Pessoas,
Hoje quero postar aqui um poema que acabo de escrever. Se fosse impresso ainda teria cheirinho de tinta... mas, como este é um diário virtual, usem o faz-de-conta, OK? ;)
Este poema surgiu a partir da réplica que eu dei à pergunta "Qual é a porção lobo que existe em você?", da comunidade do Orkut Lobos : lindos animais. À parte as linhas tortas surgidas daí(um dia eu juro que aprendo a escrever poesia... ainda não foi desta vez!), foi curioso notar como a maior parte das pessoas que diz gostar de lobos se identifica com os solitários, que, na Natureza, não são encontrados com freqüência. Eu sou exatamente o contrário: um espírito clânico. E, dentre os muitos simbolismos do Lobo, aquele com o que mais me identifico é o de algumas nações nativas americanas, que relacionam o Lobo com o arquétipo do Mestre. Quando ele aparece como totem, isso significa uma propensão ou uma necessidade de estar junto, de transmitir sabedoria ou conhecimento ou pelo menos partilhar vivências e histórias... que é, como todos sabem, o que mais gosto de fazer!
Então, para vocês, que uivam sob a mesma lua, aí vai o poema:
.....
Ana e os Lobos
Eu e os lobos? Que dizer dos lobos?
São belos animais. Fortes e sábios,
Fiéis e cautelosos (não são bobos!).
Sua experiência, seu tempo, seu canto,
Passam adiante. São bons pais. Bons mestres.
Brincam de rolar com seus filhotes
- mais do que eu, Coiote.
Alguns são pioneiros... solitários.
Outros, como eu, espíritos gregários.
Mas em comum têm o cantar canções,
O vaguear na noite da floresta,
O mergulho do seu corpo ágil,
Feito flecha,
No espaço e no tempo.
Sem planos. Sem memória.
Assim sou eu, também, pensando histórias.
Vou inventando... sonhando... Vou voando,
Dando a mim mesma o máximo de corda.
E quando o sonho toma forma, corro atrás,
- bem como o Lobo faz.
.....
Boa caçada... e até a próxima!
Abraços a todos,
Ana Lúcia
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segunda-feira, agosto 16, 2004
quarta-feira, julho 07, 2004
Coiote Rouba o Fogo
Houve um tempo em que as pessoas não tinham fogo. No inverno, elas não podiam se aquecer, e tinham que comer os alimentos crus. O fogo era guardado numa grande rocha branca pertencente a Trovão, um ser terrível, de quem até mesmo o Urso e o Leão da Montanha tinham medo.
Coiote não tinha medo de Trovão. Um dia, este rugiu tão alto que todas as criaturas se esconderam. Coiote achou que esse era o momento de roubar o fogo. Então, Coiote subiu até a montanha mais alta, onde Trovão vivia, e lhe disse: "Tio, vamos jogar dados. Se vencer, você me mata. Se eu vencer, você me dá o fogo".
Trovão havendo concordado, os dois jogaram com dados feitos dos dentes de castores e marmotas, com desenhos em cada lado representando uma pontuação. Havia gravetos, ao lado, para contar os pontos. Mas Coiote, o mestre da trapaça, continuamente distraía Trovão, com isso conseguindo finalmente ficar com todos os gravetos. "Tio, eu venci", disse ele. "Dê-me o fogo". Trovão sabia que Coiote havia trapaceado, mas não tinha como provar.
Coiote chamou todos os animais ao topo da montanha para que o ajudassem a carregar a rocha que continha o fogo. Ela era grande, mas frágil como uma concha. Os animais se prepararam para levá-la, mas Trovão rugiu: "Não tão rápido. Coiote ganhou o jogo e por isso eu lhe dei o fogo, mas ele trapaceou e, portanto, vou matá-lo. Onde ele está?"
Bem, Coiote havia lido os pensamentos de Trovão e antecipado o que ele faria. Coiote podia despir a parte externa de seu corpo, como se fosse uma manta, por isso tirou a pele, o pêlo, o rabo, as orelhas - tudo - e partiu apenas com seus órgãos internos. Então, mudando o tom de voz, como se estivesse muito perto, chamou: "Tio, estou aqui. Mate-me se puder".
Trovão pegou a rocha que continha o fogo e atirou sobre o que acreditava ser o Coiote. Mas acertou apenas a pele e o pêlo. A rocha se quebrou em várias partes. Cada animal pegou um pedacinho e colocou sob o braço ou a asa, e todos se apressaram a levar o fogo às tribos da Terra. Coiote, calmamente, voltou a vestir seu manto de pêlo. "Adeus, tio", disse ele a Trovão. "Não volte a apostar. Não é o que você faz melhor". Então, ele se foi.
......
Texto adaptado por mim a partir da história contada por um narrador Klamath (tribo do Oregon), contida em American Trickster Tales, de Richard Erdoes e Alonso Ortiz (Penguin Books).
Coiote não tinha medo de Trovão. Um dia, este rugiu tão alto que todas as criaturas se esconderam. Coiote achou que esse era o momento de roubar o fogo. Então, Coiote subiu até a montanha mais alta, onde Trovão vivia, e lhe disse: "Tio, vamos jogar dados. Se vencer, você me mata. Se eu vencer, você me dá o fogo".
Trovão havendo concordado, os dois jogaram com dados feitos dos dentes de castores e marmotas, com desenhos em cada lado representando uma pontuação. Havia gravetos, ao lado, para contar os pontos. Mas Coiote, o mestre da trapaça, continuamente distraía Trovão, com isso conseguindo finalmente ficar com todos os gravetos. "Tio, eu venci", disse ele. "Dê-me o fogo". Trovão sabia que Coiote havia trapaceado, mas não tinha como provar.
Coiote chamou todos os animais ao topo da montanha para que o ajudassem a carregar a rocha que continha o fogo. Ela era grande, mas frágil como uma concha. Os animais se prepararam para levá-la, mas Trovão rugiu: "Não tão rápido. Coiote ganhou o jogo e por isso eu lhe dei o fogo, mas ele trapaceou e, portanto, vou matá-lo. Onde ele está?"
Bem, Coiote havia lido os pensamentos de Trovão e antecipado o que ele faria. Coiote podia despir a parte externa de seu corpo, como se fosse uma manta, por isso tirou a pele, o pêlo, o rabo, as orelhas - tudo - e partiu apenas com seus órgãos internos. Então, mudando o tom de voz, como se estivesse muito perto, chamou: "Tio, estou aqui. Mate-me se puder".
Trovão pegou a rocha que continha o fogo e atirou sobre o que acreditava ser o Coiote. Mas acertou apenas a pele e o pêlo. A rocha se quebrou em várias partes. Cada animal pegou um pedacinho e colocou sob o braço ou a asa, e todos se apressaram a levar o fogo às tribos da Terra. Coiote, calmamente, voltou a vestir seu manto de pêlo. "Adeus, tio", disse ele a Trovão. "Não volte a apostar. Não é o que você faz melhor". Então, ele se foi.
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Texto adaptado por mim a partir da história contada por um narrador Klamath (tribo do Oregon), contida em American Trickster Tales, de Richard Erdoes e Alonso Ortiz (Penguin Books).
O Coiote: um trickster norte-americano
Coiote, Coiote, por favor, me diga
O que é a magia?
Magia é o primeiro gosto
das framboesas maduras, e
magia é uma criança dançando
sob a chuva de verão.
(Peter Blue Cloud. Elderberry Flute Song).
......
Pessoas,
Através destes versos do poeta de origem iroquesa, Peter Blue Cloud, tenho o prazer de apresentar um dos meus tricksters prediletos: Old Man Coyote.
Ao contrário de seus "colegas" do Velho Mundo, que têm (quase o tempo todo) uma aparência humana, os trapaceiros das histórias nativas americanas vêm sendo freqüentemente descritos como animais, embora pensem como homens e possam assumir essa forma. Segundo o etnólogo William Bright, isso se deve ao fato de esses mitos terem sido erroneamente interpretados pelos europeus, uma vez que os animais que aparecem nas histórias não são, na realidade, animais comuns. Eles são Primeiras Pessoas, membros de uma raça anterior à nossa, com poderes que os elevaram ao status de semideuses, heróis culturais e/ou antepassados da raça humana. As características desses seres teriam passado aos animais que carregam seus nomes, cujas figuras são algumas vezes utilizadas em representações do mito. Assim, os totens com figuras de corvos e as histórias sobre corvos, por exemplo, se referem na verdade a um Primeiro Corvo, ou ao Espírito que anima todas essas aves; e este pode estar identificado com uma pessoa, clã ou tribo que o tem como uma espécie de guia ou protetor.
No Brasil, animais como o jaguar e o gavião-real aparecem freqüentemente nessa posição, enquanto o papel de trapaceiro cabe a personagens como o Jabuti, do qual existe todo um ciclo de histórias, a Anta, a Saracura e o famoso Boto dos igarapés amazônicos. Já nas Américas do Norte e Central, vários animais são associados à figura do trickster, como a Aranha, o Corvo e a Lebre; mas o mais popular de todos é sem dúvida o Coiote, que deve seu nome (coyótl) aos Astecas e cujas histórias ocorrem numa área fenomenalmente extensa, que abrange desde a Colúmbia Britânica até a Guatemala.
Ainda segundo Bright, a adaptabilidade do Coiote (o que se estende ao animal propriamente dito, Canis Latrans) e o fato de se tratar de um dos mitos mais antigos o levam a ser chamado, em várias regiões, de "Old Man Coyote", ou simplesmente "Old Man". No entanto, a função do personagem no mito varia segundo a cultura. De um modo geral, o Coiote sempre está ligado ao desejo por comida e por sexo; mas, na Califórnia e na região do Plateau (Oregon, Idaho), ele é mais próximo do arquétipo do trickster e, portanto, mais comparável a seus congêneres de outras mitologias, com narrativas ligadas à criação do Mundo e ao roubo do Sol. Na Baixa Califórnia, o Coiote estaria mais envolvido com os tempos modernos, havendo registros de histórias que mostram as disputas entre ele e os soldados dos fortes militares, enquanto na América Central e no México não se assemelha de forma alguma a um herói cultural, fazendo quase sempre o papel de tolo (esse aspecto deve ter inspirado os criadores de Wile E. Coyote, o "Coiote" da Warner Bros. ... com o que ele gasta encomendando "armas mortíferas" da ACME, já teria sido possível pagar várias refeições mais substanciais do que o magricela do Beep-Beep!). ;)
Em suas obras de auto-conhecimento baseadas na tradição nativa americana, Jamie Sams aponta ainda a identificação entre o Coiote e aquilo que é conhecido como a "Criança Interior": aquele aspecto, dentro de nós, que é verdadeiro e inocente, livre das máscaras do "personagem social" que aprendemos a encarnar. A interpretação ganha força se pensarmos nele (e nos demais tricksters) como aqueles que, tal como as crianças, conservam todas as suas potencialidades intactas: a capacidade de ação, a do reinício, a da sobrevivência e, last but not least, a da quebra das regras estabelecidas. Enfim, o Coiote é capaz de qualquer atitude inesperada, mas sua existência e participação nas narrativas é fundamental para que as coisas continuem acontecendo. E, contra as expectativas dos que previam o fim dos mitos e histórias populares no mundo moderno... elas continuam.
Entre os nativos americanos, as histórias do Coiote ainda são usadas como forma de ensinar os valores tradicionais e fortalecer o senso de identidade e dignidade. Por outro lado, a partir da década de 1950, os pesquisadores começaram a registrar as histórias, estabelecendo conexões com outros mitos e sistemas de crenças - o beatnik Gary Snyder, por exemplo, traçou um incrível paralelo entre o Coiote e os ensinamentos do zen-budismo - e contribuindo para a sua difusão, ao passo que autores como Blue Cloud e Bruce Bennet se inspiraram no trapaceiro em seus poemas e textos literários. Assim, aos poucos, nosso Old Man deixou de ser uma figura restrita às narrativas orais dos nativos americanos para assumir, finalmente, as dimensões universais que compartilha com seres tão ilustres quanto Hermes, Sísifo, Ulisses e o hour-concour nórdico, o trickster por excelência e patrono destas páginas: Loki Laufeyjarson.
Arte de Kyoht Luterman.
terça-feira, julho 06, 2004
Tricksters
Quase todas as civilizações possuem, entre seus mitos e contos populares, um personagem que assume o papel de trapaceiro, o qual se diverte em pregar peças – em inglês, tricks, de onde o termo tricksters adotado pelos estudiosos -, semear a discórdia e, com freqüência, desafiar não apenas as leis e a moral estabelecida pela sociedade, mas também o poder dos deuses. Algumas vezes, o personagem é apenas um tipo brincalhão, que quase sempre termina em desgraça, assumindo características semelhantes às dos pícaros (vejam o artigo sobre Literatura Picaresca!); em outras, pelo contrário, ele assume o papel de um herói cultural, desafiando a ira divina a fim de conquistar algo anteriormente vedado aos homens. Dessa forma, pode-se pensar em Prometeu como numa espécie de trickster, embora o roubo do fogo, tal como ocorre na lenda grega, tenha sido um ato de heroísmo; Ulisses com seu cavalo de Tróia age com a astúcia de um trickster, enquanto Hermes, embora seja contado entre os deuses, é um tipo acabado de trapaceiro.
Não muito diferente, apesar de mais complexo, é Loki Laufeyjarson, o trickster dos povos nórdicos. Segundo a tradição encontrada nos Eddas –que se constituem na principal fonte de conhecimento sobre a mitologia escandinava – , Loki é aparentado com os gigantes do fogo, inimigos mortais dos Aesir, os deuses guerreiros liderados pelo não menos complexo (e trapaceiro) Odin; entretanto, os dois têm um pacto de sangue, e Loki é visto em várias ocasiões auxiliando os Aesir a saírem de situações difíceis... algumas das quais, é verdade, foram criadas por ele mesmo.
Enquanto Loki, assim como outros trapaceiros, possui um lado sombrio e destrutivo – a partir de um certo ponto, ele trabalha deliberadamente contra os Aesir, o que o leva a um castigo pior que o de Prometeu -, há tricksters cujas histórias são apenas engraçadas, embora muitas vezes possam conter um ensinamento ou um ponto destinado à reflexão. É assim, por exemplo, com a história africana de Exu (alguém conhece, aqui no Brasil? hehehe), que saiu com um chapéu de duas cores para provocar a discordância entre vizinhos que o viam de ângulos diferentes. Também os contos de outro trapaceiro da África, o Coelho, que foi imortalizado na América através do “Br´er Rabbit” de Joel Harris e que, mais tarde, serviria de inspiração para a criação do rematado trickster que é Bugs Bunny (o nosso conhecidíssimo Pernalonga).
Por sua vez, o obstinado Wile E. Coyote foi inspirado no mais conhecido dos tricksters norte-americanos (também existem, entre outros, o Corvo, a Aranha e o Homem-Esqueleto, cada um com seu próprio ciclo de histórias). Trata-se, naturalmente, do Coiote, apresentado em geral como um tipo atrapalhado e azarado, glutão, fanfarrão e perpetuamente interessado em sexo. O Coiote é um dos tricksters mais divertidos e mais estudados da mitologia e, assim como Loki, virá a merecer um post especial daqui a algum tempo. Não são todos que têm tantas histórias para contar! ;)
E por falar em histórias, a Literatura também tem diversos personagens que se assemelham aos tricksters, desde o astuto Ulisses ao Macunaíma de Mário de Andrade. Renard, a raposa do romance medieval, Till Ulenspiegel na Flandres, o Autólico de Shakespeare e o Peer Gynt de Ibsen são apenas alguns exemplos desses agentes da esperteza e da trapaça, os quais, embora muitas vezes ajam em proveito próprio, são essenciais para conferir sabor e emoção a qualquer história... e para criar o fator dissonante que, ao questionar a vontade dos deuses, incendeia, destrói e recria mundos em todas as mitologias.
......
Existe bastante literatura a respeito dos tricksters. A Internet disponibiliza uma excelente análise de Renato Queiroz, retirada de um trabalho sobre o Saci, além de alguns estudos acerca de tricksters e malandros específicos. Quanto a livros, a análise do pícaro em “A Jornada do Herói”, de Christopher Vogler (Ed. Ampersand) diz o essencial sobre esse tipo de personagem. A figura aparece ainda em diversas passagens da obra de Carl Gustav Jung e de Joseph Campbell, que também tratam de outros arquétipos universais, principalmente o do herói. Livros sobre Mitologia geral, ou sobre a Mitologia específica de cada povo, trarão certamente algumas histórias a respeito de tricksters.
Para quem lê Inglês, os recursos são ainda mais vastos, a começar pelos livros “Mythical Trickster Figures”, de William J. Hynes (que é bem caro, custa 34 dólares mesmo em edição paperback) e “Trickster Makes this World”, de Lewis Hyde. Este pode ser comprado por 11 dólares na Internet, mas nem todas as críticas são favoráveis. O melhor, na minha opinião, é acessar o site da Mythinglinks, no qual, além de definições e artigos vários, vocês poderão conhecer e ler histórias sobre tricksters do mundo todo.
Boas travessuras!
A História de Ganesha
Segundo a tradição, Ganesha é filho de Parvati e de Shiva, o Deus relacionado às transformações e à destruição. Nascido durante uma das longas ausências de seu pai, Ganesha um dia recebeu da mãe a incumbência de guardar a porta do aposento em que ela estava se banhando, e fez isso tão bem a ponto de barrar até mesmo a entrada de seu pai, Shiva, que regressava da peregrinação sujo e coberto de cinza. Encolerizado ( ele está quase sempre assim), Shiva ordenou aos demônios de seu cortejo que atacassem Ganesha, mas este os derrotou a todos, só restando a Shiva se esgueirar por trás do garoto e decepar-lhe a cabeça.
Naturalmente, foi a vez de Parvati ficar furiosa (o que deve ser terrível, pois um dos aspectos de Parvati é o de Kali, a Deusa da Morte) e exigir que Shiva conseguisse outra cabeça, com o que ele partiu disposto a trazer a da primeira criatura que encontrasse dormindo voltada para o lado incorreto (ei, vocês, cuidado quando se deitarem esta noite!). Só que a criatura em questão não era humana... e, assim, Ganesha se tornou aquela figura que todos já devem ter visto: um Deus gordinho e fofinho, com uma cabeça de elefante e um livro numa das mãos.
Isso porque Ganesha tem uma função mais ou menos semelhante à do Hermes grego, protegendo os comerciantes, os viajantes, os artistas e os escritores (está explicada a minha simpatia por ele?). Ganesha é o Deus da fortuna, da sorte e da inspiração. Segundo a lenda, foi ele quem registrou o maior dos poemas épicos da Índia, o Mahabharata, que teria sido ditado pelo sábio Vyasa. A pena teria se partido no meio do relato, mas Ganesha estava tão fascinado pela história que quebrou uma de suas presas e continuou a escrever com ela. Por isso, a maior parte das estátuas do Deus-Elefante o retrata com uma presa quebrada. É como vocês vão encontra-lo em 9 entre 10 dos lares e principalmente lojas pertencentes a hinduístas, pois, como diz Jean-Claude Carrière, “seria arriscado não convidá-lo”!
Ah, sim... Quem é esse Jean-Claude?
Ele é o cineasta francês que filmou uma bela versão do Mahabharata, com artistas de várias nacionalidades. A história recontada por ele foi publicada no Brasil, e é a primeira das nossas
DICAS DE LEITURA
1. O MAHABHARATA : narrado por Jean-Claude Carrière. São Paulo : Brasiliense, 1991. Vale a pena conhecer o épico e a visão que dele teve o cineasta.
2. CARRIÉRE, Jean-Claude. Índia, um olhar amoroso. Rio de Janeiro : Ediouro, 2002. Carrière conta suas impressões da Índia, colhidas em várias viagens.
3. CHATTERJEE, Debjani. Ganesha, o grande Deus hindu. São Paulo : Madras, 1999. Várias lendas hindus, não só a de Ganesha. Foi escrito para jovens, é fininho, fácil e gostoso de ler.
4. LIVRO ILUSTRADO DE MITOS: recontados por Neil Philip. Porto : Livraria Civilização Editora, 1996. A história de Ganesha aparece numa versão um pouco diferente entre narrativas de mitos de vários povos, inclusive alguns pouco badalados, como os iranianos e os mongóis. A edição portuguesa é um pouco cara – R$ 67,70 foi o mais barato que achei na Internet – mas vale investir, pois o conteúdo e as ilustrações são excelentes.
Namas te!
E até a próxima!
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