terça-feira, outubro 09, 2012

Promoção "Estranhas Invenções"



Caríssimas Pessoas,

Chegou a hora de revelar o que eu estava preparando pra vocês. Ou o que nós preparamos, um grupo de escritores de Literatura Fantástica e os simpáticos Henrique e Alicia, que capitaneiam a novíssima Editora Ornitorrinco.

Para mim, tudo começou no ano passado, com um convite de Ademir Pascale para que escrevesse um conto sobre uma invenção. "Que tipo de invenção?", perguntei. "Coisa que exista ou inventada por mim, podendo ser algo tipo máquina do tempo?" Tanto fazia, assegurou Ademir, e o mesmo valia para a pergunta seguinte: o conto não precisava ser de Ficção Científica, poderia agregar alguma coisa de Fantasia.

Embora estivesse (como ainda estou) cheia de trabalho, fiquei animada com o convite, principalmente porque logo pensei em aproveitar uma ideia que já me dava voltas à cabeça: a de escrever um conto baseado nos personagens de Dickens, emulando inclusive (dentro das minhas possibilidades) seu estilo, ou pelo menos o estilo que eu estava acostumada a ler nas traduções que tenho de "Pickwick Papers", "Conto de Natal" e outras obras. Pickwick, aliás, era um personagem que não podia faltar, assim como os distintos senhores do seu Clube e seu criado Sam, enquanto o papel de cientista caberia ao otimista e desvairado Sr. Micawber de "David Copperfield". Quanto à máquina em si, acabou por ser a de leitura de sonhos - pretexto para citar, embora de leve, outros textos e outros personagens de Dickens - e seu funcionamento baseado nos princípios do magnetismo animal e do mesmerismo.

Se minha tentativa foi bem-sucedida do ponto de vista literário, só vocês podem dizer. Mas o conto foi publicado num livro bem legal, e estou em boa companhia, pois Estranhas Invenções conta com a participação de Ademir Pascale,Marcelo Bighetti, Daniel Borba, Mauricio Montenegro, Cesar Alcazar, Miguel Carqueija, Tibor Moricz, Alícia Azevedo e Jorge Luís Calife. Vale a pena conhecê-lo - e até o final do mês a Estante Mágica está possibilitando a seus leitores a chance de ganhá-lo, bastando para isso responder, nos comentários deste post:

- Qual a invenção que você considera até hoje a de maior importância e por quê?

Fácil, né? Bom, mais ou menos. A invenção citada tem de existir no mundo atual e sua justificativa tem de ser boa. Aquela que me convencer mais será a vencedora - sim, isso é subjetivo, mas se trata do poder de argumentação - e o autor da resposta levará o livro. A promoção será encerrada no dia 30 de outubro e o vencedor será anunciado, no máximo, até o dia seguinte.

Então, Pessoas, é isso. Mãos à obra. Se puderem ajudar a divulgar a promoção nas redes sociais, ficarei muito grata. Se apenas participarem, também. De qualquer jeito, voltem sempre! Fico feliz com sua presença aqui.

Até breve e um grande abraço!

...


Para quem ainda não sabe, temos, além desta, uma promoção rolando no blog oficial do Castelo das Águias. Passem lá e divulguem também. Agradeço!

Capa do livro "Estranhas Invenções" feita por Marcelo Bighetti sobre desenho de Leonardo da Vinci, a quem o livro é dedicado. Porque ele foi artista, inventor e possivelmente um cara meio estranho.

quinta-feira, outubro 04, 2012

Charles Dickens


Pessoas Queridas,

Para começar o mês com o pé direito, aqui vai um post que eu vinha planejando há um bom tempo. É sobre um escritor nascido há exatos duzentos anos sob o signo de Aquário, exatamente como esta que vos fala. A diferença é que não tenho a pretensão nem de chegar perto da excelência do incrível contador de histórias que foi Charles Dickens.

Natural de Portsmouth, Inglaterra, Dickens teve uma infância parecida com a de alguns dos personagens de seus livros. Tinha doze anos quando seu pai foi preso por dívidas, obrigando-o a deixar a escola e trabalhar em turnos de dez horas numa fábrica, o que marcou profundamente seu caráter e sua memória. A herança deixada pela morte da avó permitiu saldar as dívidas do pai e, algum tempo mais tarde, levar o jovem Charles de volta à escola, da qual sairia para trabalhar num escritório. Pouco tempo mais tarde, fez-se repórter e se interessou pelo teatro, mas não chegou a iniciar uma carreira como ator, embora os pendores dramáticos o tenham auxiliado, mais tarde, nas turnês de leitura que realizou na Grã-Bretanha e no estrangeiro.

O sucesso de algumas publicações de cunho jornalístico levou Dickens a receber uma proposta de publicação por parte dos editores Chapman e Hall,  e em 1836 surgiu seu grande sucesso, "The Pickwick Papers". A obra saiu de forma seriada, permitindo a Dickens escrever de acordo com a recepção obtida por parte do público. No mesmo ano, ele se tornou editor de um jornal, começou a escrever outro livro de sucesso, "Oliver Twist" e, ainda, se casou com Catherine Hogarth, com quem teria nada menos que dez filhos. O casamento, no entanto, foi infeliz e terminou em separação. Catherine deixou a casa com o filho mais velho e os demais permaneceram com o pai e com a tia materna, Georgina, que ficou ao lado de Dickens e passou a cuidar da casa e dos sobrinhos.

O sucesso e a fama de Dickens só fizeram crescer nos anos seguintes. Suas obras, cuidadosamente planejadas e retratando tipos interessantes da sociedade britânica - vários dos quais baseados em pessoas reais, algumas muito próximas do autor - continham humor, crítica social e muitas vezes uma boa dose de sentimentalismo, receita certa para as novelas de sucesso. Tanto as publicações seriadas quanto os livros eram lidos avidamente por toda a Inglaterra, e logo conquistaram também os Estados Unidos, onde Dickens realizou turnês por várias cidades, lotando teatros e levando seus leitores ao delírio.

Dentre os trabalhos mais conhecidos do autor, além dos já citados, estão o famoso "Conto de Natal" estrelado por Ebenezer Scrooge - adaptado e levado à tela em inúmeras versões - o autobiográfico "David Copperfield" e "Grandes Esperanças". O conjunto da obra lhe valeu ter sido considerado por muitos estudiosos o maior dos escritores ingleses vitorianos, elogiado, entre vários outros, por Leon Tolstoy e George Orwell. Por outro lado, Oscar Wilde, Henry James e Virginia Woolf criticaram a falta de profundidade dos personagens (la, la, la...) e a pieguice de algumas obras, em especial "A Pequena Loja de Curiosidades". Dickens foi também acusado de misógino, característica que um de seus biógrafos atribui ao ressentimento do autor por sua mãe, que não se apressou a tirá-lo da fábrica onde trabalhava, mesmo depois de terem recebido a herança.

Os últimos anos do autor foram conturbados. Em 1865, ele se envolveu num sério acidente de trem, no qual agiu como um herói, confortando os feridos e possivelmente salvando algumas vidas. Isso lhe forneceu material para uma história de fantasma, "The Signal Man", mas também lhe abalou os nervos, marcando o início de um período em que sua saúde se deteriorou. Ainda assim, ele realizou uma turnê de leitura pelos Estados Unidos e, mais tarde, uma "de despedida" na Inglaterra, Escócia e Irlanda.

Em junho de 1870, após ter passado um dia inteiro trabalhado em sua novela "O Mistério de Edwin Drood", Dickens sofreu um ataque cardíaco, do qual veio a falecer. Seu corpo foi sepultado no "Canto dos Poetas" da Abadia de Westminster, em Londres, contrariando o desejo do escritor de um sepultamento discreto na catedral de Rochester. "Edwin Drood", que já tivera algumas partes publicadas, permaneceu inacabado, por isso até hoje os estudiosos da obra de Dickens discutem quem seria o misterioso assassino.

...

Bem, Pessoas... O post está bem longo, mas esse é um autor sobre o qual há muito a dizer. Eu, que me deleitei com várias de suas obras na adolescência, especialmente o "Conto de Natal" e o "Pickwick", ainda descubro muita coisa legal na leitura e na releitura de Dickens. E tanto li e tanto descobri que resolvi homenagear, de um jeito que ia contar aqui, mas resolvi deixar para a semana que vem.

Afinal, como o próprio Charles Dickens constatou desde os tempos vitorianos, nada como um suspense para os próximos capítulos... :)

Abraços pra vocês,

Até breve!

Post ilustrado com o quadro "Dickens Dream", de Robert William Buss (1804 - 1875)

domingo, setembro 30, 2012

Top 5 e Entrevista no Pop Division



Pessoas Queridas,

O conteúdo deste post já foi bastante divulgado nas redes sociais, mas não quero deixar de linkar aqui duas entrevistas que saíram no final de setembro e que dizem bastante sobre mim e sobre minha obra.

A primeira obedeceu ao formato que já se tornou tradicional no blog da Editora Draco: o Top 5, em que os autores da casa falam das influências que nortearam seu trabalho. As minhas diferem um pouco da maioria, então quem ainda não viu e tem curiosidade de saber de onde saiu tanta "hipponguice" é só correr lá.

A segunda entrevista foi concedida ao meu colega de editora, Jim Anotsu, autor de Annabel e Sarah e do recentemente lançado A Morte é Legal. Aqui falo também de influências, mas vêm à baila assuntos como a minha formação teórica e posição em relação à literatura (e aos leitores) contemporâneos. Quem tiver curiosidade ou quiser manter um diálogo a respeito, clique então no blog do Jim, o Pop Division.

E como uma homenagem a esse autor que não se deixa fotografar sem (no mínimo) um saco de papel pardo na cabeça, este último post setembrino é ilustrado com o avatar do Andy, seu personagem do novo livro. ;)

No mais... Que venha outubro, e com ele novidades e boas surpresas!

Abraços a todos!

sábado, setembro 22, 2012

Antologia "Caminhos do Fantástico"




Pessoas Queridas,

Este post vai ser rápido, pois eu estou de saída para ir à Fantasticon 2012 em São Paulo. E, lá, participar da sessão de autógrafos - hoje, dia 22, às 14 h - deste livro que traz um conto diferente dos que costumo escrever.

Como todos sabem, minha praia é mais a Fantasia do que a FC. No entanto, como leitora, há trabalhos no gênero que eu curto muito. Posso citar principalmente os contos e livros que abordam questões sociais, tais como os de Ursula Le Guin e Aldous Huxley, mas também gosto de (alguns) autores mais hard. E entre eles os tradicionalmente maravilhosos A(simov), B(radbury) e C(larke).

Neste primeiro volume da série Caminhos do Fantástico, da Editora Terracota, de que participo como convidada, vocês terão em mãos um conto que homenageia alguns dos meus autores favoritos de FC, porém num contexto onde já é bem mais fácil me encontrar. É um conto leve e humorístico, ou pelo menos essa foi a intenção. Espero que gostem - ou, ao menos, perdoem... :)

Aqui vai o time completo reunido por Cláudio Brites e Sílvio Alexandre:

Alexandre Mandarino, Ana Lúcia Merege, Antonio Borgia, Bruna Dantas Lobato, Carlos Angelo, Cícero Leitão, Cristina Faga, Elisa Celino, F. Medina, Gilberto Garcia da Silva, Ícaro França, Leandra Lambert, Léo Nogueira, Luís Roberto Amabile, Marcelo Augusto Galvão, Marcelo Bighetti, Marta Rolim, Tibor Moricz.

...

Interfone tocando. A nave, quer dizer, carruagem, quer dizer... tá, o táxi já chegou. Até mais ver, pessoal!

quinta-feira, setembro 06, 2012

Excalibur e Entrevista com a Maga



Pessoas Queridas,

Este mês começa com muitas novidades, e estou feliz em partilhá-las com vocês.

Em primeiros lugar, encerrado o prazo para submissões, fiz algumas considerações sobre a coletânea "Excalibur", postadas no blog da Editora Draco. Lá informo também o número de contos que estão concorrendo a uma das cinco vagas, caso alguém ainda não tenha visto.

Outra coisa muito legal é que depois de alguns meses finalmente foi ao ar a entrevista que gravei em Porto Alegre com a Eddie Van Feu para o blog "Alcateia". Falo de todos os meus livros, principalmente de O Castelo das Águias, e deixo meu recado para quem está começando a escrever.

Vale dar uma curtida na edição do vídeo, com umas inserções completamente doidas, inclusive de uma águia de desenho animado, e a participação de um "floco de pelo andante" que aparece bastante antes de se revelar como a cachorrinha da Carol Mylius, que também foi quem gravou a entrevista. E, claro, tem as minhas mãos, que nunca param quietas. :)

Tenho outras novidades também muito legais, mas vou deixá-las para outro post, que virá em breve (ou talvez mais de um, aqui e no blog do Castelo). Neste resta apenas agradecer a participação de tanta gente boa na seleção para a Excalibur, as crescentes visitas aos dois blogs e o carinho de todos.

Setembro será mais um mês de muito trabalho. Mas já está valendo a pena.

Abraços e até breve!

Creio que não precisava dizer, mas eu digo. Em homenagem à "Excalibur" e à Eddie, este post é ilustrado com uma cena do desenho "A Espada era a Lei", dos Estúdios Disney.