quinta-feira, março 17, 2011

Leprecauns


Pessoas Queridas,

Hoje é dia de São Patrício, evangelizador da Irlanda no século V e responsável pelo fato de muitos irlandeses se chamarem Patrick, ou Padraig, ou Padraic (e serem apelidados de Paddy). O dia é celebrado não apenas na Irlanda, mas também na maior parte dos lugares que receberam imigrantes daquele país: Estados Unidos, Canadá, Argentina, Austrália, entre outros. Recentemente, ligas irlandesas começaram a promover comemorações em lugares como o Japão e a Coréia.

No Brasil, até onde sei, ainda não há nada oficial, mas tudo é ocasião pra celebrar (o que é uma coisa ótima). Vários bares promovem festas, hoje até me convidaram para uma. Infelizmente não poderei ir, o que é uma pena: não sou muito chegada a Guinness, mas adoro música irlandesa. Mesmo assim, resolvi que não deixaria passar em branco – e por isso estou aqui, vestindo uma camiseta com um shamrock (o trevo de quatro folhas, que Patrício usava pra explicar a Santa Trindade) e pesquisando um dos meus temas favoritos, que é o Povo Pequeno. E dentro dele, mais especificamente, os Leprecauns.

A primeira pessoa que me falou sobre eles foi meu avô, Jorge Merege, que me contou a maior parte das histórias que ouvi na infância. Não lembro se ele tinha algum livro a respeito ou se vi a figura em outro lugar, talvez tenha sido a partir de algum desenho na TV, mas lembro que era nítida em minha mente a imagem do homenzinho barbudo, com um enorme chapéu verde, bancando o guardião do pote de ouro. Segundo meu avô, podia-se capturar o Leprecaun e obrigá-lo a entregar o pote, mas antes disso ele tentaria se livrar oferecendo-se para realizar desejos ou levar a tesouros ainda maiores. E, claro, sumiria num passe de mágica, rindo e zombando, se a pessoa cedesse.

Essas foram as informações que retive durante anos. Mais recentemente, pesquisando mitos celtas, encontrei fontes que ligam os Leprecauns (e outros tipos de seres pertencentes ao Povo Pequeno) ao clã divino conhecido como os Tuatha De Danann, os quais, vencidos por uma raça invasora, foram obrigados a viver em um mundo subterrâneo. Outras tradições os aproximam dos duendes que aparecem nos contos de fadas, como “Os Elfos e o Sapateiro”, dos Irmãos Grimm: além de guardar o pote de ouro, os Leprecauns empregariam seu tempo fazendo sapatos, e você só consegue encontrá-los se seguir o barulhinho do martelo deles batendo sola. Mais fácil que tentar achar o final do arco-íris... ;)

Nas histórias populares os Leprecauns são espertos, mas também meio ranzinzas e mal-humorados (qualquer relação com os anões que passaram ao imaginário da Alta Fantasia é mera coincidência). Tenho a impressão de que as imagens deles sorrindo, com ar bonachão, não correspondem às fontes mais tradicionais. Curiosamente, o aspecto físico, a cor e o estilo das roupas dos Leprecauns variam de acordo com o local da Irlanda onde são – digamos – encontrados: as roupas sempre são ou verdes ou vermelhas, mas podem ter corte militar, incluindo calças brancas e uma espada, ou parecer mais com as roupas de um cavalheiro. Em Kerry, a jaqueta tem até um número certo de botões: sete fileiras de sete.

A essa altura, vocês podem estar começando a se perguntar o que os Leprecauns têm a ver com São Patrício. Afinal, eles pertencem a uma tradição que perdeu força com a cristianização. No entanto, os irlandeses estão entre os povos que mais se orgulham e se esforçam por manter vivas suas raízes culturais, e conseguiram fazê-lo mesmo em tempos adversos, quando até o idioma gaélico foi proibido pelos dominadores ingleses. Hoje, a tradição é constantemente renovada por meio da arte, onde se harmonizam traços celtas e cristãos, criando obras tão belas quanto o Livro de Kells.

E tão simpáticas quanto um Leprecaun com um trevo na lapela. ;)

Grande abraço,

Até a próxima!

sexta-feira, março 04, 2011

Flores Y Librerias


Há 14 anos estive em Buenos Aires, por coincidência durante o Carnaval. É claro que conheci várias de suas livrarias, mas - não sei por que razão - não guardei seus nomes, nem gravei na memória as cenas referentes a essas visitas. Só os livros que comprei ficaram como recordação.

Talvez isso quisesse dizer que eu devia voltar um dia. E não é bom contrariar os augúrios. Por isso, depois de uma passada em Curitiba - outra cidade de ruas floridas - os Merege de Assis vão voar pra lá.

Abraços a todos,

Até a volta!

Ana

domingo, fevereiro 27, 2011

Adeus a Moacyr Scliar


Abrindo o Twitter esta manhã, dei de cara com a notícia da morte de Moacyr Scliar. Isso me entristeceu duplamente, primeiro porque perdemos um ser humano fantástico - quem conhece sua trajetória como escritor e médico sabe disso - segundo porque Moacyr é um dos maiores autores brasileiros dos últimos tempos.

Meu contato com sua obra se deu na adolescência, através do livro de contos A Balada do Falso Messias, que recomendo a qualquer um sem restrições. Depois, aos poucos, fui me apropriando do restante da obra - ou pelo menos parte dela, já que Moacyr era um escritor prolífero. De tudo quanto li, destaco o conto (ou será noveleta?) Os Contistas, onde todos nós, escritores, podemos nos ver retratados pelo menos em algum detalhe, e o magnífico romance O Centauro no Jardim, citado em vários estudos sobre ficção fantástica.

Não vou me estender em análises sobre Moacyr e seu trabalho. Outros o farão melhor que eu. No entanto, não quis deixar o momento em branco, sem ao menos uma nota como homenagem - uma das muitas que virão ao longo do dia e dos próximos dias, por parte de leitores como eu.

Muito obrigada por tudo, Moacyr.

Boa jornada.

terça-feira, fevereiro 22, 2011

A Memória Vegetal


Por estes dias chegou-me às mãos esta (mais ou menos) nova obra de Umberto Eco, que tantas vezes escreveu sobre questões ligadas ao livro e à sua história. O mais conhecido é sem dúvida o romance O Nome da Rosa, mas os interessados no tema deveriam conhecer as obras de não-ficção, como o curto e objetivo A Biblioteca e o recente Não Contem com o Fim do Livro, escrito em parceria com Jean-Claude Carrière, no qual os autores defendem a permanência do livro impresso apesar do E-Book, do Kindle e de todas as tecnologias de informação surgidas e ainda por surgir.

Neste A Memória Vegetal - título surgido a partir da materialidade dos livros, inclusive em formas anteriores aos códices, quando eram feitos de papiro - Eco volta a afirmar que o livro impresso tem um lugar insubstituível em nossa civilização, discorrendo ainda sobre as bibliotecas, o colecionismo, a bibliomania e vários outros tópicos que percorre ao mesmo tempo com erudição, clareza e bom-humor. Também não faltam revelações, desmistificações e curiosidades acerca do mundo dos livros e das edições, bem como uma pitada (aliás generosa) da fina ironia de Eco. Vocês, que como eu já devem ter escutado a pergunta infame de uma visita, "Mas você já leu todos esses livros?" na certa se sentirão vingados diante das três opções, do tipo "tolerância zero", apresentadas pelo autor como resposta.

Ou pelo menos darão uma boa risada. ;)

Grande abraço, espero que curtam a dica!

Ana

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Notícias do Castelo


Oi, Pessoas, tudo bem?

Não é minha intenção repetir aqui os posts do blog do Castelo das Águias. No entanto, assim como o desenho de Anna, o de Kieran - feito igualmente pela Allana Dilene - ficou tão legal que eu não podia deixar de divulgá-lo por aqui. Obrigada, querida amiga, por mais esse presente!

Outras notícias a respeito do Castelo, a começar por sua autora (ou seja, eu):

1. Semana passada, concedi uma entrevista para o Portal Cranik a convite do editor, escritor e promotor cultural Ademir Pascale. Ali, falo um pouco sobre a minha trajetória como leitora e escritora e conto como e onde surgiram as primeiras ideias que iriam desembocar no livro. Convido vocês todos a darem uma olhada.

2. O Castelo das Águias já está em pré-venda! Ele pode ser encomendado (com entrega prevista para 31 de março) nos seguintes lugares:

Editora Draco
Loja Estronha
Moonshadows RPG
Livraria da Travessa
Livraria Cultura

3. Por fim, pra quem participa daquela incrível rede de leitores, o livro também já está no Skoob, e... hum... bom, pode ser que acabe rolando algum sorteio para quem se mostrar interessado. ;)

...

Pois é, amigos. E aqui vou eu, impávida, rumo aos 42. Hoje não parece muito, mas em outros tempos já poderia ser bisavó. E com certeza teria ainda mais histórias pra contar ao redor da fogueira.

Abraços a todos,

Até a próxima!