quarta-feira, setembro 07, 2016

Voltando da Bienal...



Então, acabou a Bienal, aquela que eu afirmei várias vezes que seria épica. E é ainda sob o efeito da emoção e do cansaço que escrevo estas linhas.

Logo que voltei, muitos amigos estavam compartilhando este texto, no qual se questiona se vale a pena participar da Bienal do Livro em seu formato atual. Com muita lucidez, o autor elenca vários problemas, desde o preço do ingresso e o valor cobrado das editoras para ter um estande – proibitivo para muitas, bem como para autores independentes -- até a valorização do aspecto mercadológico em detrimento do cultural.

Em linhas gerais, concordo com as afirmações feitas no texto, que inclusive aponta a literatura fantástica (somos nós!) e o gênero chick lit como opções para atrair um público voltado para os livros e não para o culto às celebridades promovidas pela mídia. É preciso repensar a Bienal como espaço cultural, democrático, que propicie o encontro entre autores e público e contribua para promover o amor pela leitura. É o que desejo que aconteça, não apenas como escritora, mas também como bibliotecária, servidora pública e cidadã.

No entanto, com todos os seus defeitos e tudo que é preciso reavaliar, eu confesso: para mim, valeu a pena. E isso por muitas razões, baseadas tanto na emoção quanto na lucidez.

Valeu a pena porque vi o trabalho insano do meu editor para fazer as coisas acontecerem, e o resultado foi tão bom que eu sentia orgulho de todos aqueles livros e quadrinhos.

Valeu a pena porque tive o prazer de indicar livros a pessoas que procuravam terror ou space opera, fantasia épica ou com temas de inspiração africana, e eram todos trabalhos de qualidade feitos por autores brasileiros.

Valeu a pena porque fiquei muitas horas escrevendo, revisando, trabalhando no meu universo fantástico, e tive a oportunidade de falar a muita gente sobre ele, e fui presenteada com sorrisos e elogios.

Valeu a pena porque meus amigos estavam lá, alguns prestigiando, outros apresentando seus livros, e sempre que um deles era vendido eu compartilhava da sua alegria.

Valeu a pena porque eu mesma fiz a dança da vitória quando uma criança decidiu levar o último exemplar de Anna e Trilha Secreta.

Valeu a pena, enfim, porque foi épico. Bem como eu disse que seria desde o início.

E, como muitas formiguinhas com alma de cigarra, mal posso esperar pela próxima jornada.

4 comentários:

Marcelo Augusto Galvão disse...

Ótimo texto, Ana!

Ana disse...

Obrigada, querido. Valeu a presença!

Astreya disse...

Se te contar que desta vez eu quaaaase fui visitar vocês no dia 4... só que não deu certo. Gostaria muito de ter ido, mas enfim, sem lamúrias. Que bom que deu tudo tão certo, Ana! Vocês vão cada vez mais longe, tenho certeza... e estarei sempre torcendo, de longe ou de perto!

P.S.1 Terminei A Fonte Âmbar. Eu amei, não sei o que dizer, só sentir. Escreverei uma resenha em breve. (AMEI o Tammoren ♥)

P.S.2 Vejo que também gosta das camisetas da Chico Rei. Estou entrando em falência por conta delas. XD

Ana disse...

Que pena que não pôde nos visitar! :/ Mas olha: quem sabe o maior significado disso é que devemos nos encontrar num momento mais tranquilo, com mais tempo para conversar... Vamos pensar desse jeito.

Sabia que gostaria do primo elfo do Kieran. :) Fico feliz por ter gostado do livro e aguardo ansiosamente a resenha!

Quanto à Chico Rei: eu deveria pedir patrocínio. Vesti camisetas deles nos três dias em que fui à Bienal.

Beijos, querida!