quinta-feira, outubro 04, 2012

Charles Dickens


Pessoas Queridas,

Para começar o mês com o pé direito, aqui vai um post que eu vinha planejando há um bom tempo. É sobre um escritor nascido há exatos duzentos anos sob o signo de Aquário, exatamente como esta que vos fala. A diferença é que não tenho a pretensão nem de chegar perto da excelência do incrível contador de histórias que foi Charles Dickens.

Natural de Portsmouth, Inglaterra, Dickens teve uma infância parecida com a de alguns dos personagens de seus livros. Tinha doze anos quando seu pai foi preso por dívidas, obrigando-o a deixar a escola e trabalhar em turnos de dez horas numa fábrica, o que marcou profundamente seu caráter e sua memória. A herança deixada pela morte da avó permitiu saldar as dívidas do pai e, algum tempo mais tarde, levar o jovem Charles de volta à escola, da qual sairia para trabalhar num escritório. Pouco tempo mais tarde, fez-se repórter e se interessou pelo teatro, mas não chegou a iniciar uma carreira como ator, embora os pendores dramáticos o tenham auxiliado, mais tarde, nas turnês de leitura que realizou na Grã-Bretanha e no estrangeiro.

O sucesso de algumas publicações de cunho jornalístico levou Dickens a receber uma proposta de publicação por parte dos editores Chapman e Hall,  e em 1836 surgiu seu grande sucesso, "The Pickwick Papers". A obra saiu de forma seriada, permitindo a Dickens escrever de acordo com a recepção obtida por parte do público. No mesmo ano, ele se tornou editor de um jornal, começou a escrever outro livro de sucesso, "Oliver Twist" e, ainda, se casou com Catherine Hogarth, com quem teria nada menos que dez filhos. O casamento, no entanto, foi infeliz e terminou em separação. Catherine deixou a casa com o filho mais velho e os demais permaneceram com o pai e com a tia materna, Georgina, que ficou ao lado de Dickens e passou a cuidar da casa e dos sobrinhos.

O sucesso e a fama de Dickens só fizeram crescer nos anos seguintes. Suas obras, cuidadosamente planejadas e retratando tipos interessantes da sociedade britânica - vários dos quais baseados em pessoas reais, algumas muito próximas do autor - continham humor, crítica social e muitas vezes uma boa dose de sentimentalismo, receita certa para as novelas de sucesso. Tanto as publicações seriadas quanto os livros eram lidos avidamente por toda a Inglaterra, e logo conquistaram também os Estados Unidos, onde Dickens realizou turnês por várias cidades, lotando teatros e levando seus leitores ao delírio.

Dentre os trabalhos mais conhecidos do autor, além dos já citados, estão o famoso "Conto de Natal" estrelado por Ebenezer Scrooge - adaptado e levado à tela em inúmeras versões - o autobiográfico "David Copperfield" e "Grandes Esperanças". O conjunto da obra lhe valeu ter sido considerado por muitos estudiosos o maior dos escritores ingleses vitorianos, elogiado, entre vários outros, por Leon Tolstoy e George Orwell. Por outro lado, Oscar Wilde, Henry James e Virginia Woolf criticaram a falta de profundidade dos personagens (la, la, la...) e a pieguice de algumas obras, em especial "A Pequena Loja de Curiosidades". Dickens foi também acusado de misógino, característica que um de seus biógrafos atribui ao ressentimento do autor por sua mãe, que não se apressou a tirá-lo da fábrica onde trabalhava, mesmo depois de terem recebido a herança.

Os últimos anos do autor foram conturbados. Em 1865, ele se envolveu num sério acidente de trem, no qual agiu como um herói, confortando os feridos e possivelmente salvando algumas vidas. Isso lhe forneceu material para uma história de fantasma, "The Signal Man", mas também lhe abalou os nervos, marcando o início de um período em que sua saúde se deteriorou. Ainda assim, ele realizou uma turnê de leitura pelos Estados Unidos e, mais tarde, uma "de despedida" na Inglaterra, Escócia e Irlanda.

Em junho de 1870, após ter passado um dia inteiro trabalhado em sua novela "O Mistério de Edwin Drood", Dickens sofreu um ataque cardíaco, do qual veio a falecer. Seu corpo foi sepultado no "Canto dos Poetas" da Abadia de Westminster, em Londres, contrariando o desejo do escritor de um sepultamento discreto na catedral de Rochester. "Edwin Drood", que já tivera algumas partes publicadas, permaneceu inacabado, por isso até hoje os estudiosos da obra de Dickens discutem quem seria o misterioso assassino.

...

Bem, Pessoas... O post está bem longo, mas esse é um autor sobre o qual há muito a dizer. Eu, que me deleitei com várias de suas obras na adolescência, especialmente o "Conto de Natal" e o "Pickwick", ainda descubro muita coisa legal na leitura e na releitura de Dickens. E tanto li e tanto descobri que resolvi homenagear, de um jeito que ia contar aqui, mas resolvi deixar para a semana que vem.

Afinal, como o próprio Charles Dickens constatou desde os tempos vitorianos, nada como um suspense para os próximos capítulos... :)

Abraços pra vocês,

Até breve!

Post ilustrado com o quadro "Dickens Dream", de Robert William Buss (1804 - 1875)

2 comentários:

Vânia Vidal disse...

Até que enfim!!! Você vinha me dizendo que queria fazer esse post há um tempão!! Finalmente! Muito legal, eu não sou muito fã do Pickwick, mas adoro outros trabalhos do autor como o Scrooge e Grandes esperanças... Espero a surpresa!!!

beijos,
vania

Colombina disse...

Aha! Então Charles Dickens é clááássico!
Tenho andado longe dos livros, não sabia. Hum... parece que já vi Oliver Twist aqui em casa...