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domingo, junho 23, 2019

Parceria Tabula Rasa: Fantásticas

Pessoas Queridas,

Sigo com as postagens da parceria com o portal Tabula Rasa, que está com a campanha #LivroBRNoCinema.

Segundo suas idealizadoras, Anny Lucard e Louise Duarte, a campanha se propõe a divulgar livros nacionais com potencial para se tornarem filmes, bem como como prestar um serviço diferenciado, de baixo custo, focando a divulgação de autores nacionais ainda desconhecidos do grande público. Os blogs parceiros irão divulgar esses livros, e também uns aos outros, criando o efeito "teia" que tanto adoro quando se trata de partilhar cultura, literatura e informação.




O livro que recomendo hoje é Fantástica, coletânea da Giz Editorial organizada por Giulia Moon e Walter Tierno, trazendo contos de amor, terror e aventura. Entre seus autores está Dany Fernandez, redatora do blog Barato Literário, no qual ela divulga não apenas literatura, mas quadrinhos, eventos e muitas coisas legais.

Vamos conferir?

quinta-feira, junho 20, 2019

Parceria Tabula Rasa: Vanguardia

Pessoas Queridas,

Retomo aqui as postagens da parceria com o portal Tabula Rasa, que está com a campanha #LivroBRNoCinema.

Segundo suas idealizadoras, Anny Lucard e Louise Duarte, a campanha se propõe a divulgar livros nacionais com potencial para se tornarem filmes, bem como como prestar um serviço diferenciado, de baixo custo, focando a divulgação de autores nacionais ainda desconhecidos do grande público. Os blogs parceiros irão divulgar esses livros, e também uns aos outros, criando o efeito "teia" que tanto adoro quando se trata de partilhar cultura, literatura e informação.




O livro que recomendo hoje é Vanguardia, de Joe de Lima, um thriller com toques de terror e ficção científica. Vejam a sinopse da Amazon:

Atravessando o espaço sideral, a Vanguardia está numa jornada de cento e quarenta anos rumo a um planeta desabitado. No interior da nave colonizadora, seções protegidas por imponentes portas de aço transportam uma tripulação de cinquenta mil pessoas acomodadas em cápsulas de sono. Quando uma dessas câmaras dá defeito, um jovem enfermeiro chamado Victor acorda antes da hora.

Sem pistas do que realmente está acontecendo, Victor se depara com um grupo de desconhecidos e um ambiente opressor. À medida em que um passado distante vem à tona, um pesadelo desperta, ameaçando as vidas de todos.


Legal, não é? Vamos lá conferir o livro do Joe!

E até breve, com mais uma divulgação da campanha #LivroBRNoCinema!

domingo, abril 07, 2019

Parceria Tabula Rasa : Quem Precisa de Heróis?

Pessoas Queridas,

Prosseguindo na divulgação dos demais parceiros na campanha #LivroBRNoCinema, do portal Tabula Rasa, venho apresentar o livro "Quem Precisa de Heróis?, da Vivianne Fair.




Neste livro, Sephira é uma jovem donzela que está fugindo, perseguida por dois encapuzados. Para a sorte da moça, quatro heróis estilosos surgem para salvá-la. Azar o deles se morrem por suas mãos.

São ressuscitados por um clérigo e têm que pagar uma taxa absurda. Como heróis não costumam ter dinheiro – fazem tudo de bom coração e com os conselhos de seus livros de auto-ajuda – resolvem ir em busca da jovem e receber a recompensa pela captura dela, além de salvar o mundo da ameaça que a moça representa: pode destruir tudo com um... espirro! 

De seu lado, a jovem logo encontra um elfo boa-pinta disposto a ajudá-la. Afinal, ela destruiu a sua aldeia e agora ele não tem nada melhor para fazer. De outro, um belo e poderoso feiticeiro, no melhor estilo vilão de RPG, deseja o poder de Sephira e procura seduzi-la. Envia à moça um ovo, que revela ser um enorme dragão vermelho voador cuspidor de fogo. Claro que isso desperta nela seu instinto maternal, e a jovem acolhe o dragão de quinze metros com muito carinho.

Quem está certo, no final das contas? Você teria alguma ideia de como impedir alguém que pode destruir o mundo na primeira TPM?

...

"Quem Precisa de Heróis" foi lançado numa campanha de financiamento coletivo. Eu participei e tenho o livro, que ainda não li -- mas tenho certeza de que ele é tão legal quanto os outros trabalhos da autora, que incluem sua série "A Caçadora", o romance "A Rainha Sombria" e o conto "A Elfa Maga", publicado na coletânea Magos, que organizei para a Editora Draco.

Esses e outros trabalhos da Vivianne -- inclusive suas ilustrações e tirinhas divertidas -- vocês encontram no site da autora, o Recanto da Chefa. Passem lá!

E até breve, com mais uma divulgação da campanha #LivroBRNoCinema!

segunda-feira, abril 01, 2019

Parceria Tabula Rasa : A Vampira Nerd

Pessoas Queridas,

Prosseguindo na divulgação dos demais parceiros na campanha #LivroBRNoCinema, do portal Tabula Rasa, venho apresentar o canal A Vampira Nerd.


Sobre o canal, diz sua criadora, a gamer e designer gráfica Rebeca Monteiro:

“Sou apaixonada pelo mundo cinematográfico e aqueles filmes coreanos que dão o que falar. No meu canal, você pode encontrar informações como aqueles filmes que foram inspirados por livros, críticas de filmes e seriados e não esquecendo de falar dos poderes ou curiosidades dos seus super-heróis favoritos. Com uma paixão pelo mundo cinematográfico, criei esse canal para compartilhar ideias e conhecimento da cultura pop e cultura oriental.”

Eu não sou fã de dorama, então assisti a um vídeo da Rebeca sobre o filme "Diário de uma Paixão". Achei a análise muito interessante, favorecida pelo jeito espontâneo da blogueira. Foi bem legal a forma como ela abordou as diferenças entre o livro e o filme, uma coisa que nem sempre a gente vê - frequentemente vemos analisados só um ou só o outro. Esse foi um plus que encontrei e do qual gostei muito.

Assim, convido todo mundo a conhecer e a se inscrever no canal da Vampira Nerd -- ela tem muito a dizer e diz de um jeito bacana!

Até breve, com mais uma divulgação da campanha #LivroBRNoCinema!

segunda-feira, março 25, 2019

Parceria Tabula Rasa : Ah, e Por Falar Nisso

Pessoas Queridas,

Eu sei, eu sei que este blog anda meio parado. São dezessete anos... Não há como manter uma produção constante. E este ano vai demorar um pouco para ter novidades, eventos, masssss... para agitar um pouco as coisas, venho anunciar que fechei uma parceria com o portal Tabula Rasa, que está com a campanha #LivroBRNoCinema .


Segundo suas idealizadoras, Anny Lucard e Louise Duarte, a campanha se propõe a divulgar livros nacionais com potencial para se tornarem filmes, bem como como prestar um serviço diferenciado, de baixo custo, focando a divulgação de autores nacionais ainda desconhecidos do grande público. Os blogs parceiros irão divulgar esses livros, e também uns aos outros, criando o efeito "teia" que tanto adoro quando se trata de partilhar cultura, literatura e informação.

O primeiro blog que divulgo aqui é o Ah, e Por Falar Nisso.... Criado em 2008 como um blog pessoal, tornou-se uma página que oferece informação, opinião e curiosidades sobre diversos produtos da cultura pop. Cinema, TV, literatura, música, comportamento nas ruas e na rede -- tudo isso tem espaço nesta página, criada pela jornalista Fabiane Bastos. Dei uma passeada no blog e encontrei artigos muito legais sobre séries e filmes que estão sendo lançados agora, escritos por uma blogueira antenadíssima. Vale a pena conferir!

Até breve, com mais uma divulgação da campanha #LivroBRNoCinema!

segunda-feira, setembro 03, 2018

Em Luto pelo Museu Nacional


Criança e adulta, fui muitas vezes ao Museu Nacional, e depois levei minha filha, menos recentemente do que gostaria. No entanto, minha maior recordação de lá vem de uma visita que fiz com minhas sobrinhas Beatriz e Flávia, quando a última estava com três ou quatro anos. Estávamos na sala das múmias, e a pequena se aproximou, olhou bem para aquele corpo todo enroladinho e soltou:

-- Eu gostaria de ser a múmia.
-- Por quê? -- perguntei, surpresa.
-- Porque, assim, eu não teria medo dela -- foi a resposta, cheia de uma lógica irrefutável.

Não guardo fotos dessa visita -- podem existir em algum álbum desbotado -- mas todos nós guardamos a história, frequentemente lembrada em reuniões familiares. É com desgosto que penso que os filhos da Flávia, caso ela venha a tê-los, jamais verão essas múmias; que as novas gerações de brasileiros não terão lembranças dos artefatos indígenas, do caranguejo gigante, dos frascos repletos de seres e objetos misteriosos.

Aliás,do jeito que vão as coisas, sabe-se lá de que se lembrarão os brasileiros. Da liberdade, talvez.

...

O faraó retratado na foto não estava no Museu Nacional e não foi ferido durante o incêndio. Se alguém souber quem é ele e quem tirou a foto, avise que dou os créditos. 

quarta-feira, fevereiro 15, 2017


Pessoas Queridas,

Saiu mais uma entrevista minha para o jornal O Estado do Rio de Janeiro, desta vez tratando do meu trabalho como bibliotecária e da representação da nossa profissão em séries e filmes.

Para quem quiser, o link está aqui.

segunda-feira, novembro 02, 2015

Lembrando "O Feitiço de Áquila"



Ontem, depois de muitos anos, revi "O Feitiço de Áquila" -- e me impressionei. Como tem elementos desse filme que eu evoquei, a maior parte de forma inconsciente, em "O Caçador" e "O Castelo das Águias"!

Cheguei a me arrepiar no momento em que Navarre manda Philippe envolver o falcão ferido em um pedaço de pano; eu não me lembrava dessa parte do filme, mas acontece com uma águia no Castelo, que é ferida e depois socorrida por Padraig. E a ideia dos lobos e falcões (no meu caso, águias) de naturezas diferentes, mas que se casam para a vida toda.

O filme foi feito e assistido há 30 anos, mas continua a me encantar. O único elemento de estranheza foi a trilha sonora típica dos anos 80, da qual eu realmente não me lembrava. Hoje, as cenas de luta seriam certamente acompanhadas por música bem diferente. Mas valeu, valeu de verdade.

quinta-feira, abril 16, 2015

O Hércules de Brett Ratner: "Gato por Lebre" ou A Construção do Herói?


Pessoas Queridas,

Mais uma vez venho partilhar um texto que escrevi para o Leitor Cabuloso, desta vez sobre o filme "Hércules", dirigido por Brett Ratner e com Dwayne "The Rock" Johnson no papel-título. Muita gente torceu o nariz para o fato de o filme não mostrar o herói dando conta dos Doze Trabalhos, mas, para mim, o diretor acertou ao tocar na questão da construção do mito, ainda que a abordagem tenha sido ao estilo "Sessão da Tarde".

Para ler e opinar, clique aqui. E aproveite para conhecer outros textos da Estante Mágica, na coluna do mesmo nome, nosso espaço gentilmente cedido pelo Lucien no Leitor Cabuloso!!

terça-feira, março 17, 2015

The Secret of Kells : o filme



Pessoas Queridas,

Neste dia de São Patrício, sugiro que a Guiness seja acompanhada de um balde de pipoca e um bom filme: a animação "The Secret of Kells" (2009), que traz um relato ficcional (e fantástico) sobre a criação do Livro de Kells, o maior ícone da arte da iluminura britânica do século IX e considerado o maior tesouro da Irlanda.

O filme dirigido por Tomm Moore e Nora Twomey recebeu montes de prêmios, com toda justiça. Não apenas a animação é ótima, mas tanto o roteiro quanto a arte conseguiram captar a mistura de influências que existiram naquele local e período, em que o imaginário herdado dos celtas se harmonizava perfeitamente com os ensinamentos e a vivência do cristianismo.

Como escritora, pesquisadora e bibliotecária - recomendo!

sábado, junho 28, 2014

Como Treinar o Seu Dragão: Podcast no Leitor Cabuloso



Pessoas Queridas,

Quem me conhece sabe que dragões e vikings estão entre meus personagens favoritos desde sempre.
Quem me conhece ainda melhor sabe que adoro bater um papo.
Assim, como resistir a mais este convite do Lucien?

Aqui vai nosso podcast sobre a série de livros (ou pelo menos o primeiro deles) e as animações, sem spoiler do segundo filme. Confiram aqui no site do Leitor Cabuloso - e depois me digam!

sexta-feira, junho 20, 2014

A Vida Secreta de Walter Mitty



Dirigido e estrelado por Ben Stiller, o filme “A Vida Secreta de Walter Mitty” (“The Secret Life of Walter Mitty”, 2013) foi inspirado num conto do escritor americano James Thurber, publicado em 1939 no jornal “The New Yorker”. Ao contrário de uma adaptação anterior (de 1947), em que o protagonista sonhador salvava o dia ao se tornar agente secreto, este filme não pretende tirar seu herói da condição de um homem comum - mas, através de um roteiro muito simples e uma belíssima fotografia, consegue fazer com que o espectador compreenda a nova dimensão que sua personalidade adquiriu ao longo de uma grande jornada..

Escrevi sobre este filme no site do Leitor Cabuloso. Confiram!

sexta-feira, junho 07, 2013

Cloud Atlas, o filme



Pessoas Queridas,

Mais um fim de semana se inicia, e aproveito para dar essa dica a quem for ficar em casa e curtir um filminho com pipoca. Se bem que nesse caso é um filmão: Cloud Atlas, baseado no livro homônimo de David Mitchell, que no Brasil saiu com o título de A Viagem.

Apesar da tradução incompreensível ("O Atlas das Nuvens" seria bem mais legal) o filme é de fato uma viagem através do tempo, do espaço e das vidas de muitas pessoas, interligadas por um lugar, um objeto ou um ideal. Seis histórias são contadas, seus capítulos se intercalando de forma que, pouco a pouco, você começa a perceber os elementos que as conectam umas às outras. Olhando por esse ângulo, acho que foi uma sorte eu ter visto o filme em DVD, com a possibilidade de recuar e tornar a ver certos trechos que pareciam um pouco obscuros, mas isso não se deve ao hermetismo do filme; é que eram muitos detalhes a serem percebidos em cada cena.

Um grande must é a caracterização dos artistas. Em cada uma das histórias, Tom Hanks, Hale Berry, Hugo Weaving, Jim Sturgess e Hugh Grant, entre vários outros, interpretam pelo menos um papel, principal ou secundário, às vezes uma microponta como a de Hale Berry na história do advogado nos Mares do Sul. Em alguns casos dá para reconhecer os rostos, em outros só nos créditos, e não há como não soltar várias exclamações de surpresa. Quem diria que a enfermeira durona era o...?

À parte a maquiagem, atuações e o visual como um todo, a história me prendeu durante aquelas quase três horas. Digo "a história" porque, isoladamente, cada uma das seis tem uma trama simples, sem granes surpresas; algumas não fariam sentido se fossem contadas sozinhas, sem o apoio das demais, porém esse não era o objetivo e sim construir algo maior, que integrasse todas as seis e criasse uma grande história, em diferentes níveis como uma espiral, mas com um tema em comum.

E qual seria esse tema? É curioso. Logo que vi o filme, procurando uma imagem para ilustrar este post, li uma citação atribuída ao autor do livro, David Mitchell, segundo o qual o tema central de sua obra seria o instinto predatório, a sanha de domínio e de obtenção de poder do homem sobre o homem. De fato, uma frase dita pelo médico/monstro da primeira história é repetida pelo homem da tribo pós-catástrofe séculos depois (ambos interpretados por Tom Hanks): "O fraco é o alimento do forte". No entanto, minha visão do filme teve o viés oposto; para mim o tema central não foi o poder e sim a conquista e a defesa da liberdade, tanto no sentido mais literal (a libertação física de um escravo) quanto no que se refere à liberdade de crença,convicção, sexualidade e poder de escolha. Algumas se dão em um nível mais pessoal, como a de Robert Frobisher (autor da sinfonia "Cloud Atlas" na história passada em 1936) e a do impagável editor Cavendish; outras ganham conotação universal, principalmente a de Sonmi-451, garçonete em Nova Seul, geneticamente modificada para sê-lo enquanto durar sua vida útil.

(Aliás, alguém notou que 451, o número dessa entre outras Sonmis, é a temperatura da queima do papel, citada também em Fahrenheit 451 de Ray Bradbury? Eu sim).

Ao ver esse filme, algumas pessoas talvez pensem na ideia da reencarnação, principalmente por causa da repetição de atores. É uma interpretação, mas não me satisfaz, não acho que tenha sido essa a intenção do autor. Ainda assim, vejo algo de espiritual na ideia central da obra, porém não um espiritual religioso; só mesmo aquela ideia de que todos estão conectados, exista ou não algo "maior" ou "além" de nós e da nossa compreensão. Enfim, a velha e boa constatação de que nenhum de nós é uma ilha.

Cloud Atlas, o livro, está disponível para compra em livrarias aqui ou online - minha amiga viu uma edição paperback na Cultura do Rio por R$ 19,90 - e a Companhia das Letras pelo que li comprou os direitos, mas ainda não há data prevista para a tradução. Não tenho dúvida de que será um desafio, pois apreciações do livro em inglês disseram que há muitos neologismos, que o homem do futuro pós-apocalíptico se expressa de um jeito peculiar (se for como o menino do primeiro conto de A Voz do Fogo, sai de baixo!) e que além disso usa recursos complicados de narrativa. Já um ponto a favor é que Mitchell disse ter se inspirado em parte em Se Um Viajante Numa Noite de Inverno, meu livro favorito de Italo Calvino.

Pesando os prós e contras, depois de ter adorado o filme e sabido que o Cavendish do livro é melhor ainda - e, ora, R$ 19,90 não me farão mais pobre - acho que não vou esperar pela versão brasileira e sim me arriscar a ler o original mesmo. E, daqui a um tempo, assistir ao filme de novo, com o arcabouço da história em mente e prestando mais atenção aos detalhes sutis.

Vale a pena.

domingo, maio 22, 2011

O Cristal Encantado


Pessoas Queridas,

A Estante Mágica não é composta apenas de livros, mas também de impressões e memórias. Hoje quero falar sobre um dos filmes que mais marcaram a minha adolescência: O Cristal Encantado (no original, "The Dark Crystal"), dirigido por dois mestres de bonecos, Jim Henson e Frank Oz. O conceito inicial dos personagens foi de Brian Froud, conhecido por livros como Faeries (que eu tinha, emprestei e não me devolveram!) e que, mais tarde, ajudaria Henson e Oz em outro filme emblemático, Labirinto, estrelado por David Bowie.

O Cristal é de 1982 e eu assisti no cinema. Não sei se o lançamento aqui foi no mesmo ano, mas deve ter sido pelo menos próximo, portanto eu tinha alguma coisa como 13 ou 14. Na época escrevia (ou tentava escrever) romances históricos passados no Brasil, ainda não tinha lido O Senhor dos Aneis nem nada que se possa considerar fantasia épica, pelo menos que me lembre. Fui ao cinema com minha irmã, sem esperar muito do filme de animação - e o resultado é que voltei de lá com a cabeça cheia de imagens e sonhos.

O filme - quase todos devem ter visto - se passa, segundo o prólogo, num outro planeta, iluminado por três sóis. O lugar é habitado por duas raças chamadas Mystics e Skeksis, e a tradução brasileira enfatizou a dicotomia entre elas batizando-as de Místicos e Céticos. Os primeiros eram uma raça tranquila, que praticava a magia natural (tinham um xamã, um alquimista, um curandeiro, todo mundo vivendo na paz) e sua representação física era condizente: enormes e velhas tartarugas que entoavam o mantra Om. Já os Céticos eram uma detestável e assustadora sociedade de corte representada por abutres. O planeta contava ainda com uma raça de duendes camponeses, daquele tipo brincalhão e divertido, os Podlings, e com uma de - digamos - elfos, ou duendes aparentemente mais sofisticados, os Gelflings, dos quais restavam apenas um rapaz e uma moça. Isso por causa da perseguição dos Skeksis, já que uma profecia afirmava que os Gelflings iriam restaurar o Cristal há muito tempo quebrado e acabar com seu reino de terror.

Quando o filme começa, a profecia está prestes a se realizar, anunciada pelos três sóis que em breve entrarão em conjunção. O líder dos Místicos morre logo após ter revelado a Jen, o jovem Gelfling que é seu pupilo, que é seu destino "curar" o Cristal. Jen parte em busca do estilhaço que falta, daí se iniciando uma aventura que inclui seu encontro com a outra Gelfling, Kira (um dos momentos mais legais é quando ela revela o porquê de ter asas, ao contrário dele), um ataque à vila dos Podlings, uma visita às ruínas de uma cidade dos Gelflings e várias outras peripécias. O casal é também aliciado - e traído - por um Skeksi caído em desgraça, e cujas interjeições "hmmm! hmmm!" mexeram com meus nervos adolescentes.

E, no meio disso, acontece uma coisa interessante: toda vez que um Místico morria ou mesmo se feria, isso também acontecia com um dos Skeksis. Cada qual tinha no outro grupo seu correspondente. Espectadores de hoje, acostumados a esse tipo de filme e de aventura, teriam sacado o porquê de cara, mas eu só percebi no final, quando Jen consegue restaurar o Cristal e os Místicos se umem aos Skeksis, cada dupla se tornando um ser único e integral. Assim, eles conseguem transcender a outro plano de existência, deixando aos Gelflings (e aos Podlings sobreviventes) o conselho de viver sua vida sob a luz do Cristal.

É uma ideia simples? É. Funciona? Totalmente. Cinco anos após o lançamento do primeiro filme da série Star Wars a ideia de Yin e Yang - Bem e Mal como o lado "negro" e "luminoso" da mesma Força - era reforçada de forma ainda mais explícita, contribuindo para que a noção de Equilíbrio substituísse o maniqueísmo puro e simples. Com a partida dos Místicos e dos Skeksis, o planeta fica entregue a raças mais jovens, mais "terrenas", que vão errar, ter sentimentos negativos e atitudes pouco nobres, mas, em contrapartida, saberão compensar tudo isso. E no fim a Luz prevalece, e o Bem vence o Mal, como dizia uma cantiga num conhecido desenho animado da mesma época.

É dificil avaliar até que ponto meu trabalho posterior foi influenciado por esse ou qualquer outro filme. Sou escritora, e para além disso uma pessoa que é mais de palavras do que de imagens, por isso é mais fácil identificar as obras literárias que me marcaram. Mas a ideia da necessidade de equilíbrio entre as forças, da alternância de luz e sombra - e da aceitação da existência de ambas em todas as pessoas - essa eu creio que dá para perceber na maior parte dos meus textos. Sem falar nas imagens do filme, às quais eu volto de vez em quando para me emocionar e me inspirar para futuros trabalhos.

Enfim, O Cristal Encantado é um filme que recomendo a Místicos e Skeksis. Sabendo com certeza que, embora algumas pessoas se esforcem por provar o contrário, nenhum de nós é apenas um dos dois.

Abraços a todos,

Até a próxima!

segunda-feira, março 21, 2011

Julie e Julia


Pessoas Queridas,

Inteiramente fora de cronograma, venho deixar meus comentários sobre um filme que muitos de vocês já devem ter visto, e que recomendo a todos os que me leem: Julie and Julia, de Nora Ephron, estrelado por Amy Adams e Meryl Streep com uma voz inacreditável.

Não, o filme não tem nada a ver com o gênero fantástico. E, sim, é aquele que fala sobre uma mulher que prepara as mais de 500 receitas do livro de uma outra, escrito várias décadas antes. Só que a história não é sobre comida – ou melhor, ,é sobre comida, mas antes de tudo sobre os grilos, os altos e baixos, as derrotas, vitórias e principalmente expectativas de todo escritor. Principalmente os aspirantes, como a Julie do filme, que acabava de desistir de escrever um romance, trabalhava num lugar detestável (alguns de nós têm mais sorte) e reencontrou o equilíbrio através do auto-imposto desafio de preparar as receitas da outra ao longo de um ano. Por meio de seu blog, ela partilha a experiência com dezenas, depois centenas ou milhares de pessoas, e o apoio que recebe a ajuda a restaurar a fé em si mesma.

Enquanto isso acontece, o espectador acompanha também a jornada da escritora do livro. Julia Child era uma americana de meia-idade, descrita como “adorável” pelo marido devotado (pessoalmente eu não gostaria de tê-la como sogra) , que preenche seus dias em Paris aprendendo culinária francesa. O acaso a faz conhecer duas outras senhoras que estão escrevendo um livro, e as três se associam na dura tarefa de concluir o trabalho, enfrentar a rejeição das editoras e, ainda, lidar com os problemas que o marido, membro do serviço diplomático, enfrenta por conta do macartismo.

Do lado de cá, o marido de Julie é o primeiro que a incentiva a escrever o blog, mas, ao longo do percurso, se ressente da obsessão da esposa por cumprir sua “missão”. Daí as acusações de egocentrismo (que escritor nunca as ouviu?), as reivindicações (justas e injustas) e as brigas inevitáveis que ou separam um casal de vez ou fazem com que os dois se unam ainda mais (não, eu não vou contar o final do filme).

O mais legal de Julie e Julia, porém, é ver como ambas, cada qual à sua maneira e de acordo com a época, enfrentam os obstáculos inerentes à carreira de todos os escritores. A gente os reconhece em várias cenas: Julie deprimida porque a editora cancelou um jantar; Julia decepcionada com a escritora idosa que não tinha nada valioso a dizer; mais tarde, pulando de alegria e abraçando o marido ao receber uma carta positiva, do mesmo jeito que Julie saiu dançando pela casa ao ouvir a longa série de mensagens após a publicação do artigo no NY Times. Todas, menos a última. E foi a última, a única de fato ligada a Julia, que proporcionou o maior de seus desafios.

Epa! Quase que eu conto como termina. Antes que isso aconteça, vou parando por aqui. Reservo apenas duas linhas para dizer que as semelhanças entre mim e as duas protagonistas – a Julia gregária e de bem com a vida, a ansiosa e sensível Julie – não param no fato de todas sermos escritoras. Elas se complementam no fato de termos bons amigos, que nem sempre estão fisicamente por perto, mas com quem podemos contar; e no fato de que, seja lá o que enfrentarmos no caminho, temos a sorte de encontrar amor e um porto seguro em nossos companheiros.

Esperando que curtam a dica,

Abraços e até a próxima!

sexta-feira, novembro 18, 2005

Revisitando o "Labirinto"



Oi, Pessoas! Tudo bem?

Fim de ano... compromissos quase todos cumpridos... e agora vou entrando na fase de planejar as coisas para o ano que vem. Ainda não decidi se farei (mais uma) lista de "Resoluções de Ano Novo", mas que elas existem, existem. Uma delas é até mais recente do que isso: pelo meio do ano, eu tinha decidido que ia postar aqui com mais freqüência, mas uma série de circunstâncias me impediu. Vamos ver se consigo retomar o ritmo antigo, do qual eu gostava tanto.

Por falar em "antigo", recentemente comprei uma porção de DVDs de filmes datados de 15 ou 20 anos atrás. São quase todos de fantasia, e alguns deles tiveram um profundo impacto sobre a minha infância e adolescência. Tem os dois filmes do Conan (embora eu não goste do segundo), A Lenda, com Tom Cruise novinho, O Feitiço de Áquila, Excalibur, A Companhia dos Lobos, O Cristal Encantado. E tem, desde semana passada, a edição de colecionador de um dos meus favoritos: Labirinto, de 1986, com direção de Jim Henson e David Bowie no papel de Jareth, Rei dos Duendes.

Ah, como eu curti esse filme na época! Não só por causa dos duendes e da animação, mas porque a história tinha tudo a ver comigo. Para quem não sabe, trata-se de uma adolescente chamada Sarah (interpretada por Jenniffer Connelly) que vive com o pai, a madrasta e o filho de ambos, um bebê fofíssimo, do qual ela tem que cuidar de vez em quando. Sarah é sonhadora, fascinada pelo mundo da fantasia e pela figura do Rei dos Duendes, que ela conhece a partir de um livro chamado, justamente, "Labirinto". Acontece que há uma parte de Sarah que se recusa a crescer: ela não tem domínio sobre suas próprias fantasias. E morre de ciúmes do irmão, a ponto de desejar que os duendes o levem embora para sempre.

Mas, como já dizia a Morgana, das "Brumas de Avalon" (quem leu?), deve-se tomar cuidado com o que se deseja, porque pode ser que a gente consiga. Os duendes levam o bebê para o castelo de seu Rei, que fica atrás de um labirinto cheio de surpresas. E Sarah tem 13 horas para desvendar seu segredo e recuperar o irmão. Claro que ela vai ter a ajuda de alguns dos seres mágicos do Labirinto, e - naturalmente - tudo dá certo no fim. Mas foi justamente o fim o que eu gostei mais, porque, apesar de ter alcançado uma certa maturidade, Sarah não se despede para sempre dos seus amigos do mundo fantástico. Pelo contrário, ela afirma que muitas vezes precisará deles, e o filme termina com uma animada "festinha" no quarto da garota, enquanto o Rei dos Duendes, cumprida sua missão (pois isso era o que ele devia fazer: ajudá-la a crescer sem abrir mão de sua imaginação e de seus sonhos) voa para longe sob a forma de uma coruja branca.

Interpretações posteriores desse filme cavaram fundo nos significados psicológicos e afirmaram que, ao ficar com os amigos do Labirinto, já tendo negado o poder do Rei sobre ela, o que Sarah fez foi deixar no fundo do armário (do seu subconsciente) as partes de si mesma que não saberia controlar. Ela teria aceitado os "bichos" bonzinhos, amigos, ou seja, as criações da sua fantasia que podia admitir livremente, e reprimido o lado mais sombrio, inclusive a sexualidade, que transparece muito bem na cena do baile de máscaras. Essa pode ser uma leitura válida, mas para mim esse aspecto é secundário, talvez porque os "bichos bonzinhos" da minha imaginação são tantos e tão transparentes que mesmo eles eu preciso ter coragem para mostrar. Hoje, aos 36 anos, com todo um mundo de pessoas com as quais eu posso me conectar (mesmo que virtualmente), fica mais fácil expressar minha criatividade. Mas, quando eu tinha 17, não havia muito espaço para contadores de histórias. Eu não tinha ninguém com quem pudesse partilhar as minhas.

Uma outra cena do filme que me marcou muito foi quando Sarah encontra uma duende que é uma espécie de catadora e carregadora de lixo. Ela tem às costas um fardo enorme, um monte de coisas inúteis, e tenta fazer com que Sarah desista de sua busca, acumulando sobre suas costas todos os brinquedos que ela ainda guardava, zelosamente, de sua infância. Só quando reconhece o que é aquilo tudo - lixo - a moça consegue se libertar da carga inútil que a prendia ao passado: não as lembranças, não a bagagem espiritual que, como vimos, a acompanharia ao longo de sua vida adulta, manifestando-se através da imaginação, mas toda a parafernália física e (assim acredito) os resquícios de emoções negativas, como o medo e as culpas, que deviam ser deixados para trás a fim de que ela pudesse seguir em sua busca. Eu sempre penso nisso quando faço a minha famosa "limpeza de primavera".

Acho que já deu para perceber como gostei desse filme, e como fiquei feliz por ter encontrado a edição. Também por partilhar com a Luciana, que adorou a história, os duendes, e que de vez em quando leva a mão ao nariz e diz estar sentindo o cheiro do "Pântano do Fedor Eterno". Também dá para rir com algumas cenas de música e... hum... da maquiagem e das calças do David Bowie. Mas acho que ninguém se importou com isso nos anos 80.

Ei, e vocês? Já viram esse filme? E os outros que eu citei? O que acham do gênero? Pode ser entretenimento, mas muitas vezes é super bem feito, além de divertido. E, para mim, também é material de trabalho, talvez tanto quanto os livros, como pude comprovar nas palestras que andei dando recentemente. Ao explicar para estudantes da oitava série o que é ficção científica, como ninguém tivesse ouvido falar de Júlio Verne ou Asimov, não hesitei em discutir os heróis e vilões de Guerra nas Estrelas. Se a Estante não basta... vem aí, com força total, a Filmoteca Mágica de Ana! ;)

Abraços a todos,

Até a próxima!

Ana Lúcia

P. S. Em seu livro, considerado um must para roteiristas, A Jornada do Escritor, Christopher Vogler faz uma análise maravilhosa dos arquétipos contidos na série Guerra nas Estrelas. Vale a pena.