terça-feira, dezembro 27, 2016

Leituras mais Legais de 2016 - 5 Livros Nacionais



Pessoas Queridas,

Como já é tradição aqui na Estante Mágica, vou dar uma palhinha sobre as leituras mais legais deste ano. As indicações são fruto de um cruzamento entre meu gosto pessoal - ou seja, o prazer puro e simples que essas obras me proporcionaram - e o reconhecimento de qualidades literárias dos mais diversos tipos: boa pesquisa, cenário interessante, boa imersão na psicologia dos personagens, estrutura narrativa consistente e por aí vai. Não quer dizer que não tenha havido outros livros igualmente ótimos, mas estes cinco estão no topo da lista de leituras, no que se refere a autores brasileiros.

Vamos lá?


- O Esplendor - Alexey Dodsworth

O primeiro livro da lista, e meu favorito de 2016 entre os nacionais, se passa num planeta chamado Aphriké, iluminado por vários sóis e habitado por uma raça com altas qualidades telepáticas. Num momento de grande comoção, um menino, nascido diferente dos outros, terá de se envolver com bárbaros e rebeldes para descobrir a verdade sobre seu universo. A trama é complexa e envolvente, e a escrita e os diálogos são tão fluidos que o livrão de mais de 400 páginas se escoa sem que a gente perceba. Nomes e detalhes culturais são inspirados na cultura e na mitologia da África, o que transporta você para uma estética e referências relativamente pouco exploradas por aqui (outro autor que faz isso muito bem é João Beraldo, que este ano lançou "Último Refúgio", misturando África e Ásia de forma saborosa; quem não conhece, procure conhecer!).

Voltando a "O Esplendor": por meio de uma sacada genial de construção narrativa, este livro é ao mesmo tempo a prequel e uma sequência de "Dezoito de Escorpião", outra obra do Alexey, que eu considero um dos melhores nomes da literatura fantástica brasileira no momento. No finzinho do ano tive ainda o prazer de ler seu e-book "Glamour", com outra temática, mas muito bom também. Recomendo sem restrições o trabalho do autor.

- Luxúria - Fernando Bonassi

Este é um livro agridoce. Trata de uma família chefiada por um metalúrgico que, por um breve período de vacas gordas na economia, experimentou uma alta no poder aquisitivo e uma ligeira ascensão social. O homem decide então proporcionar um item de luxo à família - uma piscina - sem atentar, pelo menos a princípio, na disfunção das relações familiares, no deterioramento da ética do trabalho, na inversão dos valores socioculturais, quando tudo se resume a ostentação e consumo. As coisas se tornam cada vez mais sufocantes para todos os personagens, o que é potencializado pela extrema habilidade narrativa e descritiva do autor. É uma denúncia, uma crítica, mas sobretudo uma crônica realista e desencantada dos tempos que vivemos.

- Metrópole : despertar - Melissa de Sá

Primeiro volume de uma série de distopia para jovens e adultos, este livro conta a história de Andrella, criada segundo os padrões de uma sociedade em que as pessoas têm de ser absolutamente perfeitas em seus resultados escolares e profissionais. Um acontecimento repentino envolvendo o tio que a criou faz com que a garota se veja subitamente em meio a um cenário impactante, porém oculto por uma pesada rede de intrigas e mentiras. Nada é o que parece, e Andrella talvez não seja o que sempre acreditou ser.

O livro apresenta uma trama bem amarrada e cenário convincente, porém o que mais se destaca é a habilidade literária de Melissa de Sá. Sua escrita, já conhecida por alguns contos, inclusive os das coletâneas "Excalibur" e "Medieval", se destaca dentre a de outros autores surgidos nos últimos anos, que criam cenários interessantes e contam histórias de forma eficiente, mas cujos textos não levam o leitor a um mergulho mais profundo em sensações ou reflexões. Melissa de Sá, ao contrário, evoca imagens com suas palavras, confere textura e volume ao que em muitos outros autores parece bidimensional. Vale a pena conhecer seu trabalho.

- Le Chevalier e a Exposição Universal - A. Z. Cordenonsi

Este livro faz parte de um universo que já rendeu contos, quadrinhos e ainda renderá muito mais, graças à habilidade de pesquisa e criatividade do autor. De estética steampunk, voltado principalmente para o público jovem, faz pensar em várias referências, desde a série "His Dark Materials" de Philip Pullman (no Brasil, "Fronteiras do Universo") até os livros de aventuras de Júlio Verne (que aliás é um personagem importante da obra), os romances de Dickens, os contos de mistério de Sherlock Holmes, contos de robô de Asimov e os quadrinhos do Tintim. No primeiro livro da série, um espião conhecido como Le Chevalier e seu auxiliar tomam a seu cargo a missão de desvendar uma conspiração internacional, ligada à grande Exposição Universal em Paris -- e aí acontece de tudo, intrigas, fugas desabaladas, ajudas inesperadas, perseguições... Tudo que se poderia esperar de um bom livro de entretenimento, ancorado numa sólida pesquisa, que para mim é um dos pontos fortes do trabalho do André. Aliás, tudo isso ficaria bem legal num filme também. :)


- Do Osso ao Pó - Júlio Menezes

Minha última leitura nacional do ano, valeu muito a pena. Já de cara o estilo do autor me fez lembrar aqueles livros da série "Cantadas Literárias", que saiu nos anos 80 pela Brasiliense (onde foram publicados "Porcos com Asas" e "Fliperama Sem Creme", entre outros), e a história que começou de um jeito meio casual rapidamente se adensou de um jeito que me fez ficar grudada no livro até acabar. A histórica contada aqui é a de Eduardo, um cara de classe média, apaixonado de um jeito estranho por uma amiga de escola, Aninha. Entre as idas e vindas com ela, Edu sempre se envolve com as mulheres erradas, com os amigos errados, com as coisas erradas. A narrativa vai e vem no tempo, revelando um cara que até o fim não me pareceu intrinsecamente mau, mas que, com suas fraquezas e obsessões -- ele acha, por exemplo, que pode causar a morte de alguém, bastando desejá-la --, vai se afundando cada vez mais num poço, sem possibilidade de volta. A construção tanto dele quanto dos outros personagens é impagável, e a escrita é saborosa, destacando as "dicas" meio marotas, meio melancólicas que Edu vai deixando acerca da vida, do amor e da inevitabilidade do fim. Realmente adorei conhecer o trabalho do Júlio Menezes.


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Bom, Pessoas Queridas, estas são minhas recomendações de nacionais. E vocês, o que sugerem? Deixem aqui algumas dicas para eu ler no ano que vem.

Até breve, com a lista de estrangeiros!

2 comentários:

ViRô Arte e Festa disse...

A página certa é bem legal tb :D

Dan Folter disse...

Bela lista. Tenho interesse em ler algumas dessas obras.
Mas também quero indicar a minha. O Mistério de Boa Esperança de Dan Folter (eu mesmo) é uma aventura de quatro jovens lançados a desvendar o mistério que assola uma cidadezinha.
Quem leu disse que não consegue parar de ler!

Abraços!