Oi, Pessoas! Tudo bem?
Já nem me desculpo pelo tempo que levo sem postar e sem aparecer nos cantinhos de vocês. Aqui em casa, além do tempo escasso e da conexão ruim, são poucas as páginas que consigo abrir, e o servidor da BN resolveu seguir tardiamente o exemplo de nós outros, também servidores, mas de carne e osso. Ou seja, está em greve. Assim, passam-se dias e dias sem que eu consiga atualizar a Estante. Vamos ver se as coisas mudam no ano que vem.
Com todas as dificuldades, eu não poderia deixar de cumprir a tradição estabelecida nos anos anteriores, com o "Top 20" de dicas literárias. Este ano, no entanto, vai ser "Top 15", não porque eu tenha lido menos ou porque faltem bons livros, mas porque resolvi me limitar a três categorias. Aqui vai a primeira leva... Espero que gostem!
5 livros de não-ficção
Herdando uma Biblioteca, de Miguel Sanches Neto. Já citei este livro aqui, no post em que contei a vocês por que havia me decidido a publicar mais uma obra independente, mas vale repetir a dica. Os ensaios de Sanches Neto - sobre livros e bibliotecas, sobre o ofício da crítica, sobre o que é ser um leitor de ficção no mundo das "informações rápidas" - são lúcidos, precisos e por vezes divertidos. Nota 10 para Miguel.
Ler, Escrever, Fazer Conta de Cabeça, de Bartolomeu Campos Queirós. Para quem gosta da literatura (dita) infantil, Bartolomeu dispensa apresentações. Para quem não conhece, esta é uma oportunidade de entrar em contato com um dos mais sensíveis autores brasileiros, através do que ele faz melhor: resgatar as lembranças de sua infância, bagagem que seria amplamente utilizada em seus (muitos e bons) livros.
A Louca da Casa, de Rosa Montero. Irreverência é a tônica dos ensaios da escritora e jornalista espanhola ao falar de seu ofício e de tudo aquilo que o rodeia. O destaque vai para as impagáveis (três, creio) diferentes versões do que teria sido seu caso com um ator famoso, mostrando que a imaginação pode, sim, reinventar e até subverter a realidade. Eu recomendo!!
Ilhas do Tempo, de Ana Maria Machado. Neste livro estão reunidos alguns textos que são, na maioria, conferências dadas pela autora no Brasil e em outros países. Em pauta, literatura "infantil" e para todas as idades, o hábito da leitura, a trajetória de Ruth Rocha (cunhada de Ana Maria, para quem não sabe) e algumas observações pertinentes sobre o que é ser um escritor no Brasil e fora dele. Vocês sabiam que as editoras americanas têm um "número padrão" de páginas e palavras adequadas a cada faixa etária, e você está "fora" se escrever um livro 20% mais longo do que isso? Bom, aqui deve ser igual, mas pelo menos não estamos sozinhos em nosso cerceamento da criatividade.
Gramática da Fantasia, de Gianni Rodari. Este é um clássico. O professor italiano fez pela escrita mais ou menos o mesmo que o francês Pennac fez pela leitura: soltou-a no meio de seus alunos e deixou acontecer. Vai daí, histórias surpreendentes, criadas por crianças que antes estavam presas a cartilhas e a redações tipo "O que você fez nas férias". Bom para pais, professores e subversores de todas as idades.
E aí? Que tal? Pois é... Como viram, quando eu não estava lendo Literatura, estava lendo sobre Literatura. De qualquer forma, mesmo para quem não trabalha na área, esses são livros muito legais, sem os tecnicismos que podem tornar aborrecida a leitura até dos temas mais interessantes.
Espero que tenham gostado destas dicas. Semana que vem, se tudo der certo, tem mais. Até lá... e boas leituras!
Abraços pra vocês,
Ana Lúcia
segunda-feira, dezembro 12, 2005
sexta-feira, novembro 18, 2005
Revisitando o "Labirinto"
Oi, Pessoas! Tudo bem?
Fim de ano... compromissos quase todos cumpridos... e agora vou entrando na fase de planejar as coisas para o ano que vem. Ainda não decidi se farei (mais uma) lista de "Resoluções de Ano Novo", mas que elas existem, existem. Uma delas é até mais recente do que isso: pelo meio do ano, eu tinha decidido que ia postar aqui com mais freqüência, mas uma série de circunstâncias me impediu. Vamos ver se consigo retomar o ritmo antigo, do qual eu gostava tanto.
Por falar em "antigo", recentemente comprei uma porção de DVDs de filmes datados de 15 ou 20 anos atrás. São quase todos de fantasia, e alguns deles tiveram um profundo impacto sobre a minha infância e adolescência. Tem os dois filmes do Conan (embora eu não goste do segundo), A Lenda, com Tom Cruise novinho, O Feitiço de Áquila, Excalibur, A Companhia dos Lobos, O Cristal Encantado. E tem, desde semana passada, a edição de colecionador de um dos meus favoritos: Labirinto, de 1986, com direção de Jim Henson e David Bowie no papel de Jareth, Rei dos Duendes.
Ah, como eu curti esse filme na época! Não só por causa dos duendes e da animação, mas porque a história tinha tudo a ver comigo. Para quem não sabe, trata-se de uma adolescente chamada Sarah (interpretada por Jenniffer Connelly) que vive com o pai, a madrasta e o filho de ambos, um bebê fofíssimo, do qual ela tem que cuidar de vez em quando. Sarah é sonhadora, fascinada pelo mundo da fantasia e pela figura do Rei dos Duendes, que ela conhece a partir de um livro chamado, justamente, "Labirinto". Acontece que há uma parte de Sarah que se recusa a crescer: ela não tem domínio sobre suas próprias fantasias. E morre de ciúmes do irmão, a ponto de desejar que os duendes o levem embora para sempre.
Mas, como já dizia a Morgana, das "Brumas de Avalon" (quem leu?), deve-se tomar cuidado com o que se deseja, porque pode ser que a gente consiga. Os duendes levam o bebê para o castelo de seu Rei, que fica atrás de um labirinto cheio de surpresas. E Sarah tem 13 horas para desvendar seu segredo e recuperar o irmão. Claro que ela vai ter a ajuda de alguns dos seres mágicos do Labirinto, e - naturalmente - tudo dá certo no fim. Mas foi justamente o fim o que eu gostei mais, porque, apesar de ter alcançado uma certa maturidade, Sarah não se despede para sempre dos seus amigos do mundo fantástico. Pelo contrário, ela afirma que muitas vezes precisará deles, e o filme termina com uma animada "festinha" no quarto da garota, enquanto o Rei dos Duendes, cumprida sua missão (pois isso era o que ele devia fazer: ajudá-la a crescer sem abrir mão de sua imaginação e de seus sonhos) voa para longe sob a forma de uma coruja branca.
Interpretações posteriores desse filme cavaram fundo nos significados psicológicos e afirmaram que, ao ficar com os amigos do Labirinto, já tendo negado o poder do Rei sobre ela, o que Sarah fez foi deixar no fundo do armário (do seu subconsciente) as partes de si mesma que não saberia controlar. Ela teria aceitado os "bichos" bonzinhos, amigos, ou seja, as criações da sua fantasia que podia admitir livremente, e reprimido o lado mais sombrio, inclusive a sexualidade, que transparece muito bem na cena do baile de máscaras. Essa pode ser uma leitura válida, mas para mim esse aspecto é secundário, talvez porque os "bichos bonzinhos" da minha imaginação são tantos e tão transparentes que mesmo eles eu preciso ter coragem para mostrar. Hoje, aos 36 anos, com todo um mundo de pessoas com as quais eu posso me conectar (mesmo que virtualmente), fica mais fácil expressar minha criatividade. Mas, quando eu tinha 17, não havia muito espaço para contadores de histórias. Eu não tinha ninguém com quem pudesse partilhar as minhas.
Uma outra cena do filme que me marcou muito foi quando Sarah encontra uma duende que é uma espécie de catadora e carregadora de lixo. Ela tem às costas um fardo enorme, um monte de coisas inúteis, e tenta fazer com que Sarah desista de sua busca, acumulando sobre suas costas todos os brinquedos que ela ainda guardava, zelosamente, de sua infância. Só quando reconhece o que é aquilo tudo - lixo - a moça consegue se libertar da carga inútil que a prendia ao passado: não as lembranças, não a bagagem espiritual que, como vimos, a acompanharia ao longo de sua vida adulta, manifestando-se através da imaginação, mas toda a parafernália física e (assim acredito) os resquícios de emoções negativas, como o medo e as culpas, que deviam ser deixados para trás a fim de que ela pudesse seguir em sua busca. Eu sempre penso nisso quando faço a minha famosa "limpeza de primavera".
Acho que já deu para perceber como gostei desse filme, e como fiquei feliz por ter encontrado a edição. Também por partilhar com a Luciana, que adorou a história, os duendes, e que de vez em quando leva a mão ao nariz e diz estar sentindo o cheiro do "Pântano do Fedor Eterno". Também dá para rir com algumas cenas de música e... hum... da maquiagem e das calças do David Bowie. Mas acho que ninguém se importou com isso nos anos 80.
Ei, e vocês? Já viram esse filme? E os outros que eu citei? O que acham do gênero? Pode ser entretenimento, mas muitas vezes é super bem feito, além de divertido. E, para mim, também é material de trabalho, talvez tanto quanto os livros, como pude comprovar nas palestras que andei dando recentemente. Ao explicar para estudantes da oitava série o que é ficção científica, como ninguém tivesse ouvido falar de Júlio Verne ou Asimov, não hesitei em discutir os heróis e vilões de Guerra nas Estrelas. Se a Estante não basta... vem aí, com força total, a Filmoteca Mágica de Ana! ;)
Abraços a todos,
Até a próxima!
Ana Lúcia
P. S. Em seu livro, considerado um must para roteiristas, A Jornada do Escritor, Christopher Vogler faz uma análise maravilhosa dos arquétipos contidos na série Guerra nas Estrelas. Vale a pena.
quarta-feira, novembro 02, 2005
A Biblioteca Fantástica de Wetzlar... e as nossas!
Oi, Pessoas! Tudo bem?
Sem Internet no trabalho e o tempo escasso para as mil e uma atividades em que ando me metendo, passo rapidinho por aqui para compartilhar com vocês a notícia de que a biblioteca dos meus sonhos existe, sim, e fica na Alemanha. Mais precisamente, na cidade de Wetzlar, onde funciona a única biblioteca pública da Europa especializada em Literatura Mágica: a Biblioteca Fantástica.
Tomei conhecimento da existência da Biblioteca ao receber o convite para um workshop de sua diretora, Bettina Twrsnick, acerca da experiência alemã com o incentivo ao hábito da leitura no meio escolar. A oficina aconteceu no dia 27, na Casa Rui Barbosa, e teve patrocínio (e tradução simultânea) da filial carioca do Instituto Goethe.
O site do Instituto disponibilizou o histórico e as informações sobre a Biblioteca Fantástica (que eu vou passar anos com vontade de conhecer, até ir lá um dia. Não duvidem). Da minha parte, o que tenho a relatar é que, além de me divertir com a atividade escolhida por meu grupo ("inventar" um escritor antigo, só recentemente descoberto, escrever sua biografia e um estudo sobre sua obra fictícia), a oficina me proporcionou uma excelente oportunidade para conhecer pessoas que trabalham com a leitura e/ou a narrativa. Isso sem falar na troca de idéias com a Bettina acerca da Literatura Fantástica (também considerada um "gênero menor" na Europa) e dos problemas enfrentados pelas bibliotecas na Alemanha, que são os mesmos daqui, embora num contexto bem diferente. Lá, professores e bibliotecários ganham relativamente bem e o nível de educação da população é muito mais elevado; mas a dificuldade de fazer com que não apenas crianças e jovens, mas o público em geral, se interesse pela leitura é tão grande quanto no Brasil. Nas escolas, em geral, os únicos livros valorizados são os que tratam de assuntos "práticos". E as verbas que destinam ao setor são pequenas em comparação ao investimento feito, por exemplo, na área tecnológica. Enfim... os problemas são os mesmos, só mudam de dimensões e de hemisfério.
Agora, por aqui a gente vai fazendo o que pode. Esta semana, tomou posse o novo presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Prof. Muniz Sodré, e nossa grande expectativa é que ele procure revitalizar a Casa da Leitura, onde funciona a sede nacional do PROLER. Os cursos e oficinas que aconteciam lá estão fazendo falta. Por outro lado, a Prefeitura do Rio de Janeiro dará início, no dia 5 de novembro, a mais uma edição do Projeto Paixão de Ler, que há treze anos vem mobilizando as bibliotecas e centros culturais da cidade. A programação completa pode ser conferida aqui... e a minha participação, nos dias 7 e 10, aqui ao lado, na Agenda da Estante Mágica.
Espero vocês lá... e, por ora, me despeço. Há muito trabalho a fazer!
Abraços a todos!
Ana Lúcia
Sem Internet no trabalho e o tempo escasso para as mil e uma atividades em que ando me metendo, passo rapidinho por aqui para compartilhar com vocês a notícia de que a biblioteca dos meus sonhos existe, sim, e fica na Alemanha. Mais precisamente, na cidade de Wetzlar, onde funciona a única biblioteca pública da Europa especializada em Literatura Mágica: a Biblioteca Fantástica.
Tomei conhecimento da existência da Biblioteca ao receber o convite para um workshop de sua diretora, Bettina Twrsnick, acerca da experiência alemã com o incentivo ao hábito da leitura no meio escolar. A oficina aconteceu no dia 27, na Casa Rui Barbosa, e teve patrocínio (e tradução simultânea) da filial carioca do Instituto Goethe.
O site do Instituto disponibilizou o histórico e as informações sobre a Biblioteca Fantástica (que eu vou passar anos com vontade de conhecer, até ir lá um dia. Não duvidem). Da minha parte, o que tenho a relatar é que, além de me divertir com a atividade escolhida por meu grupo ("inventar" um escritor antigo, só recentemente descoberto, escrever sua biografia e um estudo sobre sua obra fictícia), a oficina me proporcionou uma excelente oportunidade para conhecer pessoas que trabalham com a leitura e/ou a narrativa. Isso sem falar na troca de idéias com a Bettina acerca da Literatura Fantástica (também considerada um "gênero menor" na Europa) e dos problemas enfrentados pelas bibliotecas na Alemanha, que são os mesmos daqui, embora num contexto bem diferente. Lá, professores e bibliotecários ganham relativamente bem e o nível de educação da população é muito mais elevado; mas a dificuldade de fazer com que não apenas crianças e jovens, mas o público em geral, se interesse pela leitura é tão grande quanto no Brasil. Nas escolas, em geral, os únicos livros valorizados são os que tratam de assuntos "práticos". E as verbas que destinam ao setor são pequenas em comparação ao investimento feito, por exemplo, na área tecnológica. Enfim... os problemas são os mesmos, só mudam de dimensões e de hemisfério.
Agora, por aqui a gente vai fazendo o que pode. Esta semana, tomou posse o novo presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Prof. Muniz Sodré, e nossa grande expectativa é que ele procure revitalizar a Casa da Leitura, onde funciona a sede nacional do PROLER. Os cursos e oficinas que aconteciam lá estão fazendo falta. Por outro lado, a Prefeitura do Rio de Janeiro dará início, no dia 5 de novembro, a mais uma edição do Projeto Paixão de Ler, que há treze anos vem mobilizando as bibliotecas e centros culturais da cidade. A programação completa pode ser conferida aqui... e a minha participação, nos dias 7 e 10, aqui ao lado, na Agenda da Estante Mágica.
Espero vocês lá... e, por ora, me despeço. Há muito trabalho a fazer!
Abraços a todos!
Ana Lúcia
terça-feira, outubro 18, 2005
O Jogo do Equilíbrio: um trechinho pra dar gosto!
Giflet se adiantou a passos medidos, e, erguendo sua bola, fingiu fazer uma cuidadosa pontaria.
- Quem é nosso primeiro competidor? - perguntei, em tom sarcástico. - Um estudante?
- Giflet, estudante de Leis e o maior dos poetas de Pwilrie - respondeu ele. - E aquele que vai mandar para o chão você e os seus versos de pé quebrado.
- Ah! Boa sorte, jovem mestre! - repliquei, e me preparei para desviar. Giflet girou a bola acima da cabeça, três ou quatro vezes, ante a emoção do público. Por fim, atirou-a, mas tão desastradamente que nem precisei me mover. A multidão começou a rir, apontando o estudante que saía pisando duro, enquanto eu encolhia os ombros e falava como se estivesse desapontado.
- Ainda não foi dessa vez, pessoal... O próximo!
Mariotte abriu caminho para o segundo competidor, um ferreiro grandalhão que fez pontaria por muito tempo antes de atirar. Essa bola passou bem perto do meu quadril, obrigando-me a uma ligeira torção para o lado e arrancando aplausos da platéia. Agradeci e chamei o terceiro, o quarto e o quinto jogadores, cujas bolas não chegaram à altura da corda. O sexto competidor era um camponês alto e forte, e seu tiro foi tão preciso que me permitiu pegar a bola.
- Podemos ter mais um jogador! - anunciei, devolvendo-a para Andry. - Belo tiro, camarada! Obrigado!
- Mas era para derrubar você! - disse ele, e o seu desapontamento arrancou gargalhadas da multidão. A essa altura, eu já estava mais que descontraído, e comecei a brincar e a incentivar os jogadores. Mais de vinte se sucederam, artesãos, negociantes, estudantes, até uma mulher, que gritou com voz estridente antes de atirar:
- Isso é para você não se fazer mais de galo com as nossas filhas no Festival, seu safado!
- Oh-oh! - fiz eu, desviando-me facilmente. - Não sei quem são suas filhas, senhora, mas parece que foi por um triz que não ficaram sem galo!
Despejando uma torrente de impropérios, ela se afastou. Olhei triunfantemente para o próximo da fila, que se aproximava devagar da marca estipulada por Mariotte. Dentre todos os afetos e desafetos ali presentes, era a ele que eu dedicava meu espetáculo.
- Quem é o próximo? - perguntei, olhando-o nos olhos. - O nosso bom Rupert? Tem certeza de que é uma bola o que tem na mão?
- É uma bola, e vai acabar com a sua raça, bastardo sujo! - gritou ele, atirando furiosamente e às cegas. Como era de se esperar, a bola passou longe, e Rupert saiu quase correndo, sob as vaias da multidão que já se pusera francamente ao meu lado. Os próximos tiros foram ainda piores, e consegui pegar mais duas bolas, que Mariotte não demorou a trocar por moedas. Foram dois amigos que as compraram. Já não devia haver ninguém querendo me ver cair.
- O próximo! - gritei, e outra bola passou bem longe de mim e da corda. Fiz um floreio, acompanhando a trajetória, e chamei novo jogador; e foi então que, quando já não esperava mais por isso, o arremesso de um sargento da Guarda acertou em cheio a aba do meu chapéu.
......
Bom, Pessoas... Este é um trecho de "O Jogo do Equilíbrio". A narrativa é bem diferente da que usei em "O Caçador", como podem ver.
Adoraria que deixassem aqui seus comentários sobre o texto. E, como um pouquinho de propaganda não faz mal... se alguém quiser saber como o Cyprien vai sair dessa, o livro já está à venda através do meu e-mail: anamerege@ig.com.br.
Abraços a todos,
Até a próxima!
Ana Lúcia
- Quem é nosso primeiro competidor? - perguntei, em tom sarcástico. - Um estudante?
- Giflet, estudante de Leis e o maior dos poetas de Pwilrie - respondeu ele. - E aquele que vai mandar para o chão você e os seus versos de pé quebrado.
- Ah! Boa sorte, jovem mestre! - repliquei, e me preparei para desviar. Giflet girou a bola acima da cabeça, três ou quatro vezes, ante a emoção do público. Por fim, atirou-a, mas tão desastradamente que nem precisei me mover. A multidão começou a rir, apontando o estudante que saía pisando duro, enquanto eu encolhia os ombros e falava como se estivesse desapontado.
- Ainda não foi dessa vez, pessoal... O próximo!
Mariotte abriu caminho para o segundo competidor, um ferreiro grandalhão que fez pontaria por muito tempo antes de atirar. Essa bola passou bem perto do meu quadril, obrigando-me a uma ligeira torção para o lado e arrancando aplausos da platéia. Agradeci e chamei o terceiro, o quarto e o quinto jogadores, cujas bolas não chegaram à altura da corda. O sexto competidor era um camponês alto e forte, e seu tiro foi tão preciso que me permitiu pegar a bola.
- Podemos ter mais um jogador! - anunciei, devolvendo-a para Andry. - Belo tiro, camarada! Obrigado!
- Mas era para derrubar você! - disse ele, e o seu desapontamento arrancou gargalhadas da multidão. A essa altura, eu já estava mais que descontraído, e comecei a brincar e a incentivar os jogadores. Mais de vinte se sucederam, artesãos, negociantes, estudantes, até uma mulher, que gritou com voz estridente antes de atirar:
- Isso é para você não se fazer mais de galo com as nossas filhas no Festival, seu safado!
- Oh-oh! - fiz eu, desviando-me facilmente. - Não sei quem são suas filhas, senhora, mas parece que foi por um triz que não ficaram sem galo!
Despejando uma torrente de impropérios, ela se afastou. Olhei triunfantemente para o próximo da fila, que se aproximava devagar da marca estipulada por Mariotte. Dentre todos os afetos e desafetos ali presentes, era a ele que eu dedicava meu espetáculo.
- Quem é o próximo? - perguntei, olhando-o nos olhos. - O nosso bom Rupert? Tem certeza de que é uma bola o que tem na mão?
- É uma bola, e vai acabar com a sua raça, bastardo sujo! - gritou ele, atirando furiosamente e às cegas. Como era de se esperar, a bola passou longe, e Rupert saiu quase correndo, sob as vaias da multidão que já se pusera francamente ao meu lado. Os próximos tiros foram ainda piores, e consegui pegar mais duas bolas, que Mariotte não demorou a trocar por moedas. Foram dois amigos que as compraram. Já não devia haver ninguém querendo me ver cair.
- O próximo! - gritei, e outra bola passou bem longe de mim e da corda. Fiz um floreio, acompanhando a trajetória, e chamei novo jogador; e foi então que, quando já não esperava mais por isso, o arremesso de um sargento da Guarda acertou em cheio a aba do meu chapéu.
......
Bom, Pessoas... Este é um trecho de "O Jogo do Equilíbrio". A narrativa é bem diferente da que usei em "O Caçador", como podem ver.
Adoraria que deixassem aqui seus comentários sobre o texto. E, como um pouquinho de propaganda não faz mal... se alguém quiser saber como o Cyprien vai sair dessa, o livro já está à venda através do meu e-mail: anamerege@ig.com.br.
Abraços a todos,
Até a próxima!
Ana Lúcia
terça-feira, outubro 04, 2005
Ana Lúcia Merege no "Encontros com a Palavra"
Oi, Pessoas! Tudo bem?
Desde Domingo estou planejando escrever sobre o primeiro lançamento do meu novo livro, O Jogo do Equilíbrio (última capa aí ao lado; já está à venda através do meu e-mail!), e também sobre a experiência de dar uma palestra com um título tão abrangente e pretensioso quanto Literatura Mágica: da Odisséia a Harry Potter. Mas, como todo autor independente, estou correndo contra o tempo para fazer o que os editores e divulgadores deveriam estar fazendo por mim, ou seja, procurando novos espaços em que possa mostrar meu trabalho. No Sábado começo novo curso, em Novembro há três lançamentos marcados e... bom... vocês entendem, né?
Assim, deixo-os com a matéria do site oficial do Encontros com a Palavra, o evento patrocinado pela Prefeitura de Niterói em cujo âmbito se deu a minha palestra. Quando puder, editarei este post ou farei um outro contando minhas impressões, e talvez coloque mais uma ou duas fotos. Por enquanto, adianto que, apesar de ter um público reduzido (mas também, quem sai de casa às 4 da tarde, num Sábado ensolarado, para ouvir uma completa desconhecida falar de Literatura Fantástica?), fiquei muito feliz com a atenção recebida, e achei que essa primeira vez foi um bom “termômetro” para outras edições da palestra. Quem sabe até um curso completo de Literatura Mágica no futuro...?
A matéria está aqui . Chamo a atenção apenas para uma pequena confusão da redatora sobre o meu conceito acerca de Contos de Fadas: eles podem ser autorais, mas em geral não o são. Fora isso, acho que vocês podem ter uma idéia, mesmo em termos gerais, daquilo que falei e de como estava o ambiente com minha platéia pequena, porém seleta.
Abraços a todos!
Até breve!
Ana Lúcia
Desde Domingo estou planejando escrever sobre o primeiro lançamento do meu novo livro, O Jogo do Equilíbrio (última capa aí ao lado; já está à venda através do meu e-mail!), e também sobre a experiência de dar uma palestra com um título tão abrangente e pretensioso quanto Literatura Mágica: da Odisséia a Harry Potter. Mas, como todo autor independente, estou correndo contra o tempo para fazer o que os editores e divulgadores deveriam estar fazendo por mim, ou seja, procurando novos espaços em que possa mostrar meu trabalho. No Sábado começo novo curso, em Novembro há três lançamentos marcados e... bom... vocês entendem, né?
Assim, deixo-os com a matéria do site oficial do Encontros com a Palavra, o evento patrocinado pela Prefeitura de Niterói em cujo âmbito se deu a minha palestra. Quando puder, editarei este post ou farei um outro contando minhas impressões, e talvez coloque mais uma ou duas fotos. Por enquanto, adianto que, apesar de ter um público reduzido (mas também, quem sai de casa às 4 da tarde, num Sábado ensolarado, para ouvir uma completa desconhecida falar de Literatura Fantástica?), fiquei muito feliz com a atenção recebida, e achei que essa primeira vez foi um bom “termômetro” para outras edições da palestra. Quem sabe até um curso completo de Literatura Mágica no futuro...?
A matéria está aqui . Chamo a atenção apenas para uma pequena confusão da redatora sobre o meu conceito acerca de Contos de Fadas: eles podem ser autorais, mas em geral não o são. Fora isso, acho que vocês podem ter uma idéia, mesmo em termos gerais, daquilo que falei e de como estava o ambiente com minha platéia pequena, porém seleta.
Abraços a todos!
Até breve!
Ana Lúcia
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