domingo, setembro 07, 2014

7 Coisas Que Aprendi Sobre o Ofício de Escrever




Depois de muitos anos, tomei coragem de olhar para o espelho e vi uma mulher grisalha. Era simpática, tinha olhos expressivos e um sorriso aberto; dava para ver que tinha viajado muito, passado por batalhas e vencido algumas.

Eis o que aprendi com as histórias que ela viveu e contou:

1. É preciso ler muito, em todos os gêneros. Todo escritor precisa adquirir uma bagagem literária diversificada. Isso influi positivamente tanto na escrita, que se torna mais rica e fluida, quanto na capacidade de criar uma boa trama.

2. É preciso sentir. Essa bagagem literária e cultural também é afetiva. Por mais que se usem técnicas, escrever é também um ato emocional, em meio ao qual vêm à tona memórias, sensações e reflexões muito íntimas. É isso que imprime nossa marca no texto e nos permite criar um vínculo com o leitor.

3. Escreva o que você gosta de ler. Se os vampiros ou as distopias estão “na moda” mas não gostamos de histórias de vampiros nem de distopias, não vale a pena nos forçar a escrever sobre isso. Por outro lado, é bom sair da zona de conforto e tentar outro tema, gênero ou estilo que nos agrada, nos intriga, nos fascina, mas com o qual não estamos acostumados a trabalhar.

4. Seja consistente e verossímil. Sua história pode se passar em outro universo, outra galáxia, ter raças e costumes diferentes, não importa: os personagens têm de ser construídos com coerência e a história precisa fazer sentido. Pesquise muito, seja sobre organizações sociais, vida cotidiana, fatos históricos ou científicos - o que for necessário para construir algo consistente.

5.Escrever é dar a cara a tapa. Nada melhor do que enxergar as qualidades de nosso trabalho, mas com toda certeza ele tem e sempre terá algo que pode ser melhorado. Alguns desses problemas serão apontados por um leitor beta, um editor ou até um crítico, e nem sempre isso será feito de forma gentil e simpática. É preciso se preparar para qualquer tipo de reação àquilo que se escreve, seja um afago ou um dedo no olho.

6. Nem editores, nem críticos, nem leitores são autoridades absolutas. Sem dúvida, há críticas pertinentes, mas muitas – muitas mesmo! - têm a ver pura e simplesmente com as expectativas, os parâmetros e o gosto pessoal de quem leu. Citando Neil Gaiman: “Às vezes mostramos histórias para as pessoas erradas, e ninguém gosta de tudo”. Não percam essa ideia de vista.

7. Honre os mestres, colabore com os companheiros, oriente os aprendizes. Isso serve para as alcateias e para as corporações de ofício, inclusive a nossa.

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Este texto integra o e-book 7 Coisas que aprendi, que reúne depoimentos de vários escritores por uma iniciativa de T. K. Pereira, o Leitor Encapuzado. Para baixá-lo gratuitamente, clique aqui.

4 comentários:

Fernando Rodrigues disse...

Belo texto. Concordo

Marcelo Augusto Galvão disse...

Excelente, Ana! Você foi no ponto - leitura obrigatória!

Anônimo disse...

É isto tudo mesmo. Por isto que nunca tive coragem. Não confundi em ser um leitor voraz em tentar ser um escritor de lugar-comum ou nenhum.

Análise Conjunta
César

Susana Ventura disse...

Gostei muito, Ana. Obrigada, levo coisas para pensar!
Beijo,
Susana Ventura