Mostrando postagens com marcador Pessoais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pessoais. Mostrar todas as postagens
sábado, dezembro 31, 2016
terça-feira, dezembro 20, 2016
Cena no Mercado
Um pouco mais cedo, estava eu no mercado quando entreouvi a conversa de dois desconhecidos. Um homem e uma mulher, muito distintos, nos seus sessenta e poucos ou setenta anos. A conversa parece ter começado com um comentário casual sobre a aparência das batatas, e logo o senhor estava explicando seu método de fazer batata frita de forno, crocantíssima, com azeite e sal grosso.
Ela disse que gostava de fazer isso com lascas de berinjela.
Ele disse que devia ser uma delícia e contou que sabe fazer todas as sobremesas italianas, panna cota, tiramisu.
Ela disse que não é de comer doce e gosta mesmo é de bacalhau assado, mas não compensa fazer para uma pessoa só, e hoje em dia ela é sozinha.
Ele concordou e suspirou, dizendo que a pessoa, quando gosta de cozinhar, não faz para si, ela quer mesmo é ver os outros comendo e elogiando sua comida, e ele também não tem para quem cozinhar.
Ô, seu Espírito de Natal, essa era sua deixa para fazer esses dois cearem juntos, não era não?
quarta-feira, dezembro 14, 2016
Exposição "Saint-Hilaire e as Paisagens Brasileiras" na Biblioteca Nacional
Pessoas Queridas,
De hoje até o final de fevereiro, a Biblioteca Nacional abriga esta mostra com curadoria de servidores da casa, coordenados por mim. Estão todos convidados a nos prestigiar!
Com sua grande diversidade de fauna e flora, rios caudalosos e matas impenetráveis, o território brasileiro sempre foi visto com fascínio pelos cientistas estrangeiros. Suas jornadas pelo país tiveram como resultado não apenas a descoberta e o conhecimento de novas espécies, mas também saborosos relatos sobre o Brasil e seus habitantes.
Auguste de Saint-Hilaire esteve no país entre 1816 e 1822, financiado pelo governo da França, que, como outros Estados europeus, contava com os cientistas para obter informações sobre o Novo Mundo e encontrar a melhor forma de explorar seus recursos naturais. Durante sua viagem, o botânico recolheu cerca de 30.000 amostras de mais de 6.000 espécies vegetais, que descreveu e catalogou em seus cadernos de campo. Também escreveu sobre os lugares que visitou, com observações detalhadas que, ao se referir à sociedade e aos costumes brasileiros, por vezes assumiam o tom de crítica.
As espécies descritas por Saint-Hilaire se encontram nos três volumes ilustrados da Flora Brasiliae Meridionalis, publicados após seu retorno à França. As paisagens que visitou, contudo, não foram retratadas ao longo de suas expedições; edições posteriores seriam ilustradas com trabalhos de artistas como Jean-Baptiste Debret e Hercule Florence.
Nesta exposição, que comemora o 200º aniversário de sua chegada ao Brasil, o itinerário percorrido pelo naturalista é revisitado através de uma fusão de textos e imagens. Densas florestas, campos gerais com araucárias, o distrito diamantino, índios, tropeiros e gaúchos saltam dos relatos escritos por Saint-Hilaire e ganham forma através das gravuras e desenhos produzidos por outros artistas, alguns dos quais no âmbito de expedições que seguiram o mesmo trajeto, como a de Carl von Martius e a do príncipe Maximilian zu Wied-Neuwied.
Buscamos, assim, contribuir para que a obra de Auguste de Saint-Hilaire, hoje esquecido ou desconhecido por muitos, alcance a devida dimensão aos olhos de nossos visitantes.
Marcadores:
Biblioteca Nacional,
Bibliotecas,
Divulgação Científica,
Livros e Leitura,
Pessoais,
Redes Sociais,
Releases,
Vida de Escritora
segunda-feira, outubro 10, 2016
Pessoas Queridas,
Durante a Bienal de São Paulo, fui entrevistada pelo canal LivroNíacos. Falo principalmente sobre a série Athelgard, mas também um pouquinho a meu próprio respeito. E faço caras, bocas e gestos que não acabam mais.
Para conferir, cliquem aqui.
sábado, outubro 08, 2016
Minha História de Amor em 500 Toques
Eu conheci um rapaz em Ilha Grande, nos despedimos sem trocar
telefones porque meu barco chegou, mas o excesso de passageiros fez com que eu saísse
para esperar a vinda de outro barco. O rapaz voltou, trocamos telefones; ele
ligou, saímos, começamos a namorar; anos depois ele viajou, eu fiquei, nós
casamos por procuração; aí eu fui, nós vivemos na Europa, depois voltamos,
tivemos uma filha e vai fazer trinta anos desde aquele primeiro encontro na
praia em que falamos de tudo, até de saci pererê.
quarta-feira, setembro 28, 2016
Entrevista com Ana Lúcia Merege no Jornal O Estado do Rio de Janeiro
Pessoas Queridas,
Saiu uma entrevista muito legal com a Anny Lucard sobre meu trabalho literário, planos para o futuro, organização de coletâneas... Enfim, o que faço e pretendo ainda fazer no âmbito da Literatura Fantástica.
Para quem quiser, o link está aqui.
quarta-feira, setembro 07, 2016
Voltando da Bienal...
Então, acabou a Bienal, aquela que eu afirmei várias vezes que seria épica. E é ainda sob o efeito da emoção e do cansaço que escrevo estas linhas.
Logo que voltei, muitos amigos estavam compartilhando este texto, no qual se questiona se vale a pena participar da Bienal do Livro em seu formato atual. Com muita lucidez, o autor elenca vários problemas, desde o preço do ingresso e o valor cobrado das editoras para ter um estande – proibitivo para muitas, bem como para autores independentes -- até a valorização do aspecto mercadológico em detrimento do cultural.
Em linhas gerais, concordo com as afirmações feitas no texto, que inclusive aponta a literatura fantástica (somos nós!) e o gênero chick lit como opções para atrair um público voltado para os livros e não para o culto às celebridades promovidas pela mídia. É preciso repensar a Bienal como espaço cultural, democrático, que propicie o encontro entre autores e público e contribua para promover o amor pela leitura. É o que desejo que aconteça, não apenas como escritora, mas também como bibliotecária, servidora pública e cidadã.
No entanto, com todos os seus defeitos e tudo que é preciso reavaliar, eu confesso: para mim, valeu a pena. E isso por muitas razões, baseadas tanto na emoção quanto na lucidez.
Valeu a pena porque vi o trabalho insano do meu editor para fazer as coisas acontecerem, e o resultado foi tão bom que eu sentia orgulho de todos aqueles livros e quadrinhos.
Valeu a pena porque tive o prazer de indicar livros a pessoas que procuravam terror ou space opera, fantasia épica ou com temas de inspiração africana, e eram todos trabalhos de qualidade feitos por autores brasileiros.
Valeu a pena porque fiquei muitas horas escrevendo, revisando, trabalhando no meu universo fantástico, e tive a oportunidade de falar a muita gente sobre ele, e fui presenteada com sorrisos e elogios.
Valeu a pena porque meus amigos estavam lá, alguns prestigiando, outros apresentando seus livros, e sempre que um deles era vendido eu compartilhava da sua alegria.
Valeu a pena porque eu mesma fiz a dança da vitória quando uma criança decidiu levar o último exemplar de Anna e Trilha Secreta.
Valeu a pena, enfim, porque foi épico. Bem como eu disse que seria desde o início.
E, como muitas formiguinhas com alma de cigarra, mal posso esperar pela próxima jornada.
quinta-feira, junho 02, 2016
Documentos e Desafios: A Equipe da Divisão de Manuscritos
Pessoas Queridas,
Com muito orgulho, venho divulgar o artigo que escrevi sobre a equipe da Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional, da qual sou curadora de acervo. A intenção é mostrar que somos um grupo multidisciplinar, que inclui mestres e especialistas e cujo trabalho vai muito além do tratamento técnico.
Acessem o texto aqui e aproveitem para seguir o Blog da BN, onde estamos sempre postando novidades!
quinta-feira, maio 12, 2016
Ana Lúcia Merege na Odisseia Itinerante
Pessoas Queridas,
Dia 13 de maio, das 13 às 18 h, vai rolar uma versão itinerante da Odisseia de Literatura Fantástica, dentro da 24a. edição do Animextreme, lá em Porto Alegre.
Sou uma das convidadas, juntamente com Simone Saueressig, Jim Anotsu, Duda Falcão, Afonso Solano e o cara que vai dividir comigo a palestra destinada a estudantes do sexto e sétimo ano do Ensino Fundamental: André Cordenonsi. Vamos receber alunos da rede pública e quem mais estiver por lá para bater um papo sobre nosso trabalho e sobre LitFan nacional.
A programação completa pode ser conferida aqui.
Esperamos vocês!
domingo, maio 08, 2016
Hoje, Rosas
Hoje é Dia das Mães e o supermercado está dando rosas a todas as mulheres que entram. Há rosas vermelhas e brancas, e pelo que observei são oferecidas de forma randômica. Nada como: as mulheres mais jovens ganham rosas vermelhas, ou as que entram acompanhadas dos filhos, ou as que usam chinelos. Vermelha ou branca, tanto faz, é a que estiver ao alcance da mão, para qualquer mulher que passe pela porta. Simples assim.
A Mulher Grisalha, que usava chinelos, que não estava com a adolescente, que enfrenta o primeiro Dia das Mães sem o abraço da sua, a não ser em pensamento - a Mulher Grisalha recebeu uma rosa branca. E a entregou a uma senhora que estava na fila, à sua frente, levando um neto irrequieto num carrinho de bebê. Foi um gesto racional, porque em sua casa não há um jarro adequado para receber essa única rosa. E porque, entre a ausência e as angústias do seu país dividido, ela não tem mais certeza se as flores ainda podem vencer o canhão.
segunda-feira, fevereiro 29, 2016
Além da Capa: a Primeira História Sem Fim
Pessoas Queridas,
O site Além da Capa reúne histórias interessantes de várias pessoas sobre as livros que mudaram suas vidas.
Eu contei a minha aqui, falando sobre a minha primeira História Sem Fim e como ela influenciou as que vieram depois.
A quem se interessar, este post contém detalhes da minha história com esse livro incrível.
sexta-feira, dezembro 11, 2015
Leituras de 2015: Top 5 estrangeiros
Pessoas Queridas,
Conforme combinamos, aqui vão minhas cinco indicações de livros estrangeiros.
Vocês perceberão que se trata de ficção mainstream, embora dois deles possam cair na categoria do realismo mágico, especialmente o de Murakami. De fato, apesar de eu ter lido bastante literatura fantástica este ano, a maior parte foi nacional, ou foram contos lidos isoladamente em e-book, ou volumes subsequentes de séries para jovens adultos que preferi não indicar pela segunda vez. Seja como for, dos romances estrangeiros lidos em 2015, estes foram realmente os que me agradaram mais, e aqui como sempre somos subjetivos, portanto... lá vai!
Contando estrelas, de Helen Dunmore. Este é um romance passado na antiga Roma, onde o poeta Catulo se apaixona pela esquiva (e muitas vezes irritante) Clódia. O relacionamento mantido às ocultas e as tentativas de Catulo de se manter perto de sua amada decorrem num cenário que me surpreendeu pela forma como é apresentado: com naturalidade, sem a tentativa de demonstrar para o leitor o quanto o autor pesquisou e sabe a respeito daquele período histórico. Não que Dunmore não tenha pesquisado: ela apenas dá ao casal e a outros personagens, como Lucius e Aemilia, o destaque devido, permitindo que sejam humanos antes de serem... romanos. Acho que é bem por aí.
Caçando carneiros, de Haruki Murakami. Após ter publicado a foto de um carneiro em uma revista, um publicitário é obrigado a partir numa jornada em busca da origem daquela imagem. O clima em que decorre a viagem é bem onírico, e é fácil nos deixarmos envolver por essa atmosfera e pela busca do personagem. Um livro menos denso que outros do autor, mas muito legal.
O Último homem na torre, de Aravind Adiga. Os proprietários dos apartamentos de um prédio em Mumbai formam uma comunidade harmoniosa, até o momento em que recebem uma oferta irresistível para vender seus imóveis. A resistência de alguns, em especial um velho professor, vai dar origem a uma guerra em que a verdadeira natureza de cada um irá se revelar. Vale a pena ler.
O Conto do covarde, de Vanessa Gebbie. No País de Gales, um menino vai viver com a avó e começa a ouvir histórias sobre os moradores do povoado, que giram em torno de segredos familiares e da explosão de uma antiga mina. Cada um dos homens, e o próprio menino, guardam uma relação com um dos doze apóstolos, e várias outras metáforas ficam patentes em todo o livro, que é sensível e bem escrito.
Garota exemplar, de Gillian Flynn. Um best-seller para terminar - mas tinha que ser, foi realmente um dos melhores que li este ano. Nesse thriller psicológico, a autora soube criar não apenas uma história muito bem bolada, sem pontas soltas (quem lê o que escrevo sabe que as detesto!) mas também dois personagens perfeitamente críveis que conseguimos compreender e absolver ao mesmo tempo que os achamos detestáveis. Li dois outros dela em seguida e também gostei, mas este foi o favorito. Recomendo, realmente.
*****
Bom, pessoal, é isso por ora. Alguém já leu um desses? Tem outras recomendações? Gostaria de saber de vocês!
E, seja como for, continuem por aqui. Semana que vem teremos o Top 5 Nacional, a Categoria Mista... e o início de um conto inédito para celebrar esta época do ano.
Até lá!
Conforme combinamos, aqui vão minhas cinco indicações de livros estrangeiros.
Vocês perceberão que se trata de ficção mainstream, embora dois deles possam cair na categoria do realismo mágico, especialmente o de Murakami. De fato, apesar de eu ter lido bastante literatura fantástica este ano, a maior parte foi nacional, ou foram contos lidos isoladamente em e-book, ou volumes subsequentes de séries para jovens adultos que preferi não indicar pela segunda vez. Seja como for, dos romances estrangeiros lidos em 2015, estes foram realmente os que me agradaram mais, e aqui como sempre somos subjetivos, portanto... lá vai!
Contando estrelas, de Helen Dunmore. Este é um romance passado na antiga Roma, onde o poeta Catulo se apaixona pela esquiva (e muitas vezes irritante) Clódia. O relacionamento mantido às ocultas e as tentativas de Catulo de se manter perto de sua amada decorrem num cenário que me surpreendeu pela forma como é apresentado: com naturalidade, sem a tentativa de demonstrar para o leitor o quanto o autor pesquisou e sabe a respeito daquele período histórico. Não que Dunmore não tenha pesquisado: ela apenas dá ao casal e a outros personagens, como Lucius e Aemilia, o destaque devido, permitindo que sejam humanos antes de serem... romanos. Acho que é bem por aí.
Caçando carneiros, de Haruki Murakami. Após ter publicado a foto de um carneiro em uma revista, um publicitário é obrigado a partir numa jornada em busca da origem daquela imagem. O clima em que decorre a viagem é bem onírico, e é fácil nos deixarmos envolver por essa atmosfera e pela busca do personagem. Um livro menos denso que outros do autor, mas muito legal.
O Último homem na torre, de Aravind Adiga. Os proprietários dos apartamentos de um prédio em Mumbai formam uma comunidade harmoniosa, até o momento em que recebem uma oferta irresistível para vender seus imóveis. A resistência de alguns, em especial um velho professor, vai dar origem a uma guerra em que a verdadeira natureza de cada um irá se revelar. Vale a pena ler.
O Conto do covarde, de Vanessa Gebbie. No País de Gales, um menino vai viver com a avó e começa a ouvir histórias sobre os moradores do povoado, que giram em torno de segredos familiares e da explosão de uma antiga mina. Cada um dos homens, e o próprio menino, guardam uma relação com um dos doze apóstolos, e várias outras metáforas ficam patentes em todo o livro, que é sensível e bem escrito.
Garota exemplar, de Gillian Flynn. Um best-seller para terminar - mas tinha que ser, foi realmente um dos melhores que li este ano. Nesse thriller psicológico, a autora soube criar não apenas uma história muito bem bolada, sem pontas soltas (quem lê o que escrevo sabe que as detesto!) mas também dois personagens perfeitamente críveis que conseguimos compreender e absolver ao mesmo tempo que os achamos detestáveis. Li dois outros dela em seguida e também gostei, mas este foi o favorito. Recomendo, realmente.
*****
Bom, pessoal, é isso por ora. Alguém já leu um desses? Tem outras recomendações? Gostaria de saber de vocês!
E, seja como for, continuem por aqui. Semana que vem teremos o Top 5 Nacional, a Categoria Mista... e o início de um conto inédito para celebrar esta época do ano.
Até lá!
quarta-feira, dezembro 09, 2015
Leituras de 2015: Preâmbulos e Estatísticas
Pessoas Queridas,
Fim do ano se aproxima e, como já é de praxe na Estante Mágica, vou escrever alguns posts sobre minhas leituras deste ano.
Eu li muita coisa em e-book, e em muitos casos foram contos publicados em separado, que não tenho como contabilizar entre os livros lidos. Também não contei as HQs. O que sobrou deu um total de 81 livros lidos (entre volumes físicos e e-books), distribuídos pelas seguintes nacionalidades:
- 38 brasileiros
- 25 norte-americanos
- 06 ingleses
- 04 indianos
- 01 de um de cada um destes países: Portugal, Bélgica, País de Gales, Suécia, França, Japão, Rússia e Argélia.
Como viram, os brasileiros dominaram as leituras de 2015, e a maior parte da Literatura Fantástica foi colhida na seara nacional. Muitos dos estrangeiros que li do gênero foram volumes subsequentes de séries para jovens ou jovens adultos que eu já tinha iniciado (e em alguns casos indicado) em 2014, como a "Wereworld" e a Trilogia Grisha, por isso não os citei aqui.
Assim, cheguei a uma seleção de 17. Cinco brasucas, cinco estrangeiros e sete de uma "categoria mista" que vai ter duas HQs, duas coletâneas, dois YA e um único livro de não-ficção, que eu realmente recomendo a todo mundo. As postagens começam na sexta-feira, espero que vocês participem, opinem e deixem suas próprias sugestões!
Abraços pra vocês!
....
Ilustração: "A Quiet Half Hour", de Lionel Charles Henley - 1876
sexta-feira, dezembro 04, 2015
Coletânea "Trópicos Fantásticos"
Pessoas Queridas,
Já está disponível esta coletânea em e-book organizada pela Lais Manfrini, que traz contos ambientados no Brasil e que será lançada oficialmente na Maratona Literária - Me Livrando, a partir da zero hora do dia 5/12. Alguns exemplares serão sorteados para quem participar.
Estou na coletânea com um conto chamado "A História de Jorge". Nele homenageio meu avô, descendente de libaneses e de índios guaranis (e não só!), o cara que me levou a gostar de mitologia, a sonhar com viagens por terras distantes e a acreditar que a imaginação podia ser uma poderosa ferramenta para chegar a realizar esses e outros sonhos.
Espero que vocês gostem desse singelo mito de origem.
Para comprar ou alugar o livro clique aqui.
Marcadores:
Contação de Histórias,
Contos e Crônicas,
Dicas e Resenhas,
Literatura Fantástica,
Pessoais,
Releases,
Vida de Escritora
quarta-feira, novembro 11, 2015
São Martinho - Quentes e Boas
Meus anos em Portugal estão cada vez mais para trás no tempo, mas as coisas boas ficam na memória para sempre. Uma das que eu me lembro é a tradição do Dia de São Martinho. Em Lisboa era mais comentada do que praticada, mas todos sabiam que o 11 de novembro é tradicionalmente dedicado à celebração do fim da vindima (colheita da uva) e é quando se bebe o vinho novo, fabricado umas semanas antes e cheio de acidez. Por isso, às vezes, ele é substituído pelo aguapé, que é a água jogada sobre as cascas e bagaço da uva, onde ainda fica um restinho de mosto.
A tradição manda que o vinho seja acompanhado de castanhas, "quentes e boas", como diz o fado. Quando vivi em Lisboa, por essa época elas começavam a ser vendidas nas ruas, em carrinhos ambulantes. Eram asssdas na hora, comprava-se a dúzia que vinha embrulhada em uma folha de catálogo telefônico e se ficava com os dedos e o rosto manchado de preto, por causa da fuligem e da tinta do papel. Às vezes, os mais afoitos, com a boca levemente queimada. Mas que era bom, lá isso era!
Isso pelos idos de 1993 e 94, antes da União Europeia. Disse a minha amiga de Lisboa que hoje em dia as castanhas são embrulhadas num papel limpinho, próprio para isso. Sinal dos tempos...! Ainda assim, acredito que o sabor não tenha mudado, e espero tornar a prová-lo. E, quem sabe, também visitar uma adega para tomar o legítimo vinho novo, ou aguapé, e estreitar os laços com a terrinha que é a de meu pai.
Viva São Martinho!!
quinta-feira, novembro 05, 2015
Quando For Assim
A
Mulher Grisalha não tem qualquer problema com falares, sotaques e jeitos
coloquiais. Tolera a maior parte das gírias e vícios de linguagem, aliás
cultiva alguns em seu próprio jardim, e compreende a inevitabilidade dos
jargões de ofício. No entanto, há expressões que a desgostam, e é esse o caso
do “Quando For Assim”.
Essas
três palavrinhas parecem amigáveis, mas escondem uma realidade terrível: a da
censura velada à sua forma de resolver problemas, quando não ao seu direito de
opinar e até de pensar. Claro que às
vezes a intenção é a melhor e a orientação é necessária, mas o uso da expressão,
principalmente quando é dita em tom condescendente e acompanhada de um braço ao
redor do seu ombro, acaba com qualquer possibilidade de gratidão. Você tem sua
percepção, raciocínio e atitudes questionados: ok, você estava sozinha para
resolver esse e aquele problema, ninguém soube te dar informações ou você não
tem meios para fazer algo do jeito canônico, mas, quando for assim, siga o procedimento X, mesmo que tenha conseguido
fazer o que precisava de um jeito muito mais simples.
Ou: é proibido/impossível, mas, quando, for assim, fale comigo que eu
arranjo tudo.
Ou ainda (essa está nas
entrelinhas e é a pior de todas): ninguém te deu retorno sobre nada, mas, quando for assim, você deve ser capaz de
adivinhar exatamente o que se passa na cabeça dos outros e agir de acordo com
os que eles esperam. Se não, cadê sua inteligência? Cadê sua boa vontade e
capacidade de observação? Cadê, ó Mulher Grisalha, cadê seus superpoderes?
Enfim, são palavrinhas camaradas,
mas deve haver alguma vibração cósmica no som, fico incomodada sempre que
escuto. E o resultado é que uso este espaço, que devia ser de uma crônica, para
um desbafo, ou um mimimi, aliás outra palavra corriqueira que me dá nos nervos.
Sei que é chato vir aqui e se deparar com isso; peço desculpas.
E prometo que, quando for assim, avisarei no subtítulo
do texto para que vocês possam fechar a página.
segunda-feira, novembro 02, 2015
Lembrando "O Feitiço de Áquila"
Ontem, depois de muitos anos, revi "O Feitiço de Áquila" -- e me impressionei. Como tem elementos desse filme que eu evoquei, a maior parte de forma inconsciente, em "O Caçador" e "O Castelo das Águias"!
Cheguei a me arrepiar no momento em que Navarre manda Philippe envolver o falcão ferido em um pedaço de pano; eu não me lembrava dessa parte do filme, mas acontece com uma águia no Castelo, que é ferida e depois socorrida por Padraig. E a ideia dos lobos e falcões (no meu caso, águias) de naturezas diferentes, mas que se casam para a vida toda.
O filme foi feito e assistido há 30 anos, mas continua a me encantar. O único elemento de estranheza foi a trilha sonora típica dos anos 80, da qual eu realmente não me lembrava. Hoje, as cenas de luta seriam certamente acompanhadas por música bem diferente. Mas valeu, valeu de verdade.
quinta-feira, outubro 15, 2015
sábado, agosto 29, 2015
sexta-feira, junho 12, 2015
Luiza Cândida Merege, 1932 - 2015
Minha mãe carregou pela vida um nome que a traduziu perfeitamente. "Luiza" vem do germânico, e significa "Guerreira". "Cândida" significa "Pura". "Merege" é um sobrenome libanês que, em tradução livre, quer dizer "Cintilante". E todas essas coisas ela sempre foi.
O "Correia", agregado pelo casamento com meu pai, pode significar um cinturão, talvez o de Órion, uma fileira de estrelas representando as boas coisas que ficaram da sua passagem por este planeta azul. O carinho, o cuidado, as boas palavras. Também os filhos e netas, os miudinhos que por algum tempo não entenderão que a Bisa foi para o céu, os que ainda virão, que ainda brilharão, que nunca terão o privilégio de conhecê-la, mas que, como todos nós, terão alguém olhando por eles lá de cima.
De onde mesmo? Quem sabe? Minha mãe, embora não praticante, era kardecista, e tenho certeza de que atravessou todas as passagens e umbrais e chegou logo a um lugar iluminado e muito bonito. Eu não sei para onde vou, não faço ideia... Mas a alma tem muitas moradas, percorre muitos universos. Onde quer que a minha jornada me leve, eu sei que um dia vou dar um jeito de me encontrar de novo com ela.
Boa viagem, Mãe, vá sem cuidado.
Até a vista.
.....
A imagem do post é das "Mãos que Oram" de Albrecht Durer. Se bem que as de minha mãe sempre foram as mãos que trabalhavam. Aquelas que contam mais.
Assinar:
Postagens (Atom)






















