são verossímeis, as tramas são instigantes. Eu, que em geral me atenho aos romances, desta vez não pude deixar de incluir este livro como um dos melhores que li no ano, e recomendo toda a obra da Nikelen a quem tem boa cabeça e coração valente.  




Claroscuro, de Oscar Nestarez

Este foi um livro que eu li antes do lançamento, visto ter sido sua revisora, e me prendeu desde as primeiras palavras. Conta a história de dois irmãos que mantêm um estranho equilíbrio entre si: quando um está bem, alegre, de bom astral, o outro se vê imerso em tristeza e apatia. A narrativa sóbria constrói uma tensão que se aprofunda pouco a pouco, à medida que os irmãos se tornam mais velhos e um deles começa a ter pensamentos sombrios. Este livro foi o segundo a ser lançado pela Coleção Dragão Negro, da Editora Draco, e parece que só estará disponível até o final de janeiro, quando termina a campanha do último livro. Aproveitem e cliquem aqui para conhecer todos eles.

E vocês, que livros nacionais os encantaram este ano? Partilhem conosco!



sexta-feira, dezembro 17, 2021

Contos Publicados : Agosto a Dezembro 2021

Cof, cof! Sai, teia de aranha! Aqui estou eu para uma série de posts que encerram mais um ano. Em minha defesa, saibam que foi bem atarefado, começando pelas publicações. Estas foram as que vieram à luz desde o último post, de 5 de agosto. 



Este projeto coordenado por Cristina Pezel reúne seis escritores de alguma forma ligados ao RPG. Inspirados pelas raças, classes e alinhamentos de Dungeons & Dragons, cada qual criou um personagem e contou uma história ambientada no universo mágico de Thalamh, criado pela Cristina com colaboração dos demais. No fim, ela escreveu um conto em que todos os personagens se encontram e contracenam – ou seja, é uma coletânea e ao mesmo tempo um romance fix-up. Certeza de que vocês irão gostar. Adquiram aqui

 


Organizada por Lu Evans, esta coletânea temática é sobre... labirintos, claro. O meu é imaginário, encontra-se numa pequena ilha da Índia onde um sábio de nome Satyaguru promove um desafio anual. Para lá se dirigem Mattan, o neto amalucado e amado pelos deuses de Balthazar de Tiro, e seu amigo egípcio, o quase sempre sensato Necos. Sua aventura é dividida em dois contos com os quais eu espero que vocês se divirtam. Se não, o livro tem vários outros contos bem legais, e é baratinho. Pode ser  comprado aqui . 


Também organizada por Lu Evans, essa foi uma coletânea em que eu colaborei bastante com ideias e paratextos. Era preciso contextualizar as histórias, que versam sobre povos antigos e/ou sobre mistérios arqueológicos das três Américas. E, o que é melhor, com participação de autores das três! A mim e a Lu se juntaram duas brasileiras, Roberta Cirne e Simone Saueressig, e cinco escritores e escritoras do Uruguai, Argentina, Bolívia, México e Costa Rica. O resultado é este livro escrito em duas línguas (as originais foram mantidas) que pode ser lido de graça no Google Play Books.  Meu conto abre o livro e leva vocês até a costa do Brasil, quando era habitada por povos sambaquieiros. Espero que gostem! 





Fiquei feliz e honrada pelo convite para integrar esta coletânea, organizada por Daniel Gruber e Irka Barrios. Nem todos os autores que aqui estão escrevem habitualmente histórias de horror, mas, sem exceção, todos se saíram bem nessa empreitada, que resultou num livro rico em diversidade de temas e narrativas. Meu conto, intitulado O Motim, se passa no Brasil e é protagonizado por uma bibliotecária escolar, em luta contra uma maré de horror nem sempre perceptível pelos que estão à sua volta. O livro esteve em Catarse e pode ser adquirido no site da Editora O Grifo

Ano que vem ainda vão sair alguns contos que escrevi durante a pandemia, mas as principais novidades virão via Editora Draco e vão levar vocês num longo passeio pelo Mediterrâneo e mais além dos Pilares de Melkart. Cortesia do deus Thoth. Já sabem do que estou falando, né? Seja como for, prometo que vai ser bem legal!

E ainda este ano eu volto aqui para falar das minhas leituras, escritas, prêmios e planos!

Grande abraço, continuem a se cuidar! 

quinta-feira, agosto 05, 2021

Contos Publicados: Março a Agosto 2021

Pessoas Queridas, 

 Estes meses têm sido de muito trabalho, e o desejo de atualizar este cantinho com mais frequência acaba atropelado pelas urgências. No entanto, algumas publicações saíram, e não posso deixar de partilhá-las com vocês. Vamos lá!


Para começar... Shame on me! Falei sobre o resultado da campanha Lobos da Fantasia no Catarse, mas não disse quase nada sobre este livro. Foi oferecido como meta extra para os apoiadores, e traz seis contos de fantasia sombria que recontam ou se baseiam em contos de fadas tradicionais. Os autores são Oscar Nestarez (que recontou O Flautista de Hamelin), Liège Báccaro Toledo (Cinderela), Carolina Mancini (A Pequena Sereia), Diego Guerra (João e Maria), Allana Dilene (Barba Azul) e eu, é claro, que recontei o conto russo Príncipe Ivan e o Pássaro de Fogo sob o ponto do vista do auxiliar mágico de Ivan: o Lobo Cinzento.

Com prefácio de Rogerio Saladino, o livro está à venda, apenas como impresso, no site da Editora Draco, bem como na Amazon e em outras lojas parceiras. Espero que gostem de fazer essa viagem pelos contos de fadas, agora com novos narradores e novos itinerários!




Coletânea organizada pela super Lu Evans, na qual meu conto reúne dois universos: o Medistelara, que compartilho com o grande amigo Luiz Felipe Vasques, e o da Família Kalil, uma família de libaneses e descendentes cujos membros têm frequentes envolvimentos com seres fantásticos. Neste caso, a história se passa no interior de São Paulo, durante a Segunda Guerra. É quando Seu Salim, o simpático e emotivo patriarca dos Kalil, trava contato com um "brimo" que aparece para pedir a devolução de uma mercadoria vinda literalmente de outro mundo! 

O e-book, com contos de vários autores, custa apenas dois reais e está à venda na Amazon. 




 Segundo volume da Série Tempo organizada por Ale Dossena, Rafael Bertozzo Duarte e Valter Cardoso. Todos os contos são sobre aventureiros e exploradores. O meu se passa no mesmo universo da história de Tempo de Dragões, um mundo ainda sem nome que está se revelando aos poucos, até para mim. Seus protagonistas são os irmãos adolescentes Miztli e Tenoch, que vivem no isolado Vale do Lagarto e que se aventuram em busca da nascente de um lago mítico, munidos de um mapa deixado em sua aldeia, gerações atrás, por um viajante estrangeiro. 

Também tem e-book na Amazon, por um preço ótimo.




Coletânea em homenagem ao universo criado por Pierre Boulle, desenvolvido e recriado principalmente em filmes e séries. Organizada por Lu Evans e Saulo Adami, tem participação de nomes consagrados da Literatura Fantástica nacional. Meu conto é narrado por Rakka, uma gorila cujo desejo de ser mãe a leva a apostar tudo num plano para lá de imprudente - e a viver (literalmente) com as consequências. 

Este e-book pode ser baixado de graça na Google Books.




Por fim, meu conto Além da Terra Sem Males foi republicado na Revista Perpétua, juntamente com uma entrevista. Esse conto marca minha estreia na Literatura Fantástica; saiu pela primeira vez em 2009, na coletânea Dimensões BR, da Editora Andross, e se passa na região de Lumiar, aqui no estado do RJ, onde vivem povos feéricos cuja aparência se assemelha à dos indígenas que habitavam a região. Quer dizer, eu nunca vi, mas que eles existem, existem. :)

Bom, essas são as novidades de março até agora. Até o fim do ano vai ter mais, e estou planejando um retorno e/ou uma reforma por aqui com posts mais frequentes. Não prometo nada, só quero que saibam que não sumi nem abandonei a estante. Espero que vocês também não; depois de quase vinte anos (o blog é de 2002!), não é um pouco de teia de aranha que vai nos assustar, né?

Até a próxima! E continuem se cuidando. Um dia ele vai embora pra nunca mais voltar.

quinta-feira, janeiro 21, 2021

Lobos da Fantasia: Minha Campanha no Catarse

Pessoas Queridas, 

Sim, tenho estado ausente. Mas há uma boa razão, e esta é a surpresa que eu estava preparando para vocês, junto com a Editora Draco. 

Faz 25 anos, nada menos, mas ainda me lembro da emoção que foi colocar o ponto final no meu primeiro livro. "O Caçador" era uma história de fantasia baseada em contos de fadas tradicionais e eu tinha posto toda a minha alma nele. 

O livro demorou dez anos para ser publicado como independente e mais quatro para ganhar uma casa, a Franco Editora, que fez um ótimo trabalho. Mas esse ciclo se encerrou - e, como na natureza, acaba de recomeçar!
A edição que comemora os 25 anos de "O Caçador" vem atualizada e com essa belíssima capa, desenhada pelo Erick Sama. Entra agora em campanha no Catarse -- uma campanha que chamamos de Lobos da Fantasia
-- acompanhada de outro livro, escrito a quatro mãos com Allana Dilene, em que as referências são os clássicos de aventura escritos por Jack London.
Na campanha existe a possibilidade de adquirir meus outros livros, as coletâneas que organizei e, ainda, outras obras de fantasia da Draco. O pacote vem com marcador, postal e cupom de desconto. Tão logo seja batida a meta inicial, anunciaremos várias outras, que irão para todos ao apoiadores. Assim, convido vocês a mergulhar nesse mundo de aventura, mistério e contos de fadas, e também a celebrar comigo essa jornada que já dura um quarto de século. Pela Magia e pela Arte!