sexta-feira, julho 02, 2010

A Infância do Mago, de Hermann Hesse



O desejo por todos os poderes mágicos acompanhou-me vida afora, sob formas tão diversas que às vezes eu mesmo custava a reconhecê-las (...). Volta e meia quis sumir dos meus livros, quis me rebatizar e me esconder por trás de nomes brincalhões e cheios de sentidos (...). Olhando para trás, vejo que toda a minha vida esteve sob o signo daquela vontade de ser mágico.

O trecho acima foi extraído de A Infância do Mago, de Hermann Hesse, que acaba de sair no Brasil sob o selo da José Olympio. Trata-se menos de uma autobiografia e mais de uma interpretação do que foram, para Hesse, os seus primeiros anos: um tempo em que tudo era relativo e maleável, em que um estranho duende lhe servia de guia e os textos mudavam de página no interior dos livros.

Esse tempo de sonho foi o ponto de partida para que Hesse, auto-denominado “Príncipe do Possível”, empreendesse sua longa jornada em busca de iluminação, da qual temos o privilégio de partilhar por intermédio de seus livros. Quem gostou de O Lobo da Estepe, Sidarta e O Jogo das Contas de Vidro fará bem em conferir este livrinho, que, passível de ser lido em meia hora, abre uma janela para o tempo e o lugar de origem de toda uma vida repleta de magia.

sexta-feira, junho 11, 2010

Saudemos a FantaZine!



Pessoas queridas,

Como devem ter percebido, ando - de novo - sumida do mundo online. Não quer dizer, porém, que não estou produzindo: criando, projetando, escrevendo e, dentro do possível, tentando partilhar os resultados desse trabalho.

Assim, entre as excelentes surpresas que venho tendo nos últimos tempos (curiosos? em breve eu conto as outras...), venho hoje destacar o lançamento de FantaZine, revista virtual dedicada à Literatura Fantástica e produzida por Alex Bastos com o apoio de Lucas Rocha. A primeira edição é dedicada a um tema muito em voga - os vampiros - e boa parte do material é dedicada a ele. Aliás, diga-se de passagem, um excelente material, que inclui contos, resenhas, ensaios de Ana Carolina Silveira e Antonio Luiz Costa e uma entrevista com a autora de Kaori, Giulia Moon.

Já eu faço minha estréia na coluna Estante Mágica falando sobre o que vem sendo minha bandeira nos últimos tempos: a divulgação da literatura fantástica nas escolas, o lugar onde, efetivamente, a maior parte das crianças e jovens tem contato com os livros. Principalmente aqui no Brasil.

A FantaZine pode ser baixada clicando aqui. Boa leitura!

E depois não se esqueçam de dizer o que acharam... Sua opinião é importante pra nós!

Até a próxima!

Ana Lúcia

terça-feira, maio 25, 2010

Um Hino Pr´esses Dias Estranhos

I DO NOT WANT WHAT I HAVEN´T GOT

I'm walking through the desert
and I am not frightened although it's hot
I have all that I requested
and I do not want what I haven't got
I have learned this from my mother
see how happy she has made me
I will take this road much further
though I know not where it takes me
I have water for my journey
I have bread and I have wine
no longer will I be hungry
for the bread of life is mine
I saw a navy blue bird
flying way above the sea
I walked on and I learned later
that this navy blue bird was me
I returned a paler blue bird
and this is the advice they gave me
"you must not try to be too pure
you must fly closer to the sea"
so I'm walking through the desert
and I am not frightened although it's hot
I have all that I requested
and I do not want what I haven't got

Sinéad O´Connor

sábado, abril 17, 2010

Males que vêm para bem

Pois é, Pessoas...

O tempo passou, a data chegou e o curso acabou não acontecendo. A causa foi provavelmente uma conjunção de fatores: o preço estabelecido, que para muitos é “salgado”, o horário, impossível para a maior parte das pessoas que trabalham, a especificidade do tema e, vamos assumir, o fato de a professora ser (ainda) quase completamente desconhecida. Procura houve, mas não o suficiente para começar uma turma, por isso a oficina de criação literária em Fantasia e FC vai ter que ficar para outra oportunidade.

As horas que gastei me preparando para isso, no entanto, não foram perdidas. Pelo contrário. Estudar, com mais profundidade que nunca, as teorias do conto e do romance foi fundamental para que eu pudesse dialogar com escritores, como venho fazendo nos últimos tempos, melhorar minha capacidade de análise de textos literários e, sobretudo, melhorar minha própria escrita. Especialmente no trabalho que estou fazendo em cima da primeira versão de “O Castelo das Águias” sob a orientação do editor da Draco, Erick Santos (um excelente editor, para quem não sabe). Se eu não tivesse revisitado e adquirido novas ideias sobre o processo de escrita, a revisão, a construção de mundos e personagens, tudo estaria sendo bem mais difícil agora.

O resultado vocês vão conhecer no segundo semestre deste ano, quando o livro for publicado. Para quem está trilhando o mesmo caminho de pedras, deixo algumas sugestões de leitura, que, se não puderem impedir, ajudarão pelo menos a amenizar a dor da “paulada” do editor ou do leitor crítico ao analisar seus originais.

GOTLIEB, Nádia Battella. Teoria do conto. São Paulo: Ática, 1991.

KING, Stephen. On Writing. New York, Pocket Books, 2001.

KOCH, Stephen. Oficina de escritores: um manual para a arte da ficção. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2008.

MARTIN, Philip (ed.). The Writer’s Guide to Fantasy Literature. USA : Kalmbach, 2002.

VOGLER, Christopher. A Jornada do escritor. Rio de Janeiro: Ampersand, 1997.

...

Que todos possam se inspirar com estas páginas... sabendo que transpirar é preciso!

Abraços, até a próxima!

Ana

sábado, março 20, 2010

Aprendendo juntos: oficina de criação literária


Pessoas,

Depois de vários cursos expositivos, fui, pela primeira vez, convidada para ministrar uma oficina literária. É um passo muito importante para mim, porque não vou apenas partilhar conhecimento e sim a própria vivência do ato de escrever.

Não preciso dizer que estou, ao mesmo tempo, feliz e ansiosa. Quero fazer o melhor possível, corresponder às expectativas, e estou me preparando para isso, mas sempre bate aquela insegurança: eu sei o suficiente? Vou saber transmitir o que sei? E se eu planejar uma coisa e, chegando lá, perceber que todos estão esperando algo completamente diferente?

De qualquer forma, respirei fundo e aceitei o desafio - e aqui estou, planejando o conteúdo do curso, selecionando leituras e exercícios e me preparando para enfrentar o que vier. Inclusive a possibilidade de não haver curso nenhum, por falta de procura. Claro que isso seria uma frustração... mas não uma perda total, visto que, ao me preparar, estou estudando e aprendendo bastante. E já tenho partilhado um pouco do que aprendi, ao vivo e na rede, com outros aspirantes a escritor. Só isso já vale o esforço dispendido.