segunda-feira, março 05, 2018

Só uma coisa que me deu vontade de comentar

Não sou ninguém na fila do pão para dar dicas, muito menos conselhos a escritores, mas minha experiência me leva a afirmar: se uma cena não parece legal, e você tem uma ideia de como poderia melhorar, tente reescrevê-la na hora. Depois você vai reler o texto inteiro, mudar um monte de coisas, talvez até voltar atrás em algumas decisões relativas àquela cena, mas se tiver a sensação de que aquilo foi muito, foi pouco, soou falso, vai conduzir você e seu leitor a um caminho pouco interessante... reescreva. Ainda que não de forma perfeita, ainda que só dê para deixar algumas indicações de como trabalhar ali mais tarde. Essas intuições são como o vislumbre de uma trilha secreta. Se você passar batido e não seguir o brilho, corre o grande o risco de não encontrar mais.

terça-feira, fevereiro 06, 2018

Manuscritos Herdados: uma coletânea do blog A Taverna


Todo leitor de fantasia sabe: tavernas são imprescindíveis.

Parece estranho? Abra um livro e verá. É nas tavernas que os órfãos se escondem, fugindo à perseguição, antes de aceitar o chamado para livrar o universo das trevas; é nelas que os caçadores de recompensas colhem informações; é nelas que os mercenários são contratados, que os piratas negociam mapas de tesouros, que se formam as companhias de aventureiros...



Pessoas Queridas,

Com muito orgulho venho apresentar minha segunda publicação deste ano, que integra a coletânea Manuscritos Herdados.

A publicação foi uma iniciativa dos administradores do blog A Taverna, que muito tem contribuído para a fantasia nacional. Eu mantinha contato com os administradores desde a criação do blog, e... podem imaginar como fiquei feliz quando me convidaram para integrar a publicação. Mais ainda, ser sua "madrinha", o que trouxe às minhas mãos a responsabilidade de escrever uma apresentação bem bacana. O começo dela eu mostrei lá em cima, o resto só baixando a coletânea... O que, por falar nisso, pode ser feito inteiramente de graça no Taverna Blog!

Os contos são ótimos e estão bem variados em termos de estilo. Alguns são sombrios, outros, divertidos. Há narrativas de guerra e de aventura, de coragem e de encantamento, ambientadas em mundos imaginários ou em diferentes localidades do mundo real. O meu é A Serpente e as Pombas, que foi publicado anteriormente no volume Tomos de Fantasia, da Editora 9 Bravos, mas nunca teve uma versão digital. Com ele vocês poderão viajar até a corte de Carlos Magno, conhecer suas filhas empoderadas e corajosas e combater um terrível adversário.

Espero que gostem!


quarta-feira, janeiro 10, 2018

Sobre meu conto em Girl Power



Quando a Fernanda Chazan me convidou para participar de uma coletânea sobre garotas empoderadas, a primeira história que comecei a escrever foi a das gêmeas de Cartago, Nikka e Jeza. Acabou ficando grande demais para um conto, agora a ideia é que seja uma série de vários livros... mas isso é outra história.

O que eu quero dizer é que a história que acabei escrevendo se passa no universo Terra Sem Males, que apareceu pela primeira vez na coletânea Dimensões BR da Ed. Andross, teve um segundo conto publicado na coletânea A Guerra dos Muitos Mundos, organizada pela Rita Maria Felix, e agora ressurge aqui. Neles vocês reencontrarão o casal Victor e Fiona apoiando a jovem protagonista Manuela, que se mete em apuros com uma tribo de duendes conhecidos como O Povo do Pesadelo. A história se passa aqui na serra fluminense e o povo duende tem um jeitão de tribo de índios brasileiros - e a ideia de criá-los é tão antiga quanto os personagens em quem se inspirou, como esses aí embaixo, Rool e Franjean, membros da tribo de brownies de "Willow na Terra da Magia" (1988).

Espero que vocês curtam e apoiem o nosso projeto. Ele sai amanhã, e terá sua renda destinada a uma ONG que dá suporte a crianças e jovens vítimas de violência.

E espero também que gostem do conto. Com um bom feedback, quem sabe eu me animo a escrever mais sobre a Terra Sem Males e as suas tribos do lado de lá da cachoeira?

terça-feira, janeiro 09, 2018

Girl Power: coletânea YA chegando em breve




E se houvesse uma coletânea de contos fantásticos que, além de empoderar seus leitores, ajudasse uma ONG que cuida de crianças e adolescentes que sofreram violência e abuso sexual? E se tal antologia reunisse histórias de garotas destemidas, corajosas e dispostas a enfrentar quaisquer adversidades em busca de superação? E se os contos fossem destinados a adolescentes, pré-adolescentes e – por que não?! – aos leitores de todas as idades que se interessam por fantasia e terror  - um terrorzinho de leve, daqueles que fazem a gente se sentar na pontinha da cadeira?


Fiquem ligados, pois em breve lançaremos “GIRL POWER – HISTÓRIAS DE GAROTAS DESTEMIDAS”, uma coletânea com contos de Ana Lúcia Merege, Camila Pelegrini, Carolina Mancini (também responsável pela linda capa!), Fernanda Chazan e Tatiane Durães. A obra estará disponível apenas em formato e-book na Amazon e toda a renda adquirida com a venda do livro será revertida ao CRAMI (Centro Regional de Atenção aos Maus Tratos na Infância), que ajuda crianças e adolescentes do ABC paulista que sofreram violência e/ou abuso. 

sábado, dezembro 30, 2017

Melhores Leituras em 2017: Cinco Romances e Cinco Contistas Nacionais


Pessoas Queridas,

Continuando na mesma tradição que motivou o post anterior, aqui vão os livros nacionais que mais me agradaram ao longo de 2017. Com um adendo: grande parte das minhas leituras de autores nacionais se deu por meio dos contos que publicaram na Amazon, alguns deles solo; então também vou citar alguns contistas que se destacaram, a meu ver, por diferentes razões. Vamos lá?



CINCO ROMANCES

O Segredo do Kelpie, de Aya Imaeda.

Esse livro conquistou meu coração desde as primeiras páginas. Aya Imaeda trabalha com uma criatura que eu nunca tinha visto aparecer em livros nacionais, e o faz com um à-vontade que deriva de uma excelente pesquisa. Combinada a uma grande habilidade para contar histórias, este romance para jovens e adultos vai proporcionar um inesquecível passeio pela Escócia do século XIX, com seus campos verdes, seu folclore – várias criaturas aparecem além do kelpie, todas elas apresentadas com mestria! -- e um punhado de escoceses teimosos e resmungões. Indicadíssimo!

O Romance do Horto, de António Corvo.

Os amantes da literatura medieval não podem perder este livro! Trata-se de uma história saborosíssima, que se entrelaça com várias narrativas daquela época – crônicas de reis, canções de gesta, coleções de contos como o Decamerão – e ecoa em outras, mais contemporâneas, tecendo uma trama rica e sofisticada. Não farei comparações com Umberto Eco nem com Saramago; o prazer que tive com este livro foi único, e eu o recomendo a quem quer que esteja disposto a desfrutar de uma boa história à moda das narrativas do medievo, sem pressa e com atenção.

Machamba, de Gisele Mirabai.

Só depois de ter lido e favoritado vim a perceber que esse e-book venceu o I Prêmio Kindle de Literatura. Trata-se da história de uma brasileira que reconstrói sua vida a partir de memórias fragmentadas – daqui veio a expressão que eu adorei e adotei, porque me traduz, muito bem, “cabeça de ovo mexido” –, e seu jeito de escrever também é cheio de idas e vindas, mas eu o achei muito hábil e envolvente. Recomendo.

Guanabara Real: a Alcova da Morte, de Nikelen Witter, Enéias Tavares e A. Z. Cordenonsi.

Esta é a primeira aventura de um trio de investigadores sui generis no Brasil do final do século XIX. O cenário e a trama são interessantes, mas o que achei mais legal foi a construção dos personagens. Os três protagonistas vêm de backgrounds complicados e são frequentemente marginalizados, por razões várias; a interação entre eles e com os personagens secundários, alguns dos quais também muito bem construídos, agrega profundidade ao livro e dá vontade de prosseguir com a série.

Os Vendilhões do Templo, de Moacyr Scliar

De vez em quando eu acho alguma coisa do Moacyr que ainda não tinha lido e corro para comprar. Este livro parte da conhecida história da expulsão dos vendilhões para compor três narrativas: uma do próprio episódio bíblico – e nessa, confesso, achei o texto um pouco tedioso, confuso – e duas outras, ótimas, ambientadas no território das Missões no século XVII e numa cidade gaúcha contemporânea. Moacyr Scliar é um dos meus autores preferidos e posso dizer que este livro, no geral, não me decepcionou nos dois quesitos básicos: entretenimento e pontos para reflexão. Vale a pena conhecer.

CINCO CONTISTAS

Em se tratando dos romances, falei sobre as obras. Agora falo dos contistas -- de algumas obras em especial, mas quase sempre do conjunto da obra de alguns autores (não que não haja muitos outros) que me chamaram atenção ao longo de 2017.


Cristiano Konno fez sua estreia na coletânea Samurais X Ninjas e vem crescendo a cada novo trabalho. É um prazer acompanhar sua evolução.

Sheila Lima Wing é autora do romance Louco Amor de Fã e de vários contos em que explora questões como aceitação, tolerância e empatia, tudo escrito de um jeito simples e muito hábil.

Renan Santos é outro que cresceu a olhos vistos, um jovem autor no qual devemos prestar muita atenção. Recomendo especialmente sua novela A Canção das Sereias.

Cláudia Dugim é talvez a voz mais diferenciada que tenho lido entre os contistas nacionais. O conto-título de O Desejo de Ser Como um Rio é magistral. Quem não tiver lido ainda, faça a si mesmo/a esse favor e adquira!

Camila Fernandes, autora já consagrada (e um tanto bissexta!), decidiu este ano lançar uma coletânea chamada Contos Sombrios, que eu considero imperdível para leitores de todos os gêneros literários e em especial do fantástico.

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Bom, pessoal, é isso. Obrigada por terem me acompanhado ou pelo menos visitado ao longo do ano. Espero que o próximo seja maravilhoso para todos, quer na Literatura, quer em outras atividades e na vida pessoal.

Abraços pra vocês e até 2018!