quarta-feira, maio 31, 2006

Tudo Que Eu Ainda Não Fiz

Sempre precisei de um pouco de atenção.
Acho que não sei quem sou,
Só sei do que não gosto.
E destes dias tão estranhos...
Fica poeira se escondendo pelos cantos.

(Renato Russo. Teatro dos Vampiros)


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Pessoas queridas,

Falta de tempo e organização é um caso sério. Estou numa fase ruim, cheia de raiva impotente e autocomiseração por não fazer as coisas que planejo. É como se todos os dias eu fizesse uma lista de desejos e nenhum deles fosse realizado. Ou, pior, é como concluir que eu nem mesmo tentei esfregar a lâmpada.

Maio está no fim e eu não realizei nem metade das coisas que pretendia. Não li nenhum dos livros da minha lista (li outros), não escrevi nenhum dos contos curtos que pretendo enviar a um concurso, nem comecei a adaptar Pluft, o Fantasminha para a peça da escola da Luciana. Não vi concluírem a instalação do gás natural, continuo com a casa semidestruída e meus livros queridos empilhados no corredor. Não viajei. Não fui a exposições nem ao cinema. Não procurei fazer nenhum contato para dar cursos, e o da Casa da Leitura acaba hoje sem que eu tenha providenciado a lista de coletâneas de contos que prometi a meus alunos. Não preparei as atualizações para o livro, que já está esgotando outra vez. Não guardei dinheiro para a reimpressão. Não convidei meus amigos para irem a Niterói (nem vou, enquanto o apartamento estiver desse jeito). Não atualizei o blog todas as semanas. Não. Ainda não pude.

Algum de vocês já teve essa sensação de viver pendurado no "ainda não"?

segunda-feira, maio 15, 2006

C de Cyrano

Oi, Pessoas! Tudo bem?

Hoje - finalmente - prossigo com a série Memórias de Leitura. E falo de um personagem que me é muito caro: Cyrano de Bergerac, protagonista da peça do mesmo nome, escrita por Edmond Rostand no finalzinho do século XIX.

Para começar, tenho que contar um segredo: só muito recentemente vim a saber que existiu um Cyrano de verdade. Só que ele é mais antigo: viveu no século XVII, e foi autor de obras de cunho científico e satírico, como Voyage Dans la Lune. Hoje, os estudiosos o considreram um dos precursores da Literatura Fantástica, gênero no qual eu também escrevo. Mas o principal motivo pelo qual eu gosto de Cyrano não é esse, e sim o retrato (certamente não muito fiel) que dele fez Rostand em sua obra.

A primeira versão desse livro que tive em mãos era recontada em forma de prosa, numa brochura das Edições de Ouro. Na época - eu teria uns nove ou dez anos - havia uma livraria da editora perto da minha casa, e era onde eu gastava a maior parte da minha mesada (a prova? Pelo menos mais três livros saídos de lá vão ser comentados em futuros posts desta série). O Cyrano, porém, não foi comprado por mim, e sim "herdado" de meu pai, ou talvez meus irmãos, assim como os livros de Emílio Salgari e a versão recontada de algumas peças de Shakespeare. E, pelo menos para a "rata de biblioteca" que sou eu, não podia haver herança melhor.

Uma coisa bem curiosa de que me lembro é que, na primeira leitura que fiz de Cyrano, a cena que melhor ficou gravada em minha memória não era protagonizada pelo herói, e sim por Ragueneau, o confeiteiro com alma de poeta (se não me engano, tecia odes aos seus bolinhos), que fornecia quitutes grátis aos amigos em troca de um minuto de atenção. Claro que era por interesse que aplaudiam o pobre homem, e eis o porquê de eu não simpatizar com eles e sim com o confeiteiro. Quem escreve quer ser lido e/ou ouvido, e essa sede às vezes nos faz passar por situações bizarras. Às vezes até nos humilhar, voluntária ou involuntariamente. Porém, todas as agruras são esquecidas quando achamos alguém que, mesmo por um instante, nos concede atenção e apreço genuínos. Eu consegui isso, algumas vezes, ao longo dos anos, e suponho que também Mestre Ragueneau. Afinal, ele leva vantagem sobre mim, que não sei assar bolinhos.

Ragueneau - essa é outra informação recente - se baseia num padeiro que existiu de fato, enquanto Roxanne, a amada de Cyrano, foi composta a partir de duas mulheres. Uma delas foi casada com Christophe (e não Christien) de Neuvilette, e seu amor deve ter sido verdadeiro, já que, após a morte do marido, ela se retirou para um convento. Se Savinien Cyrano de Bergerac - o da vida real - chegou a visitá-la aí, não sei dizer. Mas o Cyrano, personagem de Rostand, fez isso até o fim do percurso daquele amor sofrido, cheio de atos de um heroísmo que emociona, não pela bravura do herói, mas pela renúncia e desprendimento de que está imbuído. Ao se fazer passar por Christien para fazer a corte, ao arriscar a vida, todos os dias, passando entre as linhas de fogo para entregar cartas a Roxanne, Cyrano não tem esperanças de vir a ser amado, mas, ao contrário, se esforça para fazer com que a jovem se sinta amada e seja feliz.

É claro, na vida real não se vê muito dessas coisas. Para a mentalidade de hoje, elas devem parecer estranhas e até meio doentias. Afinal, todos estamos cansados de ouvir que devemos amar, primeiro, a nós mesmos, e buscar o que é melhor para nós. Mas mesmo assim não consigo me convencer de que Cyrano, ao trabalhar em prol de Christien, não era também feliz, embora de uma forma tortuosa: feliz não apenas por proporcionar felicidade a Roxanne, mas porque, conhecendo seu papel naquele romance, este o fazia se sentir tremendamente satisfeito consigo mesmo.

Isso porque Cyrano, embora acreditasse que Roxanne não poderia amá-lo, amava a si mesmo, e amava a vida, por mais que ocultasse tristezas por trás do seu penacho. As bravatas que fazia, até mesmo em seu declínio ("Hoje comi carne!" afirma ele a uma religiosa, na sexta-feira em que a carne era interdita, quando na verdade não tinha dinheiro para uma refeição) -, a relação com os companheiros de guerra, a resposta rápida, a capacidade de fazer troça de si mesmo, tudo isso denota um grande prazer de estar vivo. Mais que isso: uma humanidade, com todas as imperfeições e complexidades, que é rara de encontrar, mesmo em pessoas de carne e osso. Sendo um poeta, um artista - escudo usado por muitos para não encarar a vida de frente -, Cyrano, ao longo da peça, provará inúmeras vezes que não é um homem feito apenas de palavras, mas de ações. E se estas, às vezes,parecem tolas, são também as mais nobres que se poderiam esperar de um herói.

Os efeitos desse livro sobre mim são dos mais duradouros. A exemplo de Ana Terra, Cyrano foi mais um personagem que resvalou das minhas memórias de leitora para meu trabalho de ficcionista. Uma leitura atenta de O Jogo do Equilíbrio (vejam ao lado) ou de qualquer outro conto ou romance em que apareça Cyprien de Pwilrie mostrará traços do espadachim no saltimbanco, do poeta no contador de histórias, sem falar no cavanhaque e no nariz proeminente. Cyprien tem até mesmo um amigo padeiro, cuja filha é a narradora do livro, ainda em projeto, que conta a vida do Mestre das Sete Artes. E por acaso ou ato falho ela se chama... Roxanne. ;)

Espero não precisar explicar que nada disso foi proposital, assim como não o é o vôo das águias comandadas por Kieran de Scyllix (herói da trilogia do Castelo das Águias, que escrevo atualmente), que atravessam o campo de batalha para levar mensagens à mulher e à irmã do mago. Quem já leu alguma coisa da minha ficção deve concordar (assim espero!) que ela não é uma simples colagem de referências. No entanto, como já disse várias vezes, acredito que todos os escritores têm uma "bagagem" na qual entram elementos da memória, tanto a intelectual quanto a afetiva, e que, conscientemente ou não, se valem desses elementos em seus textos. Érico Veríssimo expôs muito bem a situação quando constatou que o nome do seu famoso "capitão" era o mesmo do Cid Campeador, Rodrigo Díaz de Bivar: uma peça pregada pela memória, disse ele. E, apesar disso, ninguém pode negar a Rodrigo Cambará uma (intensa) personalidade própria.

Quanto a mim, fico feliz por ver, nos atos do sombrio e lealíssimo Kieran, no panache inquebrantável de Cyprien, um pouco desse Cyrano que tanto me fascina. Talvez eu me identifique com ele também, não no heroísmo (sou uma borra-botas: todo mundo sabe), não na capacidade de renúncia, mas no amor à vida e às palavras. Na medida do possível, procuro unir essas duas paixões: é por isso que falo tanto, que escrevo tanto. E no final - que eu espero seja mais feliz que o de Cyrano - é disso que vão se lembrar quando falarem de mim.

Um grande abraço a todos,

Até a próxima!

Ana

quinta-feira, maio 04, 2006

As Horas e os Livros ou Um Dia na Vida de Ana

Pessoas queridas,

Em primeiro lugar, quero agradecer o carinho de todos e tranqüilizar os que ficaram preocupados. As coisas já estão sob controle no que concerne à saúde de minha mãe e outros familiares. A vida, porém, anda mais corrida que nunca, e não encontro a calma e o ambiente propícios a escrever tanto quanto gostaria. Nem posso escrever as coisas que gostaria: não tenho conseguido me concentrar. No entanto, é nessas ocasiões que a gente mais precisa rir de si mesmo... e, por isso, reservei uns instantes para listar os livros cujos títulos podem ilustrar o meu cotidiano.

Eis um dia de semana típico:

- Acordando, às 6 da matina: Não Despertem os Mortos

- Ida de Niterói para o Rio na hora do rush: Auto da Barca do Inferno

- Manhã de "trabalho" na BN: A Farsa da Boa Preguiça

- O Verão carioca ao meio-dia: O Sol é Para Todos

- Gastando o que não posso na feira do livro: Amor de Perdição

- Tarde na BN, escamoteando (como agora) meus escritos entre os trabalhos de rotina: Uma Vida em Segredo

- À noite, fazendo Luciana dormir: A História Sem Fim

- O tempo de vida útil que me resta ao final do dia: Os Sete Minutos

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Riam ou chorem, como quiserem... mas, no momento, é por aí.

Abraços a todos,

Ana Lúcia

quarta-feira, abril 19, 2006

O Sono dos Justos (sim, sim, mais um poema bissexto...!)

Todos os ritos e palavras de poder
ecoam no silêncio.
Os livros apodrecem na estante.
A hera cresce entre os pés dos sábios,
estátuas
no templo abandonado.

Quando chegou a hora mágica eu dormia na clareira,
feliz em meu cansaço.
Não aprendi a língua dos anjos
nem os nomes de Deus.

Ocultos para sempre estão os arcanos.
Meu coração é criança pagã,
não descerra véus.

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Pessoas queridas,

Este vem sendo um mês muito complicado para mim. Feriados, viroses intermináveis (não em mim, mas em vários membros da família), a escrita urgente de um conto para a seletiva de uma antologia e, last but not least, visitas técnicas quase diárias aqui na Biblioteca. Só passei para deixar este poema, rabiscado num momento de lucidez (talvez não de inspiração, mas enfim...), no final do ano passado.

E pra dizer que volto em breve a fim de retomar a série de memória.

E pra deixar, é claro, um grande abraço a todos vocês.

Ana Lúcia

quarta-feira, março 29, 2006

B de Bastian



Show no fear, for she may fade away.
In your hands the birth of a new day
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Oi, Pessoas! Tudo bem?

Finalmente, acabo de me sentar para escrever o segundo post do "Dicionário das Memórias de Leitura". Para quem não sabe, essa é uma série de posts acerca de livros que li entre os 4 e os 20 anos, alfabetado de acordo com um dos personagens da obra. A proposta é escrever apenas com base no que li na época (ou mais tarde, em releituras), sem recorrer a nenhum exemplar da obra e muito menos a críticas ou resenhas de outras pessoas... e, principalmente, escrever sobre o impacto que o livro teve em mim, o qual, em alguns casos, tem conseqüências até hoje.

O livro de que venho falar está num desses casos. Trata-se de A História Sem Fim, obra-prima (a meu ver) de Michael Ende, cujo protagonista é o Bastian citado no título. Bastian Baltazar Bux, um menino solitário, que menos compreende a si mesmo do que é incompreendido, e que não resiste à tentação de "pegar emprestado" um livro na loja do misterioso Sr. Koreander. Na capa, uma serpente que morde a própria cauda: o Ouroboros alquímico, relativo ao eterno retorno. O título: A História Sem Fim, o mesmo do livro de Ende, no qual vemos se fundirem a experiência de leitor de Bastian e as aventuras do herói da obra lida por ele.

No livro que Bastian lê - ou melhor, devora - , um reino denominado Fantasia está desaparecendo velozmente, e sua salvação está nas mãos de um jovem caçador chamado Atreiú. Este passa por toda sorte de provas e peripécias, acompanhadas por Bastian com o coração aos pulos e os olhos arregalados... até chegar à conclusão de que Fantasia deve recomeçar do ponto de partida, e que este depende da intervenção de uma criança humana. Bastian continua a ler, com ansiedade cada vez maior, à medida que os leitores externos vão vendo cada vez mais imbricadas as partes do livro que tratam dele e de Atreiú. Na verdade, a partir de certo momento, os trechos, compostos em cores diferentes (em verde para Bastian, em vermelho para Fantasia, na minha edição da Martins Fontes), começam a ser complementares um ao outro, e tal é a habilidade de Ende que, quando se percebe que a criança que todos esperam em Fantasia é o próprio Bastian, a própria noção de se estar diante de duas histórias paralelas praticamente já desapareceu. Um trabalho magistral de escrita... que, no entanto, está apenas começando.

Não vou adiantar o desfecho dessa primeira parte, a qual, aliás, foi adaptada para o cinema, na década de 80 se não me engano. Por causa desse filme, todos conhecem o Dragão da Sorte (o do cinema lembra um pouco um cachorro), o Monstro que Come Pedras, a Imperatriz Criança e outros personagens. O que poucos sabem é que o livro não termina daquele jeito, e muito menos naquele ponto; e a sua continuação nada tem a ver com as duas (atrozes) seqüências que a obra ganhou nas telas.

Na segunda parte do livro, após ter salvo Fantasia da destruição (ninguém duvidava, né?), Bastian é convidado a formular uma série de desejos, a partir dos quais aquela terra mágica vai sendo reconstruída e reinventada. No entanto - a exemplo do que acontece com os irmãos de Wendy e os Meninos Perdidos, em Peter Pan - cada um daqueles desejos vai apagando a verdadeira identidade de Bastian, fazendo-o esquecer de seu pai, de seu passado, de sua vida enfim no mundo que podemos chamar "real". Recuperar a memória e a identidade, a partir do único elo que sobrou, é um trabalho difícil, mas finalmente ele consegue - e volta para seu próprio universo, deixando que Atreiú, desde sempre habitante de Fantasia, viva por ele as aventuras que lhe restam por viver.

Isso é o que me lembro do livro que li aos 17 anos - e que, curiosamente, nunca reli, embora hoje o considere meu livro preferido, o que afirmo tranqüilamente sempre que me perguntam. Isso porque, sem falar na qualidade literária - a d´A História Sem Fim é superior à maior parte dos livros que já li, em todos os gêneros, e olhem que são muitos - essa obra foi uma espécie de "sacudida", ou melhor, de "despertar" para a pessoa que eu era, para o que vinha fazendo e para o rumo que queria dar à minha vida.

Quem leu minha autobiografia ou a contracapa dos meus livros sabe: eu conto histórias desde que me entendo por gente. Isso é uma verdade: eu sempre fiz isso, gosto de fazê-lo, acho que sempre farei, independente da minha profissão ou ocupação naquele momento. Mesmo nos períodos mais áridos, em termos de produção literária, nunca deixei de criar histórias e, sempre que possível, contá-las, o que me valeu ser rotulada de “louca”, “infantil” e até mesmo “esquizofrênica” em diversas ocasiões. A alegação era a de que eu “vivia em outro mundo” e “não separava a fantasia da realidade” coisa que hoje, olhando para trás, posso afirmar com naturalidade que não acontecia. Ao contrário de Bastian, creio que nunca corri o risco de perder meu elo com o “mundo real”. Não. O risco que eu corri foi, isso sim, o de cercear minha criatividade, abdicando de tudo que havia de original em mim pelo desejo de ser “igual às outras pessoas”.

Claro que com isso não estou afirmando que era, ou que sou, melhor do que ninguém. Acredito, isso sim, que cada pessoa tem um potencial a ser desenvolvido, e que existem vários tipos de inteligência e de talento cuja expressão às vezes faz de nós uns tipos gauches na vida. Muita gente é como eu, é verdade, e nestes últimos anos tenho conhecido vários. Mas houve um tempo em que não conhecia – e que o fato de escrever, contar e até mesmo gostar de ler histórias, especialmente do gênero fantasia, me afastou das pessoas com quem eu queria conviver. Naquele tempo o gênero era pouco divulgado, não havia uma Internet que unisse as pessoas com os mesmos interesses, e praticamente ninguém com quem eu pudesse trocar idéias. Mais tarde tive uns poucos amigos que jogavam RPG e que não me achavam tão maluca. Mas eles não eram escritores. E não tinham tempo nem interesse em ler os meus originais, até porque não sou nenhum talento precoce. Eu tinha boas idéias, acho. Mas escrevia muito mal mesmo.

Na época em que li A História Sem Fim, eu passava por um momento de crise e de muitas indagações a esse respeito – se valia a pena continuar, se eu estava perdendo tempo, se era possível que um dia escrevesse alguma coisa que prestasse e principalmente se alguém ia gostar daquilo (sim, eu já queria um público, embora ainda não pretendesse tornar a escrita minha principal ocupação. Não tenho vergonha de confessar isso). E não sei dizer exatamente no que aquele livro me tocou, mas A História Sem Fim me fez ter uma espécie de insight : a consciência de que um mundo fantástico, maravilhoso, existia dentro de mim, e que eu podia criar o que quisesse, desde que (como Bastian faz no final) respirasse fundo e enfrentasse os problemas que existiam “lá fora”.

Os meus tinham a ver com me amar e respeitar a mim mesma pelo que eu era, e buscar aquilo que eu queria, sem abrir mão do meu jeito próprio de ser.

E – como sabe quem me conhece – foi o que eu fiz.

Danke schön, Herr Ende!

A vocês - até a próxima!

Ana Lúcia

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Lines that keep the secrets will unfold behind the clouds.
There, among the rainbow,
Is the answer to a never ending story.