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quarta-feira, setembro 19, 2018

Mediação e Literatura Fantástica na Biblioteca Parque

Pessoas Queridas,

Depois do nosso encontro com Verne e Wells, voltarei à Biblioteca Parque no dia 21 de setembro para bater um papo sobre Literatura Fantástica com mediadores de leitura e interessados em geral.


Além de debater a respeito do gênero, sua origem, desenvolvimento e relação com mitos, contos de fadas e a literatura infantojuvenil, vamos falar um pouco sobre as sagas como Harry Potter, Percy Jackson, O Senhor dos Anéis, o porquê de elas terem despertado tantos jovens para o prazer da leitura e como podemos trabalhar no sentido de incentivá-los e de ampliar seus horizontes.

A Biblioteca Parque fica na Praça da República s/n, Centro, pertinho do Shoping Niterói. Apareçam!

terça-feira, fevereiro 06, 2018

Manuscritos Herdados: uma coletânea do blog A Taverna


Todo leitor de fantasia sabe: tavernas são imprescindíveis.

Parece estranho? Abra um livro e verá. É nas tavernas que os órfãos se escondem, fugindo à perseguição, antes de aceitar o chamado para livrar o universo das trevas; é nelas que os caçadores de recompensas colhem informações; é nelas que os mercenários são contratados, que os piratas negociam mapas de tesouros, que se formam as companhias de aventureiros...



Pessoas Queridas,

Com muito orgulho venho apresentar minha segunda publicação deste ano, que integra a coletânea Manuscritos Herdados.

A publicação foi uma iniciativa dos administradores do blog A Taverna, que muito tem contribuído para a fantasia nacional. Eu mantinha contato com os administradores desde a criação do blog, e... podem imaginar como fiquei feliz quando me convidaram para integrar a publicação. Mais ainda, ser sua "madrinha", o que trouxe às minhas mãos a responsabilidade de escrever uma apresentação bem bacana. O começo dela eu mostrei lá em cima, o resto só baixando a coletânea... O que, por falar nisso, pode ser feito inteiramente de graça no Taverna Blog!

Os contos são ótimos e estão bem variados em termos de estilo. Alguns são sombrios, outros, divertidos. Há narrativas de guerra e de aventura, de coragem e de encantamento, ambientadas em mundos imaginários ou em diferentes localidades do mundo real. O meu é A Serpente e as Pombas, que foi publicado anteriormente no volume Tomos de Fantasia, da Editora 9 Bravos, mas nunca teve uma versão digital. Com ele vocês poderão viajar até a corte de Carlos Magno, conhecer suas filhas empoderadas e corajosas e combater um terrível adversário.

Espero que gostem!


quinta-feira, novembro 02, 2017

Coletânea Mitografias

Pessoas Queridas,

Como uma das várias novidades que eu espero trazer este mês, eis aqui a coletânea Mitografias, organizada pelo site do mesmo nome, para a qual tive o prazer e a honra de ser selecionada.


O tema devia ser "mitos modernos" e eu contei uma história passada no Rio de Janeiro contemporâneo. Nela, as Kothirat, deusas benfazejas da mitologia canaanita, vêm em socorro de Ana Maria, descendente de libaneses, e de seu marido, um imigrante sírio chamado Riad. Outros contos do livro trazem mitos astecas, indianos, brasileiros... Enfim, muita coisa legal!

O download é grátis, basta acessar a página clicando aqui.

Boa leitura!

quarta-feira, junho 21, 2017

Ana Merege e Eduardo Kasse na Feira medieval


Pessoas Queridas,

Eu e o Eduardo convidamos vocês para nos encontrar na III Feira Medieval carioca, que terá lugar no sábado e no domingo (dias 23 e 24 de junho) das 11 ás 17 h na Quinta da Boa Vista, um lugar bem central aqui no Rio de Janeiro. A entrada no evento é gratuita e haverá muitas atrações: torneio de armas, prática de arco e flecha, dança e música medieval, venda de hidromel, roupas e artefatos. As crianças terão atividades direcionadas pára elas - vai ser bem divertido.

Para quem quiser adquirir nossos livros, teremos descontos de até 30% nos volumes da Trilogia Athelgard, da Série Tempos de Sangue e das coletâneas Medieval e Excalibur. Aceitaremos cartão, daremos marcadores de brinde e, é claro, autógrafos.

Venha passar conosco um Dia Medieval!

quarta-feira, março 08, 2017

Por Que Conto Histórias?


Eu sempre gostei de contar histórias. Vem lá de dentro. Minha família se lembra de quando eu, pequenininha  -- uns quatro anos talvez – inventava longas histórias com personagens próprios que contracenavam com outros tão inusitados quanto Mogli, Emília e os deuses da mitologia grega.
(Sim, eu tive a sorte de também ter quem me contasse e lesse histórias).

Da palavra falada para a escrita foi uma transição natural, e eu venho escrevendo desde que aprendi a fazê-lo. Mais de quarenta anos. Continuei contando também. No início acho que era apenas uma forma de extravasar pensamentos e inquietude, depois foi um jeito de afugentar demônios, hoje é tudo isso e também uma forma de eu me expressar e deixar minha mensagem para o mundo – alguma coisa que fique e se perpetue depois que eu voltar a ser poeira de estrelas.

Você, mulher que conta e escreve histórias, saiba que é herdeira de uma longa linhagem, que vem desde as avós da Pré-História, passou pelas mães e avós, camponesas, parteiras e fiandeiras. Uma linhagem que sobreviveu às fogueiras e aos espartilhos.  Uma linhagem que se fez ouvir, ainda que em boa parte do tempo permanecesse invisível.

Eu conto histórias pelo prazer da partilha.

Eu escrevo pelo anseio de eternidade.

quarta-feira, fevereiro 15, 2017


Pessoas Queridas,

Saiu mais uma entrevista minha para o jornal O Estado do Rio de Janeiro, desta vez tratando do meu trabalho como bibliotecária e da representação da nossa profissão em séries e filmes.

Para quem quiser, o link está aqui.

domingo, fevereiro 12, 2017

O Ouro de Tartessos : Nova Aventura de Balthazar e Lísias


Pessoas Queridas,

O Balthazar e o Lísias não param!

Além do conto A Caverna de Zakynthos e da coletânea Piratas, eles estão numa nova história solo, O Ouro de Tartessos.

Eis a sinopse:

Acompanhado por Lísias, seu fiel escravo heleno, o Capitão Balthazar vai parar na mítica Tartessos, onde sempre ouviu dizer que existiam montanhas de ouro. Mas será que ele é o único a querer se apossar dessa incrível fortuna?

Que tal, curtiram? Espero que sim! E aguardo seus comentários sobre a história e os personagens!

quinta-feira, janeiro 19, 2017

A Caverna de Zakynthos: novo conto de Balthazar e Lísias

Pessoas Queridas,

O Balthazar e o Lísias, que vocês talvez já conheçam do conto Em Busca do Rei e da coletânea Piratas, aparecem agora numa nova aventura, dessa vez acompanhados por alguém muito especial: Diodoros, personagem da série "Tempos de Sangue" do Eduardo Kasse.

Eis a sinopse:

Cansado de prazeres vazios, o imortal Diodoros de Atenas está em busca de novas emoções. É quando se depara com o capitão fenício Balthazar de Tiro e seu fiel escravo Lísias. Onde esse encontro pode levar? Este conto reúne um personagem da série Tempos de Sangue, de Eduardo Kasse, e a dupla de viajantes do tempo criada por Ana Lúcia Merege, autora da série Athelgard, que agora se aventura pelas águas do Mediterrâneo - com muito humor, ação e aventura.

Que tal, curtiram? Espero que sim!

Para adquirir o conto, basta clicar aqui. E, para comemorar, aí acima estão Balthazar, Lísias e Diodoros em ilustração da querida e talentosa
Angela Takagui.

terça-feira, agosto 09, 2016

O Grande Livro do Fogo: Meu conto na coletânea "Medieval"



Meu fascínio pelo Oriente não começou ontem. Sempre gostei de saber que tinha antepassados vindos do Líbano e do Algarve; fiz minha monografia de fim de curso sobre a influência do Islã na literatura ibérica, e desde então tenho estudado e publicado mais alguns artigos de divulgação por aí. O início dessa atração, porém, foi muito anterior: foi do tempo em que, criança, eu devorava recontos de histórias orientais, como as de Simbad e Aladim, e os livros de Júlio César de Mello e Souza, mais conhecido pelo pseudônimo de Malba Tahan.

Quando o Eduardo Kasse e eu começamos a bolar a “Medieval”, não precisei pensar muito para decidir que escreveria sobre a Ibéria muçulmana. Também me veio muito rápido a ideia de fazer desse conto uma espécie de tributo a Malba Tahan, inclusive no que se referisse ao estilo de escrita. Alguns dizem que ela é datada, e eu tenho que concordar que dificilmente o autor agradaria às crianças de hoje. No entanto, ao que percebo, ele tentava emular o tipo de narrativa que se encontra em clássicos como “Calila e Dimna” (uma coleção de contos orientais, mandada traduzir pelo rei Afonso X de Castela no século XIII) e “As Mil e uma Noites” (conhecidas no Ocidente a partir da tradução de 1704, pelo francês Antoine Galland). Por isso resolvi arriscar, usando inclusive o “vós” e as mesóclises, sem falar nas hipérboles, nos adjetivos, nas invocações e nas exclamações. Se vai dar certo ou não… Bom, o futuro dirá.

Por falar em futuro, esse é, pode-se dizer, o tema central da história. Ou talvez não seja o futuro, mas o destino, que, segundo um dos meus contos favoritos de Malba Tahan, se inscreve num livro mágico, dificílimo de encontrar. Pois outra coisa que eu logo decidi foi fazer uma espécie de releitura do conto “O Livro do Destino”, aqui chamado de “O Grande Livro do Fogo”, pondo à sua procura meus personagens que, no início, deveriam ser um muçulmano, um cristão e um judeu. Logo nos primeiros rascunhos desisti dessa ideia em favor de um casal muçulmano, mais tarde convertido numa dupla de pai e filha e acrescido de um estudioso que representa os muitos eruditos cordobeses. Por meio dele não faltaram menções a personagens e fatos da época, nem, é claro, à grande biblioteca que funcionou vários anos sob a supervisão de uma mulher notável, Lubna de Córdoba.

Além desse enquadramento histórico, eu decidi usar os elementos mais emblemáticos das histórias de sabor islâmico, tais como os gênios e os tapetes voadores. Também temos doces muito doces, turbantes, babuchas e um pai cujo maior anseio é ver sua filha bem casada. Só faltaram os camelos (mas acho que mesmo assim eles são citados em algum lugar). E, em meio ao clima de “Sessão da Tarde” que eu tentei dar à segunda parte do conto, há espaço para um pouco de humor e também um tiquinho de melodrama.

A ilustração que acompanha este post foi feita a meu pedido pelo escritor, professor e artista plástico Vilson Gonçalves. Nela se podem ver nossos três heróis partindo rumo à aventura, acompanhados por ninguém menos que… uma águia dourada. Não fui eu que pedi para ela estar ali. Talvez tenha fugido de algum outro livro, onde tem uma contadora de histórias que não é a Sherazade… ;)

Enfim, espero que os leitores de “Medieval” curtam bastante a viagem nesse tapete mágico. E pensem bem no que desejam para o futuro. Quem sabe um dia surge a oportunidade de acrescentar palavras às páginas do Grande Livro do Fogo?

Medieval está à venda na Amazon e no site da Editora Draco. Em breve teremos também a versão digital, compatível com vários leitores de e-book. 

sexta-feira, julho 15, 2016

Cabuloso Cast 172 : Muito Além da Jornada do Herói



Pessoas Queridas,

Esta semana foi ao ar o Episódio 172 do Cabuloso Cast, onde, com a mediação do Lucien, o Bibliotecário, discuti a Jornada do Herói com Pablo de Assis e Ivan Mizanzuk.

A gravação foi feita há um bom tempo e, claro, teve bastante edição. Ouvindo de novo, fiquei agradavelmente surpresa por perceber que tem muita informação ali, um conteúdo que realmente pode interessar a escritores, pesquisadores e todos os que curtem o assunto. Falamos das limitações da Jornada do Herói, de suas vantagens em alguns casos, de sua aplicação a histórias do Oriente e da África (talvez por isso boa parte da trilha sonora é de O Rei Leão !), da ideia de "história única" sobre a qual nos alertou Chimamanda Ngozi Adichie, de diversidade, representatividade e muito mais.

Se vocês quiserem ouvir, acho que serão duas horas bem empregadas. ;)

domingo, julho 03, 2016

Medieval : contos de uma era fantástica


Pessoas Queridas,

É com grande orgulho que anuncio a pré-venda de uma coletânea que organizei juntamente com o Eduardo Kasse, autor da série Tempos de Sangue e, mais que um parceiro literário, um grande amigo que eu espero conservar pela vida toda.

Nesta "Medieval" nós quisemos resgatar a tradição da fantasia histórica, distanciando-a um pouco do que hoje conhecemos como alta fantasia -- a obra de Tolkien, por exemplo -- e a ambientando na Idade Média do nosso universo, inclusive no que se refere ao imaginário próprio de cada local visitado. Isso porque não nos limitamos à Europa; alguns autores excursionaram pelo mundo islâmico e por várias terras do Oriente, fazendo deste um livro surpreendente pela diversidade e riqueza das narrativas.

Em breve, no blog da Draco, esperamos compartilhar os depoimentos de alguns autores sobre o processo de criação desses textos. Eu também falarei do meu, que ganhou até mesmo uma ilustração exclusiva. Por ora, ficam aqui a belíssima capa do Erick Sama, inspirada em livros medievais, e o link da pré-venda no site da editora.

Que sua imaginação viaje, seja num drakkar, num tapete mágico, num corcel de batalha -- ou simplesmente nas páginas deste livro!

quarta-feira, junho 15, 2016

Documentos da Biblioteca Nacional : Uniformes Militares do Rio colonial



Pessoas Queridas,

Venho compartilhar com vocês um texto que escrevi para a página da Biblioteca Nacional no Facebook e o blog da BN. Trata-se de uma obra datada de 1786, assinada pelo engenheiro militar José Rangel de Bulhões, que contém imagens e estatísticas da guarnição do Rio de Janeiro colonial. É uma ótima fonte de informações textuais e iconográficas.

A imagem acima, pertencente ao acervo da BNDigital, é de um soldado do terço oficial de pardos libertos, cuja existência já dá margem a indagações sobre questões sociais inerentes à organização militar da época.

Espero que gostem, visitem e compartilhem! Temos muito a mostrar e muitas histórias para contar sobre esse acervo.

quinta-feira, junho 02, 2016

Documentos e Desafios: A Equipe da Divisão de Manuscritos



Pessoas Queridas,

Com muito orgulho, venho divulgar o artigo que escrevi sobre a equipe da Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional, da qual sou curadora de acervo. A intenção é mostrar que somos um grupo multidisciplinar, que inclui mestres e especialistas e cujo trabalho vai muito além do tratamento técnico.

Acessem o texto aqui e aproveitem para seguir o Blog da BN, onde estamos sempre postando novidades!


sábado, julho 05, 2014

Os Novos Patrimônios da Humanidade



Pessoas Queridas,

Não sei se vocês sabem, mas, como funcionária da Biblioteca Nacional, tenho contribuído (modestissimamente, é claro) para a guarda do nosso patrimônio cultural, no meu trabalho diário com manuscritos e às vezes também na preparação da candidatura de documentos e coleções ao status de Memória do Mundo. Tivemos algumas vitórias neste sentido e isso enche de orgulho a todos nós, agentes da preservação cultural.

Agora, a UNESCO acaba de anunciar 26 novos sítios eleitos como patrimônio da humanidade, que incluem desde cavernas com pinturas rupestres a florestas inteiras - e, ao mesmo tempo que me deleito com as imagens e sonho visitar cada um desses lugares, quero chamar a atenção para a importância de haver pessoas que façam esse trabalho. Pessoas que estudem, que compreendam cada obra ou paisagem em seu contexto, que analisem e façam valer critérios consistentes para a nomeação e a preservação desses registros.

Vamos admirar os monumentos, mas também valorizar aqueles que lutam e trabalham pela sobrevivência de nossa cultura, de nosso passado, de nosso planeta.

Acima: uma imagem de Pergamon, na Turquia, um dos grandes centros de conhecimento e aprendizado do mundo antigo, agora também na lista da UNESCO. 

segunda-feira, maio 12, 2014

Aí Vêm os Vikings!



Pessoas Queridas,

Uma das séries de TV que venho acompanhando com entusiasmo é Vikings, exibida no Brasil pela NatGeo. Além de contar uma história emocionante sobre personagens que eu conhecia das sagas, lendas e recontos - e que amo desde sempre -, ela tem o mérito de recriar os cenários e os acontecimentos da época com muita fidelidade... embora, deva-se dizer, não com a fidelidade absoluta que se esperaria de um documentário.

Mas Vikings é um documentário? Ou é uma série dramática, na qual o roteirista deve sacrificar a exatidão histórica em nome da adequação ao grande público? E qual a aproximação que se pode fazer entre essa série e uma de fantasia inspirada, mas não ambientada na Idade Média, como minha outra favorita, Guerra dos Tronos?

A convite do Lucien, do site Leitor Cabuloso, escrevi sobre o tema, e agora compartilho com vocês minhas impressões. Confiram clicando aqui. E depois me digam o que lhes pareceu.

Abraços a todos,

Até a próxima!

quarta-feira, março 12, 2014

Dia do Bibliotecário



Pessoas queridas,

Embora, na maioria das vezes, eu me apresente aqui sob o meu outro chapéu - o de escritora de ficção fantástica - acho que a maioria sabe que sou bibliotecária, que tenho muito orgulho da minha profissão e que nos meus contos e romances sempre aparecem livros, bibliotecas e contadores de histórias.

Hoje, 12 de março, é o Dia do Bibliotecário, e eu não poderia deixar de homenagear meus colegas - esses profissionais dedicados, que estão por trás de todos os grandes ensaios e pesquisas e que vêm desempenhando seu papel, frequentemente em silêncio, desde os tempos do cuneiforme. E, claro, dar um sorrisinho ao me lembrar daqueles que dizem que nossa profissão vai acabar. Não vai: ela apenas continuará a se transformar, como já fez tantas vezes, na transição da tabuleta de argila para o papiro e depois para outros suportes, do rolo para o códice, do manuscrito á imprensa e agora a formas cada vez mais avançadas de edição e armazenamento digital. São muitos desafios, os paradigmas da profissão estão mudando, e pode ser que no futuro não haja mais uma formação acadêmica chamada Biblioteconomia, ou Ciência da Informação. Mas o que fazemos sempre será necessário.

E o que fizemos, até agora, ao longo destes quase trinta séculos merece atenção e respeito.

Parabéns, bibliotecári@s e amantes de bibliotecas!

.......

Obviamente, vocês sabem que a imagem acima é de um quadro do pintor italiano Giuseppe Arcimboldo (1527-1593), chamado... "O Bibliotecário". Mas eu tinha que informar de qualquer jeito. Esse é o orgulho e s alegria do meu ofício. :)

quinta-feira, agosto 02, 2012

Rei Artur: Lenda ou História?


Nobres Pessoas,

Visto estarmos a um mês do prazo final das submissões para a coletânea Excalibur, decidi postar aqui um texto baseado num artigo que escrevi para a Ciência Hoje das Crianças. A publicação é de 2008 e, desde então, já soube de pelo menos três escolas que usaram o texto para trabalhar com alunos da sexta à oitava série. Espero que os leitores do blog também aprovem. :)

...

O "Verdadeiro" Artur

Até o momento não há evidências históricas ou arqueológicas que provem a existência do Rei Artur. Alguns estudiosos sustentam que os relatos a seu respeito se referem ao líder guerreiro dos britânicos na luta contra o domínio saxão, enquanto outros se inclinam a pensar que seria um nobre romano. Há ainda quem acredite que não houve de fato um único Artur, e sim vários líderes cujos feitos, com o passar do tempo, acabaram sendo atribuídos a um só "rei imaginário".

Em meio a tantas possibilidades, o que se pode afirmar é que o Rei Artur - ou o guerreiro em quem se basearam as lendas - viveu e lutou suas batalhas entre os séculos V e VI d. C., numa Bretanha que, durante quatro séculos, ficara sob o domínio de Roma. No início do século V, as legiões que até então ocupavam as Ilhas Britânicas tinham começado a partir para o continente, a fim de defender o Império do ataque de invasores como os godos e os hunos. Os bretões se viram sozinhos para enfrentar seus próprios atacantes, em especial os anglos e saxões. Sem o apoio militar dos romanos, eles sofreram várias derrotas que os levaram a perder parte do território e promoveram uma divisão interna (aquela que é retratada na lenda da espada na pedra).

No meio da disputa entre as facções da nobreza e os pequenos reinos rivais surgiu então o líder que os historiadores da época chamam de Artur, sobre o qual muito pouco se sabe, a não ser o fato de ter vencido batalhas e, com isso, garantido mais alguns anos aos bretões antes que os invasores os dominassem por completo.

A primeira menção ao nome de Artur foi feita por Nennius no século IX. Em sua crônica, História dos Bretões, Artur é descrito não como rei, mas como dux bellorum (duque guerreiro), que teria lutado junto aos reis britânicos em doze grandes batalhas. Artur é citado ainda em dois poemas épicos e numa crônica chamada Os Anais de Gales, que registra sua morte num local chamado Camlann. Já a Crônica Anglo-Saxã, uma das mais importantes fontes para o estudo da história da época, não faz referências a Artur - o que é compreensível, pois a obra prefere dar a impressão de que os saxões venceram todas as batalhas sem dificuldade.

Embora os registros da época sejam poucos e imprecisos, é neles que se baseiam todas as pesquisas sobre o Rei Artur. Muitos estudiosos se dedicaram a localizar os sítios onde foram travadas as batalhas citadas por Nennius, enquanto outros procuram pistas sobre o local de nascimento de Artur. Um dos mais prováveis é Tintagel, na Cornualha, Inglaterra, onde, em 1998, foi descoberta uma pedra com uma inscrição que menciona o nome Artognou, associado com o do rei; essa pedra passou a ser conhecida como “Pedra de Artur” e alguns estudiosos crêem que o local pode ter ligação com o Artur histórico, ou seja, com o líder guerreiro que teria dado origem ao mito.

Já a corte de Camelot poderia ficar nos arredores do Castelo Cadbury, em Somerset, Inglaterra. A hipótese, levantada no século XVI por John Leland, ganhou força após as escavações realizadas por Leslie Alcock entre 1966 e 1970, que revelaram as ruínas de uma grande fortificação. No entanto, o mais provável é que a “corte do Rei Artur” tenha sido uma invenção dos escritores e poetas medievais, assim como a famosa “távola redonda”.

A Literatura arturiana

Se, por um lado, é difícil provar a existência de um Rei Artur histórico, por outro são inúmeras as lendas, poemas, romances e mais recentemente filmes que retratam o personagem. Além das crônicas, ele também aparece em relatos da Mitologia celta, principalmente os que provêm do País de Gales. Não por acaso, essa foi a pátria de Geoffrey de Monmouth, nascido por volta do ano 1.100 e autor de Historia Regum Brittaniae: um relato sobre os Reis da Bretanha que, misturando História, mito e muita imaginação, forneceu as bases para toda a Literatura arturiana surgida a partir daí.

As primeiras obras são os chamados romances de cavalaria, escritos entre os séculos XII e XV. Neles, o Rei, a Rainha Guinevere e cavaleiros como Gawaine, Tristão e Lancelote vivem aventuras em que não faltam magos, fadas, dragões e poções do amor, sem falar em Excalibur, a espada mágica do Rei. Por outro lado, os personagens se comportam de acordo com o ideal cristão de justiça, piedade e generosidade condizente com a época em que viveram os autores. Entre estes podemos citar Chrétien de Troyes – em cujos livros aparece um dos temas mais famosos da literatura arturiana, a busca do Graal, que seria o cálice usado por Jesus na Última Ceia – , os poetas alemães Wolfram von Eschenbach e Gottfried von Strassburg e o inglês Thomas Malory, autor de Morte d´Arthur.

A imaginação dos escritores medievais criou obras maravilhosas, mas por outro lado gerou também um equívoco sob o ponto de vista histórico. A maioria de nós, ao pensar no Rei Artur, imagina castelos de pedra e cavaleiros de armadura, mas isso está bem distante da realidade: nos séculos V e VI d.C. os bretões ainda não construíam castelos. A sede da famosa "corte de Camelot" seria portanto uma fortaleza de madeira. Quanto aos companheiros do rei, é provável que tenham combatido a cavalo, mas as ordens de cavalaria, com seus ideais e códigos de honra, só surgiram por volta do século XII. As armaduras compostas por várias peças sólidas de metal vieram ainda mais tarde. Assim, o Rei Artur, ou o guerreiro que deu origem à lenda, deve ter usado uma cota de malha ou uma armadura de escamas de metal sobre um reforço de couro, tal como os romanos daquele período, de quem os bretões adotaram o equipamento e as técnicas militares.

A popularidade do tema diminuiu um pouco no final da Idade Média, mas tornou a crescer no século XIX, com publicações como a série de poemas Os Idílios do Rei, de Lord Tennyson. Muitos autores contemporâneos se inspiraram na lenda e nos relatos sobre Artur para escrever livros fascinantes. Um que vale a pena conhecer é T. H. White, autor da série O Único e Futuro Rei (1963), no qual se baseou a animação da Disney A Espada Era a Lei. Também são dignos de nota os filmes Excalibur (1981) de John Boorman e o recente Rei Arthur (2004), de Antoine Fuqua, no qual a ambientação está mais de acordo com o período da invasão dos saxões.

...

O texto da revista era concluído com um convite ao público mais novo para que buscassem conhecer mais sobre o Rei Artur. Estendo-o a vocês, e faço um convite especial aos escritores para que se juntem ao time ilustre dos que recriaram as lendas arturianas, do qual fazem parte Marion Zimmer Bradley, Mary Stewart, Stephen Lawhead e Bernard Cornwell.

Esperamos por seu conto!


quinta-feira, março 22, 2012

Ecos do Passado: a Biodiversidade nos Manuscritos da Biblioteca Nacional


Pessoas Queridas,

Venho convidá-los para a mais recente mostra que organizei na Biblioteca Nacional, com 17 documentos originais, provenientes de algumas das nossas mais importantes coleções. Só para dar um "gostinho", eis o texto de abertura:

Com sua incrível variedade de espécies, a Natureza sempre exerceu um grande fascínio sobre nós. Desde a Antiguidade, estudiosos como Aristóteles e Plínio, o Velho se ocuparam em descrevê-la e explicá-la, conhecimento que foi transmitido às gerações seguintes e forneceu as bases para o Renascimento.

Na Era dos Descobrimentos, um novo mundo se descortinou perante os olhos dos viajantes. Logo surgiriam os primeiros relatos sobre o Brasil. Foram muitos, a começar pela carta de Caminha – que já antecipava a riqueza da terra brasileira – até o tratado de Gabriel Soares de Sousa, datado de 1587, que fornece explicações exatas sobre as plantas do Novo Mundo.

Os séculos XVII a XIX foram pródigos em expedições e descobertas. As viagens eram longas, cheias de percalços; os novos mapas eram traçados aos poucos, mas o deslumbramento era constante. E se a ação do homem desde cedo começou a interferir na vida selvagem, por outro lado não tardou a surgir a preocupação em preservar florestas e espécies ameaçadas.

Às vésperas da Rio + 20, conferência sobre desenvolvimento sustentável que terá lugar no Rio de Janeiro, a exposição “Ecos do Passado” reúne documentos que testemunham aquele período. Entre os manuscritos contam-se diários de viagem, relatórios acerca da situação das matas e ilustrações da fauna e da flora de um dos países mais ricos do mundo em biodiversidade. Em outras palavras, uma fusão entre os bens culturais e o patrimônio natural brasileiro
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...

Legal, não? Foi um trabalho que eu gostei de fazer e estou adorando compartilhar com nossos visitantes. Por isso convido vocês. A quem não puder vir, peço que ajude na divulgação, pois vale a pena!

Abraços e até a próxima!