domingo, julho 09, 2017

O Eterno Retorno : parte 2

– Eu vou montando a história aos poucos, e ela vai ficando mais completa a cada vez que você conta. É que tem coisas que eu demoro para imaginar, como os homens, por exemplo. Eu nunca vi nenhum a não ser nos livros de Maryan.
-- Pois é mais do que suficiente – replicou a avó, em tom brusco. – Os homens... Bem, olhados um a um, nem sempre são maus. Seu avô era muito bom, e havia outros assim, não vou negar. Mas, quando você vive nas aldeias deles, começa a ver como podem fazer coisas ruins. Principalmente as guerras. E mesmo sem elas há muita ganância, injustiça, maldade... Não, você não perde nada se não conhecer os homens, ou se deixar para conhecê-los quando for mais velha.
-- Sim, mas, avó, se ao menos a gente fosse até a cabana...
-- Você não ouviu o que eu disse? É longe demais, e pode ser que homens estranhos ainda passem por lá. Um dia você vai, mas não agora.
-- Um dia? Quando?
-- Quando... Quando não depender de mim e puder ir sozinha – disse Kyara, querendo encerrar a discussão.
Anna pareceu refletir um pouco, depois assentiu e pescou uma coxa rosada de dentro do pote. Kyara fez o mesmo com um naco do peito da ave. As duas comeram em silêncio, tirando cada pedacinho de carne dos ossos e usando colheres de madeira para pegar os legumes no caldo. Estavam terminando quando Tyshen, o primo mais próximo de Anna em idade, chegou acompanhado por várias crianças pertencentes à Casa do Lobo.
-- Ainda estão comendo? Aposto que foi a Anna que se atrasou fazendo o almoço – implicou ele, como era seu costume.
-- Você é que é apressado! – retrucou a menina. – Apressado e guloso. Quando formos colher bagas, não vou deixar você ir na frente. Se você for, tudo que acharmos nos arbustos vai parar na sua barriga!
Kyara sorriu, vendo-os trocar as farpas de sempre enquanto Anna acabava de comer. As outras crianças entraram na cabana, sem cerimônia – coisa que não existia na tribo --, e se distraíram bisbilhotando tudo lá dentro. Por fim, o grupo se reuniu e se preparou para a excursão de coleta, para a qual levavam cestos de junco e bolsas de palha a tiracolo.
-- Até mais, Kyara! – exclamaram as crianças.
-- Até mais tarde, avó – disse Anna, jogando um beijo que ela retribuiu com um aceno e um breve sorriso. Estava ocupada livrando-se dos restos do almoço, das cinzas da fogueira, dos pensamentos sobre o passado e sobre Raymond de Pwilrie. Artista ambulante, soldado involuntário, guarda-caça que assoviava chamando os pássaros e enchia os bolsos de nozes para dar aos esquilos. Ele teria gostado de conhecer aquela neta inteligente e curiosa, sonhadora e às vezes desconcertante, como ele próprio tinha sido a vida inteira. Talvez se saísse até melhor do que Kyara para lidar com ela.
A elfa deixou escapar um suspiro e entrou para guardar o pote e as colheres lavadas. A cabana estava limpa, embora um pouco desarrumada após a visita das crianças. Era pequena e aconchegante, alegrada pelos desenhos que Anna prendera às paredes. Uma paisagem com o rio da Lontra, um pássaro pernalta, os rostos de Kyara, Maryan e Zendak. O último desenho representava os Espíritos Guardiões da tribo, Lobo, Lontra e Corvo, os três muito sérios e majestosos, circulados por auras de tinta verde. Kyara correu os dedos sobre o papel, sentindo orgulho e uma certa nostalgia: às vezes ela se esquecia de notar, mas Anna estava crescendo rápido. Em poucos anos teria o sonho ou a intuição que lhe diria qual a sua Casa, aquela à qual seu espírito estava ligado. Por enquanto contava como protegida do Lobo, já que essa era a Casa da avó. Zendak supunha que isso seria confirmado, mas não dera certeza: a menina era alegre e amorosa como as lontras, esperta e criativa como os corvos, ambos os Guardiões poderiam reclamá-la. Mas Kyara estava convencida de que, no fim, sua neta provaria ser antes de tudo corajosa e leal.
O céu estava encoberto quando ela saiu da cabana. Não tinha nada que a ocupasse, nem peles para tratar, nem carne para pôr no defumadouro. No entanto, ficar ali sozinha não lhe traria nada além de lembranças, por isso a elfa decidiu seguir a sugestão de Anna e ver se alguma coisa caíra naqueles laços malfeitos. E, quando souber quem os armou, vou tentar ajudar, ela pensou, enquanto regressava à floresta. Devia ser alguém bem jovem, talvez uma criança querendo impressionar os pais ou o parente que a ensinava a caçar. E um conselho vindo de alguém como Kyara seria mais que bem-vindo.
Sem pressa, ela deu uma volta por trás da colina próxima à cabana, onde costumava deixar suas próprias armadilhas nas luas de inverno, e chegou a uma trilha íngreme, por onde se cortava caminho até o lugar que chamavam de Carvalho Fendido. Nele se erguia uma árvore milenar, cujo tronco fora dividido ao meio por um raio; as duas metades haviam crescido e estendido seus galhos para o leste e para o sul, e esse era o início de duas trilhas quase invisíveis. Uma ia dar ao local dos laços desajeitados, enquanto a outra desembocava no lugar onde Kyara tinha estado uma única vez.
E, no que dependesse dela, não voltaria jamais.
Passos rápidos, a elfa seguiu a trilha que ia para o leste. De longe, viu um dos laços, agora desarmado, mas o animal que fizera aquilo escapara quebrando os galhos de um arbusto próximo. Na verdade, nem chegara a ficar preso, como Kyara constatou ao chegar mais perto. Apenas passara por cima da armadilha e a desmontara. Tinha peso e força bastante, pois suas pegadas denunciavam um cervo de bom tamanho. O caçador ia ficar frustrado quando desse com aquilo.
A segunda armadilha estava intocada, mal disfarçada num monte de folhas e fácil de desarmar. Era coisa de criança, não havia dúvida. Restava saber qual delas se aventurara tão longe. Kyara considerou as mais ousadas e inconsequentes dentre as que conhecia, pensando ainda em ajudar, mas também recomendar que tivessem cautela. Tinha alguns nomes em mente ao chegar à terceira armadilha, também intacta, que apenas olhou antes de seguir em frente – e de se deparar com algo que fez seu coração dar um salto.
Uma pegada. Não a de um animal, não a de um elfo de sua tribo, que estaria usando um mocassim, mas a inequívoca pegada de um humano, um enorme pé largo calçado numa bota com a beira interior roída. Não havia engano possível, pois ela vira aquilo muitas vezes, rastreando caçadores furtivos na floresta junto à qual vivera com Raymond – fazendo o trabalho dele, o que todos pensavam que ele fazia, quando Raymond estava mais que contente por ficar na choupana cozinhando, remendando as roupas da família, ninando a filha com canções do Leste ou, quando ela cresceu um pouco, contando histórias sobre reis saltimbancos, feiticeiras bondosas e navios mágicos que viajavam entre as estrelas. Era com relutância que denunciava as transgressões descobertas por Kyara – aqueles homens e rapazes temerários que caçavam nas terras do senhor, às vezes por simples ousadia, mas com frequência porque tinham fome e muitas bocas para sustentar. Teria sido um deles, agora, que entrara no território da tribo?
Não é uma criança. Kyara e Raymond jamais denunciavam os meninos da aldeia que pegavam pássaros e lebres, pois sabiam que um castigo duro demais os esperava. Tinham livrado alguns homens também -- os muito jovens, os muito desesperados, os que não tinham chegado a apanhar nenhum animal --, mas não os deixavam ir embora sem ao menos uma advertência. Da mesma forma, Kyara, como anciã da Casa do Lobo, tinha por dever encontrar o dono da pegada e fazer com que partisse, mesmo que não pegasse nada com aquelas armadilhas toscas. Antes que ele avançasse mais e mais pela floresta e achasse as cabanas da tribo. Antes que desistisse de conseguir caça e fosse à cata de frutas. Antes que desse com as crianças que estavam na trilha... e, acima de tudo, antes que chegasse perto de sua Anna.
Um pingo grosso caiu em seu nariz. Ela olhou para o céu, onde as nuvens escuras se adensavam, e considerou suas opções. A neta, é claro, estava acima de tudo, mas as crianças não costumavam demorar na coleta, e a pegada apontava para outra direção, de forma a tranquilizá-la nesse sentido. Voltar à cabana para se munir de um arco e algumas flechas seria prudente, ou talvez procurar Zendak e os líderes das três Casas, mas o rastro estava fresco e fácil de seguir. Antes que a chuva caísse, e cairia com força, melhor seria tentar descobrir quem era o homem, se estava sozinho, se montara acampamento por ali ou estava de passagem. Assim teria mais informações para levar à tribo, se necessário. Sim, era isso que ela ia fazer.
Kyara se abaixou, examinando o solo além da pegada. A lama em que fora impressa deixara marcas mais adiante, depois era só relva pisada e folhas amassadas, mas mesmo assim aquilo não demandava grande esforço. Passo a passo, enquanto o céu escurecia ecoando trovões, ela seguiu a trilha deixada pelo homem, tão descuidado em apagar seu rastro quanto se mostrara inábil com as armadilhas.
O céu desabou quando a elfa alcançou a vereda conhecida como Passo das Lebres, que eram comuns por ali, especialmente na primavera. Hoje não havia nenhuma, e, se tivessem passado mais cedo, os rastros já teriam sido lavados pela chuva que caía como uma cascata. Os do homem também logo sumiriam. Kyara examinou os últimos vestígios, que ao menos conduziam para longe das cabanas da tribo, e se aprumou, quase decidida a dar meia-volta.
Foi quando seu coração disparou pela segunda vez.

***


Parte 1.
Parte 3.

Para quem gostou da Anna criança, sugiro o livro Anna e a Trilha Secreta, onde ela encontra os Espíritos Guardiões da Tribo.

No blog do Castelo há contos sobre Kyara e Raymond. O primeiro pode ser até ouvido, narrado por mim. Que tal? :)

quinta-feira, julho 06, 2017

O Eterno Retorno : parte 1


O segundo conto da nossa série sobre avós e netos se passa num lugar conhecido da maioria dos meus leitores -- a Floresta dos Teixos em Athelgard -- com uma personagem mais conhecida ainda, Anna de Bryke, a futura Mestra de Sagas do Castelo das Águias. Neste conto ela tem apenas nove anos e aprende a caçar com sua avó, a durona (só por fora) Kyara dos Lobos. 
Anna é feliz com a avó e sua tribo, mas já dá mostras de que é diferente deles em alguns pontos. Além disso, tem muitas dúvidas e perguntas a seu próprio respeito, o que acaba deixando a avó em um conflito: voltar ou não a um lugar do passado? Falar ou não sobre o que talvez aconteça com Anna no futuro?

A ilustração deste conto ficou a cargo de uma das mais antigas e constantes leitoras de Athelgard, a querida Isabela Lopes. 



As pegadas eram claras, impressas em lama seca na extremidade da clareira. Apontavam para o bosque de faias mais adiante, mas Kyara não disse nada, à espera de que a menina lesse os sinais e conseguisse interpretá-los. Para um bom caçador, isso era tudo. Mesmo os que viviam com a cabeça nas nuvens.
Anna estava de joelhos examinando as pegadas, a trança negra enrolada no pescoço, a luz concentrada nos olhos. Sua boca estava contraída, uma boca rosada e bem desenhada, como a da primeira Anna, aquela que nunca aprendera a se orientar na floresta. Não vou deixar acontecer de novo, Kyara pensou. Custasse o que custasse, ela ensinaria a sua neta o que era preciso saber.
-- Então, minha Anna – disse, por fim. – Já descobriu o que tem aí?
-- Descobri que é um cervo. Não é muito grande. – Certo até ali. – Não é mais filhote, porque anda sozinho, mas a pegada é rasa, então ele é bem novo. E passou há pouco tempo, o rastro é fresco. Hoje ao amanhecer?
Olhou para a avó, querendo confirmação ou ao menos uma pista. Kyara cruzou os braços. A menina suspirou e voltou a analisar as pegadas, acompanhando o rastro do cervo ao longo da clareira.
-- Bom, parece que ele foi para o bosque, pode ter ido beber naquela nascente do rio da Lontra. Se não ao amanhecer, um pouco antes. A lama estava mole quando ele pisou...
-- Mole? – observou a avó. – Ou só macia? A pegada é nítida. Será que choveu depois que o cervo passou?
-- Não. – Anna pensou um pouco, depois concordou. – Não chove desde a madrugada, então deve sido mais tarde. Isso quer dizer... Avó! – Arregalou os olhos oblíquos, semelhantes aos dos demais membros da tribo. – Ele passou agora há pouco? Está assim tão pertinho? A gente pode ir atrás dele?
-- Para quê? O que você descobriu logo no começo?
-- Que ele é muito novo. Claro, eu sei que não caçamos animais jovens, mas não seria para pegá-lo. Seria só para seguir a trilha e ver se eu consigo achá-lo.
-- Ah, você gostaria? Fico feliz. – A elfa sorriu. – Mas hoje não temos tempo. Tyshen e os outros vão passar logo depois do almoço, lembra? Vocês vão à cata de bagas e cogumelos.
-- Posso ir amanhã – propôs Anna.
-- Nada disso. Você combinou com eles, e além do mais é sua contribuição para a tribo. Todas as crianças da sua idade estão colhendo bagas para secar e comer no inverno.
-- Eu sei. Tudo bem, vamos voltar. – A menina encolheu os ombros. – Mas, num outro dia, queria ir com você além do bosque de faias e ver a trilha onde você encontrou meu avô. Porque você sempre fala, mas eu não sei direito como chegar lá.
-- Isso seria uma jornada mais longa – disse Kyara.
As palavras pesavam ao lhe sair da boca. Anna não disse nada. Em vez disso, pegou a mão da avó, como se tivesse menos que seus nove anos, e começaram a caminhada de regresso a sua cabana.
-- Esta não é a nossa trilha – afirmou a menina, pouco depois.
-- Eu sei. Peguei um atalho, só para ver se você percebia – sorriu Kyara. Na verdade, não tinha pensado muito antes de enveredar por aquele caminho secundário, que raramente percorrera nas últimas luas. Supunha que o mesmo se desse com os outros membros da tribo, por isso se surpreendeu ao dar com uma linha de armadilhas montadas por alguém no mínimo inexperiente.
-- Olhe para aquilo – Kyara apontou para uma delas, que não poderia estar mais evidente, a não ser que fosse enfeitada com flores roxas. – Não sei quem fez, mas ele ou ela precisa de orientação. Até uma toupeira saberia desviar daquela coisa.
-- Ah, avó. Você sabia que as toupeiras têm aldeias embaixo da terra? Foi Zendak que me disse. – Zendak era o xamã da tribo, que não devia ser contestado, por isso Kyara fez que sim. – Ele disse que são túneis muito longos que se encontram uns com os outros, e elas têm uns cômodos largos onde ficam várias, e se visitam, como se fossem casas. E aí Maryan perguntou como eu achava que seria uma cidade de toupeiras, mas uma cidade de verdade, como as do lugar de onde ela veio. Pensei em toupeiras grandonas que seriam os Conselheiros, uma toupeira-ferreiro de avental, fazendas de toupeiras que plantam cenouras e nabos...
-- Ah, está bem, Anna. Já chega. – Kyara franziu as sobrancelhas, irritada. – Que você goste de Maryan, muito bem, também gosto dela; que aprenda a ler e outras coisas que ela sabe, está certo, pode ser útil um dia. Mas toupeiras plantando nabos! Você não tem mais nada em que pensar?
-- São só histórias -- Anna se defendeu. – A tribo tem suas histórias, o povo de Maryan também, os homens também. Essa é só mais uma, que inventamos para nos divertir. Por que você não gosta?
-- Não é isso. É que você, às vezes, se entusiasma demais imaginando coisas e se esquece do que tem para fazer. Ontem quase deixou queimar a comida porque ficou escrevendo naquele caderno. Aposto que ele está aí na sua bolsa. Não está?
O alto das orelhas de Anna – orelhas humanas, arredondadas – ficou vermelho enquanto ela se debatia entre dizer a verdade ou escondê-la. Por fim, resmungou alguma coisa sobre ter se esquecido de tirar o caderno da bolsa – como se a bolsa de caça onde levava seus talismãs e a faca de metal herdada do avô devesse conter aquele monte de folhas de papel, costuradas numa capa de couro, em que ela rabiscava sempre que tinha um momento livre. Às vezes fazia desenhos, como as outras crianças da tribo, mas geralmente escrevia, como aprendera com Maryan, uma das elfas de cabelos brilhantes que viviam na aldeia junto à Floresta dos Teixos. Tinham chegado pouco antes de Kyara regressar de sua própria aventura no Mundo Lá Fora -- uma aventura que durara quase trinta anos e da qual, além de lembranças, restara apenas a neta ainda bebê.
Anna era um fruto da violência, mas também era a filha de sua filha, um tesouro único e precioso, pelo qual valia a pena lutar. Foi por isso que Kyara voltou para junto da tribo: não só estaria longe dos homens, de sua injustiça e guerras sem sentido, mas tornaria a viver com sua gente, tirando seu sustento da floresta e protegida pelos Espíritos Guardiões. E estava dando tudo certo, inclusive em relação a Anna – mas, ainda assim, aquele entusiasmo da neta pelo Mundo Lá Fora a vinha preocupando. Seus devaneios também, pois só seriam admissíveis num futuro xamã, e a menina não iria trilhar esse caminho. Zendak fora claro quanto a isso, embora, para variar, tudo o mais que tinha dito fosse confuso e quase enigmático.
-- Há vários mundos em que ela pode viver – dissera ele. – Mas, para ser feliz em qualquer um deles, vai ter que encontrar as trilhas secretas. Para gente como Anna, os caminhos mais comuns são os mais difíceis de seguir.
Kyara se lembrava daquela conversa enquanto as duas se aproximavam da cabana. Era a mesma onde ela vivera quando criança, formada em parte pelo tronco oco de uma árvore, esculpido e alargado pelas artes de um antigo xamã, e em parte por toras de madeira encaixadas, as frestas muito bem vedadas com resina. Alguns membros da tribo preferiam construir suas cabanas sobre os galhos, principalmente os da Casa do Corvo, mas Kyara dos Lobos sempre gostara do chão bem sólido embaixo de seus pés. Também lhe agradava estar perto de uma cascata, cujo ruído se ouvia da cabana. Era um bom lugar, o da sua infância. Bem diferente da choupana escura, com o teto de colmo e a lareira enfumaçada, onde vivera com Raymond e a primeira Anna.
Aquela que não lhe enchia os ouvidos de perguntas.
-- Avó, e você, o que vai fazer enquanto formos colher bagas? – A menina mastigava uma tira de carne seca, antecipando-se ao almoço de pato cozido com legumes. – Já temos flechas que cheguem, não há peles para tratar... Não quer ir com a gente?
-- Eu? O que eu iria fazer na floresta com um bando de crianças barulhentas? – resmungou Kyara, no fundo satisfeita com o convite. – Vão vocês, eu fico por aqui. Talvez faça umas visitas ou dê uma volta por perto.
-- Pode ir de novo à clareira, ver se os laços pegaram algum animal – Anna sugeriu. – Ou se o cervo passou por lá voltando da nascente. Foi seguindo o rastro de um cervo que você encontrou meu avô, não foi? E uma cabana, onde ele entrou para se abrigar da neve?
-- Foi. Já não contei essa história?
-- E será que a cabana ainda está lá? Os restos dela, pelo menos – insistiu a menina. – Talvez a lareira onde Raymond estava assando peixe. Você ficou assustada quando topou com ele?
-- Claro que não. Eu tinha meu arco, e ele estava indefeso, tinha tirado até a roupa para secar no fogo. Fiquei foi curiosa. Eu sabia a respeito dos homens, mas nunca tinha visto um.
-- E você achou meu avô bonito – Anna sorriu de um jeito maroto. – Ficou tão apaixonada que foi embora com ele.
-- Não fui embora nesse dia. Fiquei com ele um quarto de lua, tentando ensiná-lo a rastrear e caçar, porque ele ia trabalhar para um homem rico e o trabalho seria esse.
-- E ele aprendeu?
-- No início, não. Só depois que fomos viver lá. Quantas vezes você vai querer ouvir a mesma coisa?
-- É que eu escuto diferente a cada vez – disse a menina.
Kyara franziu o cenho, sem entender. Então, Anna tomou fôlego, assumindo um ar quase solene ao tentar explicar.

***




Parte 2.

Para quem gostou da Anna criança, sugiro o livro Anna e a Trilha Secreta, onde ela encontra os Espíritos Guardiões da Tribo.

No blog do Castelo vocês encontram informações e um belo desenho dos avós Kyara e Raymond.

terça-feira, julho 04, 2017

De Amor e Eternidade : parte 2

-- E nessas viagens todas, Avô Baltha, quem você mais gostou de conhecer? – perguntou Nikka. – Os deuses do Egito?
-- Aposto que foram as ninfas – disse Jeza, com expressão marota.
-- Não. Os deuses eram muito carrancudos, e as ninfas não sabiam conversar, só davam risadinhas.
-- Então quem? O príncipe que dançava com os touros?
-- Teseu? Aquele baixinho invocado? Não mesmo – disse Balthazar.
-- E o homem do cavalo de pau? Esse era esperto.
-- Sim, era. Podíamos ter sido amigos – suspirou o fenício --, mas Lísias e eu estávamos do lado dos troianos.
-- Já sei! – exclamou Jeza, batendo palmas. – Você gostou do rei de Tiro, aquele que mandou a madeira para o amigo dele construir o templo.
-- Foi uma honra estar na presença do Rei Hiram, que eu admirava desde criança – confirmou Balthazar. – Mas não chegamos a ser próximos, e no decorrer das viagens encontrei pessoas a quem me afeiçoei bem mais. Em geral, pessoas comuns, das quais ninguém ouviu falar. Mestre Gaspar e seu discípulo Belchior, os atores no festival de teatro, Tita, a garota que me livrou de morrer na arena. Não vou me esquecer deles, apesar de ter conhecido deuses e reis.
-- Você passou todo o tempo das viagens querendo voltar para Cartago, não foi? – perguntou Jeza, muito séria. – Lísias sempre errava de tempo e de lugar quando dizia o encanto, mas era para cá que vocês estavam tentando vir.
-- Mais ou menos. – Ele preferiu não explicar sobre Alexandre da Macedônia e o desejo de vingança que o fizera procurá-lo: isso levaria ao massacre de Tiro e da sua família de sangue, histórias dolorosas demais para os ouvidos de duas garotinhas. – Eu queria voltar ao barco e reencontrar seu pai, ajudá-lo a acabar de derrotar os piratas. Não queria ser lembrado como o capitão que deixou seus homens para trás. Nessas tentativas nós até conseguimos vir a Cartago, uma vez no passado, outra no futuro. Nenhuma dessas viagens foi muito boa.
-- Ah, Avô Baltha! Essa do futuro é que a gente menos gosta. – Nikka franziu a testa. – Você falou que Cartago tinha acabado. Como é que pode?
-- Não é que tivesse acabado. Foi conquistada. – Evitou cuidadosamente as palavras cruéis: destruição, massacre, sacrifício. – Houve uma série de guerras e, no final, Cartago passou a ser dos romanos. Tudo que era cartaginês...
-- Ah, olhe só! – exclamou Jeza, sacudindo o dedinho como se o tivesse pegado numa mentira. – Os romanos? Aníbal disse que isso é impossível. Roma nunca poderia vencer Cartago. É por isso que ele diz que as histórias são inventadas.
-- Pois eu conheci outro Aníbal que provaria o contrário. Mas tudo bem. Essa não é mesmo uma boa história. – Ele se lembrou daqueles dias sombrios, a pavorosa travessia dos Alpes, Lísias chorando junto ao cadáver de um elefante. – O que eu preciso que vocês acreditem é que eu sei, de fato, algumas coisas que vão acontecer no futuro – guerras, por exemplo – e tento usar isso para ajudar seu pai, porque ele agora é como se fosse meu filho. Eu não sei tudo – desculpou-se --, mas só quero o que for melhor para vocês.
-- A gente sabe disso, Avô Baltha. – Nikka, que estava sentada no chão, pôs a mão em seu joelho.
-- É sim. Que bom que você conseguiu voltar! – exclamou Jeza, dando-lhe um abraço.
O capitão fechou os olhos e sorriu, emocionado. Sim, valera a pena, apesar de tudo que deixara para trás. Só esperava viver o bastante para cumprir a missão que impusera a si mesmo, que o impedira de seguir Lísias até onde ele estava agora, navegando entre as estrelas: com seu conhecimento do futuro, não partiria em paz se não assegurasse que os descendentes de Sikkar iriam sobreviver à queda de Cartago. Vinha trabalhando nisso desde que voltara, abrindo uma filial da casa comercial da família e criando um lar acolhedor para os netos em Alexandria. Não que a cidade egípcia fosse atravessar ilesa os próximos séculos, também passaria por guerras e conflitos, mas ficaria de pé, ao menos até o ponto que ele e Lísias tinham sido capazes de ver. Fora o porto mais seguro que conseguira encontrar para as próximas gerações.
Lísias teria apoiado sua decisão. Era o que dava a entender quando se encontravam em sonhos, nos quais ele nunca surgia como o menino dos primeiros tempos e sim como nas viagens da clepsidra, um jovem marinheiro com uma penugem loura no queixo e um colar do qual pendia uma concha de múrex. Faltava apenas o golfinho de vidro colorido que usara nos últimos anos. Os sonhos também transcorriam sempre do mesmo jeito, com os dois deitados no convés de um barco, olhando estrelas, como tinham feito tantas vezes, em diferentes épocas e lugares. No entanto, ao contrário do que seria de se esperar, Lísias não dizia nada, apenas ouvia as histórias de Balthazar, e só abria de verdade um sorriso quando o fenício contava as proezas dos netos. Como teria gostado de conhecê-los!
E aquelas meninas, Nikka e Jeza, que tinham nascido tão frágeis e cresciam tão fortes – Lísias certamente as teria amado. O capitão olhou para as duas, engenhosas e cheias de carisma como o pai, decididas como a mãe a quebrar as barreiras impostas pelo sexo, e pensou nelas dali a alguns anos, percorrendo os corredores da Grande Biblioteca para desvendar seus segredos. Buscando viver os ideais que os contos da clepsidra haviam despertado. Esse seria o legado que Balthazar deixaria sobre a terra.
-- Meninas! Dando trabalho ao capitão? – Era Núria, a aia siciliana, que vinha descendo as escadas. – O bebê dormiu, e sua mãe está descansando também. Venham comer alguma coisa e se lavar, e assim, quando ele acordar, vocês vão poder logo subir para brincar com ele.
-- Podemos, Avô Baltha? – Jeza o olhou com expectativa.
-- É claro. Já falei um bocado por hoje. Podem ir.
-- O senhor quer beber alguma coisa? – indagou Núria, solícita. – Água, suco, vinho de tâmaras?
-- Depois. Leve as meninas, eu fico um pouco mais por aqui, tomando a fresca.
Piscou para a moça, que enrubesceu, baixando o rosto para esconder o sorriso. Muito bem, Capitão Balthazar. Pelo futuro dos seus netos, que aquele fosse o prenúncio de pelo menos mais duas décadas de vigor e saúde.
Nikka e Jeza beijaram sua barba – um gesto de respeito, muito antiquado na visão do fenício, mas ainda se usava em Cartago – e acompanharam a siciliana. Imprecações em helênico vinham da sala ao lado, onde o preceptor tentava ensinar retórica aos irmãos delas, de treze e onze anos, que só pensavam em travessias do deserto e proezas navais. Esses seriam os primeiros a aceitar a ideia de mudar de cidade. Aníbal, o teimoso primogênito de Sikkar, e o irmão seguinte, de temperamento indeciso, talvez ficassem lá até o fim da vida, mas não fazia mal. Seus filhos, netos ou bisnetos saberiam para onde ir quando a guerra se abatesse sobre Cartago. Quanto a ele, Balthazar, já não caminharia neste mundo, mas ali não cabiam arrependimentos. Outra eternidade o esperava ao fim da jornada. Ou será que todas as suas viagens, todos os encontros com deuses e heróis, todas as surpresas vindas de pessoas comuns não o tinham feito compreender que existia algo além?
-- Nós sabemos melhor, meu Lísias – murmurou o capitão, tateando sob a gola da túnica e encontrando o golfinho de vidro. – Um dia...  

Um vento leve beijou seus cabelos quando ele apertou o talismã contra o peito, junto ao coração.

***

Então? O que acharam do conto? O feedback de vocês é muito importante, porque estou escrevendo histórias sobre Nikka, Jeza e os demais irmãos, mas alguns já devem conhecer o Balthazar e o Lísias. Alguns contos deles estão em e-books e outro está disponível aqui na Estante. 

Para quem quiser vê-los, aqui vão os links:

Os Pilares de Melkart (na coletânea "Piratas")
            O Ouro de Tartessos
            A Caverna de Zakynthos
            Em Busca do Rei 

Ah, e a Parte 1 deste conto, para quem não leu. :)

Muito obrigada -- e volte sexta-feira, que tem mais uma dupla à sua espera, desta vez de avó e neta!

segunda-feira, julho 03, 2017

De Amor e Eternidade : parte 1



O primeiro conto do projeto nos leva até a Cartago do século IV a. C. Ali, Balhazar de Tiro (que meus quatorze leitores e meio devem conhecer) foi adotado como avô pelos filhos de seu antigo ajudante, Sikkar, sobrinho do rico negociante Aníbal, o Achacoso. Ele visualiza um futuro para a família longe de Cartago, especialmente para as gêmeas Nikka e Jeza, a quem conta histórias do seu passado com a clepsidra mágica... e com alguém de quem nunca foi capaz de se esquecer. 

A ilustração foi pedida a Sheila Lima Wing, que tem um traço limpo, bem legal para ilustrar histórias para crianças ou jovens. E aqui vai uma confidência: estou escrevendo histórias da Nikka e da Jeza um pouco mais velhas. Espero que vocês gostem e deixem muitos comentários!


-- Ei, vocês, podem parar! Aonde as gatinhas sorrateiras pensam que vão?
Balthazar cruzou os braços e fez cara de mau. Pegas em flagrante, as gêmeas se deram as mãos, faces vermelhas num primeiro momento, para explodir em risadinhas logo a seguir. O fenício também riu. Atravessando a sala, sentou-se num divã, próximo à janela, e chamou as garotas para junto de si.
-- Sua mãe está fazendo seu irmãozinho dormir – explicou, pela terceira ou quarta vez, apontando a escada. -- Não é para vocês irem lá em cima.
-- Ah, Avô Baltha, a gente só queria ver ele. É tão gordinho e fofinho – disse uma das gêmeas, apertando as próprias bochechas.
-- E a gente não iria fazer barulho. Tiramos até as pulseiras – disse a outra, estendendo os braços.
-- Eu sei, mas ele fica agitado quando vê vocês, mesmo que estejam quietas. Sua mãe precisa de tranquilidade, e sua aia está ocupada, então vamos ficar um pouco aqui embaixo, certo?
-- Certo, mas a gente pode brincar? – perguntou a menina. Balthazar concordou, e ela olhou com malicia para a gêmea antes de prosseguir. – Adivinha quem eu sou: a Nikka ou a Jeza?
-- Hum... Deixe-me ver. – Enrolou a barba branca entre os dedos, fazendo-as rir: o Avô Baltha era um ótimo parceiro de jogos. – De manhã me disseram que Nikka estava de verde e Jeza de lilás. Mas vocês podem ter trocado uma com a outra nesse meio-tempo, não podem?
-- Podemos. – As vozes iguais, os dentes como gotinhas de leite, um deles faltando. Até os dentes elas mudam ao mesmo tempo, pensou o capitão.
-- Bom, não sei se trocaram de roupa, então... Já sei: levantem o braço direito. Aaaargh! Podem baixar, já vi que as duas vão precisar de um bom banho daqui a pouco!
Com isso, as crianças se puseram a rir, uma apenas divertida, a outra gargalhando tanto que teve de segurar a barriga. Essa devia ser Jezabel, que chamavam de Jeza, sempre disposta a uma brincadeira. A outra, mais comedida, era Nikka, apelido de Nikkal. Se bem que ele tinha um jeito infalível de saber, bastando olhar a trancinha discreta, quase escondida entre os cachos negros da gêmea risonha. Aquilo fora feito em segredo por Núria, a aia siciliana, enquanto as duas dormiam – e não fora descoberto, nem refeito por dedinhos de sete anos no cabelo da irmã mais séria.
-- Bom, vou arriscar. Você, que não para de rir, é a Jeza – disse Balthazar, sem querer deixá-las ganhar todas as vezes. – A outra é a Nikka. E vocês não trocaram de roupa. Acertei?
-- Acertoooou! – Jeza se atirou para a frente, caindo nos seus braços e o beijando na face antes de subir no divã.
-- Como você descobriu? – Nikka o olhou desconfiada.
-- Ah, eu conheço vocês – disse ele, evitando revelar o truque da siciliana. – Mesmo vivendo em Alexandria e vindo poucas vezes a Cartago, conheço o jeito de todos os meus netos.
As palavras saíram de seus lábios com facilidade. Ele conhecera o pai e a mãe daquelas meninas quando bem jovens, e, com o tempo, passara a amá-los como se fossem do seu sangue. Agora tinham sete filhos, e Balthazar se sentia um avô de verdade, gostava de aconselhar os rapazes mais velhos e de brincar com as crianças. Estava encantado com o novo bebê. Em tudo e por tudo, por mais que anos atrás isso parecesse impossível, aqueles cartagineses tinham se tornado a sua família, e isso o ajudava a aplacar a dor de tantas perdas.
E, ainda assim, às vezes ele tinha que achar maneiras de extravasá-la.
-- Bom, venci o jogo – disse, sorrindo para as gêmeas. – Agora, quem quer ouvir uma história?
-- Eu! – gritaram as duas.
-- Uma história do Lísias – disse Jeza, como Balthazar esperava que uma delas fizesse. – Mas não uma das tristes, em que vocês viram escravos e são chicoteados ou coisa assim. Conte uma engraçada.
-- Qual? A do Epaminondas?
-- Não, a do cachorro não. A do camelo Menelau – propôs Nikka.
-- Ah, essa também não – disse Jeza. – Conte uma nova, Avô Baltha!
-- Uma nova? Acho que já contei todas.
-- Invente uma – replicou a menina.
-- Não posso. Essas histórias não são inventadas.
-- Aníbal disse que sim – teimou Jeza. – Que o Lísias existiu, claro, mas era só um escravo que viajava com você. Não houve nada dessas histórias de clessipidra.
-- Clepsidra – corrigiu Balthazar. – Seu irmão diz isso porque é um cabeça-dura, igual ao velho tio de quem herdou o nome. A clepsidra era real. Lísias e eu viajávamos com ela para o passado e para o futuro. Já contei como a conseguimos?
-- Eu sei! No templo do deus egípcio! – exclamou Nikka.
-- Não, não. Você está misturando as coisas. A clepsidra era de Thoth, o deus egípcio de cabeça de íbis, mas nós a pegamos num templo dos helenos. Do deus do mar, que eles chamam de Poseidon. Então, estávamos na ilha de Ebusos...
Foi em frente, contando como um estranho sacerdote egípcio o contratara para roubar a relíquia, como eles tinham feito para descobrir o encanto da viagem no tempo e como Lísias o usara pela primeira vez, tirando-os de cena em meio a um ataque de piratas. Enfeitou a narrativa para ressaltar a bravura de Sikkar, o pai das meninas, embora não tivesse visto como ele se saíra em combate. Tudo que sabia é que ficara vivo e negociara sua liberdade e a dos companheiros remanescentes, paga por seu tio Aníbal, que era o dono do barco. Isso naquela outra linha da história, a linha em que Balthazar não retornava de suas viagens. Por que, no fim, tinha escolhido um caminho diferente? Essa pergunta o acompanhara por um bom tempo depois de voltar a Cartago.
E só mais tarde – bem mais tarde – ele conseguira entender.

(Continua... Mas, para quem ficou curioso, dá para ler, aqui mesmo no blog, a história do Camelo Menelau.)

Sigam para a Parte 2!

domingo, julho 02, 2017

Contos Fantásticos de Avós Extraordinários : o Projeto


Pessoas Queridas,

Já faz um tempo que eu venho acalentando a ideia de uma série de contos chamada “Heróis de Prata”, alusão aos cabelos brancos, prateados e grisalhos daqueles que seriam seus protagonistas. Seria – espero que venha a ser -- um projeto mais amplo que este, o qual pretendo tocar com a ajuda do meu amigo Luiz Felipe Vasques, ótimo escritor e um dos meus parceiros de crime.

Esta pequena série segue dentro da mesma ideia, porém é menos ambiciosa. Serão apenas quatro contos, e os “prateados” e “prateadas” vão contracenar sempre com seus netos e netas, com idades entre os sete e os quinze anos. Não quer dizer que os contos sejam para crianças; são contos sobre crianças e jovens, sobre as lições de vários tipos que recebem por parte dos mais velhos e – principalmente nos dois primeiros contos – sobre o efeito que elas mesmas exercem sobre os avós.

Assim, ao longo do mês de julho (para os que gostam de efemérides, 26 de julho é dia de Santa Ana, padroeira dos avós, mas também da leitura e da educação), irei compartilhar quatro contos aqui na Estante Mágica. O primeiro começa amanhã, dia 3, e a última parte do último sairá no dia 31. Cada conto é acompanhado por uma ilustração feita por quatro diferentes amigos e por uma pequena explicação sobre os personagens, vários deles (mas nem todos) já conhecidos pelos meus quatorze leitores e meio.

Eu pensei em fazer uma grande promoção, cheia de prêmios , para quem lesse e comentasse, mas decidi não ir em frente com isso. Vou divulgar, sim, peço a ajuda de todos que puderem e quiserem para fazê-lo, e, claro, vou adorar receber comentários, seja aqui ou nas redes sociais. Mas não se sintam obrigados a nada. Uma visita, vez por outra, já me deixará muito feliz.

Espero vocês – e espero que gostem deste passeio com os avôs e avós dos meus três universos fantásticos!

Já publicados:
De Amor e Eternidade.

O Eterno Retorno.

O Espetáculo Não Pode Parar.

A Era do Leonte.





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Sobre o Quixote aí em cima: pensei muito antes de escolher uma imagem para este post. Não queria usar uma das ilustrações dos contos; elas são específicas. Assim, optei por um personagem literário que já era (no mínimo) grisalho, um Herói de Prata que não tinha netos, mas teria sido um avô daqueles mais maravilhosos. :)