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quarta-feira, maio 08, 2019

Um Poema de Paulo Leminski



Razão de Ser

Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece.
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?

Paulo Leminski

sexta-feira, maio 05, 2017

Para Quintana



Não lembro muito bem, mas creio que deve ter sido na primeira vez que visitei Porto Alegre com o então namorado João. Curiosamente, apesar de sermos do Rio, sem raízes gaúchas, nós dois curtíamos música nativista, e nessa viagem fomos assistir a um show do cantor João Chagas Leite. Nessa ocasião ouvi a linda canção Ave Sonora, ainda mais linda por homenagear um dos meus poetas favoritos, Mário Quintana – que foi jornalista, traduziu mais de cem livros, viveu solitário pela maior parte da vida e morreu na pobreza. Concorreu três vezes a uma vaga na Academia Brasileira de Letras, mas, apesar dos muitos poemas e muitos prêmios – inclusive da própria ABL --, nunca foi eleito. Razões alheias à magnitude da obra, como diz a letra de “Ave Sonora”, da autoria de Gilvan Retamoso Palma:

Ave sonora, saiba que agora
Não há censura nem linha dura pr'esta passeada
Ave sonora, vamos embora
Que a academia é só mania de quem tem plata
Que a academia é só mania de quem tem plata

Seja como for, hoje faz 23 anos que Mário Quintana se foi para o céu dos anjos e dos cata-ventos. Já o homenageei, anos atrás, com um poema que me recorda os saltimbancos de Athelgard, agora deixo aqui a canção dos conterrâneos e ainda um dos meus poemas favoritos. Conhecido, lá em casa, como o "Poema da Cabrinha".

A Canção da Menina e Moça

Uma paisagem com um só coqueiro.
 Que triste!
 E o companheiro?

Cabrinha que sobes o monte pedrento.
Só, contra as nuvens.
Será teu esposo o vento?

O meu esposo há de cheirar a tronco,
Como eu cheiro a flor.

Um coração não cabe num só peito:
Amor... Amor...

Uma paisagem com um só coqueiro...
Uma igrejinha com uma torre só...
Sem companheira... Sem companheiro...
Ó dor!

O meu esposo há de cheirar a tronco,
Como eu cheiro... como eu cheiro

A amor...

sexta-feira, novembro 11, 2016

sábado, janeiro 17, 2015

Poemas do Twitter



           E como inspiração anda escassa, principalmente para a poesia, o jeito foi usar o que escrevi nas redes sociais!

           Este site legal revirou as coisas que eu escrevi no Twitter e compôs dois belos poemas, um em forma de rondel e outro em forma de soneto. E não é que (ao menos em alguns pontos) eles fazem sentido?

           Pois fiquem aí com meus poemas twítticos!

De vista

por Ana Lúcia Merege

Que vai bem além da sexta-feira.
Águias têm exatamente ESSAS cores?
Que me asseguraram ser verdadeira
De Literatura tem vencedores
Eu vi, obrigada, Muito lindo!
Sei se vai adiante, mas está lá.
Pra que setor vc está indo?
Também. Mas a dublagem não está má.
Mas aqui dou a mão à palmatória.
Nova crônica na Estante!
Senta que lá vem história!
Opinião sobre a saga do navegante!!
Quer os livros com dedicatória!

***

Custa nada

por Ana Lúcia Merege

Sei se vai adiante, mas está lá.
Sobre vozes e pontos de vista.
Também. Mas a dublagem não está má.
E, se gostarem, ponham na lista.
Mas aqui dou a mão à palmatória.
Soltas. Sou bem explicadinha!
Senta que lá vem história!
A minha vida. (Brincadeirinha).
Eu vi, obrigada, Muito lindo!
Uma boa presidenta". É. Pois é.
Pra que setor vc está indo?
Que vai bem além da sexta-feira.
Pela apreciação e pelo carinho.
Que me asseguraram ser verdadeira.

***

           (E agora é oficial: está inaugurado o marcador "Besteirol" desta Estante Mágica! :)

           Até a próxima!

domingo, novembro 09, 2014

Pela palavra




De farelos do tempo
Vivem minhas palavras.
De quartos de hora roubados,
De territórios invadidos
No obscuro reino do sono.

De preciosas migalhas
Alimento universos
Que se expandem à sombra de ausências.

De paixão e tenacidade
Esculpo meu ofício,
Profissão de fé.
Nem ganha-pão : : sacerdócio.

Que os deuses deste mundo me aprisionaram.
E os do Outro Mundo me tocaram a língua. 

*******

Imagem retirada daqui.

quinta-feira, junho 05, 2014

Federico García Lorca


         Quando criança, e principalmente durante os anos de uma adolescência menos tranquila do que supõem os que conhecem a Mulher Grisalha, eu costumava ter "manias". Nada doentio, se bem que um pouco obsessivo: eu encontrava um assunto que me interessasse e começava a ler e pesquisar tudo que encontrasse sobre ele, o que, naqueles tempos anteriores à Internet, se resumia aos livros em que pudesse fisicamente pôr as mãos. Lembro-me da "mania" dos egípcios (quando eu queria ser arqueóloga), dos romanos, dos curupiras (não me perguntem) e, um pouco mais tarde, dos ciganos, reais ou romantizados. Outras viriam mais tarde, e creio que a maior parte delas me ajudou a reunir a razoável bagagem literária e cultural que acredito possuir hoje em dia.

         Aos 13 anos, na época da "mania" dos ciganos, conheci o trabalho de um escritor que até hoje me encanta, o espanhol Federico García Lorca. O primeiro contato se deu através de uma das muitas antologias que meus pais recebiam em casa (era um trecho da peça "Bodas de Sangue") e uma pesquisa enciclopédica me levou a descobrir, e fazer tudo para encontrar, um de seus livros de poemas, "Romancero Gitano". No aniversário de 14 anos ele chegou em casa, com uma bela dedicatória de mamãe e acompanhado de um segundo livro, a edição brasileira de "Cem Anos de Solidão", de García Márquez, pois segundo ela teve dó de me presentear apenas com o "Romancero". Era tão fininho! :)

         Pois sim, Dona Luizita, era um livro bem fino, mas fez o deleite de sua filha mais nova. E não sem razão! Naqueles poemas, encontrei belas sonoridades e imagens riquíssimas, em que a natureza - ventos, metal, lua, juncos - representa e confere uma dimensão universal à alma e à vida dos gitanos. Nos poemas desse livro e nos que eu leria mais tarde, bem como nos textos dramáticos - "Yerma", principalmente -, encontrei muita coisa que me fez pensar, muitas ideias para futuras pesquisas (sendo os "gitanos" andaluzes, que também são os moçárabes, tema da minha monografia e de alguns artigos) e, ainda, inspiração para os rabiscos literários que acabaram resultando na criação de personagens como RaymondZemel Cyprien. Mais que o prazer obtido na leitura, a obra de García Lorca me proporcionou o bem precioso que é a verdadeira "matéria para os sonhos": o alimento para a alma do escritor e do artista.

ROMANCE SONÁMBULO 
(fragmento)

Verde que te quiero verde. 
Verde viento. Verdes ramas. 
El barco sobre la mar 
y el caballo en la montaña. 
Con la sombra en la cintura 
ella sueña en su baranda, 
verde carne, pelo verde, 
con ojos de fría plata. 
Verde que te quiero verde. 
Bajo la luna gitana, 
las cosas le están mirando 
y ella no puede mirarlas.

         Nascido a 5 de junho de 1898, Federico García Lorca foi assassinado aos 38 anos de idade. Há controvérsias sobre os motivos que acarretaram sua morte, mas as teorias mais aceitas apontam para razões políticas: opondo-se à repressão dos humildes pelos poderosos, o escritor teria sido uma das primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola. Mas sua voz continua a ecoar no verde vento e nas verdes ramas.

         

segunda-feira, maio 05, 2014

Mário Quintana : 1906 - 1994



Eu faço versos como os saltimbancos
Desconjuntam os ossos doloridos.
A entrada é livre para os conhecidos...
Sentai, Amadas, nos primeiros bancos!

Vão começar as convulsões e arrancos
Sobre os velhos tapetes estendidos...
Olhai o coração que entre gemidos
Giro na ponta dos meus dedos brancos!

“Meu Deus! Mas tu não mudas o programa!”
Protesta a clara voz das Bem-Amadas.
”Que tédio!” o coro dos Amigos clama.

“Mas que vos dar de novo e de imprevisto?”
Digo... e retorço as pobres mãos cansadas:
“Eu sei chorar... Eu sei sofrer... Só isto!”

.....

Pessoas queridas,

Há exatos vinte anos perdíamos Mário Quintana para o céu dos anjos e dos cata-ventos. Para recordá-lo, compartilho este poema que sempre me faz lembrar dos saltimbancos de Athelgard, embora - claro - eles sejam um pouco menos líricos e muito mais patifes. :) Espero que gostem!

segunda-feira, abril 28, 2014

Desejo de Regresso: Poema de Cecília Meireles

Pessoas Queridas,

Não é aniversário, nem aniversário de sua morte (embora este ano se complete o cinquentenário), é apenas um tipo estranho e feliz de nostalgia que está me fazendo reler Cecília Meireles.



Resolvi compartilhar isso com vocês, sem links para seus textos ou biografia (a rede está repleta deles, é só procurar!), mas ilustrando com um desenho de Cecília em Lisboa - feito por seu primeiro marido, Fernando Correia Dias - e com um poema que eu levei copiado num caderno quando fui passar três anos em Portugal. Espero que vocês também gostem.

Desejo de Regresso

Deixai-me nascer de novo,
nunca mais em terra estranha,
mas no meio do meu povo,
com meu céu, minha montanha,
meu mar e minha família.

E que na minha memória
fique esta vida bem viva,
para contar minha história
de mendiga e de cativa
e meus suspiros de exílio.

Porque há doçura e beleza
na amargura atravessada,
e eu quero memória acesa
depois da angústia apagada.
Com que afeição me remiro!

Marinheiro de regresso
com seu barco posto a fundo,
às vezes quase me esqueço
que foi verdade este mundo.

(Ou talvez fosse mentira…)

quinta-feira, dezembro 05, 2013

Sonetos e Limeriques : Lançamentos no Rio


A primeira vez que eu pus o dedão do pé numa cachoeira, ele estava lá. Era com ele que eu estava acampando quando conheci meu marido. Agora, anos depois, ainda falamos sobre nossas vidas, nossos filhos e nossos sonhos.

Pois esse moço, Evandro von Sydow Domingues, professor da área de Letras como meus pais, irá lançar aqui no Rio dois livros de poemas: "Sonetos para Pampinea" e "Limeriques para o Dante". Dante é o filho do Evandro, e deixo a seu pai, poeta que é, o prazer de apresentá-lo.


Assim como, creio, o filme de animação australiano Mary & Max foi o primeiro a “tematizar” diretamente a Síndrome de Asperger, digo, com alguma pretensão, que o despretensioso livrinho de poemas Limeriques para o Dante é o primeiro livro de poesias para crianças e adultos escrito no Ingá que “tematiza” a síndrome de West.

O livro é, de certo modo, uma biografia nada ortodoxa e sobretudo não autorizada do Dante.

Dante é um lindo que em 19/12/2013 completa 5 anos. Aos 4 meses de idade, foi diagnosticado com síndrome de West. Hoje acho que o que ele tem é autismo mesmo, decorrente da SW.

O dia com uma criança com SW tem lá seus momentos de pânico, mas conviver com o Dante é uma alegria maior do que eu esperava poder sentir. Produz perplexidades, canseiras, sorrisos, amor infinito. E, de quebra, limeriques.

O lançamento de Limeriques para o Dante será na Livraria Al-Farabi no dia 10 de dezembro, das 18 às 22 horas. Outro livro estará sendo lançado, o Sonetos para Pampinea.


...

Então é isso, pessoal. A Livraria Al-Farabi fica na Rua do Rosário, 30 - aqui pertinho, no centro do Rio. Eu estarei lá prestigiando meu amigo, e todos vocês estão convidados a bater um papo com a gente. Apareçam... e agreguem! :)

Dante e Evandro retratados por Beto Pimentel.

terça-feira, setembro 17, 2013

A Floresta: um Poema de Gibran


Pessoas queridas,

Fosse vivo, o maior mestre que tive na vida e na arte de contar histórias faria hoje 107 anos. Já lhe dediquei livro e contos, já poemei aqui, já partilhei e passei adiante muito do que aprendi com ele, mas a saudade sempre permanece. Não como dor, felizmente: é preciso saber superar. Mas como querer bem e vontade de nunca esquecer.

Se vocês clicaram no link acima viram que eu não estou falando de Gibran. Mas o escritor foi um grande mestre, e libanês como meu bisavô, pai de Jorge, que aqui chegou como mascate e que também se chamava Khalil.

Então, em homenagem a essas raízes que temos em comum, deixo aqui um de meus poemas favoritos de Gibran. E um que afirma muitas das coisas que aprendi com meu avô.

Na Floresta

Na floresta não existe nem rebanho, nem pastor
Quando o inverno caminha, segue seu distinto curso, como faz a primavera
Os homens nasceram escravos daquele que repudia a submissão
Se ele um dia se levanta, lhes indica o caminho, com ele caminharão.
Dá-me a flauta e canta!
O canto é o pasto das mentes,
e o lamento da flauta perdura mais que rebanho e pastor

Na floresta não existe ignorante ou sábio
Quando os ramos se agitam, a ninguém reverenciam
O saber humano é ilusório como a cerração dos campos
que se esvai quando o sol se levanta no horizonte.
Dá-me a flauta e canta!
O canto é o melhor saber,
e o lamento da flauta sobrevive ao cintilar das estrelas

Na floresta só existe lembrança dos amorosos
Os que dominaram o mundo e oprimiram e conquistaram,
seus nomes são como letras dos nomes dos criminosos
Conquistador entre nós é aquele que sabe amar
Dá-me a flauta e canta!
E esquece a injustiça do opressor
Pois o lírio é uma taça para o orvalho e não para o sangue.

Na floresta não há crítico nem censor
Se as gazelas se perturbam quando avistam o companheiro,
a águia não diz: ‘Que estranho’
Sábio entre nós é aquele que julga estranho
apenas o que é estranho.
Ah, dá-me a flauta e canta!
O canto é a melhor loucura
e o lamento da flauta sobrevive aos ponderados e aos racionais.

Na floresta não existem homens livres ou escravos
Todas as glórias são vãs como borbulhas na água
Quando a amendoeira lança suas flores sobre o espinheiro,
não diz: ‘Ele é desprezível e eu sou um grande senhor’
Dá-me a flauta e canta!
Que o canto é glória autêntica,
e o lamento da flauta sobrevive ao nobre e ao vil.

Na floresta não existe fortaleza ou fragilidade
Quando o leão ruge não dizem: ‘Ele é temível’
A vontade humana é apenas uma sombra que vagueia no espaço do pensamento,
e o direito dos homens fenece como folhas de outono
Dá-me a flauta e canta!
O canto é a força do espírito,
e o lamento da flauta sobrevive ao apagamento dos sóis.

Na floresta não há morte nem apuros
A alegria não morre quando se vai a primavera
O pavor da morte é uma quimera que se insinua no coração
Pois quem vive uma primavera é como se houvesse vivido séculos
Dá-me a flauta e canta!
O canto é o segredo da vida eterna,
e o lamento da flauta permanecerá após findar-se a existência.

domingo, maio 19, 2013

Um Poema de Rumi


Nestas primeiras horas de domingo, abrindo o note e tentando criar coragem para encarar as últimas páginas do livro - porque acabar de reescrevê-lo será um tipo de orfandade - encontrei um belo poema em minha caixa postal. Seu autor é Rumi, como ficou conhecido Jalal Ud-Din Rumi (1207 - 1273), um dos maiores poetas sufis, cuja obra de mais de 50.00 versos é quase inteiramente dedicada ao amor místico.

Eu conhecia alguns trabalhos de Rumi desde a época da faculdade, quando o li para minha dissertação de final de curso, mas não conhecia os versos, enviados esta noite por minha amiga Vania Vidal. Vania e eu temos uma espécie de sintonia que mais ou menos nos faz perceber como a outra se sente. Eu acho que isso acaba de acontecer mais uma vez.

Assim, para inspirar este início de domingo e o fim de mais uma etapa da minha jornada, ficam aqui os versos de Rumi:

Não durmas,
senta-te com teus pares

A escuridão oculta a água da vida.
Não te apresses, vasculha o escuro.
Os viajantes noturnos estão plenos de luz;
não te afastes pois da companhia de teus pares.

Faltam-te pés para viajar?
Viaja dentro de ti mesmo,
e reflete, como a mina de rubis,
os raios de sol para fora de ti.

A viagem conduzirá a teu ser,
transmutará teu pó em ouro puro.

Sofreste em excesso
por tua ignorância,
carregaste teus trapos
para um lado e para outro,
agora fica aqui.


.....

Ilustração: miniatura de Rumi por Hussein Behzad

sexta-feira, março 01, 2013

Um Poema de Zitkala-Sa


The voice of the Great Spirit is heard
Into the twittering of birds,
The rippling of mighty waters,
And the sweet breathing of flowers.
If this is Paganism, then at present, at least,
I am a Pagan.
...
Pessoas Queridas,

Não sei se já viram, mas há um lance muito legal rolando no blog Livros de Fantasia. Perguntas sobre meu trabalho, a vida de escritora, Athelgard e muito mais podem ser deixadas lá; eu responderei a todas, e o site premiará com marcadores as que forem consideradas mais interessantes. Espero contar com a participação de vocês.

As respostas serão dadas dentro de alguns dias, mas, como uma das perguntas foi sobre a inspiração para criar Anna de Bryke, veio-me à mente uma autora que li há algum tempo e cujo trabalho me encantou. Ela, Zitkala-Sa, foi de certa forma uma Mestra de Sagas como Anna: transitando entre sua cultura de origem (Dakota Sioux) e a europeia, compilou histórias tradicionais de seu povo, foi co-autora da primeira ópera de temática nativo-americana e teve uma intensa participação na política da época, sempre lutando pelos direitos dos nativos.

Para iniciar o mês de março com o pé direito, deixo, então, esse poema de Zitkala-Sa, que tem a ver também com Anna e diz muito sobre mim. Ou o poema tem a ver comigo e a autora com Anna? Tanto faz. A essa altura acho que todo mundo sabe que Anna de Bryke sou eu. :)

Até a próxima!
...
Imagem: "Great Spirit", tirada daqui.

domingo, fevereiro 17, 2013

Initiation Song From the Finders´ Lodge - um poema de Ursula K. Le Guin



Please bring strange things.
Please come bringing new things.
Let very old things come into your hands.
Let what you do not know come into your eyes.
Let desert sand harden your feet.
Let the arch of your feet be the mountains.
Let the paths of your fingertips be your maps
and the ways you go be the lines on your palms.
Let there be deep snow in your inbreathing
and your outbreath be the shining of ice.
May your mouth contain the shapes of strange words.
May you smell food cooking you have not eaten.
May the spring of a foreign river be your navel.
May your soul be at home where there are no houses.
Walk carefully, well loved one,
walk mindfully, well loved one,
walk fearlessly, well loved one.
Return with us, return to us,
be always coming home.


...

Pessoas Queridas,

Voltando de viagem e ainda me reorganizando, deixo aqui este poema retirado de "Always Coming Home", um dos meus livros preferidos da grande Ursula K. Le Guin.

Em 2004 escrevi um texto sobre ela, uma das minhas autoras preferidas, criadora da Escola de Roke, que foi uma grande inspiração para o Castelo das Águias. Ao lê-lo vocês saberão que a civilização dos Kesh também teve alguma influência na criação da cultura de Bryke/Floresta dos Teixos, mas também saberão um pouco mais sobre a autora e encontrarão um link para a sua página. Quem tiver interesse pode clicar aqui.

No mais... A vida volta a seu rumo e o livro novo está a caminho. Tenham uma ótima jornada! A gente se encontra mais lá adiante.

segunda-feira, maio 07, 2012

Oração do Escritor


Texto nosso que estais publicado,
Bem-empregado seja o vosso espaço.
Venha a nós o feedback.
Seja entendida a vossa mensagem
Assim na tela como no papel.
O leitor nosso de cada dia nos dai hoje.
Perdoai as nossas falhas
Assim como nós perdoamos a quem nos tem criticado.
Não nos deixeis cair no esquecimento
Mas livrai-nos do troll.

segunda-feira, março 26, 2012

Para Luciana, que além de tudo quer me ensinar a dançar


Canção para poder viver

Cassiano Ricardo

Dou-lhe tudo do que como,
e ela me exige o último gomo.

Dou-lhe a roupa com que me visto
e ela me interroga: só isto?

Se ela se fere num espinho,
O meu sangue é que é o seu vinho.

Se ela tem sede eu é que choro,
no deserto, para lhe dar água:

E ela mata a sua sede,
já no copo de minha mágoa.

Dou-lhe o meu canto louco; faço
um pouco mais do que ser louco.

E ela me exige bis, "ao palco"!

quinta-feira, novembro 03, 2011

Rabindranath Tagore


Pessoas Queridas,
Hoje, na Biblioteca Nacional, precisei catalogar um documento em páli, um idioma indoeuropeu que atualmente é estudado com o fim de decifrar e interpretar textos budistas (antes que alguém pense que eu sei ler em páli, não se precipitem: bibliotecários descrevem documentos com base em dados fornecidos pelos doadores, instrumentos de pesquisa e outras fontes, não necessariamente precisam ler aquele idioma. Ufa!).

A peça é linda, escrita em preto e ouro sobre folha de palmeira laqueada. Para quem vier ao Rio, vale uma visita aqui ao Setor de Manuscritos, sem falar que se me avisarem antes podemos tomar um café; mas não é desse documento que eu quero falar, e sim num autor de que me recordei, depois de muito tempo, devido a uma confusão inicial com os idiomas.

O autor é Rabindranath Tagore, que viveu entre 1861 e 1941 e não escrevia em páli, mas sim em bengali, tendo se afirmado como o mais importante nome dessa literatura. Autor de dramas, hinos, poemas, contos e romances, foi um grande batalhador pela arte e pela cultura bengali, defendendo principalmente o entrelaçamento entre a música e a poesia – compôs cerca de 2.000 canções, fundindo a música hindustani a tradições folclóricas de diferentes partes da Índia, sobretudo de Bengala, sua terra natal.

O prestígio de Tagore não se limitou à Índia. Em 1913, ele se tornou o primeiro autor asiático a receber o Prêmio Nobel de Literatura; dois anos depois recebeu da Coroa Britânica o título de Sir, ao qual renunciou em 1919 como forma de protesto à política britânica no Punjab. Mas Tagore não ficou sem título nenhum: além do Nobel, recebeu de seu amigo, o Mahatma Gandhi, a denominação de Sentinela da Índia. Outro admirador foi William Butler Yeats (já contemplado com um post aqui na Estante), que escreveu a apresentação da edição inglesa de Gitanjali, um dos mais famosos livros de Tagore.

Anos atrás, li alguns contos e poemas de Tagore traduzidos para o português, e fiquei com uma ótima impressão. Agora, lembrando-me dele, fui procurar material na rede e me deparei com uma preciosidade: um livro inteiro colocado à disposição do público. A tradução do bengali para o inglês é do próprio autor, de forma que é quase como ler no original. E ainda tem belas ilustrações, que casam perfeitamente com a prosa poética desse The Crescent Moon.

Espero que vocês tirem uns minutinhos para passar os olhos pelo livro. Vale a pena. E só para dar um gostinho separo aqui meu poema predileto, que fala... bom, de fadas, é claro. De que mais? :)

FAIRYLAND

If people came to know where my king’s palace is, it would vanish
into the air.
The walls are of white silver and the roof of shining gold.
The queen lives in a palace with seven courtyards, and she
wears a jewel that cost all the wealth of seven kingdoms.
But let me tell you, mother, in a whisper, where my king’s
palace is.
It is at the corner of our terrace where the pot of the tulsi
plant stands .
The princess lies sleeping on the far-away shore of the seven
impassable seas.
There is none in the world who can find her but myself.
She has bracelets on her arms and pearl drops in her ears; her
hair sweeps down upon the floor.
She will wake when I touch her with my magic wand and jewels
will fall from her lips when she smiles.
But let me whisper in your ear, mother; she is there in the
corner of our terrace where the pot of the tulsi plant stands.
When it is time for you to go to the river for your bath, step
up to that terrace on the roof.
I sit in the corner where the shadow of the walls meet
together.
Only puss is allowed to come with me, for she know where the
barber in the story lives.
But let me whisper, mother, in your ear where the barber in
the story lives.
It is at the corner of the terrace where the pot of the tulsi
plant stands.

....

Bons sonhos e até a próxima!

terça-feira, junho 28, 2011

Por que Sumi e Tantas Outras Coisas


Pois é, eu sempre digo: Nevermore!
Mas então vêm novos convites,
Novas propostas, novos desafios.
Perto ou longe, eles são coisas tão brilhantes
Quanto ouro da montanha.
Corvo nenhum resiste.

terça-feira, fevereiro 01, 2011

A Décima Espiral


Que a vida não nos separe,
Minha pequena fada,
Minha bailarina.

Que nos teus cabelos,
Espirais do tempo,
Brilhe sempre um Sol que me guie.

Que os caminhos se abram,
Que os barcos não naufraguem,
Que as pontes sempre resistam
Ao peso dos meus velhos passos.

E que ao fim de cada jornada
Haja tempo para um abraço
E para contar histórias.

Para Luciana, em seus 10 anos.

quinta-feira, maio 07, 2009

Mais um poema dos meus 20 anos...

(... só que agora eu tenho mais!)


Presença

Às vezes um espírito me segue.
Eu não o chamaria anjo ou demônio,
consinto apenas que venha e se apegue.

Às vezes, se medito na clareira,
ele brinca entre os troncos, e me espreita.
Sua presença é atenta e companheira.

Às vezes temo que ele me apareça
tal como é; e no meu despreparo
para enfrentá-lo, ele se vá e me esqueça.

Às vezes me pergunto o que seria.
Não sei se ele me ama ou se me odeia,
apenas me observa, noite e dia.

Às vezes, se repouso, sem que eu veja
ele se achega e penetra em meus sonhos
e a um tempo só me atemoriza e beija.

E então eu sinto que a resposta é esta:
quem me acompanha é o Guardião do Dharma,
lembrando o pouco tempo que me resta.

quinta-feira, outubro 30, 2008