domingo, abril 01, 2012

O Herói: Um conto de Luciana Merege

A minha história se passa em uma casa modesta na cidade de Niterói...

Eu vivo com a família Pereira. Tem o pai, que é barrigudo e louco por pão doce, a mãe, que adora cozinhar, a avó, que é meio biruta, Carlotinha, de 12 anos, Biel, de 8, e a caçula, Paulinha, de 3. De vez em quando a tia vem visitar a família, as crianças adoram ela, pois está sempre contando piadas.

Estou com eles há poucos meses, mas já dá pra ver que são um pouco “atrapalhados”, a casa está sempre em confusão. Como daquela vez...


A mãe e Carlotinha estavam na cozinha preparando o jantar. Os menores estavam na sala brincando e a avó, assistindo à novela. De repente escutei o grito estridente de Carlotinha:

-Socooorro!!!

Todos correram para lá, ver o que estava acontecendo. Já eu resolvi ficar no meu cantinho. Só quando todos começaram a gritar, fui também.

E o que tinha acontecido? Tinha entrado um ladrão? O fogão tinha explodido? O teto havia desmoronado? Ou até quem sabe, o mundo tinha acabado? Não. A única razão para todos estarem gritando era nada mais, nada menos que uma simples barata!

E só por causa disso, a família estava enlouquecida. A mãe, encostada na parede, olhava amedrontada para a barata no chão, as crianças tinham subido na mesa e estavam gritando feito doidas, e a avó estava num canto rezando a Ave Maria. Como se não bastasse, entrou a tia, que, vendo a cena, levou as mãos à cabeça dizendo:

-Ai uma barata. Ai uma barata. Ai uma barata...- E assim continuamente.

Parecia que ninguém ia tomar uma atitude. Felizmente, nessa hora, o pai entrou em casa, vindo adivinha de onde? Da padaria, com um pacote cheio de pão doce.

-O que está acontecendo? Por que todos esses gritos?!

-A barata! A barata!- A mãe gritou.

- Uma barata, pai!- Disseram juntos Biel e Carlotinha.

-A “baiata”!!- Apontou Paulinha.

O pai, então, olhou para o chão, e viu a barata se aproximando, com aquelas anteninhas balançando. Na mesma hora, jogou o saco de pão doce para cima, e pulou na bancada da pia. A barata aproveitou a chance e entrou na sacola atraída pelo cheiro do pão doce. E os Pereira ali sem fazer nada, a não ser gritar e rezar.

Diante disso, percebi que eu teria de bancar o herói. Fui me aproximando de mansinho, e quando a barata menos esperava... Dei um golpe fatal na sacola onde ela estava junto de todo aquele pão doce.

Virei a sacola e abri, para que todos pudessem ver. Lá estava a barata esmagada em cima de um monte de creme amarelo. Os Pereira ficaram muito agradecidos. E enquanto eles desciam de onde estavam, respondi a todos com modéstia:

- Miiaaaaaaaaaauuuuuuuu!

4 comentários:

Andréia Nogueira disse...

Adorei o conto. Muito criativo...Não esperava esse final.
Parabéns!
Bjos!!!
Andréia
Sentimento nos Livros

Fanzine Episódio Cultural disse...

O julgamento da humanidade


A inocência, a sabedoria, a esperança e a fé reuniram-se pela última vez. Em pauta: o julgamento da humanidade. Todas chegaram à conclusão de que deveriam abandonar o homem e deixá-lo entregue a própria sorte.
A inocência afirmou:
– O homem sempre soube o que estava fazendo e nunca se responsabilizou por suas barbáries!
A sabedoria enumerou algumas causas que levaram o homem ao seu desfecho:
– Ao descobrir o fogo, o homem sentenciou sua própria existência. Aprendeu a controlar o elemento que o tornaria senhor entre as criaturas. Entretanto, ele usou arbitrariamente (armas atômicas) contra o seu irmão!
A esperança que estava ao lado da fé desabafou:
– E essa criatura que denomina-se “racional” sempre foi incapaz de enxergar a si próprio e ao seu semelhante.
E continuou:
– Até eu mesma senti que não lhe restava mais esperança!
A fé, que até aquele momento se encontrava calada, levantou-se. Convidou a todas para irem até o jardim onde revelaria o seu ponto de vista:
– Quando o homem ainda engatinhava, você o amava, inocência. Contudo, não lhe foi fiel quando ele desviou para o caminho do mal.
Concluiu:
– E você, sabedoria o encheu de novas descobertas e curas. Agora que a criação se rebelou, você a acusa?
– Quanto a você, esperança, sua culpa lhe cai em dobro, pois vivia alimentando-o com falsas promessas.
Todas estavam cabisbaixas ao perceberem sua parcela de culpa. Subitamente elas perguntaram-lhe uníssonas:
– E quanto a você... Qual a sua parcela de culpa?
Com a voz embargada a fé respondeu:
– “A fé remove montanhas...”. Infelizmente a humanidade me outorgou uma missão, que até hoje eu nunca pude cumprir...



*Agamenon Troyan

Navegando em Páginas disse...

Que post excelente, bem escrito, fácil de se entender e muito bem elaborado! Estou seguindo seu blog, espero que goste do meu!
Abraços, aguardo sua visita!

http://navegandoempaginas.blogspot.com.br/

Rafael Monteiro disse...

E eu nem desconfiei de que se tratava de um gato! Muito legal!