Oi, Pessoas! Tudo bem?
Este post deveria dar continuidade à série de memórias literárias, mas admito que não tive tempo nem inspiração para escrevê-lo. De qualquer modo, por mais disciplinada que eu fosse, teria de haver, necessariamente, alguns "desvios" ao longo do alfabeto; e, além disso, esta é a minha última oportunidade de escrever algo pelos próximos 12 dias, então... vamos agarrá-la!
Recebi, recentemente, uma daquelas "correntes" ou "brincadeiras" que circulam pela rede. Não costumo aderir a elas, mas essa é divertida: listar cinco das minhas manias, passando adiante a proposta para mais cinco pessoas. Isso, sinceramente, não sei se terei tempo de fazer, pois estou sem computador em casa e viajo amanhã, mas as manias... Essas eu dou a conhecer a vocês. Aqui estão elas, na ordem em que as lembrei:
Roer as unhas. Deve ser a mais antiga das minhas manias, as que estão aqui e as que não estão. Não me lembro das minhas unhas sem estarem roídas, não a ponto de tirar sangue, mas de forma a não deixar nem um pedacinho desgrudado da carne. Por isso, as pontas dos meus dedos são "rombudas", deformadas mesmo, e nunca em meus 37 anos de vida usei esmalte. Aliás, para quem não sabe, não uso maquiagem há quase vinte anos. Espero que isso não desencoraje os meus fãs.
Abrir a mochila toda hora, ou apalpá-la por fora, para ver se tudo continua lá. Algum tipo de mania doméstica tinha que substituir aquela (que eu nunca tive) de ficar pensando se fechei bem a porta ou apaguei as bocas do fogão a gás. O tempo todo, na rua, estou tocando em minha mochila para sentir o volume do chaveiro, da carteira, do caderno, do celular... e, quando posso, abro-a e esquadrinho tudo lá dentro. Ainda bem que não sou do tipo que carrega "o mundo dentro da bolsa"!
Anotar imediatamente, no canhoto do talão de cheques, todos os saques e débitos na minha conta. Mais uma questão de organização do que de economia, pois não anoto o dinheiro que vou gastando depois que o tirei. Só quero saber com certeza quanto tenho no banco. Tenho horror à idéia de ficar devendo alguma coisa.
Bisbilhotar comunidades do Orkut que nada têm a ver comigo. Os que já viram meu perfil sabem que quase todas as minhas comunidades são de leitores e escritores (também tem a das Mães que Trabalham Fora e mais umas poucas exceções à regra). O que não sabem é que eu gosto de bisbilhotar determinadas comunidades das quais jamais faria parte, só para ler as "crônicas da vida privada" que são contadas ali. Entre aquelas que visito com freqüência estão: Odeio Homem Pão Duro e Pão Duro Não, Sou Econômico (histórias ótimas, algumas de mulheres que querem ser "bancadas" - e usam todo tipo de argumento estúpido para isso - mas outras também de pessoas, homens e mulheres, que são incrivelmente "mãos-de-vaca", a julgar pelo que dizem); Meu Marido é Gringo (histórias muito bem-humoradas sobre o choque de culturas), Professores Sofredores, sobre as agruras da vida dos mestres modernos e muitas outras. É uma verdadeira Comédia da Vida Humana em pequenos relatos. E sempre posso usar a desculpa de ser uma escritora fazendo laboratório.
Ler o final dos livros antes de chegar lá. Pois é, eu leio. Nem sempre antes de começar, mas quando a trama já está esboçada. Não reclamem: esse é um dos direitos do leitor, conferido pelo mestre Daniel Pennac. E como criatura sensível e inteligente que sou, isso determina o uso ou não de outros direitos, que são o de pular páginas e - mais raramente - não chegar ao fim do livro, que é o que faço quando os personagens são artificiais e o fim é excessivamente piegas. Mas, num bom livro, ou mesmo num livro mediano, nada me alegra mais do que um final feliz. ;)
......
Pessoas, meu post anterior foi sobre um livro que se passa no Rio Grande do Sul. Lá vou eu de novo para lá, mostrar à Luciana as belezas de Gramado e Canela e, se tudo correr bem, do cânion do Itaimbezinho. Não terei tempo de visitar vocês e não vou postar por umas duas semanas, pois só volto de viagem no dia 6 de março. Por isso, desejo a todos um excelente Carnaval, de folia ou de descanso, conforme preferirem... Até a volta!
Abraços a todos,
Ana Lúcia
terça-feira, fevereiro 21, 2006
segunda-feira, fevereiro 13, 2006
A de Ana Terra
Oi, Pessoas! Tudo bem?
Estive por vários dias me preparando para escrever este post. Não no sentido acadêmico - não tomei notas, não li estudos ou resumos e, fiel ao que me propus, nem mesmo abri meu exemplar do livro -, mas sim no que concerne ao fator emocional. Isso porque o primeiro personagem desta série, a Ana Terra de Veríssimo, dá seu nome a uma obra que mexeu muito comigo, e que propiciou inúmeras descobertas e reflexões. Sem falar nas tentativas literárias, que foram um fracasso, mas importantes mesmo assim. Mas disso vou falar quando chegar a hora.
Meu primeiro contato com a obra de Veríssimo se deu através de Gente e Bichos, quando eu tinha seis ou sete anos, passou pelo Tibicuera e prosseguiu, previsivelmente, com Clarissa e Música ao Longe. Não tínhamos, então, os outros livros da série, nem tampouco O Tempo e o Vento, saga da qual Ana Terra faz parte. Mas, quando eu tinha dez ou onze anos, apareceram em casa - não sei se compradas ou oferecidas pela editora a meu pai, como acontecia naquela época - dez ou doze brochuras publicadas pela Globo de Porto Alegre. Algumas eram traduções, como o Admirável Mundo Novo de Huxley, mas a maioria era de autores gaúchos, e havia várias de Veríssimo. Ana Terra foi uma das primeiras que li, e uma das poucas leituras que compartilhei com minha irmã. Sorte a minha! Com tantos questionamentos, tanta emoção suscitada por aquele livro, o que seria de mim se não tivesse alguém com quem comentá-lo?
Ana Terra foi lido num só dia, mas relido inúmeras vezes, na íntegra ou não, até que eu assimilasse tudo que trazia de novo. Para começar, o universo era bem diferente do que eu conhecia, e minhas noções de tempo e espaço eram precárias, de forma que era tão fácil imaginar o pampa gaúcho do século XVIII quanto uma paisagem na Lua. O contexto histórico era completamente desconhecido - tudo bem, eu sei o que é um castelhano, mas e um continentino? - e o sentido de palavras como sanga, coxilhas e tordilho teve que ser decifrado. Por fim, seguindo a descrição do autor e umas poucas referências, acabei por conseguir visualizar uma imensa planície verde, com grama alta que o vento nunca cessava de fazer ondular. Nesse lugar selvagem, um tanto fantasmagórico, eu me encantei e me emocionei com a história de Ana, uma mulher forte e endurecida pela vida - para sobreviver, tinha que ser assim - mas que, no fundo, jamais perdeu sua ternura.
O livro e o personagem se prestam a muitas interpretações, a maior parte traçando um paralelo entre a história de Ana e a do Rio Grande do Sul - representando-a, enfim, como uma pioneira - mas nada disso fazia sentido para mim naquela época. O que me tocou, além da paisagem "mágica", foi a narrativa, fluente e sóbria e saborosa, e também as relações humanas, tão diferentes daquelas que eu vivia no dia-a-dia. Além disso, como era de se prever, eu me apaixonei por Pedro Missioneiro, e fiquei inconsolável quando ele morreu. Inconsolável e revoltada, pois, se ele sabia o que aconteceria, por que não fugiu com a Ana? E ela, por que aceitou que o pai e os irmãos o matassem? Eram perguntas que eu fazia a minha irmã e que ela respondia, vagamente, com argumentos a respeito da sociedade da época (quando estava com paciência) ou dizendo que o Pedro não batia bem da cabeça (quando não estava). De qualquer maneira, eu não me conformava com aquilo, e lia e tornava a ler os trechos em que aparece o casal - muitos dos quais sabia de cor, e sei até hoje -, imaginando que eles agiam de forma diferente e ficavam juntos.
E foi aí que eu comecei a escrever minha própria versão da história.
Não foi exatamente como uma fan fiction. Eu não usei os personagens de Veríssimo, apenas me inspirei neles para criar os meus. Algumas coisas ficaram - por exemplo, um dos protagonistas, meio índio como o Missioneiro, tinha também um punhal de prata - mas, de modo geral, eles se desenvolveram de forma independente. Modéstia à parte, criar personagens nunca foi o meu problema. Situá-los... bom, isso era mais difícil, ainda mais quando eu conhecia tão pouco sobre o tempo e o lugar. Mas eu estava empolgada e fui em frente. Em obras de referência e em autores como Simões Lopes Neto (de Contos Gauchescos e Lendas do Sul - aliás, outra daquelas brochuras), tentei conseguir um pouco mais de base para o que eu chamava de "romance histórico", e que era, na verdade, um tremendo folhetim, pessimamente escrito ainda por cima. Não lembro quem foram os primeiros personagens, nem como a história foi sendo construída, mas, para resumir, tratava-se de uma família - os Torres - que tinha uma estância em algum lugar no meio do pampa e que se envolvia em episódios da Guerra dos Farrapos. Naturalmente, li um pouco sobre a guerra, sobre o lugar, sobre os costumes, mas quaisquer pretensões de "realismo" desmoronavam diante dos diálogos e do roteiro. Nesse, eu me lembro, havia um pouco de tudo. Senhor apaixonado por escrava? Tinha. Filho que procurava mãe e mãe que procurava filho? Também. Gravidez indesejada? Tinha. Tinha tudo, no melhor estilo do novelão. Felizmente, nenhuma daquelas (literalmente) maltraçadas linhas sobreviveu à autocrítica. Juro que eu voltaria para puxar o pé do descendente que as publicasse!
A saga da família Torres ocupou meus pensamentos e minhas horas vagas durante cerca de três anos, mais ou menos dos onze aos quatorze. Nesse intervalo de tempo, li também a dos Terra-Cambará em O Tempo e o Vento, outras obras de Veríssimo e tudo quanto pudesse sobre cultura gaúcha, pela qual, aliás, tenho uma grande admiração até hoje. Em 1990, fiz uma viagem até lá - não às Missões, como teria gostado, mas à serra - e voltei apaixonada pelo lugar, como já era por sua literatura e folclore. Porém, a chave desse mundo, que tanto me fez sonhar, sempre esteve nas mãos de Ana Terra, com a qual me identifiquei desde a primeira leitura, embora fôssemos Anas muito diferentes uma da outra. Será por termos ideais parecidos, ou senso de clã? Ou será pela solidão que a personagem tinha dentro de si, por mais que estivesse cercada de pessoas, e que tanto se parecia com o meu sentimento de inadequação?
De qualquer forma, foi uma grande viagem a que se iniciou com Ana Terra - uma viagem da qual ainda não voltei. Hoje, escrevendo ficção, não acho que meu estilo lembre o de Veríssimo, mas que muitas vezes trechos de suas obras me vêm à cabeça, especialmente ao escrever cenas que envolvem sexo. Como ele, prefiro deixar as coisas insinuadas: acho que sofremos do mesmo pudor. E várias vezes me peguei em atos falhos, pondo no papel expressões e metáforas que saíram de Ana Terra e que me vêm naturalmente. Se não tomo cuidado, mais de um personagem meu acaba voltando para casa, como Ana, com a morte na alma. E isso é só para citar um dos casos mais flagrantes.
Por tudo isso, acho que deu para perceber como esse livro foi e ainda é importante para mim. Não tenho dúvida de que ele foi uma das melhores aquisições da minha bagagem, não só como leitora e escritora, mas em todos os sentidos. Correndo o risco de parecer naïve, fico feliz por Ana Terra começar com A: esse era o ponto de partida perfeito para as minhas memórias!
E a próxima etapa vai me levar de volta a uma das fontes do que hoje é o meu universo de fantasia. Espero que vocês estejam comigo!
Abraços a todos,
Até breve!
Ana Lúcia
Estive por vários dias me preparando para escrever este post. Não no sentido acadêmico - não tomei notas, não li estudos ou resumos e, fiel ao que me propus, nem mesmo abri meu exemplar do livro -, mas sim no que concerne ao fator emocional. Isso porque o primeiro personagem desta série, a Ana Terra de Veríssimo, dá seu nome a uma obra que mexeu muito comigo, e que propiciou inúmeras descobertas e reflexões. Sem falar nas tentativas literárias, que foram um fracasso, mas importantes mesmo assim. Mas disso vou falar quando chegar a hora.
Meu primeiro contato com a obra de Veríssimo se deu através de Gente e Bichos, quando eu tinha seis ou sete anos, passou pelo Tibicuera e prosseguiu, previsivelmente, com Clarissa e Música ao Longe. Não tínhamos, então, os outros livros da série, nem tampouco O Tempo e o Vento, saga da qual Ana Terra faz parte. Mas, quando eu tinha dez ou onze anos, apareceram em casa - não sei se compradas ou oferecidas pela editora a meu pai, como acontecia naquela época - dez ou doze brochuras publicadas pela Globo de Porto Alegre. Algumas eram traduções, como o Admirável Mundo Novo de Huxley, mas a maioria era de autores gaúchos, e havia várias de Veríssimo. Ana Terra foi uma das primeiras que li, e uma das poucas leituras que compartilhei com minha irmã. Sorte a minha! Com tantos questionamentos, tanta emoção suscitada por aquele livro, o que seria de mim se não tivesse alguém com quem comentá-lo?
Ana Terra foi lido num só dia, mas relido inúmeras vezes, na íntegra ou não, até que eu assimilasse tudo que trazia de novo. Para começar, o universo era bem diferente do que eu conhecia, e minhas noções de tempo e espaço eram precárias, de forma que era tão fácil imaginar o pampa gaúcho do século XVIII quanto uma paisagem na Lua. O contexto histórico era completamente desconhecido - tudo bem, eu sei o que é um castelhano, mas e um continentino? - e o sentido de palavras como sanga, coxilhas e tordilho teve que ser decifrado. Por fim, seguindo a descrição do autor e umas poucas referências, acabei por conseguir visualizar uma imensa planície verde, com grama alta que o vento nunca cessava de fazer ondular. Nesse lugar selvagem, um tanto fantasmagórico, eu me encantei e me emocionei com a história de Ana, uma mulher forte e endurecida pela vida - para sobreviver, tinha que ser assim - mas que, no fundo, jamais perdeu sua ternura.
O livro e o personagem se prestam a muitas interpretações, a maior parte traçando um paralelo entre a história de Ana e a do Rio Grande do Sul - representando-a, enfim, como uma pioneira - mas nada disso fazia sentido para mim naquela época. O que me tocou, além da paisagem "mágica", foi a narrativa, fluente e sóbria e saborosa, e também as relações humanas, tão diferentes daquelas que eu vivia no dia-a-dia. Além disso, como era de se prever, eu me apaixonei por Pedro Missioneiro, e fiquei inconsolável quando ele morreu. Inconsolável e revoltada, pois, se ele sabia o que aconteceria, por que não fugiu com a Ana? E ela, por que aceitou que o pai e os irmãos o matassem? Eram perguntas que eu fazia a minha irmã e que ela respondia, vagamente, com argumentos a respeito da sociedade da época (quando estava com paciência) ou dizendo que o Pedro não batia bem da cabeça (quando não estava). De qualquer maneira, eu não me conformava com aquilo, e lia e tornava a ler os trechos em que aparece o casal - muitos dos quais sabia de cor, e sei até hoje -, imaginando que eles agiam de forma diferente e ficavam juntos.
E foi aí que eu comecei a escrever minha própria versão da história.
Não foi exatamente como uma fan fiction. Eu não usei os personagens de Veríssimo, apenas me inspirei neles para criar os meus. Algumas coisas ficaram - por exemplo, um dos protagonistas, meio índio como o Missioneiro, tinha também um punhal de prata - mas, de modo geral, eles se desenvolveram de forma independente. Modéstia à parte, criar personagens nunca foi o meu problema. Situá-los... bom, isso era mais difícil, ainda mais quando eu conhecia tão pouco sobre o tempo e o lugar. Mas eu estava empolgada e fui em frente. Em obras de referência e em autores como Simões Lopes Neto (de Contos Gauchescos e Lendas do Sul - aliás, outra daquelas brochuras), tentei conseguir um pouco mais de base para o que eu chamava de "romance histórico", e que era, na verdade, um tremendo folhetim, pessimamente escrito ainda por cima. Não lembro quem foram os primeiros personagens, nem como a história foi sendo construída, mas, para resumir, tratava-se de uma família - os Torres - que tinha uma estância em algum lugar no meio do pampa e que se envolvia em episódios da Guerra dos Farrapos. Naturalmente, li um pouco sobre a guerra, sobre o lugar, sobre os costumes, mas quaisquer pretensões de "realismo" desmoronavam diante dos diálogos e do roteiro. Nesse, eu me lembro, havia um pouco de tudo. Senhor apaixonado por escrava? Tinha. Filho que procurava mãe e mãe que procurava filho? Também. Gravidez indesejada? Tinha. Tinha tudo, no melhor estilo do novelão. Felizmente, nenhuma daquelas (literalmente) maltraçadas linhas sobreviveu à autocrítica. Juro que eu voltaria para puxar o pé do descendente que as publicasse!
A saga da família Torres ocupou meus pensamentos e minhas horas vagas durante cerca de três anos, mais ou menos dos onze aos quatorze. Nesse intervalo de tempo, li também a dos Terra-Cambará em O Tempo e o Vento, outras obras de Veríssimo e tudo quanto pudesse sobre cultura gaúcha, pela qual, aliás, tenho uma grande admiração até hoje. Em 1990, fiz uma viagem até lá - não às Missões, como teria gostado, mas à serra - e voltei apaixonada pelo lugar, como já era por sua literatura e folclore. Porém, a chave desse mundo, que tanto me fez sonhar, sempre esteve nas mãos de Ana Terra, com a qual me identifiquei desde a primeira leitura, embora fôssemos Anas muito diferentes uma da outra. Será por termos ideais parecidos, ou senso de clã? Ou será pela solidão que a personagem tinha dentro de si, por mais que estivesse cercada de pessoas, e que tanto se parecia com o meu sentimento de inadequação?
De qualquer forma, foi uma grande viagem a que se iniciou com Ana Terra - uma viagem da qual ainda não voltei. Hoje, escrevendo ficção, não acho que meu estilo lembre o de Veríssimo, mas que muitas vezes trechos de suas obras me vêm à cabeça, especialmente ao escrever cenas que envolvem sexo. Como ele, prefiro deixar as coisas insinuadas: acho que sofremos do mesmo pudor. E várias vezes me peguei em atos falhos, pondo no papel expressões e metáforas que saíram de Ana Terra e que me vêm naturalmente. Se não tomo cuidado, mais de um personagem meu acaba voltando para casa, como Ana, com a morte na alma. E isso é só para citar um dos casos mais flagrantes.
Por tudo isso, acho que deu para perceber como esse livro foi e ainda é importante para mim. Não tenho dúvida de que ele foi uma das melhores aquisições da minha bagagem, não só como leitora e escritora, mas em todos os sentidos. Correndo o risco de parecer naïve, fico feliz por Ana Terra começar com A: esse era o ponto de partida perfeito para as minhas memórias!
E a próxima etapa vai me levar de volta a uma das fontes do que hoje é o meu universo de fantasia. Espero que vocês estejam comigo!
Abraços a todos,
Até breve!
Ana Lúcia
sexta-feira, janeiro 27, 2006
Minhas Memórias de Leitora (preâmbulo)
Oi, Pessoas... Como estão?
Este blog é a confirmação de que resoluções de fim de ano não dão certo comigo. Eu terminei 2005 mais do que determinada a voltar ao pique inicial da Estante, postando pelo menos uma vez por semana e trazendo, além de notícias minhas, artigos, dicas literárias e quem sabe até alguns jogos. No entanto, Janeiro está quase no fim e este ainda é o primeiro post - e, o que é pior, um post por assim dizer "introdutório". Isso porque, ao longo dos primeiros meses, quero escrever uma série de textos sobre personagens e livros que li na infância e na adolescência, e uma lembrança puxa outra... e eu quero explicar o que vou fazer, deixando claro, especialmente, o critério que usei para dividir minhas memórias em duas partes.
No ano passado, além de escrever muita ficção, li bastante sobre o ofício (vamos chamar assim) de escritor e sobre a forma pela qual se adquirem subsídios para escrever. Em alguns casos, tem a ver com nossas próprias vidas - as pessoas com quem convivemos, os acontecimentos, as situações pelas quais passamos e as lições que tiramos disso -, mas, muito freqüentemente, seguimos o rastro de outros viajantes, inspirando-nos e recorrendo à nossa bagagem literária. Isso não significa ser menos original, nem que nos limitamos a recriar o que já foi feito. Cada um de nós é único, e todos acrescentam seu ponto. No entanto, a grande maioria dos escritores se compõe de pessoas que gostam de ler, e que incorporam ao seu universo matizes, imagens, idéias e palavras encontradas nas obras de outros autores. E, é claro... eu não sou uma exceção à regra, ainda mais por escrever fantasia, que muitas vezes se baseia em mitos, lendas e histórias de um imaginário coletivo e ancestral.
Refletindo sobre isso, e sobre o fato de que tenho comprado para minha filha novas edições de obras que li quando criança - as que não ficaram na estante desde aquele tempo - , decidi fazer uma brincadeira, listando, de A a Z, nomes de personagens de livros que eu tivesse lido nos meus primeiros anos. Por "primeiros" entenda-se aqui "os primeiros dezesseis": obras com que travei contato entre os quatro anos de idade, quando aprendi a ler, e os vinte, quando entrei na Universidade. Isso divide a exatamente ao meio a minha vida de leitora, e deve ser a melhor metade. Duvido que eu tenha lido tanta coisa interessante dos vinte e um aos trinta e seis!
Então, o que me proponho a fazer é dedicar um post a cada personagem - o que, é claro, levará à obra, ao autor e, principalmente, às minhas lembranças muito particulares acerca deles. Não serão resenhas, muito menos críticas, e vou me basear apenas naquilo que houver ficado retido na memória. No máximo pegar o livro para confirmar uma editora ou o sobrenome de um autor. Alguns dos posts podem não evidenciar mais do que o meu gosto literário, outros vão ser pretexto para contar um causo da minha infância, e outros provavelmente me trarão ao presente e à minha opção pelo ofício de escritora. Não sei ainda. Sei que faço isso como uma espécie de exercício, que é ao mesmo tempo uma reflexão... e ainda, espero, uma forma de trazer à tona as recordações daqueles que me lerem. Pois, como eu já disse, uma lembrança puxa outra. Que tal vocês, que lerão as minhas, me falarem das suas?
Até breve, com A de Ana Terra
e abraços desta outra - sempre de cabeça nas nuvens -
Ana
Este blog é a confirmação de que resoluções de fim de ano não dão certo comigo. Eu terminei 2005 mais do que determinada a voltar ao pique inicial da Estante, postando pelo menos uma vez por semana e trazendo, além de notícias minhas, artigos, dicas literárias e quem sabe até alguns jogos. No entanto, Janeiro está quase no fim e este ainda é o primeiro post - e, o que é pior, um post por assim dizer "introdutório". Isso porque, ao longo dos primeiros meses, quero escrever uma série de textos sobre personagens e livros que li na infância e na adolescência, e uma lembrança puxa outra... e eu quero explicar o que vou fazer, deixando claro, especialmente, o critério que usei para dividir minhas memórias em duas partes.
No ano passado, além de escrever muita ficção, li bastante sobre o ofício (vamos chamar assim) de escritor e sobre a forma pela qual se adquirem subsídios para escrever. Em alguns casos, tem a ver com nossas próprias vidas - as pessoas com quem convivemos, os acontecimentos, as situações pelas quais passamos e as lições que tiramos disso -, mas, muito freqüentemente, seguimos o rastro de outros viajantes, inspirando-nos e recorrendo à nossa bagagem literária. Isso não significa ser menos original, nem que nos limitamos a recriar o que já foi feito. Cada um de nós é único, e todos acrescentam seu ponto. No entanto, a grande maioria dos escritores se compõe de pessoas que gostam de ler, e que incorporam ao seu universo matizes, imagens, idéias e palavras encontradas nas obras de outros autores. E, é claro... eu não sou uma exceção à regra, ainda mais por escrever fantasia, que muitas vezes se baseia em mitos, lendas e histórias de um imaginário coletivo e ancestral.
Refletindo sobre isso, e sobre o fato de que tenho comprado para minha filha novas edições de obras que li quando criança - as que não ficaram na estante desde aquele tempo - , decidi fazer uma brincadeira, listando, de A a Z, nomes de personagens de livros que eu tivesse lido nos meus primeiros anos. Por "primeiros" entenda-se aqui "os primeiros dezesseis": obras com que travei contato entre os quatro anos de idade, quando aprendi a ler, e os vinte, quando entrei na Universidade. Isso divide a exatamente ao meio a minha vida de leitora, e deve ser a melhor metade. Duvido que eu tenha lido tanta coisa interessante dos vinte e um aos trinta e seis!
Então, o que me proponho a fazer é dedicar um post a cada personagem - o que, é claro, levará à obra, ao autor e, principalmente, às minhas lembranças muito particulares acerca deles. Não serão resenhas, muito menos críticas, e vou me basear apenas naquilo que houver ficado retido na memória. No máximo pegar o livro para confirmar uma editora ou o sobrenome de um autor. Alguns dos posts podem não evidenciar mais do que o meu gosto literário, outros vão ser pretexto para contar um causo da minha infância, e outros provavelmente me trarão ao presente e à minha opção pelo ofício de escritora. Não sei ainda. Sei que faço isso como uma espécie de exercício, que é ao mesmo tempo uma reflexão... e ainda, espero, uma forma de trazer à tona as recordações daqueles que me lerem. Pois, como eu já disse, uma lembrança puxa outra. Que tal vocês, que lerão as minhas, me falarem das suas?
Até breve, com A de Ana Terra
e abraços desta outra - sempre de cabeça nas nuvens -
Ana
quinta-feira, dezembro 29, 2005
Top 15 2005 (Final)
Oi, Pessoas! Tudo bem?
Neste último post do ano, as dicas são muito especiais. Sei que nem todos os leitores deste blog curtem o gênero fantástico, mas eu não poderia deixar de mencionar algumas das (muitas) obras geniais que li este ano e que podem se enquadrar nessa denominação. Vocês entendem, né? ;)
Antes de começar, quero salientar que os dois primeiros livros, embora possam agradar a todas as idades, são adequados ao público mais novo, a partir de nove ou dez anos. Se vocês não gostarem, fica a sugestão para seus filhos, sobrinhos e alunos. Mas eu achei o máximo.
Então, com vocês, aqui vai a Seleção Merege de
Fantasia, FC e Realismo Mágico
A Sétima Torre, série de Garth Nix. Trata-se de uma série de seis livros, publicados pela Nova Fronteira: fantasia com um toque de ficção científica e mitologia. Lembra um pouco Philip Pullman, mas sem o simbolismo cristão de A Bússola Dourada e suas seqüências. A série conta a história de Tal, um adolescente que vive num mundo dividido em níveis e iluminado por cristais de força, e que, ao sair de sua torre, descobre todo um universo de coisas, pessoas e seres que contrariam tudo em que acreditava até então. A ação e os elementos psicológicos são bem dosados e a história prende a atenção. Bem legal, dentro do gênero.
A Montanha dos Trolls, de Katherine Langrish. Uma das melhores surpresas deste ano, edição da Record. A obra é ambientada na Escandinávia medieval e conta a história de Peer (homenagem ao Peer Gynt, de Ibsen?), um menino que, ao perder o pai, vai morar com dois tios que tomam conta de um moinho. Os vizinhos mais próximos: uma simpática família de fazendeiros e um bando de trolls, uma espécie de ogros do imaginário local, sempre em disputa com os humanos por uma ou outra coisa. O realismo das descrições surpreende, e, para quem gosta de mitos e folclore escandinavo, ou mesmo de duendes em geral, é imperdível.
Medicine Road, de Charles de Lint, ilustrado por Charles Vess (de Stardust) e, infelizmente, sem tradução no Brasil. Mais para quem gosta de histórias românticas com um toque de Magia, nesse caso a xamânica (hehehe). No início dos tempos, o Coiote (leiam artigo sobre ele aqui na Estante - é só procurar na lista de posts) deu a dois animais a forma humana, por um prazo limitado, com a condição de só conservá-la se eles encontrassem um amor verdadeiro e incondicional. A garota já conseguiu, mas para o rapaz, Sam Red Dog, as coisas são um pouco mais difíceis. Será que a chegada de duas cantoras folk pode mudar tudo? Só lendo para saber!
Os Portais de Anúbis, de Tim Powers. Livro publicado pela Editora 34 na década de 80. Usando a Magia (alguns diriam tratar-se de Ciência) aprendida com os sacerdotes do Antigo Egito, um homem atravessa os portais do tempo apoderando-se dos corpos jovens e fortes de pessoas que atravessam seu caminho. Misturam-se, aqui, elementos góticos, fantásticos e esotéricos, numa trama cheia de reviravoltas e revelações. Uma leitura densa, não muito fácil, mas interessante, com cada detalhe se encaixando perfeitamente na bem-elaborada trama central.
The Famished Road, de Ben Okri. Obra-prima do realismo mágico africano, conta em primeira pessoa a história de Azaro, um menino que mantém uma estreita ligação com o mundo dos espíritos, mas que, apesar dos constantes chamados para retornar ao outro lado e de muitas dificuldades sociais e materiais, insiste em continuar vivo. Sua família - na verdade apenas os pais ignorantes, mas lutadores e freqüentemente amorosos - reflete, em seu dilaceramento, o drama pelo qual passam muitos países da África, entre fome, guerras e conflitos de interesses nos quais sempre acabam por sofrer as conseqüências. Simplesmente maravilhoso.
.....
Bom, gente... vou ficar por aqui. Apesar dos percalços, foi um prazer, como sempre, escrever os posts deste ano, e mais ainda partilhá-los com vocês. E já vou deixar uma dica do que vos espera no ano que vem: recordações e mais recordações dos meus primeiros 16 anos como leitora, ou seja, dos livros que li até os 20 anos de idade. Vai ter um pouco de tudo, de A a Z... e vai ficar bem legal. Pelo menos é o que eu acho! Mas quando começar vocês me dizem.
Agora, ao apagar das luzes de 2005, às primeiras de 2006, quero desejar a todos um ótimo reinício - de vida, de relacionamento, de luta pelos objetivos. E ano que vem já sabem... não deixem de passar por aqui, OK? ;)
Feliz Ano Novo!
Até breve!
Ana Lúcia
Neste último post do ano, as dicas são muito especiais. Sei que nem todos os leitores deste blog curtem o gênero fantástico, mas eu não poderia deixar de mencionar algumas das (muitas) obras geniais que li este ano e que podem se enquadrar nessa denominação. Vocês entendem, né? ;)
Antes de começar, quero salientar que os dois primeiros livros, embora possam agradar a todas as idades, são adequados ao público mais novo, a partir de nove ou dez anos. Se vocês não gostarem, fica a sugestão para seus filhos, sobrinhos e alunos. Mas eu achei o máximo.
Então, com vocês, aqui vai a Seleção Merege de
Fantasia, FC e Realismo Mágico
A Sétima Torre, série de Garth Nix. Trata-se de uma série de seis livros, publicados pela Nova Fronteira: fantasia com um toque de ficção científica e mitologia. Lembra um pouco Philip Pullman, mas sem o simbolismo cristão de A Bússola Dourada e suas seqüências. A série conta a história de Tal, um adolescente que vive num mundo dividido em níveis e iluminado por cristais de força, e que, ao sair de sua torre, descobre todo um universo de coisas, pessoas e seres que contrariam tudo em que acreditava até então. A ação e os elementos psicológicos são bem dosados e a história prende a atenção. Bem legal, dentro do gênero.
A Montanha dos Trolls, de Katherine Langrish. Uma das melhores surpresas deste ano, edição da Record. A obra é ambientada na Escandinávia medieval e conta a história de Peer (homenagem ao Peer Gynt, de Ibsen?), um menino que, ao perder o pai, vai morar com dois tios que tomam conta de um moinho. Os vizinhos mais próximos: uma simpática família de fazendeiros e um bando de trolls, uma espécie de ogros do imaginário local, sempre em disputa com os humanos por uma ou outra coisa. O realismo das descrições surpreende, e, para quem gosta de mitos e folclore escandinavo, ou mesmo de duendes em geral, é imperdível.
Medicine Road, de Charles de Lint, ilustrado por Charles Vess (de Stardust) e, infelizmente, sem tradução no Brasil. Mais para quem gosta de histórias românticas com um toque de Magia, nesse caso a xamânica (hehehe). No início dos tempos, o Coiote (leiam artigo sobre ele aqui na Estante - é só procurar na lista de posts) deu a dois animais a forma humana, por um prazo limitado, com a condição de só conservá-la se eles encontrassem um amor verdadeiro e incondicional. A garota já conseguiu, mas para o rapaz, Sam Red Dog, as coisas são um pouco mais difíceis. Será que a chegada de duas cantoras folk pode mudar tudo? Só lendo para saber!
Os Portais de Anúbis, de Tim Powers. Livro publicado pela Editora 34 na década de 80. Usando a Magia (alguns diriam tratar-se de Ciência) aprendida com os sacerdotes do Antigo Egito, um homem atravessa os portais do tempo apoderando-se dos corpos jovens e fortes de pessoas que atravessam seu caminho. Misturam-se, aqui, elementos góticos, fantásticos e esotéricos, numa trama cheia de reviravoltas e revelações. Uma leitura densa, não muito fácil, mas interessante, com cada detalhe se encaixando perfeitamente na bem-elaborada trama central.
The Famished Road, de Ben Okri. Obra-prima do realismo mágico africano, conta em primeira pessoa a história de Azaro, um menino que mantém uma estreita ligação com o mundo dos espíritos, mas que, apesar dos constantes chamados para retornar ao outro lado e de muitas dificuldades sociais e materiais, insiste em continuar vivo. Sua família - na verdade apenas os pais ignorantes, mas lutadores e freqüentemente amorosos - reflete, em seu dilaceramento, o drama pelo qual passam muitos países da África, entre fome, guerras e conflitos de interesses nos quais sempre acabam por sofrer as conseqüências. Simplesmente maravilhoso.
.....
Bom, gente... vou ficar por aqui. Apesar dos percalços, foi um prazer, como sempre, escrever os posts deste ano, e mais ainda partilhá-los com vocês. E já vou deixar uma dica do que vos espera no ano que vem: recordações e mais recordações dos meus primeiros 16 anos como leitora, ou seja, dos livros que li até os 20 anos de idade. Vai ter um pouco de tudo, de A a Z... e vai ficar bem legal. Pelo menos é o que eu acho! Mas quando começar vocês me dizem.
Agora, ao apagar das luzes de 2005, às primeiras de 2006, quero desejar a todos um ótimo reinício - de vida, de relacionamento, de luta pelos objetivos. E ano que vem já sabem... não deixem de passar por aqui, OK? ;)
Feliz Ano Novo!
Até breve!
Ana Lúcia
segunda-feira, dezembro 19, 2005
Top 15 2005 (Parte 2)
Oi, Pessoas! Tudo bem?
Fiquei muito feliz com a repercussão das primeiras dicas do Top 15. É um prazer partilhar minhas experiências com vocês... eu estou preparando uma surpresa, neste sentido, para o ano que vem. Aguardem!
Por enquanto, aproveitando o dia em casa (rodízio de folgas na BN, para compras de Natal), vou deixar aqui a segunda leva da seleção deste ano. A categoria é
Melhores Romances
Balzac e a Costureirinha Chinesa, de Dai Sijie. Num dos programas de "reeducação" determinados por Mao Tse-Tung na China, no final da década de 60, dois jovens universitários são enviados a uma aldeia nas montanhas, onde devem aprender a viver como os camponeses. A amizade de uma moça da região, conhecida como "A Costureirinha", viria a mudar a vida de ambos. Mas a grande transformação se daria mais tarde, com a descoberta de uma mala repleta de livros proibidos (não só Balzac, mas também Zola, Flaubert, Dostoievski, entre outros), através dos quais o narrador e seus companheiros passam a conhecer uma outra realidade. Um romance no qual o livro aparece como instrumento de prazer e libertação, e, o que é importante: uma obra que ocasiona mais risos que lágrimas, sem o "peso" de outros (necessários) livros sobre a China Vermelha ou a atual.
A Bíblia Envenenada, de Bárbara Kingsolver. Tendo como pano de fundo a luta do então Congo Belga pela independência, esse livro admiravelmente escrito narra a história dos missionários (fictícios) Nathan e Orleanna Price e de suas quatro filhas, cujas vidas, crenças e propósitos se transformam em contato com a realidade da África. Em destaque: a complexidade e riqueza dos personagens, cada um dos quais reage de uma forma às mudanças com que se vê confrontado. Este livro ficará em minha estante por muitos anos.
A Quarentena, de J. M. G. Le Clézio. Em 1891, Jacques e Suzanne, um jovem casal de franceses, embarcam para as Ilhas Maurício acompanhados de Léon, o irmão ainda mais jovem de Jacques. Uma epidemia de varíola os confina, com uns poucos compatriotas e um bando de indianos "importados" para trabalhar nos canaviais, a um rochedo vulcânico isolado no meio do mar. Ali, durante o tempo de quarentena, vozes se erguem do passado para contar a história de Ananta - uma inglesa, indiana por adoção, que retornou voluntariamente à ilha após muitos anos - e para criar uma nova dimensão da vida e do futuro aos olhos de Léon. Sensível, poético e às vezes muito triste: um belo livro.
Anjos Caídos, de Tracy Chevalier. O mais recente (até onde sei) livro da autora de Moça com Brinco de Pérola conta a história de duas famílias, os Coleman e os Waterhouse, que se conhecem num cemitério londrino, um dia após a morte da Rainha Vitória. Através da amizade de suas filhas e da (secreta) cumplicidade destas com o filho do coveiro, desenvolve-se uma trama densa, rica em sutileza e complexidade, tendo como pano de fundo as mudanças - como o voto feminino - que se impõem sobre a sociedade inglesa daquele período. Muito, muito bom!
O Que Eu Amava, de Siri Hustvedt. Um livro que comprei ao acaso e me surpreendeu pela profundidade de seus personagens. Nele são narrados vinte e cinco anos de amizade entre o crítico (e narrador) Leo Hertzberg e o pintor William Wechsler: dois homens muito diferentes, mas unidos em seu amor e devoção à arte, até que duas tragédias - uma súbita e inesperada, outra uma condição que se revela ao longo do tempo - contribuem para abalar os laços criados pelos interesses em comum e amizade recíproca. Salman Rushdie gostou e recomenda. Eu também.
.....
Bom... é isso aí. Espero que gostem destas dicas!
Ao longo da semana, tentarei fazer uma visita aos "cantinhos" de vocês, mas, se não der, ficam desde já os meus votos de um excelente Natal: um tempo de alegria, celebração, reflexão e muita paz junto àqueles que amam. O Ano Novo... Bom, até lá, com certeza, vai haver mais um post por aqui!
Abraços carinhosos,
Ho ho ho a todos!
Ana Lúcia
Fiquei muito feliz com a repercussão das primeiras dicas do Top 15. É um prazer partilhar minhas experiências com vocês... eu estou preparando uma surpresa, neste sentido, para o ano que vem. Aguardem!
Por enquanto, aproveitando o dia em casa (rodízio de folgas na BN, para compras de Natal), vou deixar aqui a segunda leva da seleção deste ano. A categoria é
Melhores Romances
Balzac e a Costureirinha Chinesa, de Dai Sijie. Num dos programas de "reeducação" determinados por Mao Tse-Tung na China, no final da década de 60, dois jovens universitários são enviados a uma aldeia nas montanhas, onde devem aprender a viver como os camponeses. A amizade de uma moça da região, conhecida como "A Costureirinha", viria a mudar a vida de ambos. Mas a grande transformação se daria mais tarde, com a descoberta de uma mala repleta de livros proibidos (não só Balzac, mas também Zola, Flaubert, Dostoievski, entre outros), através dos quais o narrador e seus companheiros passam a conhecer uma outra realidade. Um romance no qual o livro aparece como instrumento de prazer e libertação, e, o que é importante: uma obra que ocasiona mais risos que lágrimas, sem o "peso" de outros (necessários) livros sobre a China Vermelha ou a atual.
A Bíblia Envenenada, de Bárbara Kingsolver. Tendo como pano de fundo a luta do então Congo Belga pela independência, esse livro admiravelmente escrito narra a história dos missionários (fictícios) Nathan e Orleanna Price e de suas quatro filhas, cujas vidas, crenças e propósitos se transformam em contato com a realidade da África. Em destaque: a complexidade e riqueza dos personagens, cada um dos quais reage de uma forma às mudanças com que se vê confrontado. Este livro ficará em minha estante por muitos anos.
A Quarentena, de J. M. G. Le Clézio. Em 1891, Jacques e Suzanne, um jovem casal de franceses, embarcam para as Ilhas Maurício acompanhados de Léon, o irmão ainda mais jovem de Jacques. Uma epidemia de varíola os confina, com uns poucos compatriotas e um bando de indianos "importados" para trabalhar nos canaviais, a um rochedo vulcânico isolado no meio do mar. Ali, durante o tempo de quarentena, vozes se erguem do passado para contar a história de Ananta - uma inglesa, indiana por adoção, que retornou voluntariamente à ilha após muitos anos - e para criar uma nova dimensão da vida e do futuro aos olhos de Léon. Sensível, poético e às vezes muito triste: um belo livro.
Anjos Caídos, de Tracy Chevalier. O mais recente (até onde sei) livro da autora de Moça com Brinco de Pérola conta a história de duas famílias, os Coleman e os Waterhouse, que se conhecem num cemitério londrino, um dia após a morte da Rainha Vitória. Através da amizade de suas filhas e da (secreta) cumplicidade destas com o filho do coveiro, desenvolve-se uma trama densa, rica em sutileza e complexidade, tendo como pano de fundo as mudanças - como o voto feminino - que se impõem sobre a sociedade inglesa daquele período. Muito, muito bom!
O Que Eu Amava, de Siri Hustvedt. Um livro que comprei ao acaso e me surpreendeu pela profundidade de seus personagens. Nele são narrados vinte e cinco anos de amizade entre o crítico (e narrador) Leo Hertzberg e o pintor William Wechsler: dois homens muito diferentes, mas unidos em seu amor e devoção à arte, até que duas tragédias - uma súbita e inesperada, outra uma condição que se revela ao longo do tempo - contribuem para abalar os laços criados pelos interesses em comum e amizade recíproca. Salman Rushdie gostou e recomenda. Eu também.
.....
Bom... é isso aí. Espero que gostem destas dicas!
Ao longo da semana, tentarei fazer uma visita aos "cantinhos" de vocês, mas, se não der, ficam desde já os meus votos de um excelente Natal: um tempo de alegria, celebração, reflexão e muita paz junto àqueles que amam. O Ano Novo... Bom, até lá, com certeza, vai haver mais um post por aqui!
Abraços carinhosos,
Ho ho ho a todos!
Ana Lúcia
Assinar:
Postagens (Atom)