segunda-feira, junho 13, 2011
História de Santo Antônio
Pessoas Queridas,
Hoje é dia de Santo Antônio - o santo casamenteiro, franciscano e português, para quem tanta gente faz promessas. As simpatias são inúmeras, e eu mesma cheguei a fazer algumas, na adolescência, mais por curiosidade do que por devoção: girar a casca de uma laranja sobre a cabeça enquanto ia dizendo as letras do alfabeto (arrebentou no G, mas casei com um João), quebrar um ovo na bacia à meia-noite, cravar a lâmina de uma faca no cabo de um bambu para que a seiva formasse uma letra. Essa não funcionou, talvez porque o bambu não tivesse seiva, mas aquela parte de mim que tem um respeito ancestral pelo folclore e crenças populares ficou... bem, só um “tiquinho” preocupada com a possibilidade de ficar para titia. O que, possivelmente, minhas sobrinhas teriam adorado.
Tempos atrás – se é que isso ainda não acontece, principalmente no interior – as pessoas tinham por hábito “chantagear” o santo, virando sua imagem ou estatueta de cabeça para baixo ou até mesmo pendurando-a sobre um poço a fim de conquistar o marido desejado. Muitas conversavam com ele, como a impagável “Carula”, vivida por Fernanda Torres no filme de André Klotzel, A Marvada Carne, de 1985. Zangada com Santo Antônio, que até agora não realizou seu sonho de arranjar um marido, ela atira a imagem pela janela, e esta vai cair na cabeça de “Nhô Quim” (Adilson Barros), cujo desejo é ainda mais singelo: comer carne de vaca.
O filme é um barato, misturando as peripécias do casal de caipiras com personagens do folclore brasileiro, e eu recomendo a todos que tentem assistir (ou vejam de novo, nem que seja pelas cenas de Dionísio Azevedo guardando o queijo na gaveta). Mas não é para falar sobre ele que estou aqui, e sim para contar uma história mais ou menos parecida, envolvendo Santo Antônio e uma moça chamada Luiza, que nessa época, idos dos anos 1950, era chamada pela família de Luizita.
Nascida no interior, mas criada no Rio de Janeiro, Luizita estava com 21 anos – o que para sua mãe, casada aos 17, já era mais que hora de arranjar um pretendente. Um dia, o irmão de Luiza apareceu em casa com uma novidade: uma imagem de Santo Antônio que tinha encontrado na rua, e que, por brincadeira, ofereceu à irmã. Luizita pôs a imagem em cima da cômoda e teria se esquecido dela se, no dia seguinte, não reparasse que estava de cabeça para baixo.
Pergunta daqui, pergunta dali, no fim a mãe admitiu ter virado o Santo Antônio para que lhe conseguisse um namorado. Luiza disse que não estava pensando naquilo e sim nos estudos – fazia faculdade de Letras – e devolveu o santo à posição normal. D. Abigail, porém, era tinhosa: voltou a virá-lo. Luizita desvirou, a mãe tornou a virar. Uma semana de vira e desvira e por fim Luiza resolveu acabar de vez com aquela história: do mesmo jeito que Carula, embora por outros motivos, jogou a imagem pela janela.
E aí? Bom, ele não caiu na cabeça de ninguém. No entanto, meses depois, Luizita foi apresentada a um rapaz da faculdade, que antes disso tinha estudado no seminário, pouco faltando para ser padre embora não franciscano. Ainda era muito católico e devoto. Crescera no Brasil, mas era português, nascido em Ferragudo, no Algarve.
E, para completar, se chamava... Antônio. Antônio Policarpo Correia, seu futuro marido. E meu pai, de quem, passadas várias luas, ainda sinto tanta saudade.
Bons festejos a todos,
Até a próxima!
quinta-feira, junho 09, 2011
Anima (música para inspirar)
ANIMA
Lapidar minha procura toda trama
Lapidar o que o coração com toda inspiração
Achou de nomear gritando... Alma!
Recriar cada momento belo já vivido e ir mais,
Atravessar fronteiras do amanhecer,
E ao entardecer olhar com calma e então...
Alma vai além de tudo que o nosso mundo ousa perceber
Casa cheia de coragem, vida,
Tira a mancha que há no meu Ser.
Te quero ver, te quero ser... Alma.
Viajar nessa procura toda de me lapidar
Nesse momento agora de me recriar, de me gratificar,
Te busco, alma, eu sei:
Casa aberta onde mora o mestre, o mago da luz,
Onde se encontra o templo que inventa a cor,
Animará o Amor onde se esquece a paz.
Alma vai além de tudo que o nosso mundo ousa perceber
Casa cheia de coragem, vida,
Todo o afeto que há no meu Ser.
Te quero ver, te quero ser...
Alma.
(Zé Renato/Milton Nascimento)
quinta-feira, junho 02, 2011
Eu Acredito: os selecionados
Pessoas Queridas,
O organizador da antologia Eu Acredito: Fadas e Duendes, Marcelo Paschoalin, divulgou ontem à noite a lista de contos aprovados. Foi uma difícil escolha entre mais de 30 textos, a maioria de boa qualidade literária e todos, sem dúvida, escritos com o coração. Aos participantes, obrigada!
Estes são os contos que se juntarão aos do organizador e aos das duas convidadas, Georgette Silen e eu:
- O duende amigo, de Fernando F. Fasoli
- Tricksters, de Tatiana Ruiz
- Crenças que fazem a diferença, de Milena Cherubim
- O ladrão da chuva, de Felipe Leonard
- O eco dos sinos, de Kamile Girão
- A morte secreta dos sonhos roubados, de Valentina Silva Ferreira
- Melodia dos aflitos, de Carol Chiovatto
- Suspiros, de Willian Rabelo
- Jornada ao arco-íris, de Mariana Albuquerque
- O sabor da queda, de Thiago de Paula Cruz
- Os últimos, de Daniel Cavalcante
- Um lugar seguro contra Eles, de Celly Monteiro e Yane Faria
Os textos estão sendo encaminhados à revisão, e eu começarei em breve a lê-los para escrever um prefácio. Portanto... leitores de LitFan, amigos do Povo Pequeno, aguardem notícias para breve! :)
Abraços a todos!
domingo, maio 22, 2011
O Cristal Encantado
Pessoas Queridas,
A Estante Mágica não é composta apenas de livros, mas também de impressões e memórias. Hoje quero falar sobre um dos filmes que mais marcaram a minha adolescência: O Cristal Encantado (no original, "The Dark Crystal"), dirigido por dois mestres de bonecos, Jim Henson e Frank Oz. O conceito inicial dos personagens foi de Brian Froud, conhecido por livros como Faeries (que eu tinha, emprestei e não me devolveram!) e que, mais tarde, ajudaria Henson e Oz em outro filme emblemático, Labirinto, estrelado por David Bowie.
O Cristal é de 1982 e eu assisti no cinema. Não sei se o lançamento aqui foi no mesmo ano, mas deve ter sido pelo menos próximo, portanto eu tinha alguma coisa como 13 ou 14. Na época escrevia (ou tentava escrever) romances históricos passados no Brasil, ainda não tinha lido O Senhor dos Aneis nem nada que se possa considerar fantasia épica, pelo menos que me lembre. Fui ao cinema com minha irmã, sem esperar muito do filme de animação - e o resultado é que voltei de lá com a cabeça cheia de imagens e sonhos.
O filme - quase todos devem ter visto - se passa, segundo o prólogo, num outro planeta, iluminado por três sóis. O lugar é habitado por duas raças chamadas Mystics e Skeksis, e a tradução brasileira enfatizou a dicotomia entre elas batizando-as de Místicos e Céticos. Os primeiros eram uma raça tranquila, que praticava a magia natural (tinham um xamã, um alquimista, um curandeiro, todo mundo vivendo na paz) e sua representação física era condizente: enormes e velhas tartarugas que entoavam o mantra Om. Já os Céticos eram uma detestável e assustadora sociedade de corte representada por abutres. O planeta contava ainda com uma raça de duendes camponeses, daquele tipo brincalhão e divertido, os Podlings, e com uma de - digamos - elfos, ou duendes aparentemente mais sofisticados, os Gelflings, dos quais restavam apenas um rapaz e uma moça. Isso por causa da perseguição dos Skeksis, já que uma profecia afirmava que os Gelflings iriam restaurar o Cristal há muito tempo quebrado e acabar com seu reino de terror.
Quando o filme começa, a profecia está prestes a se realizar, anunciada pelos três sóis que em breve entrarão em conjunção. O líder dos Místicos morre logo após ter revelado a Jen, o jovem Gelfling que é seu pupilo, que é seu destino "curar" o Cristal. Jen parte em busca do estilhaço que falta, daí se iniciando uma aventura que inclui seu encontro com a outra Gelfling, Kira (um dos momentos mais legais é quando ela revela o porquê de ter asas, ao contrário dele), um ataque à vila dos Podlings, uma visita às ruínas de uma cidade dos Gelflings e várias outras peripécias. O casal é também aliciado - e traído - por um Skeksi caído em desgraça, e cujas interjeições "hmmm! hmmm!" mexeram com meus nervos adolescentes.
E, no meio disso, acontece uma coisa interessante: toda vez que um Místico morria ou mesmo se feria, isso também acontecia com um dos Skeksis. Cada qual tinha no outro grupo seu correspondente. Espectadores de hoje, acostumados a esse tipo de filme e de aventura, teriam sacado o porquê de cara, mas eu só percebi no final, quando Jen consegue restaurar o Cristal e os Místicos se umem aos Skeksis, cada dupla se tornando um ser único e integral. Assim, eles conseguem transcender a outro plano de existência, deixando aos Gelflings (e aos Podlings sobreviventes) o conselho de viver sua vida sob a luz do Cristal.
É uma ideia simples? É. Funciona? Totalmente. Cinco anos após o lançamento do primeiro filme da série Star Wars a ideia de Yin e Yang - Bem e Mal como o lado "negro" e "luminoso" da mesma Força - era reforçada de forma ainda mais explícita, contribuindo para que a noção de Equilíbrio substituísse o maniqueísmo puro e simples. Com a partida dos Místicos e dos Skeksis, o planeta fica entregue a raças mais jovens, mais "terrenas", que vão errar, ter sentimentos negativos e atitudes pouco nobres, mas, em contrapartida, saberão compensar tudo isso. E no fim a Luz prevalece, e o Bem vence o Mal, como dizia uma cantiga num conhecido desenho animado da mesma época.
É dificil avaliar até que ponto meu trabalho posterior foi influenciado por esse ou qualquer outro filme. Sou escritora, e para além disso uma pessoa que é mais de palavras do que de imagens, por isso é mais fácil identificar as obras literárias que me marcaram. Mas a ideia da necessidade de equilíbrio entre as forças, da alternância de luz e sombra - e da aceitação da existência de ambas em todas as pessoas - essa eu creio que dá para perceber na maior parte dos meus textos. Sem falar nas imagens do filme, às quais eu volto de vez em quando para me emocionar e me inspirar para futuros trabalhos.
Enfim, O Cristal Encantado é um filme que recomendo a Místicos e Skeksis. Sabendo com certeza que, embora algumas pessoas se esforcem por provar o contrário, nenhum de nós é apenas um dos dois.
Abraços a todos,
Até a próxima!
quinta-feira, maio 19, 2011
Os Herdeiros dos Titãs
Pessoas Queridas,
A pedido do autor Eric Musashi, venho divulgar o romance épico Os Herdeiros dos Titãs, que acaba de ser lançado pela Giostri Editora. Primeiro volume de uma trilogia, o romance, segundo a sinopse, narra as lutas e revoluções travadas no período de decadência de uma civilização de 4.000 anos, agora sujeita aos caprichos de uma rainha e seus sacerdotes.
Para conhecer um pouco mais sobre o livro, o universo e os personagens, assistir ao booktrailer e até mesmo ler o primeiro capítulo (aproveitem, que nem todos os autores dão essa colher de chá!)basta acessar o blog oficial. Ou você pode ir direto para o teaser clicando aqui.
Boa leitura!
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