quarta-feira, março 12, 2014

Dia do Bibliotecário



Pessoas queridas,

Embora, na maioria das vezes, eu me apresente aqui sob o meu outro chapéu - o de escritora de ficção fantástica - acho que a maioria sabe que sou bibliotecária, que tenho muito orgulho da minha profissão e que nos meus contos e romances sempre aparecem livros, bibliotecas e contadores de histórias.

Hoje, 12 de março, é o Dia do Bibliotecário, e eu não poderia deixar de homenagear meus colegas - esses profissionais dedicados, que estão por trás de todos os grandes ensaios e pesquisas e que vêm desempenhando seu papel, frequentemente em silêncio, desde os tempos do cuneiforme. E, claro, dar um sorrisinho ao me lembrar daqueles que dizem que nossa profissão vai acabar. Não vai: ela apenas continuará a se transformar, como já fez tantas vezes, na transição da tabuleta de argila para o papiro e depois para outros suportes, do rolo para o códice, do manuscrito á imprensa e agora a formas cada vez mais avançadas de edição e armazenamento digital. São muitos desafios, os paradigmas da profissão estão mudando, e pode ser que no futuro não haja mais uma formação acadêmica chamada Biblioteconomia, ou Ciência da Informação. Mas o que fazemos sempre será necessário.

E o que fizemos, até agora, ao longo destes quase trinta séculos merece atenção e respeito.

Parabéns, bibliotecári@s e amantes de bibliotecas!

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Obviamente, vocês sabem que a imagem acima é de um quadro do pintor italiano Giuseppe Arcimboldo (1527-1593), chamado... "O Bibliotecário". Mas eu tinha que informar de qualquer jeito. Esse é o orgulho e s alegria do meu ofício. :)

sábado, março 08, 2014

Dia Internacional da Mulher



Primeiro pensei que fosse a Chapeuzinho Vermelho. Depois, vi que era Anais Nin, retratada pela artista Lisa Congdon junto com outras 51 pioneiras no campo das letras, da ciência e das artes no projeto The Reconstructionists. O nome do projeto vem de Nin, assim como as palavras verdadeiras e admiráveis:

"A vida se encolhe ou se expande na mesma proporção da sua coragem".

Hoje, Dia Internacional da Mulher, sabemos que ainda temos muita luta pela frente a fim de garantir nosso espaço, respeito, direitos iguais. Nem por isso devemos deixar de celebrar, pois temos motivos para tanto, nem que seja apenas o fato de estarmos indo em frente.

E quando precisarmos de alento, é só olhar para trás e ver o quanto caminhamos.

quinta-feira, fevereiro 20, 2014

A Ilha dos Ossos : Pré-Venda e Promoção



Queridas Pessoas,

Chegou um momento que muitos aguardavam... Enfim, "A Ilha dos Ossos" entrou em pré-venda! Por um preço muito especial e com um brinde incrível, que é o e-book "A Saga de Thorold" - uma novela de 90 páginas, ou seja, um terceiro livro, ambientado nas Terras Geladas de Athelgard, inteiramente grátis!

E se vocês ainda não têm "O Castelo das Águias", melhor ainda: nessa promoção, os dois livros físicos mais o e-book de "Saga" saem todos por apenas R$ 49,90 - o mesmo preço que "A Ilha dos Ossos" terá nas livrarias!

Passem no site da Draco e confiram. Espero vocês para viver esta aventura!

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

O Solitário Andar Por Entre a Gente


Esta manhã, passando pelo parque a caminho do trabalho, avistei o grupo de terceira idade que pratica T´Ai Chi Chuan na clareira. O instrutor é um senhor de setenta ou mais, cabelos brancos e porte de atleta; os outros também são flexíveis e fortes, favorecidos pela genética e pelo fato de, possivelmente, haverem desde cedo se preocupado com a saúde do corpo e do espírito.

Menos aprumado, mas ainda assim positivo e operante, é o grupo de ginástica, também composto de idosos, com os quais os do T´Ai Chi partilham o espaço aberto. Não sei se há um professor; talvez eles se revezem conduzindo a sequência de movimentos fáceis, mas que já custam um bom esforço a alguns. Esses gemem ao se alongar e flexionar as pernas, enquanto outros riem, fazendo troça de si mesmos e dos companheiros; o ritmo varia uma escala inteira entre o mais lento e o mais allegro, é uma orquestra que afina instrumentos, mas, em meio à cacofonia, a música ainda se adivinha bela.

Na ponta da clareira, um último grupo de idosos está sentado ao redor de uma mesa de pedra e joga cartas. Ontem jogavam dominó, talvez um dia tenha havido uma mulher entre eles, as caras não são sempre as mesmas, porém lá estão todos os dias, salvo nos de chuva. Serão amigos de longa data, ex-colegas, primos e vizinhos; alguns devem ter se conhecido ali mesmo no parque, mas o que me faz pensar é que, para a maioria deles, são esses os amigos que terão até o fim da vida.

Não sei como estarei dentro de vinte, trinta, quarenta anos. Se cumprir as promessas que faço a mim mesma e tiver sorte, serei capaz de executar os movimentos do T´Ai Chi; se assim não for, espero estar bem o suficiente para, pelo menos, fazer parte do grupo de ginástica. E, de um ou de outro jeito, vou adorar se o inverno desta vida me reservar amigos com quem sentar, jogar e recordar os bons e velhos tempos.

Pois hoje, como sempre, a clareira ficou para trás, e eu ainda sou a mulher de cabelos grisalhos, que canta em voz baixa uma canção enquanto se afasta pela trilha entre as árvores. 

quinta-feira, janeiro 30, 2014

Abençoadas Pipocas


Todas as manhãs, minha empregada escuta o Padre falar no rádio. Não presto atenção, mas, de tanto passar para cá e para lá, já sei mais ou menos qual o teor do programa.

 Pelo que entendi, o Padre pede a seus ouvintes que deixem uma garrafa d´água perto do rádio, e essa água será abençoada por meio de sua oração. Isso é uma coisa que já vi entre os  kardecistas: eles dão “passes” sobre a água e a deixam energizada. Tudo dentro de uma tradição muito antiga, pois a água é fonte da vida, abençoada antes de tudo pela natureza. E é claro que os sacerdotes usaram isso em seus rituais, desde os primeiros xamãs ao Padre que fala no rádio.

Pois bem: hoje minha empregada me disse que ele também abençoa o sal. Eu nunca vi isso acontecer, mas ela põe o nosso saleiro perto do rádio, o que faz todo sentido, pois o sal também tem significados muito fortes: é o alimento do espírito (“sal da terra”, lembram?) e um símbolo de hospitalidade. Não sei se o Padre explicou isso aos ouvintes, mas sei que a moça seguiu as instruções, do mesmo jeito que faz com a água.

Quando ela me disse isso, minha reação foi brincar e dizer que ia me lembrar do Padre toda vez que usasse o saleiro; que íamos comer pipoca benta.  Mas na verdade, independentemente da oração – que eu acredito ser bem-intencionada e que, se bem não fizer, mal também não fará –, minha empregada espera atrair coisas boas não apenas para ela, mas também para minha família. Afinal, é a nossa casa, a nossa água, o nosso sal. Sobretudo o sal, raramente usado a não ser para fazer pipocas no final de semana, quando ela não está. Assim, as bênçãos são mesmo para nós... ou pelo menos o desejo de que sejamos abençoados.

E diante disso, mesmo não sendo religiosa, mesmo não dando muita bola para o tal Padre, não posso deixar de apreciar a magia simpática praticada sob o meu teto. Quem não?