A minha história se passa em uma casa modesta na cidade de Niterói...
Eu vivo com a família Pereira. Tem o pai, que é barrigudo e louco por pão doce, a mãe, que adora cozinhar, a avó, que é meio biruta, Carlotinha, de 12 anos, Biel, de 8, e a caçula, Paulinha, de 3. De vez em quando a tia vem visitar a família, as crianças adoram ela, pois está sempre contando piadas.
Estou com eles há poucos meses, mas já dá pra ver que são um pouco “atrapalhados”, a casa está sempre em confusão. Como daquela vez...
A mãe e Carlotinha estavam na cozinha preparando o jantar. Os menores estavam na sala brincando e a avó, assistindo à novela. De repente escutei o grito estridente de Carlotinha:
-Socooorro!!!
Todos correram para lá, ver o que estava acontecendo. Já eu resolvi ficar no meu cantinho. Só quando todos começaram a gritar, fui também.
E o que tinha acontecido? Tinha entrado um ladrão? O fogão tinha explodido? O teto havia desmoronado? Ou até quem sabe, o mundo tinha acabado? Não. A única razão para todos estarem gritando era nada mais, nada menos que uma simples barata!
E só por causa disso, a família estava enlouquecida. A mãe, encostada na parede, olhava amedrontada para a barata no chão, as crianças tinham subido na mesa e estavam gritando feito doidas, e a avó estava num canto rezando a Ave Maria. Como se não bastasse, entrou a tia, que, vendo a cena, levou as mãos à cabeça dizendo:
-Ai uma barata. Ai uma barata. Ai uma barata...- E assim continuamente.
Parecia que ninguém ia tomar uma atitude. Felizmente, nessa hora, o pai entrou em casa, vindo adivinha de onde? Da padaria, com um pacote cheio de pão doce.
-O que está acontecendo? Por que todos esses gritos?!
-A barata! A barata!- A mãe gritou.
- Uma barata, pai!- Disseram juntos Biel e Carlotinha.
-A “baiata”!!- Apontou Paulinha.
O pai, então, olhou para o chão, e viu a barata se aproximando, com aquelas anteninhas balançando. Na mesma hora, jogou o saco de pão doce para cima, e pulou na bancada da pia. A barata aproveitou a chance e entrou na sacola atraída pelo cheiro do pão doce. E os Pereira ali sem fazer nada, a não ser gritar e rezar.
Diante disso, percebi que eu teria de bancar o herói. Fui me aproximando de mansinho, e quando a barata menos esperava... Dei um golpe fatal na sacola onde ela estava junto de todo aquele pão doce.
Virei a sacola e abri, para que todos pudessem ver. Lá estava a barata esmagada em cima de um monte de creme amarelo. Os Pereira ficaram muito agradecidos. E enquanto eles desciam de onde estavam, respondi a todos com modéstia:
- Miiaaaaaaaaaauuuuuuuu!
domingo, abril 01, 2012
segunda-feira, março 26, 2012
Para Luciana, que além de tudo quer me ensinar a dançar
Canção para poder viver
Cassiano Ricardo
Dou-lhe tudo do que como,
e ela me exige o último gomo.
Dou-lhe a roupa com que me visto
e ela me interroga: só isto?
Se ela se fere num espinho,
O meu sangue é que é o seu vinho.
Se ela tem sede eu é que choro,
no deserto, para lhe dar água:
E ela mata a sua sede,
já no copo de minha mágoa.
Dou-lhe o meu canto louco; faço
um pouco mais do que ser louco.
E ela me exige bis, "ao palco"!
quinta-feira, março 22, 2012
Ecos do Passado: a Biodiversidade nos Manuscritos da Biblioteca Nacional
Pessoas Queridas,
Venho convidá-los para a mais recente mostra que organizei na Biblioteca Nacional, com 17 documentos originais, provenientes de algumas das nossas mais importantes coleções. Só para dar um "gostinho", eis o texto de abertura:
Com sua incrível variedade de espécies, a Natureza sempre exerceu um grande fascínio sobre nós. Desde a Antiguidade, estudiosos como Aristóteles e Plínio, o Velho se ocuparam em descrevê-la e explicá-la, conhecimento que foi transmitido às gerações seguintes e forneceu as bases para o Renascimento.
Na Era dos Descobrimentos, um novo mundo se descortinou perante os olhos dos viajantes. Logo surgiriam os primeiros relatos sobre o Brasil. Foram muitos, a começar pela carta de Caminha – que já antecipava a riqueza da terra brasileira – até o tratado de Gabriel Soares de Sousa, datado de 1587, que fornece explicações exatas sobre as plantas do Novo Mundo.
Os séculos XVII a XIX foram pródigos em expedições e descobertas. As viagens eram longas, cheias de percalços; os novos mapas eram traçados aos poucos, mas o deslumbramento era constante. E se a ação do homem desde cedo começou a interferir na vida selvagem, por outro lado não tardou a surgir a preocupação em preservar florestas e espécies ameaçadas.
Às vésperas da Rio + 20, conferência sobre desenvolvimento sustentável que terá lugar no Rio de Janeiro, a exposição “Ecos do Passado” reúne documentos que testemunham aquele período. Entre os manuscritos contam-se diários de viagem, relatórios acerca da situação das matas e ilustrações da fauna e da flora de um dos países mais ricos do mundo em biodiversidade. Em outras palavras, uma fusão entre os bens culturais e o patrimônio natural brasileiro.
...
Legal, não? Foi um trabalho que eu gostei de fazer e estou adorando compartilhar com nossos visitantes. Por isso convido vocês. A quem não puder vir, peço que ajude na divulgação, pois vale a pena!
Abraços e até a próxima!
segunda-feira, março 12, 2012
Oficina: Cantando, contando e dançando lendas brasileiras
Pessoas Queridas,
A semana começa com um convite enviado por duas experientes contadoras de histórias: minha xará Ana Lúcia Pó e minha amiga querida, Deka Teubl.
A todos que curtem e valorizam as lendas brasileiras, peço que ajudem a divulgar a oficina. Vale a pena!
Abraços a todos e até breve!
quinta-feira, março 08, 2012
Monogatari
Uma espada corta o ar num longo assovio. A outra separa do corpo a cabeça do oponente. Gotas de sangue escrevem no tatame o ideograma FIM.
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