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terça-feira, setembro 11, 2018

Ficção Científica na Biblioteca Parque


Pessoas Queridas,

No dia 13 de outubro irei participar dos eventos da Semana da Ciência na Biblioteca Parque de Niterói.



Meu bate-papo é às 16 h, com o tema "Júlio Verne e H. G. Wells, pais da Ficção Científica." Às 17 h será a vez de Luiz Felipe Vasques falar sobre a exploração e a colonização espacial e sua abordagem na Ficção Científica. Haverá distribuição de marcadores e sorteio de coletâneas da Draco.

A Biblioteca Parque fica na Praça da República s/n, Centro, pertinho do Shoping Niterói. Apareçam!

segunda-feira, setembro 03, 2018

Em Luto pelo Museu Nacional


Criança e adulta, fui muitas vezes ao Museu Nacional, e depois levei minha filha, menos recentemente do que gostaria. No entanto, minha maior recordação de lá vem de uma visita que fiz com minhas sobrinhas Beatriz e Flávia, quando a última estava com três ou quatro anos. Estávamos na sala das múmias, e a pequena se aproximou, olhou bem para aquele corpo todo enroladinho e soltou:

-- Eu gostaria de ser a múmia.
-- Por quê? -- perguntei, surpresa.
-- Porque, assim, eu não teria medo dela -- foi a resposta, cheia de uma lógica irrefutável.

Não guardo fotos dessa visita -- podem existir em algum álbum desbotado -- mas todos nós guardamos a história, frequentemente lembrada em reuniões familiares. É com desgosto que penso que os filhos da Flávia, caso ela venha a tê-los, jamais verão essas múmias; que as novas gerações de brasileiros não terão lembranças dos artefatos indígenas, do caranguejo gigante, dos frascos repletos de seres e objetos misteriosos.

Aliás,do jeito que vão as coisas, sabe-se lá de que se lembrarão os brasileiros. Da liberdade, talvez.

...

O faraó retratado na foto não estava no Museu Nacional e não foi ferido durante o incêndio. Se alguém souber quem é ele e quem tirou a foto, avise que dou os créditos. 

quarta-feira, fevereiro 15, 2017


Pessoas Queridas,

Saiu mais uma entrevista minha para o jornal O Estado do Rio de Janeiro, desta vez tratando do meu trabalho como bibliotecária e da representação da nossa profissão em séries e filmes.

Para quem quiser, o link está aqui.

quarta-feira, dezembro 14, 2016

Exposição "Saint-Hilaire e as Paisagens Brasileiras" na Biblioteca Nacional


Pessoas Queridas,

De hoje até o final de fevereiro, a Biblioteca Nacional abriga esta mostra com curadoria de servidores da casa, coordenados por mim. Estão todos convidados a nos prestigiar!

Com sua grande diversidade de fauna e flora, rios caudalosos e matas impenetráveis, o território brasileiro sempre foi visto com fascínio pelos cientistas estrangeiros. Suas jornadas pelo país tiveram como resultado não apenas a descoberta e o conhecimento de novas espécies, mas também saborosos relatos sobre o Brasil e seus habitantes.

Auguste de Saint-Hilaire esteve no país entre 1816 e 1822, financiado pelo governo da França, que, como outros Estados europeus, contava com os cientistas para obter informações sobre o Novo Mundo e encontrar a melhor forma de explorar seus recursos naturais. Durante sua viagem, o botânico recolheu cerca de 30.000 amostras de mais de 6.000 espécies vegetais, que descreveu e catalogou em seus cadernos de campo. Também escreveu sobre os lugares que visitou, com observações detalhadas que, ao se referir à sociedade e aos costumes brasileiros, por vezes assumiam o tom de crítica.

As espécies descritas por Saint-Hilaire se encontram nos três volumes ilustrados da Flora Brasiliae Meridionalis, publicados após seu retorno à França. As paisagens que visitou, contudo, não foram retratadas ao longo de suas expedições; edições posteriores seriam ilustradas com trabalhos de artistas como Jean-Baptiste Debret e Hercule Florence.

Nesta exposição, que comemora o 200º aniversário de sua chegada ao Brasil, o itinerário percorrido pelo naturalista é revisitado através de uma fusão de textos e imagens. Densas florestas, campos gerais com araucárias, o distrito diamantino, índios, tropeiros e gaúchos saltam dos relatos escritos por Saint-Hilaire e ganham forma através das gravuras e desenhos produzidos por outros artistas, alguns dos quais no âmbito de expedições que seguiram o mesmo trajeto, como a de Carl von Martius e a do príncipe Maximilian zu Wied-Neuwied.

Buscamos, assim, contribuir para que a obra de Auguste de Saint-Hilaire, hoje esquecido ou desconhecido por muitos, alcance a devida dimensão aos olhos de nossos visitantes.

quarta-feira, junho 15, 2016

Documentos da Biblioteca Nacional : Uniformes Militares do Rio colonial



Pessoas Queridas,

Venho compartilhar com vocês um texto que escrevi para a página da Biblioteca Nacional no Facebook e o blog da BN. Trata-se de uma obra datada de 1786, assinada pelo engenheiro militar José Rangel de Bulhões, que contém imagens e estatísticas da guarnição do Rio de Janeiro colonial. É uma ótima fonte de informações textuais e iconográficas.

A imagem acima, pertencente ao acervo da BNDigital, é de um soldado do terço oficial de pardos libertos, cuja existência já dá margem a indagações sobre questões sociais inerentes à organização militar da época.

Espero que gostem, visitem e compartilhem! Temos muito a mostrar e muitas histórias para contar sobre esse acervo.

sábado, julho 05, 2014

Os Novos Patrimônios da Humanidade



Pessoas Queridas,

Não sei se vocês sabem, mas, como funcionária da Biblioteca Nacional, tenho contribuído (modestissimamente, é claro) para a guarda do nosso patrimônio cultural, no meu trabalho diário com manuscritos e às vezes também na preparação da candidatura de documentos e coleções ao status de Memória do Mundo. Tivemos algumas vitórias neste sentido e isso enche de orgulho a todos nós, agentes da preservação cultural.

Agora, a UNESCO acaba de anunciar 26 novos sítios eleitos como patrimônio da humanidade, que incluem desde cavernas com pinturas rupestres a florestas inteiras - e, ao mesmo tempo que me deleito com as imagens e sonho visitar cada um desses lugares, quero chamar a atenção para a importância de haver pessoas que façam esse trabalho. Pessoas que estudem, que compreendam cada obra ou paisagem em seu contexto, que analisem e façam valer critérios consistentes para a nomeação e a preservação desses registros.

Vamos admirar os monumentos, mas também valorizar aqueles que lutam e trabalham pela sobrevivência de nossa cultura, de nosso passado, de nosso planeta.

Acima: uma imagem de Pergamon, na Turquia, um dos grandes centros de conhecimento e aprendizado do mundo antigo, agora também na lista da UNESCO. 

quinta-feira, março 22, 2012

Ecos do Passado: a Biodiversidade nos Manuscritos da Biblioteca Nacional


Pessoas Queridas,

Venho convidá-los para a mais recente mostra que organizei na Biblioteca Nacional, com 17 documentos originais, provenientes de algumas das nossas mais importantes coleções. Só para dar um "gostinho", eis o texto de abertura:

Com sua incrível variedade de espécies, a Natureza sempre exerceu um grande fascínio sobre nós. Desde a Antiguidade, estudiosos como Aristóteles e Plínio, o Velho se ocuparam em descrevê-la e explicá-la, conhecimento que foi transmitido às gerações seguintes e forneceu as bases para o Renascimento.

Na Era dos Descobrimentos, um novo mundo se descortinou perante os olhos dos viajantes. Logo surgiriam os primeiros relatos sobre o Brasil. Foram muitos, a começar pela carta de Caminha – que já antecipava a riqueza da terra brasileira – até o tratado de Gabriel Soares de Sousa, datado de 1587, que fornece explicações exatas sobre as plantas do Novo Mundo.

Os séculos XVII a XIX foram pródigos em expedições e descobertas. As viagens eram longas, cheias de percalços; os novos mapas eram traçados aos poucos, mas o deslumbramento era constante. E se a ação do homem desde cedo começou a interferir na vida selvagem, por outro lado não tardou a surgir a preocupação em preservar florestas e espécies ameaçadas.

Às vésperas da Rio + 20, conferência sobre desenvolvimento sustentável que terá lugar no Rio de Janeiro, a exposição “Ecos do Passado” reúne documentos que testemunham aquele período. Entre os manuscritos contam-se diários de viagem, relatórios acerca da situação das matas e ilustrações da fauna e da flora de um dos países mais ricos do mundo em biodiversidade. Em outras palavras, uma fusão entre os bens culturais e o patrimônio natural brasileiro
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Legal, não? Foi um trabalho que eu gostei de fazer e estou adorando compartilhar com nossos visitantes. Por isso convido vocês. A quem não puder vir, peço que ajude na divulgação, pois vale a pena!

Abraços e até a próxima!

segunda-feira, abril 11, 2011

Bibliotecas, Passado, Presente e Futuro


Oi, Pessoas! Tudo bem?

Partilho com vocês o texto de Andreia Hisi na revista virtual de jornalismo científico ComCiência. Este mês eles trazem um dossier sobre bibliotecas, e colaborei respondendo a uma entrevista. O resultado vocês veem aqui.

Como imagem de abertura, o alfabeto dos meus antepassados, sobre os quais estou escrevendo um texto para a Ciência Hoje das Crianças. Aguardem!

Abraços a todos,

Até a próxima!

segunda-feira, abril 04, 2011

Monstros na Biblioteca Nacional


Pessoas Queridas,

Peço que me desculpem o sumiço dos últimos tempos. O lançamento do Castelo das Águias se aproxima e há outros compromissos pendentes, por isso tanto este blog quanto o do próprio Castelo acabam ficando meio de lado. Tenho certeza de que vocês compreendem.

Neste meio-tempo, quero convidá-los a visitar a Biblioteca Nacional e conhecer os monstrinhos. Não, não estou falando daqueles que escrevem furiosamente e mantêm blogs malucos, mas sim de outros bem mais respeitáveis: os monstros pertencentes ao imaginário dos séculos XVI a XIX, retratados em livros da época que, até o dia 20 de abril, se encontram em exposição na Divisão de Obras Raras, sob a curadoria de sua chefe, Ana Virgínia Pinheiro.

Para maiores informações, visitem o site da Biblioteca Nacional. E não esqueçam: se alguém aparecer por aqui, tem uma monstrinha na sala ao lado (Divisão de Manuscritos) que está sempre pronta pra bater um papo e tomar um café com os amigos.

Até lá,

Grande abraço!

sexta-feira, setembro 09, 2005

Júlio Verne : Histórias que Inspiraram o Futuro



Oi, Pessoas! Tudo bem?

O título deste post é o mesmo da minha última publicação, que foi artigo de capa na Ciência Hoje das Crianças do mês de Agosto. Eu esperava deixar aqui apenas o link, mas desta vez eles não disponibilizaram o texto na íntegra... Então, nada mais justo que eu o reproduza. Como poderia um autor como Verne ficar fora das prateleiras de uma Estante Mágica? ;)

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Histórias que Inspiraram o Futuro

Como você chamaria um escritor que, em suas histórias, fala sobre máquinas, robôs e outras tecnologias que só viriam a ser criadas muitos anos mais tarde? Mágico? Vidente? Viajante do tempo? Ou apenas alguém que possui um grande conhecimento científico... e uma curiosidade ainda maior?

Seja como for, saiba que essa pessoa realmente existiu. Seu nome: Júlio Verne, considerado um dos maiores autores de ficção científica de todos os tempos.

Júlio Verne nasceu em 1828, na cidade de Nantes (França), e começou a escrever na época em que estudava Direito em Paris. Seu primeiro conto de ficção científica, "Uma Viagem em Balão", foi escrito em 1851, sob a influência de outro grande autor do gênero, Edgar Allan Poe. A partir daí, Verne não parou mais, aprofundando-se em pesquisas para dar credibilidade às teorias científicas apresentadas em suas obras.

Em 1863, em parceria com o editor Pierre Hetzel, Júlio Verne começou a escrever uma série de histórias de aventura chamada "Viagens Extraordinárias", que se iniciou com "Cinco Semanas em Balão" e incluiu, entre vários outros livros, "Viagem ao Centro da Terra" (1864), "20.000 Léguas Submarinas" (1869-70) e "Volta ao Mundo em 80 Dias" (1873). Essas obras logo conquistaram leitores em todo o mundo, entre eles o escritor brasileiro Euclides da Cunha, que costumava enviar os livros de Verne a seu filho, aluno de um colégio interno... com a condição de que só os lesse no recreio!

A popularidade era merecida, pois, além de narrativas empolgantes, com heróis inesquecíveis, tais como o misterioso Capitão Nemo (de 20.000 Léguas Submarinas), Verne oferecia ao leitor visões e idéias fascinantes sobre o futuro. No que se refere à tecnologia, suas suposições se baseavam em conhecimentos tão sólidos que algumas das "invenções" citadas em seus livros acabaram por ser de fato, desenvolvidas por cientistas décadas mais tarde.

Verne é especialmente conhecido por antecipar alguns dos princípios que deram origem aos modernos submarinos. Na verdade, as primeiras referências a um barco capaz de se deslocar sob a água datam de 1580, e muitas experiências foram feitas desde então, sendo uma delas a de Robert Fulton em 1800. O engenho, que fracassou em sua missão (afundar navios franceses), se chamava "Nautilus", e este foi também o nome dado por Júlio Verne ao submarino comandado pelo Capitão Nemo. Ao explicar seu funcionamento, Verne demonstrou ter feito cálculos rigorosamente corretos, e sua obra foi consultada por vários dos cientistas e engenheiros que, mais tarde, trabalharam na construção de submarinos. Por isso, mais de um modelo foi batizado como "Nautilus", inclusive o primeiro submarino a funcionar à base de energia nuclear, em 1954.

Além do submarino, Júlio Verne descreveu um equipamento de mergulho mais avançado do que o utilizado na época, o qual também serviu de ponto de partida para futuras experiências. No entanto, o autor não se limitou a explorar o fundo do mar ou o centro da Terra, mas se aventurou em um lugar ainda mais distante e, no século XIX, totalmente inatingível: o espaço sideral.

Em seu livro "Da Terra à Lua" (1865) Verne cometeu alguns deslizes no campo científico - o canhão utilizado por seu personagem para se lançar em órbita, por exemplo, teria provocado a morte dos passageiros, devido à aceleração inicial - mas, por outro lado, previu a existência de foguetes e espaçonaves e até mesmo a tentativa de comunicação com seres extraterrestres. Nesse livro, um cientista alemão descreve seu projeto de criar um alfabeto comum a homens e a selenitas (habitantes da Lua), o qual se basearia em figuras geométricas. No entanto, o projeto não é posto em prática, e Verne conclui dizendo que a comunicação com o espaço sideral caberia, no futuro, aos norte-americanos. A "profecia" acertou em cheio desta vez, pois o primeiro projeto destinado à busca de vida inteligente em outros planetas foi conduzido por um astrônomo americano, Frank Drake, em 1960. Até agora, não se tem provas de que algo tenha sido encontrado, mas no futuro... quem sabe?

E por falar em futuro, um dos mais interessantes contos de Júlio Verne se passa cem anos após a data em que foi escrito. Seu título já diz tudo: "No Ano de 2889". Nessa obra, escrita a partir de uma história de seu filho Michel, Verne põe a imaginação para funcionar, descrevendo tecnologias surpreendentemente parecidas com as que temos hoje, tais como a televisão e o videofone. Dentre as que ainda estão por surgir, ou ao menos ser aperfeiçoadas, uma das mais interessantes é a "máquina de roupas personalizadas", que fabrica e ajusta as roupas de acordo com as pessoas que irão vesti-las. A idéia, que vem sendo desenvolvida por cientistas industriais, foi utilizada no segundo filme da conhecida série "De Volta para o Futuro" (1985-1990). Já no terceiro filme, o cientista vivido por Christopher Lloyd encontra seu grande amor a partir de um interesse comum pelas obras de... Júlio Verne!

Apesar de seu entusiasmo com os avanços cada vez maiores da Ciência, Verne estava atento às questões do seu tempo e aos problemas que podiam surgir, a curto e a longo prazo, para a Terra e para toda a humanidade. Temas como o desejo de liberdade de alguns povos, o colonialismo, o capitalismo e as guerras entre nações aparecem em várias de suas obras, principalmente as escritas após 1900. No conto "O Eterno Adão" (publicado em 1910 por Michel Verne), um historiador do futuro descobre que a civilização do século XX foi destruída por abalos geológicos, enquanto em "O Senhor do Mundo" (1904) um grande inventor se deixa dominar pelo desejo de poder. As indagações surgem até mesmo nos livros onde predomina a aventura: em "20.000 Léguas Submarinas", o Capitão Nemo se mostra descontente com os rumos tomados pela civilização, da qual escolhe se isolar, vivendo com sua tripulação a bordo do "Nautilus".

Pensador, cientista e acima de tudo um excelente escritor, Júlio Verne morreu em 1905, há exatos cem anos, tendo publicado mais de 60 romances, além de contos, ensaios e peças de teatro. Nem todos são conhecidos do grande público, mas alguns fazem parte da lista dos "livros de cabeceira" de leitores de várias gerações. Isso porque, embora tenham sido escritos há muitos anos, eles têm a principal qualidade que torna um livro imortal: são capazes de fazer sonhar as pessoas que os lêem. E os sonhos não têm idade... Vocês concordam?

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Textos que entraram em boxes

Uma Viagem Extraordinária... no Brasil!

Além de expedições ao interior da Terra, ao espaço sideral e ao fundo do mar, as obras de Júlio Verne proporcionam ao leitor uma verdadeira "volta ao mundo". Não só no livro que tem esse título, mas em vários outros, como "Miguel Strogoff" (1876), que se passa na Rússia dos czares, e "Viagem ao Centro da Terra", em que os protagonistas iniciam sua jornada descendo pela cratera de um vulcão na Islândia. Com tantos destinos internacionais, o Brasil não poderia ficar de fora: em seu livro "A Jangada" (1881), Júlio Verne narra uma viagem ao Rio Amazonas a bordo de uma embarcação que ele descreve como "um grande trem de madeira". O livro foi relançado no Brasil em 2003.

Júlio Verne no Cinema

Muitos dos livros de Júlio Verne foram transformados em filmes, séries e até desenhos animados. O primeiro filme a se inspirar em suas obras foi "Viagem à Lua", de Georges Meliès (1902). Também são famosas a versão dos Estúdios Disney de "20.000 Léguas Submarinas" (1954), que ganhou o Oscar de efeitos especiais com uma lula mecânica; a de Michael Anderson de "Volta ao Mundo em 80 Dias" (1956), estrelada por David Niven e Cantinflas; e a do diretor de Hollywood Irwin Allen de "Cinco Semanas em Balão" (1962).

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E aí, o que acharam? Legal, não é? Espero que o público da revista também tenha gostado. Se não... de qualquer forma, posso afirmar que foi pesquisado com seriedade e escrito com muito carinho.

Esse mesmo carinho com que eu desejo, a todos,

Bom final de semana!

Abraços pra vocês,

Ana Lúcia

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

Há Mouros na Costa!

Pessoas Queridas,

Lamento muito ter que iniciar mais um post com um pedido de desculpas... mas aí vai.

O lançamento de meu livro O Conto de Fadas, na Biblioteca Estadual Infantil Anísio Teixeira, que estava previsto para ontem (22 de fevereiro), infelizmente não pôde acontecer. Tive um problema de ordem pessoal, em cima mesmo da hora (aos fãs da Luciana: não foi nada relacionado a ela, graças a Deus), e não pude estar presente ao evento. Espero que compreendam e me perdoem. Aos que estiverem interessados em adquirir o livro, peço que entrem em contato comigo pelo e-mail anamerege@ig.com.br ... OK?

Já os que quiserem fazer o curso sobre contos de fadas têm duas opções. Em Março, darei o curso mais longo, de 16 horas, na Casa da Leitura, e em Abril a versão compacta (6 horas) na Biblioteca Popular Machado de Assis, em Botafogo. Por favor, usem o mesmo e-mail para informações... e se acharem que alguém pode se interessar, divulguem, pleeeeeease!

E enquanto espero a hora de entrar em sala... fiquem com a minha mais recente publicação na Ciência Hoje das Crianças:

Há Mouros na Costa

Espero que curtam essa minha incursão pela História. Em geral fico pelos campos da ficção, que permite maiores vôos. Mas os mouriscos, meus antepassados pelos dois lados (os Merege são libaneses e o meu pai é da terra do Seu Manuel), sempre me fascinaram com sua cultura. Quanto mais que As Mil e Uma Noites também vieram de lá!

Abraços a todos,

Até a próxima!

Ana Lúcia

segunda-feira, julho 05, 2004

Malba Tahan



Malba Tahan foi o nome utilizado pelo escritor, pedagogo e professor Júlio César de Mello e Souza para publicar suas histórias ambientadas no Oriente, da qual a mais famosa é “O Homem que Calculava”. Mesmo sem ter lido o livro, aposto que todos vocês já ouviram falar no “problema da divisão dos camelos”, resolvido pelo protagonista, Beremiz Samir, numa genial sacada matemática... exatamente como teria feito o autor por trás do pseudônimo.

Carioca, nascido em 1895, Júlio César sempre soube utilizar sua criatividade e imaginação, primeiro redigindo composições escolares e as vendendo a seus colegas e, mais tarde, driblando a indiferença do editor do jornal “O Imparcial” para com seus primeiros contos. Vendo que não eram publicados, Júlio inventou que se tratava da tradução de contos escritos por um americano premiadíssimo, R. S. Slade - e o resultado foi ver um deles na primeira página da edição seguinte.

A criação de Malba Tahan já exigiu maiores preparativos. Na verdade, vários anos, nos quais Júlio César estudou a cultura, a língua e a Literatura árabes. Em 1925, sob os auspícios de Irineu Marinho, então dono do jornal carioca “A Noite”, ele começou a publicar os escritos de Malba, mais tarde reunidos em livros. A exemplo dos heterônimos de Fernando Pessoa, o escritor árabe não tinha apenas um nome, mas toda uma biografia: ele teria nascido em 1885 na aldeia de Muzalit, perto de Meca, e estudado no Cairo e em Constantinopla antes de empreender uma grande viagem pelo Japão, Rússia e Índia. Rica em aventuras, sua vida foi no entanto curta, pois ele teria morrido em 1921, deixando como legado um grande número de contos, lendas e relatos, cujas primeiras edições tinham sempre a “tradução e notas do prof. Breno Alencar Bianco”. Pois é claro que um personagem tão bem-construído não podia deixar de trazer consigo seus coadujvantes...!

Enquanto isso, seu criador, Júlio César, que tinha sido um aluno apenas mediano em Matemática, instituiu-se como professor dessa matéria, para a qual defendia um ensino baseado em jogos, charadas e atividades lúdicas. Apesar de suas idéias serem combatidas pelos professores mais tradicionais, o método foi pouco a pouco influenciando os educadores mais jovens, e Júlio César passou a ser convidado para aulas, palestras e atividades pedagógicas em todo o Brasil. Sua última conferência foi, porém, sobre a outra arte da qual era mestre: a de contar histórias, tema sobre o qual discorreu para um público de normalistas, no Recife, em 18 de junho de 1974. De volta ao hotel, o coração, de quase 80 anos, se sentiu subitamente cansado... e lá se foi Júlio César, lá se foi Malba, seguindo uma caravana com destino às estrelas.

Eu tinha cinco anos nessa época, e já conhecia alguns dos contos de Malba, principalmente os do livro “Céu de Allah”. Um deles, “O Livro do Destino”, ainda vou recontar para vocês, pois ele traz um ensinamento que marcou a minha infância, e pelo qual ainda hoje procuro nortear minha vida. Com um outro livro, “Salim, o Mágico”, tenho uma relação engraçada. Eu conheço vários episódios, lidos ou contados para mim pelo vovô. No livro, porém, esses episódios eram entremeados com trechos de narrativa que então eu achava sem interesse, e por isso nunca cheguei a lê-lo, embora muita coisa tenha ficado na memória e até no inconsciente. Por exemplo, Munir, o nome do filho de Salim, apareceu como o nome de um rei numa das minhas histórias; e a profissão verdadeira do pseudo-mágico, a de cordoeiro, é a profissão da família materna de meu protagonista, Cyprien. Outras relíquias do tempo vão aparecendo, aqui e ali, e é muito bom reconhecê-las, apesar da saudade que dá às vezes. Os aventureiros podem achar seus tesouros de uma só vez, em alguma cripta perdida ou baú de pirata... Mas os sonhadores têm que se contentar em reuni-los aos poucos.

Bons sonhos - e boas aventuras - a todos vocês!

Até a próxima!

Ana Lúcia