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terça-feira, dezembro 16, 2014

Favoritos de 2014: 10 Livros Estrangeiros (quase sem LitFan)


Olá, brava gente!

Continuo a fazer as minhas recomendações com base nos livros que li ao longo deste ano. A lista agora é de livros estrangeiros, pois os nacionais virão na próxima. 

Além de usar esse filtro, excluí os livros voltados para o público mais jovem - objeto da lista anterior - e também as coletâneas de vários escritores. Isso talvez explique, em parte, o fato de poucas obras aqui poderem ser classificadas como Literatura Fantástica, já que muitas das minhas leituras no gênero são de antologias e contos isolados. Agora ainda mais, que compro e-books direto. 

Seja como for, da centena e meia de livros lidos em 2014, aqui estão mais dez que me assustaram, me encucaram, me emocionaram... Enfim, me encantaram por alguma razão. Vamos a eles?


 Aguapés, de Jhumpa Lahiri

Subhash e Udayan são irmãos, mas seu posicionamento diante da vida e especialmente da situação política da Índia acaba por separar seus caminhos. A morte de um deles leva o outro a assumir, repentinamente, uma parte importante das responsabilidades do irmão, daí se desenrolando um sensível drama familiar. Da mesma autora de outros dois ótimos livros: "O Xará" e "Intérprete de Males",


Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie

Outra obra de uma autora que eu já admirava. Através da história de Ifemelu, que deixa a confusão política da Nigéria na década de 1990 e vai tentar a vida no exterior, aqui se trata de questões como a imigração, os problemas de gênero, o preconceito racial... e tudo isso junto, pois, como coloca o blog da personagem, uma coisa é ser um negro americano e outra bem diferente é ser um negro, africano ou antilhano, morando nos Estados Unidos. Um livro provocante e muito bem escrito.


O Aprendiz de Assassino, de Robin Hobb

Um livro muito interessante de fantasia medieval, em que o protagonista, filho bastardo de um príncipe e dotado de um poder especial, é convertido em aprendiz do assassino e espião real. O livro o acompanha desde a infância até o final da adolescência. Achei tanto o universo quanto o personagem bem construídos, e a narrativa é muito boa, tanto que em alguns momentos cheguei a sofrer junto com Fitz. Quem já leu os próximos livros disse que o sofrimento aumentará ainda mais. Isso, porém, não me fará abandonar a saga, nem o fato levemente irritante de os personagens terem nomes que procuram refletir suas qualidades, como o Príncipe Majestoso, o Rei Sagaz e a Dama Paciência. 


Assim na Terra, de Davide Enia

Vocês podem se perguntar por que comprei um livro sobre um boxeador siciliano. O fato é que a história das lutas e amores do jovem Davidù. entrelaçadas às memórias de seu tio-avô - também boxeador - e às do avô Rosario, que lutou e sofreu na África durante a guerra, me prendeu pela sensibilidade e pela maestria da narrativa. Depois que comecei, não consegui parar. Muito bom mesmo.


A Casa Redonda, de Louise Erdrich

Joe é filho de um juiz tribal e vive numa reserva da tribo Dakota. Seu mundo é sacudido quando sua mãe é vítima de estupro e o menino parte em busca de pistas ao lado de seus amigos, ao mesmo tempo que passa por várias experiências e dilemas morais. Livros sobre nativos americanos sempre me interessaram, mas, apesar de haver de fato alguma coisa sobre os costumes da tribo, históricos e atuais, o forte da obra é mesmo a construção de Joe e dos personagens secundários.


A Invenção das Asas, de Sue Monk Kidd

Um maravilhoso romance histórico baseado na vida da abolicionista americana Sarah Grimké, narrado sob dois pontos de vista: o dela própria e o de sua escrava, esta uma personagem fictícia, chamada Hetty Encrenca. As histórias de ambas se entrelaçam, compondo um panorama da sociedade americana e das lutas pela causa da abolição ao longo de 30 anos.



O Macaco e a Essência, de Aldous Huxley

Shame on me: só agora descobri este livro delicioso, narrado sob a forma de um roteiro de cinema e ambientado numa América pós-catástrofe bacteriológica, onde a sociedade encontrou formas inusitadas de se reorganizar. Não deixem de conferir!


A Menina Sem Palavra, de Mia Couto

Este livro reúne contos escritos pelo autor moçambicano em várias épocas. Alguns são puro realismo mágico, outros são mais calcados no cotidiano, mas todos são obras-primas da narrativa, imbricados de poesia. O único defeito é ser curto demais. Quero mais contos do Mia!



Misery, de Stehphen King

Outro antiguinho, só agora saboreado. Gosto bastante de King, mas nenhum dos seus vampiros, fantasmas ou "coisas" inomináveis foi capaz de me causar mais angústia que a fã psicopata do pobre escritor que é personagem do livro. Quem escreve terror e horror, gore inclusive, não deve deixar de ler este. 


A Travessia de Caleb, de Geraldine Brooks

Mais um romance histórico, escrito pela autora de "As Memórias do Livro". Ambientado no século XVIII, conta a história de Bethia, filha de um pastor dedicado à conversão da tribo wampanoag ao iristianismo, e de seu amigo Caleb, que se tornou o primeiro nativo americano a se formar em Harvard. O rico trabalho de pesquisa e a boa narrativa prendem o leitor da primeira à última página.

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Bom, essas foram as minhas recomendações. Vocês conhecem algum? O que acharam? E o que me sugerem para ler no ano que vem?

Aguardo comentários. Até a próxima!

sábado, dezembro 06, 2014

Favoritos de 2014: 10 Livros para Jovens e Jovens Adultos

Oi, Pessoas! Tudo bem?

Como tenho feito há vários anos, chegou a hora de partilhar com vocês a minha lista de títulos favoritos, dentre as leituras realizadas em 2014.

Este ano eu extrapolei e devorei nada menos que 142 títulos até agora, sem contar HQs e contos comprados na Internet ou pinçados em antologias que não li na íntegra. Nada mais justo, então, que apresentar uma lista um pouco mais extensa, da qual irão constar 25 obras. E como eu tenho lido muitos juvenis e, principalmente, livros daquela categoria chamada de jovem adulto – o famoso YA – vou começar apresentando os dez que mais chamaram minha atenção, ordenados alfabeticamente por título. Vamos lá?



The Giver Quartet, de Lois Lowry

Não sei se todos sabem, mas “The Giver”, aqui traduzido como “O Doador de Memórias” e transformado em filme, tem três continuações. Em todos os livros, jovens de diferentes sociedades surgidas após algum tipo de catástrofe mundial enfrentam os limites que lhes são impostos e usam seus dons – que vão da cura e da capacidade de tecer (literalmente) quadros do futuro à simples persistência – para mudar suas próprias vidas e, quase sempre, fazer a diferença para toda a comunidade. Gostei mais do segundo e do quarto livros, mas o conjunto vale a pena, e os e-books (para quem lê inglês) estão baratos na Amazon.



Graceling, de Kristin Cashore

Num universo imaginário, algumas pessoas são dotadas de habilidades especiais. A de uma jovem de família real – lutar incansavelmente e se recuperar com facilidade de qualquer ferimento – a leva a ser usada como assassina por seu tio, um rei inescrupuloso. As coisas mudam quando ela conhece um jovem de outro reino, também grande lutador, ao lado de quem viverá uma incrível aventura. Personagens e universo bem construídos e uma excelente narrativa fazem com que este livro seja difícil de largar, o que se repete com outra obra da autora, intitulada “Fogo” – passada no mesmo universo, mas não uma continuação.



Lagoena, de Laísa Couto

O primeiro lançamento juvenil da Editora Draco traz a história de Rheita, a neta de um joalheiro falido, que descobre a metade de um mapa mágico entre as coisas do avô. Juntamente com seu amigo Kiel, ela segue a rota que vai se desenhando conforme os dois avançam pelo mundo mágico de Lagoena, habitado por criaturas fantásticas e que se encontra ameaçado por um rei-feiticeiro. Influências de Narnia, Alice e dos contos de fadas podem ser encontradas em meio às muitas peripécias de Rheita e Kiel e à prosa bem-cuidada da autora. Uma bela estreia nacional.



O Livro dos Mil Dias, de Shannon Hale

Num cenário de contornos que lembram os da Mongólia, uma jovem nobre é encerrada numa torre pelo pai, até que concorde em se casar com um temível pretendente. Dashti, a filha de nômades que é sua criada, lhe faz companhia e é quem narra esta história incrível, cheia de reviravoltas e cuja narrativa mescla perfeitamente a sensibilidade e o bom-humor. Para mim, esta obra mereceu cada um dos muitos prêmios literários recebidos.  



O Peculiar, de Stefan Bachmann

Num mundo em que os habitantes de Faerie vivem próximos aos humanos, os mestiços são escorraçados, perseguidos e mortos. Barthy, um garoto mestiço, se alia a um homem ingênuo, mas de bom coração, para desvendar o mistério do rapto e do assassinato de crianças como ele. O cenário é sombrio, de contornos góticos e um toque steampunk, o que se mistura de forma interessante com as referências ao Reino das Fadas. Aguardo a continuação.



A Pedra da História, de Simone Saueressig

Este livro fecha a série "Os Sóis da América", em que três jovens amigos atravessam todo o continente americano desde seu ponto mais meridional em busca de uma história que possa trazer de volta o Sol. O último volume se passa na América do Norte, e apresenta alguns dos seres lendários da região no desenrolar dos últimos lances da trama. Recomendo muito essa série para quem se interessa pelos mitos americanos e pela arte de contar histórias.




Sombra e Ossos, de Leigh Bardugo

Num universo fantástico que guarda muitas semelhanças com a Rússia dos Czares, os Grishas são uma elite composta por magos. Alina, a protagonista e narradora,é cooptada pelo líder, conhecido como Darkling, que pretende destruir a ameaça contida numa dimensão obscura daquele mundo.  Um livro incrivelmente bem escrito (e traduzido, também, pelo Eric Novello) que não consegui largar, e o mesmo aconteceu com sua continuação, "Sol e Tormenta". Para quem lê inglês e quer conhecer mais do trabalho de Leigh Bardugo, há novelas disponíveis na Amazon – mas o que quero mesmo é o último volume da saga, prometido para o ano que vem!



As Três Princesas Negras, de Georgette Silen

Um livro interessante, que reconta algumas das histórias dos irmãos Grimm (com ecos, é claro, nas obras de compiladores que vieram antes e até de fábulas e narrativas mitológicas). A prosa de Georgette Silen é muito hábil, de forma que mesmo aqueles que conhecem as histórias podem curtir as novas versões.



Os Treze Tesouros, de Michelle Harrisson

Outro livro merecidamente premiado. Tanya é uma adolescente britânica, assediada desde a infância por estranhas fadas que tanto a ajudam quanto a atormentam. Na floresta próxima à casa da avó, ela descobre um perturbador segredo de família que estreitará ainda mais seu contato com o mundo de Faerie. Já comprei as duas continuações – "As Treze Maldições" e "Os Treze Segredos" – e espero que continuem tão bem quanto o primeiro livro.



Wereworld, de Curtis Jobling

Na verdade esse é o nome da série, que acaba de ter o seu terceiro volume lançado no Brasil. Num mundo formado por sete reinos (sempre são sete...), um jovem descobre ser o herdeiro de um rei que tinha o poder de se transformar em um lobo e cujo trono foi usurpado por uma família de Werelions. Isso faz lembrar o universo de George R. R. Martin, mas o interessante é que os nobres dos sete reinos são todos transmorfos, e existe desde a família dos ratos até a dos tubarões e baleias. A história tem alguns clichês, mas é bem narrada e ágil. Aliás, extremamente ágil: o livro tem ação o tempo todo, e não poupa os jovens leitores de pelo menos dois dos “S” – sangue e sujeira - da fantasia medieval. ;)

Bom, pessoal, estas são minhas recomendações, deixando claro que não é minha intenção fazer qualquer juízo de valor. Em breve estarei de volta, trazendo uma lista de meus nacionais favoritos para o público adulto – uma listinha um pouco menor -, e por fim será a vez das recomendações de livros estrangeiros. Na qual, embora possa parecer estranho, poucos livros são de literatura fantástica.

Até lá – e, enquanto isso, espero comentários! 
  

quarta-feira, setembro 10, 2014

Bakuman: Laboratório de Arte e Comédia Humana



Pessoas Queridas,

Saiu novo texto meu no blog do Leitor Cabuloso. Falo sobre a série de mangá "Bakuman", focando principalmente nos personagens, que me fizeram refletir bastante sobre o ofício de escritora e sobre o que é, de fato, fazer boa arte.

Confiram aqui. E depois me digam.

Abraços a todos!

domingo, agosto 03, 2014

Sobre Athelgard e a Construção de Universos : um post para o Leitor Cabuloso



Pessoas Queridas,

Novo mês, nova coluna para o site Leitor Cabuloso. O convite do Lucien era para falar sobre a construção de Athelgard, mas preferi ampliar o foco e dizer algumas coisas sobre a construção de universos fantásticos. Algumas podem parecer óbvias, mas mesmo assim talvez ajudem quem está começando.

Para ler o artigo, é só clicar aqui. Espero que gostem.

Grande abraço e até breve!

domingo, julho 27, 2014

Entrevista no Site Três Sagas



Pessoas Queridas,

Fui entrevistada pelo Vagner Abreu, do site Três Sagas, sobre meu trabalho como escritora: o processo criativo, as influências, como tudo começou. Compartilho com vocês aqui.

Aproveito para pedir desculpas pela pouca atenção que venho dando a este blog. É difícil escrever artigos mais longos sobre Literatura, Mitologia e outros assuntos, com as pesquisas que eles requerem, quando eu estou efetivamente escrevendo mais ficção. Espero, porém, que saibam que não abandonei este espaço; vou-me esforçar para manter uma certa frequência nas postagens, inclusive com posts mais longos e informativos como eu costumava fazer. Nem que seja uma vez por mês apenas.

Obrigada pela constância. Grande abraço!

sábado, junho 28, 2014

Como Treinar o Seu Dragão: Podcast no Leitor Cabuloso



Pessoas Queridas,

Quem me conhece sabe que dragões e vikings estão entre meus personagens favoritos desde sempre.
Quem me conhece ainda melhor sabe que adoro bater um papo.
Assim, como resistir a mais este convite do Lucien?

Aqui vai nosso podcast sobre a série de livros (ou pelo menos o primeiro deles) e as animações, sem spoiler do segundo filme. Confiram aqui no site do Leitor Cabuloso - e depois me digam!

sexta-feira, junho 20, 2014

A Vida Secreta de Walter Mitty



Dirigido e estrelado por Ben Stiller, o filme “A Vida Secreta de Walter Mitty” (“The Secret Life of Walter Mitty”, 2013) foi inspirado num conto do escritor americano James Thurber, publicado em 1939 no jornal “The New Yorker”. Ao contrário de uma adaptação anterior (de 1947), em que o protagonista sonhador salvava o dia ao se tornar agente secreto, este filme não pretende tirar seu herói da condição de um homem comum - mas, através de um roteiro muito simples e uma belíssima fotografia, consegue fazer com que o espectador compreenda a nova dimensão que sua personalidade adquiriu ao longo de uma grande jornada..

Escrevi sobre este filme no site do Leitor Cabuloso. Confiram!

segunda-feira, maio 12, 2014

Aí Vêm os Vikings!



Pessoas Queridas,

Uma das séries de TV que venho acompanhando com entusiasmo é Vikings, exibida no Brasil pela NatGeo. Além de contar uma história emocionante sobre personagens que eu conhecia das sagas, lendas e recontos - e que amo desde sempre -, ela tem o mérito de recriar os cenários e os acontecimentos da época com muita fidelidade... embora, deva-se dizer, não com a fidelidade absoluta que se esperaria de um documentário.

Mas Vikings é um documentário? Ou é uma série dramática, na qual o roteirista deve sacrificar a exatidão histórica em nome da adequação ao grande público? E qual a aproximação que se pode fazer entre essa série e uma de fantasia inspirada, mas não ambientada na Idade Média, como minha outra favorita, Guerra dos Tronos?

A convite do Lucien, do site Leitor Cabuloso, escrevi sobre o tema, e agora compartilho com vocês minhas impressões. Confiram clicando aqui. E depois me digam o que lhes pareceu.

Abraços a todos,

Até a próxima!

quinta-feira, janeiro 23, 2014

Novos E-books no Universo de "O Castelo das Águias"


Pessoas queridas,

É com prazer que venho anunciar meus mais recentes lançamentos na Coleção Contos do Dragão.

A partir de hoje, os contos "O Fogo Interior", "Em Nome de Thonarr" e "Um Estranho Equinócio" estão disponíveis para ser adquiridos em e-book pela Amazon ou pela Kobo, a preços bem convidativos. Espero que vocês gostem!

Para saber um pouco mais sobre cada um dos contos e acessar os links de compra, é só visitar o blog da Editora Draco. Aproveitem para deixar, lá ou aqui, suas expectativas, comentários e sugestões para novas histórias com os habitantes do Castelo.

E, para quem ainda não sabe, estou com uma nova promoção para seguidores do blog oficial do "Castelo das Águias". Passem na nossa página de promoções e confiram, vale a pena.

Aguardo vocês!

segunda-feira, dezembro 23, 2013

Top 10 2013 : livros de ficção para jovens




Olá, Pessoas!

Chegou a hora de eu falar sobre as leituras de juvenis. Hoje são usadas várias subdivisões - infantojuvenis, livros para jovens adultos, para novos adultos e aí vai - mas aqui não me preocupei em fazer essas distinções, até porque variam muito de leitor para leitor. Mais uma vez, usei o critério dos 30% e escolhi três títulos nacionais; não houve favoritismo, esses foram mesmo os que preferi, mas fico feliz e honrada por citar três ótimas autoras que além disso são amigas muito queridas.

Vamos lá?

O Nalladigua, de Simone Saueressig. Primeiro livro da série “Os Sóis da América”, narra a odisseia de Pelume, que deixa sua terra no extremo sul do continente e parte em busca de uma história que faça o sol retornar. Ao longo da jornada ele encontra vários companheiros e se depara com criaturas míticas de toda a América, apresentadas de forma magistral através da prosa fluida e da excelente pesquisa de Simone. Ler este livro reacendeu em mim a vontade de ler e contar histórias, recomendo-o a todos.

Pedro e Inês, de Helena Gomes. Também fruto de um belo trabalho de pesquisa - dessa vez da história ibérica -, este livro conta de forma romanceada a história de Pedro (Pedro I de Portugal) e sua amada Inês de Castro. Cenário, personagens e narrativa são muito bem construídos e a edição ilustrada é primorosa. Vale a pena.

Territórios invisíveis, de Nikelen Witter. Uma excelente fantasia brasileira, conta a história de um grupo de jovens que se envolvem com uma sociedade secreta e são levados a Yvymarã, uma terra alternativa, habitada por estranhas criaturas e onde sua determinação será posta à prova. Aguardo o próximo volume da saga!

Uma Ilha no oceano, de Annika Thor. Creio ser este o único da lista que não tem um “pezinho na fantasia”. Conta a história de Steffi e Nelli, duas irmãs judias que, durante a II Guerra, são enviadas para viver numa cidade pesqueira da Suécia. Os problemas de adaptação adquirem um peso extra quando elas pensam se voltarão a ver sua família, mas apesar desse pano de fundo a narrativa jamais se torna pesada ou piegas. Muito bom.

Caminhos de sangue, de Moira Young. Finalmente um livro pós-catástrofe (o único da lista). Sua protagonista, Saba, vive num lugar inóspito e isolado com o pai, a irmãzinha e o irmão gêmeo a quem idolatra. Quando o jovem é raptado, ela empreende uma jornada para reencontrá-lo, deparando-se com situações insólitas e personagens mais ainda.

O Atlas esmeralda, de John Stephens. Primeiro volume da trilogia “Os livros do princípio” – este era um atlas, o segundo é uma crônica e sua história está em “A Crônica do fogo”. Apesar de uma premissa um pouco batida – órfãos que fazem parte de uma profecia – a obra segue um roteiro interessante, traz boas surpresas e uma narrativa muito bem trabalhada.  Gostei.

Floresta sombria, de Matt Haig. Samuel e sua irmãzinha Martha perdem os pais num acidente de carro e vão viver na Noruega com sua simpática e amorosa Tia Eda. A casa fica à beira de uma floresta onde o marido de Eda desapareceu há muitos anos, e onde as crianças acabam por se aventurar, o que as fará ter estranhos encontros e revelações. O desfecho é um pouco corrido, mas a narrativa é excelente.

Guia do herói para salvar o seu reino, de Christopher Healy. Uma história humorística baseada em contos de fadas, focando quatro príncipes conhecidos coletivamente como “Encantado” e que na verdade têm personalidades bem diferentes: o grosseirão Gustavo, Frederico, delicado ao ponto da frescura, Liam, o único que pode ser chamado de herói e Duncan, que é... bom, um sujeitinho estranho. Quando seus romances com as princesas não dão certo eles formam a Liga dos Príncipes, destinada a limpar seus nomes e a salvar cinco reinos ameaçados por uma feiticeira. Super bem escrito e divertido, recomendo muito, para todas as idades..

O Livro selvagem, de Juan Villoro. O adolescente Juan se hospeda na casa de seu tio Tito, que vive praticamente afundado em livros, com a companhia apenas de três gatos e de sua cozinheira. Juntos eles tentarão descobrir uma obra singular: “O livro selvagem”, que resiste à leitura e que revelará muitos segredos ao ser encontrado. A narrativa do autor mexicano é bem legal, a história também, mas o melhor são as reflexões que vão sendo feitas sobre a relação entre os livros e os leitores.

Kate somente, de Erin Bow. Meu favorito para o fim... Kate vive numa cidade da Europa Central e é a filha e aprendiz de um entalhador. Precisando de dinheiro para se alimentar e a seu gato Braque – o melhor personagem do livro – ela faz um pacto com um estranho bruxo cigano, daí resultando uma jornada marcada por perigos, magia e pelo enfrentamento de situações de ódio e preconceito. Não é para os muito novinhos nem para os impressionáveis; diria que é ótimo para os futuros leitores da saga de Geralt de Rívia.

... 

Bom, essas foram as minhas dicas - dicas de uma leitora não tão jovem, mas eclética, mãe de uma adolescente e cujos textos, muitas vezes, se destinam a um público mais novo. Espero que vocês curtam e compartilhem.

Tenham um ótimo Natal - e até a próxima!

quinta-feira, dezembro 12, 2013

Top 10 2013: livros de ficção para adultos



Oi, Pessoas, tudo bem?

Como já é tradição aqui na Estante Mágica, venho compartilhar com vocês os títulos que mais me agradaram ao longo de 2013. Não são resenhas, apenas indicações; não se trata necessariamente de lançamentos (um dos livros é até bastante antigo); por fim, não se trata de “livros que eu, como escritora, considero bons/bem escritos/inovadores”, mas sim das leituras que mais me deram prazer, escolhidas de forma inteiramente pessoal.

Como sempre, as categorias mudam de um ano para o outro. Desta vez, levando em conta a quantidade e o tipo de leituras, decidi indicar 10 livros de ficção para adultos e 10 juvenis. Quase todos os juvenis são de fantasia, mas entre os adultos eles são minoria (sim, li muita fantasia adulta este ano, mas boa parte dela foi em antologias, e estas ficaram de fora, assim como as HQs).

Então, sobraram os romances. Com base na porcentagem de nacionais que li – cerca de 30% do total -, decidi que cada categoria teria três brasileiros e sete estrangeiros. Listo-os aqui, mas não em ordem não é de preferência e sim naquela em que fui me lembrando dos títulos. Aqui vai a leva de ficção para adultos:

O homem do sambaqui, de Stella Carr. Quem me conhece sabe que eu adoro ficção pré-histórica. Por isso, corri à Estante Virtual e comprei este livro, publicado em 1975, assim que li a resenha (contém spoiler!) do Roberto de Sousa Causo no Terra Magazine. Com base em muita pesquisa, o romance reconstrói o que seria a vida do povo que nos legou os sambaquis, no litoral catarinense. A linguagem se aproxima um pouco da do primeiro conto de "A voz do fogo", de Alan Moore, mas achei ainda mais legal – um must para quem curte o gênero.

Deuses esquecidos, de Eduardo Massami Kasse. Segundo livro da série "Tempos de sangue", conta a história de Alessio, um camponês da Itália medieval que é vítima de uma maldição. Ao contrário de Harold, do primeiro livro, ele é cristão, e sua própria moral o atormenta, ainda mais do que a perseguição de um padre decidido a acabar com o Mal instalado no corpo do pobre homem. Uma fantasia medieval bem pesquisada, com narrativa fluida, momentos de tensão e de humor inseridos nas horas certas. 

Santa Sofia, de Ângela Abreu. Um livro que pouca gente conhece, mas que achei excelente. Ambientado nas Minas Gerais do século XIX, começa com o falecimento de Sofia, rica (e feiosa) matriarca casada com o bem-apanhado (e pobre de nascimento) Paulo Bento; à medida que transcorrem o velório e o funeral, a história do casal e a complexa personalidade de Sofia vão-se revelando através da a superposição dos pontos de vista dos demais personagens. Para reler, reler e não se cansar.

Quarto, de Emma Donoghue. Todo o livro é narrado por um menino de cinco anos de idade: Jack, filho de uma jovem sequestrada por um homem que ela chama de “Velho Nick” e que a mantém em cativeiro, assim como ao filho de ambos. Jack acredita que nada existe além do quarto em que vivem; assim, consegue ser feliz e se desenvolver com a ajuda de sua mãe, uma mulher admirável. Depois... bom, nada de spoiler. Só digo que o livro me prendeu o tempo todo, que teve o grande mérito de fazer de Jack uma criança verossímil e que chorei no meio, porém não no fim. Fica a dica.

Tempo é dinheiro, de Lionel Shriver. Este ano eu li quatro romances da autora, gostei de todos, mas este para mim foi o melhor. Melhor até que o mais famoso, "Precisamos falar sobre o Kevin". Conta a história de Shep, que vê arruinados seus planos para o futuro ao descobrir o câncer da esposa realista e sarcástica (que passará a sê-lo ainda mais a partir daí). O relacionamento entre os dois se entrelaça com o de seus melhores amigos, pais de uma adolescente que tem uma doença genética e se recusa a passar por “anjinho sofredor”. Um livro cru, realista, tipo tapa na cara, mas que não deixa de ter seu humor e leveza. Gostei muito mesmo.

O filho de mil homens, de Valter Hugo Mãe. Que gênero é esse? Realismo mágico? Diria que sim, mas isso não importa. Importa que adorei ler a história, narrada de forma poética e sensível, dos habitantes de uma aldeia portuguesa cujas vidas se encontram e se interpenetram formando uma delicada tapeçaria.

Ragnarok, de A. S. Byatt. Fascinada desde a infância por mitos nórdicos – tema que também adoro -, a autora faz aqui uma interpretação que se mescla com sua própria biografia, revelando uma riquíssima bagagem cultural e criando parágrafos de sonho. Lembrou um pouco "Ka", de Roberto Calasso, mas o texto é escrito de forma bem mais fluida e, para mim, mais agradável. Recomendo, não apenas para quem conhece o tema.

Cloud atlas, de David Mitchell. Já fiz uma apreciação do filme, no qual as histórias vão sendo contadas como numa espécie de mosaico. No livro elas parecem ser uma caixa dentro de outra, dentro de outra e assim por diante; as histórias de seis pessoas diferentes, em vários momentos (do passado a um futuro mais ou menos distante), que vão deixando legados umas para as outras. O grande tema é a liberdade; o livro no original não é fácil de ler (eu pelo menos não achei), mas é uma jornada que definitivamente vale a pena.

A casa do califa, de Tahir Shah. O escritor anglo-afegão conta como foi se mudar com a família para uma casa principesca em Casablanca, conviver com os caseiros e os vizinhos (um gângster e os moradores de uma favela), lidar com a burocracia, com os operários e com... os djinns que infestavam a nova casa. Sim, djinns, e não eram dos que concedem desejos, mas sim os que atrapalham a vida, as obras e tudo o mais. Embora não apareçam ao vivo e a cores no livro, tudo que acontece de estranho lhes é atribuído e todos acreditam em sua existência, pois afinal são citados no Corão. E tornam este livro muito mais divertido.

Sangue dos elfos, de Andrej Sapkowski. Terceiro volume da saga do bruxo Geralt de Rívia, que já citei no ano passado. Este, para mim, é o melhor até agora. Continuamos a acompanhar a história do bruxo, de sua protegida, a menina Ciri, da feiticeira Yennefer, do menestrel Jaskier, dos anões... Enfim, de uma série de personagens deliciosos num cenário complexo, cheio de aventura, intrigas políticas e tudo que um amante de fantasia pode querer. Elfos também, é claro :)
...

Bom, esses foram o romances adultos que mais me prenderam e inspiraram ao longo do ano. Vocês conhecem algum? O que me recomendariam e aos leitores do blog?


Comentem aqui. Ampliemos o círculo!


Imagem retirada deste blog.

terça-feira, novembro 05, 2013

Meu Amor é um Sobrevivente: Pré-Venda e Promoção


Atenção, Pessoas e... Criaturas! :)

O que esperávamos por tanto tempo finalmente chegou. Não, não é o Apocalipse, mas sim o mais novo volume da Coleção Amores Proibidos: Meu Amor é um Sobrevivente. Com organização de Janaína Chervezan e desta que vos fala, traz contos inéditos de nove talentosas autoras da Literatura Fantástica nacional e um prefácio superinteressante de Ana Carolina Silveira. E na pré-venda ainda tem uma promoção especial envolvendo qualquer outro volume da série.

E então? Corram antes que o mundo acabe!

quinta-feira, setembro 26, 2013

K de Kevin, o Bardo



Desta vez não foi sincronicidade: foi planejamento mesmo. Já que acabamos de lançar a Excalibur, por que não aproveitar para recordar outra leitura arturiana que tanto me encantou na adolescência?

Eu tinha 16 anos quando conheci a série "As Brumas de Avalon". Já tinha, é claro, ouvido falar do Rei Artur, um conhecimento difuso que provinha de várias fontes: o longa de animação ¨A Espada Era a Lei”, dos Estúdios Disney, uma série de TV que eu via sem entender muito, alguns recontos espalhados pelos livros de casa e, muito importante, o disco de Rick Wakeman, “The Myths and Legends of King Arthur”, comprado por meus irmãos. Eu não sabia inglês suficiente para entender as letras, mas, além de gostar da música, o encarte me fascinava (isso era uma coisa muito legal nos LPs), e minha irmã contou um pouco das histórias por trás de cada ilustração. Foi aí que fiquei sabendo, por exemplo, sobre a Dama do Lago, até então desconhecida para mim. No entanto, o Rei Artur permanecia uma figura estritamente ligada ao imaginário medieval; eu não fazia a menor ideia das narrativas mais antigas e de suas possíveis raízes históricas.

Então, um dia, durante um dos meus passeios favoritos (a Livraria Eldorado, na Tijuca, bairro do Rio em que cresci), vi aquela capa que me chamou a atenção. Não era colorida, mas a ilustração - uma mulher de cabelos longos, montada a cavalo e segurando uma espada – era bonita e mexeu comigo de algum modo que não sei explicar. Uma lida na orelha ou contracapa esclareceu que se tratava de um romance ambientado na corte do Rei Artur, e a primeira linha me pegou no ato:

Mesmo em pleno verão, Tintagel era um lugar assombrado.

Já viram, né? Não foi preciso ir muito além dessa página para decidir que eu queria o livro. E não só ele: queria a série, da qual a livraria só tinha os dois primeiros volumes. Na mesma hora os comprei, devorei (devo ter lido os dois em três dias) e, nos meses seguintes, visitei insistentemente a Eldorado à espera dos próximos volumes. Na época disseram que ainda não tinham saído; não sei se isso é verdade, pois acabo de ler que a série é de1982 e estávamos em 85, mas de qualquer forma possuo uma das primeiras edições que saíram pela Imago. Muitas outras pessoas estavam lendo, na escola e no curso de teatro, e tive interlocutores, coisa rara em minha vida antes do advento da Internet. Até minha mãe e minha irmã leram. E, como muitos, fizeram o seguinte comentário: Puxa, mas nesse livro só as mulheres são espertas, os homens são todos uns bobos!

Na época, eu não tinha como saber que Marion Zimmer Bradley era adepta da Wicca Diânica, uma vertente do paganismo segundo a qual a divindade é polarizada (a Deusa, o Deus) e que sua leitura do mito arturiano se dava através dessa ótica, que se pode dizer feminista. Nem é minha intenção discutir isso aqui. Digo apenas que, para alguém que pensava naquela Camelot tradicional, com armaduras e justas e o amor cortês, a série foi capaz de descortinar um universo completamente novo, onde cabiam o druidismo, as fogueiras de Beltane, a romanização da Inglaterra e um pouco da vida cotidiana daquela época.

Não sei se a última afirmação soou estranha, mas isso é um dado importante para entender meu apreço pela série. Até então, ao que me lembro, autor nenhum tinha conseguido me fazer enxergar tão vividamente os as florestas, os salões enfumaçados e mesmo as cozinhas dos castelos. Ninguém tinha me conquistado desse jeito nem deixado com tanta vontade de escrever, não “igual”, talvez não tão bem, porém mais ou menos naquela linha. E, como nessa época eu tentava escrever sobre mitos nórdicos, um primeiro e ambicioso esboço do que viria depois, minhas primeiras descrições dos salões de Asgard acabaram ficando meio parecidas com as cortes britânicas retratadas n´”As Brumas de Avalon”.

E sempre havia alguém que lembrava o Kevin.

Como muitos leitores da série, gostei muito de Morgana, tive raiva de Guinevere e de Morgause e fiquei com pena do pobre e crédulo Artur – mas Kevin foi de longe meu personagem preferido. Para quem não o conhece, trata-se de um bardo que teria sido um homem bonito, mas sofreu queimaduras na infância que o deixaram desfigurado e, claro, amargurado em relação à vida e às mulheres. Sendo o “Merlim”, na série, não uma pessoa e sim um cargo ocupado por um sábio, há um momento em que Kevin assume esse papel, e é ele que vivencia (na versão Bradley da história) um dos episódios mais conhecidos e fascinantes da lenda de Merlim. Antes disso, porém, Kevin aparece em vários momentos, participa da trama política, faz amor com Morgana e toca divinamente sua harpa. É um homem inteligente, artístico, gentil e generoso... mas também observador, por vezes sarcástico e que tem seu lado sombrio.

Enfim, em poucas palavras, apaixonei-me por Kevin. Dessa paixão se originaram inúmeros poemas e histórias que não posso chamar de fanfics, porque tinham outros personagens e outros cenários, mas que evocavam, em vários sentidos, a atmosfera da série. Não é que meu gosto por fantasia épica e medieval tenham começado aí, eu já curtia antes, mas muito do trabalho que viria a desenvolver nos anos seguintes - não apenas de escritora, mas também pesquisadora - foi construído após o impulso inicial dado pela leitura d´"As Brumas". Foi um verdadeiro divisor de águas, a partir do qual procurei me embasar para escrever histórias coerentes com o lugar e o tempo, interessei-me pelos mitos e pela cultura céltica e - embora ainda sem a pretensão de me tornar profissional - comecei a trabalhar minha escrita no sentido de proporcionar ao leitor uma imersão no cenário. Se hoje consigo, não é a mim que cabe julgar, mas sinto que marquei um ponto sempre que alguém afirma ter "visto" diante de si aquilo que eu descrevi com palavras.

E onde ficou o Kevin? Alguma coisa dele vem me acompanhando em todo o processo. Quase trinta anos depois, gostei de muitos personagens, mas de nenhum tanto assim, e percebendo ou não acabo sempre por lhe prestar uma homenagem. Isso é patente em alguns contos e, especialmente, na série que começou com "O Castelo das Águias", onde o protagonista masculino toca harpa e a festa do último capítulo acaba um pouco à maneira de Beltane. A maior parte dos leitores até agora deu um feedback positivo, principalmente no que toca à escrita, por isso acho que o espírito dos bardos talvez esteja ajudando. Quem sabe? De qualquer jeito, creio que estou no caminho certo.

E a recompensa maior que eu poderia receber, daqui a uns anos, seria abrir um blog - ou o que quer que exista com essa finalidade - e encontrar uma memória com um título como K de Kieran.

sexta-feira, setembro 20, 2013

Excalibur: Escrevendo "A Dama da Floresta"


Pessoas Queridas,

Tal como outros autores da coletânea "Excalibur", também venho contar um pouco sobre o processo de criação do meu conto "A Dama da Floresta". Mas lá no blog da Editora Draco.

Se quiserem saber como foi, basta clicar aqui. E me digam se o trechinho postado despertou sua curiosidade.

Até a próxima!

domingo, junho 16, 2013

J de João Grilo


Este post não ia sair hoje. Na verdade, eu até já tinha publicado aqui um pouco mais cedo. Mas eis que o Marco Haurélio, editor de Os Contos de Fadas e autoridade em assuntos folclóricos e cordelísticos, acaba de avisar que hoje é aniversário do Ariano Suassuna. Então, não tive como adiar... Venham de lá estas memórias.

O Auto da Compadecida foi um dos primeiros livros que li na biblioteca de casa (isto é, descontada a do meu avô, quase só Humberto de Campos e Malba Tahan, e os meus livros infantis e de recontos clássicos). A capa era como essa que ilustra o post, uma edição antiga da Agir, mas se não me engano havia verde em lugar do vermelho. Que eu me lembre, não vi o livro sendo lido por meus pais ou por um de meus irmãos, o que invariavelmente aguçava minha curiosidade; devo ter pegado na estante, como peguei tantas outras coisas, ao acaso, apenas procurando algo novo e legal para ler.

E, que bom, acertei em cheio. :)

O texto dessa obra é o de uma peça teatral. Na verdade, como já diz o título, um auto, composição com elementos cômicos e fundo moralizante que foi usada desde a Idade Média, muitas vezes por autores religiosos. A ligação cultural existente entre o Nordeste, cenário da peça, e o universo medieval - apontada por Suassuna e outros pesquisadores do tema - me escapou completamente naquela época. O que chamou a atenção foi a presença dos cangaceiros, que me levou a procurar informações adicionais sobre o tema (foi pouco depois disso que eu li Capitães de Areia e me apaixonei não pelo Pedro Bala, mas pelo Volta Seca), os diálogos incríveis e, claro, a esperteza do João Grilo, um pícaro brasileiro, aparentado com Malasartes e com meus tricksters preferidos.

João Grilo foi imortalizado pelo trabalho de Suassuna, mas aparece em textos mais antigos, como Proezas de João Grilo de João Martins de Athayde. Na verdade é uma personificação do que os nordestinos do interior chamam de "amarelo", o sertanejo castigado pela seca e pela pobreza, mas que, com esperteza e resiliência, consegue superar as dificuldades. No Auto de Suassuna, ele enrola de forma magistral o casal de patrões mesquinhos, religiosos avarentos e um cangaceiro desconfiado. No fim, como se não bastasse, o próprio Diabo, embora aí conte com a ajuda providencial de Manuel (avatar negro de Jesus Cristo, cuja aparição denuncia o preconceito existente no próprio Grilo) e sua mãe, a Compadecida do título. As tiradas de João não seriam possíveis, porém, se não fosse o seu "segundo", Chicó, um loroteiro de marca maior, cujas invenções levam Manuel a advertir: "Estou de olho"!

Quase vinte anos após essa leitura que tanto me agradou, assisti à minissérie da Globo, estrelada por Matheus Nachtergaele como João e Selton Mello como Chicó, ambos impagáveis, assim como o resto do elenco. Na série, e no filme que veio a seguir, o papel de Chicó é ampliado, garantindo um interesse romântico e uma rixa com um valentão (outro tipo frequente no imaginário nordestino, que para alguns autores se opõe à figura do "amarelo"). E, claro, mais planos mirabolantes orquestrados por João Grilo.

A leitura do Auto abriu portas para que eu conhecesse outros textos teatrais, literatura regional e cordel. O próprio livro foi relido muitas vezes, e a cada uma iam se agregando novos significados. O que estava lá desde o início e sempre permaneceu foi o prazer dessa leitura ágil e divertida, que entrou sem esforço para minha memória afetiva.

E mais não sei. Só sei que foi assim. :)
.....

Abraços a todos,

Até a próxima!

quinta-feira, março 07, 2013

I de Ismael


Pessoas Queridas,

Retomo a série das Memórias de Leitora com mais um livro que li pela primeira vez em versão adaptada – aquelas da Ediouro – e, seguramente, antes dos dez anos: Moby Dick, a obra mais consagrada do americano Herman Melville.

O livro é tão conhecido e teve tantas adaptações – literárias, para quadrinhos, para cinema e TV – que mesmo quem nunca leu sabe do que se trata: a história de um capitão de perna de pau empenhado em caçar uma imensa baleia branca nos mares do norte. Vista em conjunto, sua tripulação representa todo o espectro dos seres humanos, a começar pelos imediatos, brancos, mas com diferentes temperamentos – um bondoso, um fleumático, um colérico – e prosseguindo com os arpoadores, todos provenientes de terras “exóticas” e portanto representados como tipos bizarros, idólatras e cobertos de tatuagens. Um deles, Queequeg, se torna o melhor amigo do narrador, cujas primeiras palavras também são conhecidas por muita gente que não chegou a ler o livro: Call me Ishmael, que a adaptação da Ediouro, se bem me lembro, traduziu como Meu nome é Ismael.

Essa linha é considerada por alguns estudiosos como uma das melhores aberturas de romance de todos os tempos: simples, direta e cheia de significado. Quem é de fato Ismael? Mesmo ao longo do livro, sabemos muito pouco sobre o narrador, que carrega o nome do filho exilado de Abraão e que faz camaradagem com Queequeg: um cara legal, mas que, vamos concordar, o autor descreve como uma espécie de “bom selvagem”. Ismael participa dos acontecimentos do livro, mas não está no centro deles, pois esse é um papel que cabe a Ahab – o capitão obcecado – e, frequentemente, à tripulação como um todo, nas cenas que descrevem o duro dia-a-dia no navio baleeiro. Na versão integral da obra elas ocupam longos capítulos, mas na adaptação que li eram bastante condensadas, deixando sobressair aqueles que são os pontos fortes de Moby Dick: as questões psicológicas e metafísicas, inerentes à condição humana, e, é claro, a aventura.

Provavelmente foi o segundo ponto que mais me interessou e motivou a leitura quando eu tinha dez anos. Desde aquele tempo, gosto de histórias que descrevam as coisas do cotidiano, mesmo em literatura fantástica; gosto de ver os personagens entrando em albergues, comendo ensopado (prato preferido dos escritores de aventura e fantasia, ao que parece), encontrando tipos estranhos e aprendendo a conviver com eles. Mais tarde seriam os anões e elfos, nesse livro era o nativo dos mares do sul, com quem Ismael partilha inclusive a cama. A descrição do cotidiano a bordo do Pequod também era viva, cheia de interações e nuances escritas de um jeito que para mim lembrava o de Jack London, autor de outro livro favorito, Chamado Selvagem. Enfim, um romance de aventura que muito me empolgou, fazendo com que eu discorde dos estudiosos que afirmam ser ele pura metafísica.

Citando de cabeça um texto lido há alguns anos, Jorge Luis Borges afirmou que Moby Dick é um texto infinito: que a busca de Ahab não se completa, pois a busca do homem pela compreensão de si mesmo e de seu papel no universo jamais terminará. Nesse ponto, sim, concordo, como concordo que a baleia branca pode ser vista como um símbolo. Tendo arrancado a perna de Ahab, ela simboliza a parte do capitão que escapa a ele mesmo, sua conexão com os mistérios, aquilo que ele persegue sem cessar e nunca poderá possuir, porque jamais teremos resposta para as perguntas que mais nos inquietam. Todos nós somos assim, por isso a tripulação é arrastada pela obsessão de Ahab, salvando-se apenas Ismael, que fica à deriva no caixão mandado fazer por Queequeg – fatalista, o arpoador estava convencido da própria morte iminente – e é recolhido por um outro navio, cujo capitão buscava seu filho perdido no mar e que, afirma Ismael, “das águas recolheu um órfão”.

Isso também é altamente simbólico, assim como a baleia, e talvez confira um outro nível de profundidade à leitura; pode ter sido mesmo a intenção do autor, mas, sinceramente, a metafísica deve ter passado longe da maioria dos leitores. A ponta do iceberg é visível – a baleia branca representa algo inatingível – mas ela é também a baleia de carne e osso que levou embora a perna de Ahab, e a jornada do capitão em busca de seu inimigo propicia momentos deliciosos para os leitores de aventura. Em outras palavras, o que me empolgou, quando criança, ao ler o livro foi a história que ele conta e a maneira como o faz. Já lá se vão mais de trinta anos e ainda me lembro das cenas com os arpoadores, da amizade entre Ismael e Queequeg, do enfrentamento entre Ahab e o primeiro-imediato e do realismo das cenas de perseguição às baleias. Como nos livros de London, pude perceber que o autor esteve lá, que viu e viveu aquilo tudo; e, simbolismo e metafísica à parte, o que tornou essa obra inesquecível foi ele ter conseguido partilhar isso comigo através de uma deliciosa narrativa.

...

Post ilustrado com a capa de uma outra edição da Ediouro, posterior àquela que eu tinha, que era pequena e de capa branca. Não está mais lá em casa, mas creio que era a mesma adaptação, feita por Carlos Heitor Cony.

segunda-feira, dezembro 17, 2012

Melhores Leituras de 2012 : Dez Livros Estrangeiros





Oi, Pessoas!

Estou de volta com a lista de melhores leituras, desta vez falando de obras estrangeiras. Os parâmetros usados já foram explicados na primeira parte, e, sendo assim... Bom, vamos direto ao assunto.

O Círculo negro, de Catherine Fisher

O primeiro juvenil da minha lista, trata de forma sensível do conflito entre dois irmãos: um adolescente com talento para a pintura e uma menina, pouco mais nova, cujo dom (mantido em segredo) é a escrita. Após um acidente, a criança entra em coma e seu espírito (mente, se preferirem) se torna presa de um mundo feérico fortemente ligado aos mitos celtas. Não vou dar spoilers, mas dois avisos: 1. A parte psicológica é o forte do livro, não a ação; 2. Vale muito a pena.

A Invenção de Hugo Cabret, de Brian Selznick

Dispensa comentários. Narrativa e imagens unidas com mestria e ainda uma bela homenagem a Georges Meliès e ao mundo mágico que cercou os primeiros tempos do cinema. O filme é lindo, mas, por favor, não deixem de dar também uma chance ao livro.

Stravaganza, de Mary Hoffmann

Uma trama conduzida em dois lugares: a Londres atual e uma época que lembra o final do Renascimento em um país que lembra a Itália. Entre ambos, lidando com uma trama que mistura nobres e alquimistas, um menino com o dom de fazer viagens no tempo e no espaço e com o nome mais lindo do mundo: Luciano. Uma fantasia imperdível.

Garota, traduzida, de Jean Kwok

Este é o primeiro em ordem alfabética e, por coincidência, o mais juvenil dos livros para adultos que constam nesta lista. Uma menina e sua mãe, recém-chegadas da China aos Estados Unidos, enfrentam todo tipo de dificuldades a fim de que a garota realize seu sonho de estudar e se formar em medicina. O amor entre elas é de fazer sorrir e chorar. Um ótimo livro. 

Hibisco roxo, de Chimamanda Adichie

Outro livro maravilhoso da autora de "Meio Sol Amarelo". Um casal de irmãos tem como pai um industrial africano, cristão até a medula e que exige o impossível da esposa e dos filhos em meio a um país dilacerado por conflitos. Não percam, vale muito a pena.

Invisíveis, de Stef Penney

Nos anos 80, um detetive inglês é contratado por uma familia de ciganos para investigar um desaparecimento e acaba se envolvendo com um drama familiar envolto em segredos e em séculos de perseguição e preconceito. Juro que não descamba para a existência de ordens secretas, templários nem vampiros - é uma ficção bem realista - mas vocês vão gostar de conhecer  o demônio Poreskoro, "o que não era macho nem fêmea". 

Rei rato, de China Mièville

Confesso que não achei "Perdido Street Station" tão legal assim, mas este é. E a tradução de Alexandre Mandarino é fenomenal. Este livro fala sobre uma figura que existe no folclore e em contos populares, o Rei Rato, que domina os esgotos e o submundo e tem como adversário um temível flautista. Muito bom!

A Resposta, de Kathrynn Stockett

Sim, esse também tem filme. Sim, o filme é bom. E é fiel. Mas o livro é mais detalhado e conta melhor a história de mulheres negras nos estados americanos do sul - quando elas decidem pela primeira vez contar de fato sua história. 

O Último desejo, de Andrzej Sapkowski

O melhor livro de fantasia que li este ano, e foram muitos. Na verdade trata-se de contos entrelaçados, protagonizados pelo bruxo/mutante/criatura mágica Geralt de Rívia, que enfrenta outros bruxos/mutantes/criaturas mágicas em narrativas cheias de sangue, sensualidade, mas também aventura e humor. As duas continuações estão no topo da minha lista para o ano que vem.

O Último Dickens, de Matthew Pearl

Um thriller muito bem escrito sobre o desaparecimento misterioso da última obra (inacabada) de Charles Dickens, história que se entrelaça com o relato da visita do escritor aos Estados Unidos. Os fãs de Dickens vão gostar. Alguns talvez até fazer como eu, que encomendei os dois outros livros de Pearl, sobre Dante e Allan Poe. Acho que valerá a pena.

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Bom, Pessoas, essa foi a minha lista. Espero que se interessem por algumas destas leituras e partilhem as suas. O que vocês leram este ano que podem me recomendar? Contem aí, não sejam tímidos. :)

E pra quem vem sempre por aqui, não se esqueçam: está valendo a promoção 2013. Aguardo participações!

Abraços a todos e até a próxima!

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Imagem retirada deste blog. Espero que o autor não se importe, a intenção aqui também é falar de livros e leituras.

domingo, dezembro 16, 2012

Melhores Leituras de 2012: Dez Livros Nacionais




Oi, Pessoas! Tudo bem?

Bibliotecária, Sol na 4ª. casa astrológica, apreciadora de História e Mitologia... É, tudo aponta para um certo apego às tradições. E, como estamos em dezembro, chegou a hora de cumprir o que se tornou uma tradição aqui na Estante Mágica, falando um pouco sobre os livros que li em 2012.

Antes de começar, devo explicar que desta vez optei por apenas duas categorias: livros nacionais e estrangeiros, tendo por única regra não listar antologias com vários autores. Foi por puro acaso que não entrou nenhum livro de contos na lista final. Também os juvenis, que estariam numa categoria à parte, acabaram se mesclando aos demais, e reservei três posições para eles. Assim, cada lista é aberta por três livros juvenis - que entram primeiro, em ordem alfabética de título – aos quais se seguem sete romances para adultos, também em ordem alfabética.

Deixo claro que não é minha intenção fazer qualquer juízo de valor. Leitura, como vocês sabem, é algo muito pessoal. Um livro pode ser maravilhoso para mim e chatíssimo para outra pessoa; pode fornecer a chave para a compreensão da minha existência e não fazer nenhum sentido para você. Também há aqueles que, como escritora, eu não podia deixar de ler e cuja importância reconheço, mas que não pus na lista porque não foram leituras muito fáceis nem – para mim – tão agradáveis.

Em suma, a intenção aqui não foi enumerar “os melhores livros”, mas partilhar as leituras que mais me deram prazer ao longo deste ano. As listas incluem títulos recentes e alguns lançados há anos, além de uma bela mistura de estilos e gêneros.

Confiram!

A Árvore do medo, de Marco Túlio Costa

É um livro juvenil, mas não só: fala sobre um professor convidado por uma ONG a dar uma oficina de escrita criativa para jovens, e em meio à narrativa se encontram algumas dicas para quem trabalha com isso. A história, porém, encanta, pois, sem deixar em momento algum de ser uma narrativa envolvente, consegue mostrar como a literatura pode realmente cumprir uma função libertária. Boa escrita, bela mensagem.

Duncan Garibaldi, de A. Z. Cordenonsi

Boa parte dos visitantes da Estante Mágica deve conhecer este. É uma aventura muito bem narrada, com pinceladas de mitologia e cultura brasileira, tendo por fundo um bom trabalho de pesquisa sobre a cidade do autor (Santa Maria, RS). E com um gostinho steampunk ainda por cima.

Ouro, fogo e megabytes, de Felipe Castilho

Um livro surpreendente, cheio de aventuras e reviravoltas que combinam jogos online e seres do folclore brasileiro – mas o melhor mesmo é a narrativa de Felipe, cujos diálogos e descrições fogem do jeitão “engessado” que vemos tanto em juvenis quanto em livros de fantasia para adultos e tornam seus personagens e sua história muito mais críveis e envolventes. Trabalho de mestre.

O Andarilho das sombras, de Eduardo Massami Kasse

Um livro de fantasia medieval que segue a linha de Bernard Cornwell: tudo é cru, tudo é sujo, tudo é direto. Ao mesmo tempo, uma narrativa que prende, entrelaçando dois momentos do mesmo personagem para no fim levar o leitor a compreender como ele chegou até ali e o porquê de fazer o que faz. Vale a pena.

Carvão animal, de Ana Paula Maia

Também um livro cru, conta a história de dois irmãos – um bombeiro, um funcionário de crematório – e da cidade onde vivem, onde tudo é cinzento e onde os mortos abastecem os vivos. Ambos têm de lidar com uma tragédia do passado ao mesmo tempo que fazem frente a um cotidiano árido e brutal. Incomoda e surpreende.

O Centésimo em Roma, de Max Mallmann

Uma delícia de livro. Não só pela ambientação fabulosa, mas pelo protagonista – o impagável centurião Desiderius Dolens - , pela trama, recheada de maquinações, surpresas e bastante humor, e pelos diálogos mais do que afiados. Um livro para ler, reler e dar de presente.

Gabriel, de Claudio Parreira

O que fazer quando o “cara lá de cima” dá uma de doido e envia ninguém menos que o anjo Gabriel à terra, numa missão quase impossível? E quando o anjo é ajudado pelas pessoas mais improváveis? Em cima disso, Parreira criou uma ótima história, com humor, suspense e uma boa escrita. Recomendo!

Kaori, perfume de vampira, de Giulia Moon

Embora não seja muito fã de livros de vampiro, posso dizer que este me encantou. Curti tanto a parte dele que se passa em São Paulo quanto a do antigo Japão, lugares por onde transita a sedutora Kaori - e os dois outros livros da saga já estão na minha lista para 2013, com a promessa de mais fascínio em boa narrativa.

A Primeira mulher, de Miguel Sanchez Neto

O autor dispensa comentários: quase todos os anos tem livro dele na minha lista. Este não fica atrás dos primeiros, contando a história de um professor quarentão, solitário e meio entediado que se envolve numa trama criminal de fundo político. Ao fundo desfilam várias mulheres: a ex-namorada, a aluna, a secretária e a mais importante de todas, que é... Ora, leiam! :)

A Tisana, de Roberto de Mello e Souza

Li este livro enquanto trabalhava na organização da coletânea Excalibur, da Editora Draco, que sai no ano que vem. Trata-se da história de Tristão e Isolda transportada para o sertão e contada ao estilo de João Guimarães Rosa – com um resultado incrível. O autor é responsável por levar a história de Percival para o mesmo universo em “O Pão de Cará”, dois livros que recomendo a fãs do mito arturiano e a apreciadores da boa literatura nacional.

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Bom, Pessoas, por enquanto é só. Em breve sairá a lista de livros estrangeiros. E não esqueçam: estamos com uma promoção bem legal aqui no blog, valendo um exemplar de 2013. Aguardo sua participação!

Até a próxima e um grande abraço!

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Post ilustrado com uma imagem que recebi e compartilhei no Facebook. Desde já peço licença ao seu autor para utilizá-la e me comprometo a dar o crédito, se alguém souber de quem é.

segunda-feira, dezembro 03, 2012

Promoção 2013



Adoráveis Pessoas,

O fim do ano se aproxima e eu estou mais atarefada do que nunca. Ainda bem! Assim não tenho tempo pra pensar no fim que se aproxima, a julgar por certas profecias... e que chegou, de fato, no livro cuja capa ilustra este post.

Já conhecem, né? Trata-se do 2013, parceria entre as editoras Literata e Ornitorrinco, no qual os autores contam suas histórias com base naquilo que viria após o fim do mundo. Todas são legais, porém mais legal ainda é que a minha pode ser lida na rede, bastando baixar a edição n. 104 da revista Somnium, publicada pelo Clube dos Leitores de Ficção Científica do Brasil.

Agora, o mais legal mesmo é que, conforme prometi há algum tempo, estou iniciando uma promoção, valendo um exemplar autografado do 2013. Para concorrer, basta sugerir uma continuação ou um final, mesmo que em poucas linhas, para o meu conto Deixando o Condado, que pode ser lido através do link da Somnium.

Entendam bem que não se trata de escrever outro conto, embora eu fosse adorar (e já deixo um prêmio extra prometido a quem fizer isso). É só para pensar no que acontece com meus protagonistas, ou pelo menos alguns deles, em seguida à história que é narrada em Deixando o Condado. Não há restrições para outros autores do livro, funcionários da Literata ou da Ornitorrinco, seus cônjuges ou parentes em qualquer grau.

A promoção está valendo até o dia 21 de dezembro, quando supostamente termina o calendário maia. Se o mundo não acabar, no dia 22 eu anuncio o vencedor, que será aquele cuja sugestão me parecer mais criativa. Se ninguém participar - é triste, mas pode acontecer - o livro será sorteado entre os seguidores deste blog.

Então, Pessoas... Aguardo suas sugestões acerca do futuro de Octavio, Laura, Mauricio e do próprio Condado. É só pensar um pouco, pois, com todos os defeitos que o conto possa ter, trata-se de uma história que pode render várias e surpreendentes continuações.

Abraços e até breve!

terça-feira, novembro 13, 2012

H de Henriqueta, a Espiã





Antes de começar, um esclarecimento: o título acima é a tradução da Ediouro para o livro Harriet, the Spy, da americana Louise Fitzhugh. Essa foi uma das edições de bolso compradas com minha mesada quando eu tinha no máximo uns doze anos, possivelmente menos. Foi um livro que li várias vezes e que me fascinou ainda que eu não soubesse o porquê – o quanto eu tinha em comum com a protagonista, além da idade, do cabelo curto, dos óculos e do caderninho que eu levava para todo lado.

Deu para adivinhar? Henriqueta, ou Harriet, era uma menina que gostava de escrever. Não lembro se, como eu, também inventava histórias, mas o que fazia, principalmente, eram observações – por vezes irônicas e até cruéis – a respeito de seus colegas de escola, inclusive os amigos mais próximos Sport e Janie. Esse é o principal ponto de divergência, pois raramente escrevi ou escrevo sobre pessoas da vida real; mas o fato de Henriqueta viver agarrada ao seu caderno de notas, a inadequação a situações do cotidiano escolar e a atitude intelectualmente precoce/emocionalmente imatura demonstrada por ela a tornam muito próxima do que eu era naquela idade.

Numa análise superficial, as semelhanças iriam parar por aí: a identificação, em vários sentidos, entre a personagem e a sua jovem leitora. De fato, a trama do livro é centrada em um acontecimento que (felizmente) nunca teve lugar em minha vida: Henriqueta perde seu caderninho e as anotações que fez sobre os colegas passam a ser de conhecimento destes, que obviamente ficam zangados e criam um grupo dedicado especialmente a rejeitar a menina (hoje talvez se falasse em bullying, mas lembrem-se, foi ela que começou). Em reação, Henriqueta passa por várias fases, desde a raiva à depressão, mas, aconselhada por sua antiga babá, a pessoa com quem mantinha o vínculo afetivo mais forte – e que em mais de uma ocasião no livro afirma que ela tem de crescer – acaba por retomar a amizade com Sport e Janie e a se tornar editora do jornal da escola (parece que todas as escolas americanas têm jornais legais. As nossas não. Isso não é justo).

Enfim, ao término do livro a vida parece voltar aos eixos e o futuro promete que Henriqueta será, não uma “espiã” como ela dizia no início, mas uma jornalista ou escritora. O que, depois de muitas reviravoltas, eu também me tornei – e com vários percalços de convivência, diferentes dos que foram enfrentados pela personagem. Isso porque, embora nenhum dos meus colegas tenha lido nada desabonador a seu próprio respeito, as poucas situações em que chegaram a ler algo e o simples fato de eu estar escrevendo, inventando, eram motivo de estranheza e de afastamento por parte de pessoas com quem, bem ou mal, eu mantinha ou supunha manter uma relação de amizade. Ou não?

Hoje, com um olhar distanciado, consigo ver que nem era tanto a escrita, mas todo um conjunto que incluía uma  bagagem cultural diferenciada (adquirido por meio de leituras e não de viagens, mas está valendo), uma aparência considerada esquisita (somos tantos!), falta de talento para esportes e muitas outras coisas. Não sei se foi uma defesa minha pensar que toda a rejeição e o isolamento se deviam ao fato de eu gostar tanto de ler e escrever (e ser, portanto, uma pessoa especial, que um dia ganharia o merecido reconhecimento. Bla, bla, bla). Tudo que sei é que mais de uma vez abri meu caderno, depois de algum episódio escolar ou familiar lamentável, e preenchi de cima a baixo várias folhas com a frase que Henriqueta escreveu em seu livro de notas:

EU GOSTO MUITO DE MIM.

Felizmente, acho que sempre foi verdade, ou eu não estaria aqui para contar esta história.

.......

O texto acima foi, como todos os posts da série Memórias de Leitora, escrito com base apenas nas memórias do que li, neste caso, há cerca de trinta anos. Agora, a Wikipedia me informa que Harriet, the Spy, publicado em 1964, ganhou prêmios juvenis de Literatura, foi adaptado para o cinema em 1996 pela Nickelodeon e, em 2010, serviu de argumento para uma filme da Disney chamado “Blog Wars” em que Henriqueta e sua arquiinimiga competem para ver quem tem o melhor blog. A vida avança, assim como a tecnologia. De qualquer forma, “Henriqueta, a Espiã” é um livro de que sempre me lembrarei com carinho e cuja mensagem continua atual. Recomendo a todos, principalmente o pessoal mais novo. E, dentre esses, àqueles que estão aprendendo a lidar com as dores e as alegrias trazidas por seja qual for o seu Dom.

Boa leitura e até a próxima!