domingo, julho 02, 2017

Contos Fantásticos de Avós Extraordinários : o Projeto


Pessoas Queridas,

Já faz um tempo que eu venho acalentando a ideia de uma série de contos chamada “Heróis de Prata”, alusão aos cabelos brancos, prateados e grisalhos daqueles que seriam seus protagonistas. Seria – espero que venha a ser -- um projeto mais amplo que este, o qual pretendo tocar com a ajuda do meu amigo Luiz Felipe Vasques, ótimo escritor e um dos meus parceiros de crime.

Esta pequena série segue dentro da mesma ideia, porém é menos ambiciosa. Serão apenas quatro contos, e os “prateados” e “prateadas” vão contracenar sempre com seus netos e netas, com idades entre os sete e os quinze anos. Não quer dizer que os contos sejam para crianças; são contos sobre crianças e jovens, sobre as lições de vários tipos que recebem por parte dos mais velhos e – principalmente nos dois primeiros contos – sobre o efeito que elas mesmas exercem sobre os avós.

Assim, ao longo do mês de julho (para os que gostam de efemérides, 26 de julho é dia de Santa Ana, padroeira dos avós, mas também da leitura e da educação), irei compartilhar quatro contos aqui na Estante Mágica. O primeiro começa amanhã, dia 3, e a última parte do último sairá no dia 31. Cada conto é acompanhado por uma ilustração feita por quatro diferentes amigos e por uma pequena explicação sobre os personagens, vários deles (mas nem todos) já conhecidos pelos meus quatorze leitores e meio.

Eu pensei em fazer uma grande promoção, cheia de prêmios , para quem lesse e comentasse, mas decidi não ir em frente com isso. Vou divulgar, sim, peço a ajuda de todos que puderem e quiserem para fazê-lo, e, claro, vou adorar receber comentários, seja aqui ou nas redes sociais. Mas não se sintam obrigados a nada. Uma visita, vez por outra, já me deixará muito feliz.

Espero vocês – e espero que gostem deste passeio com os avôs e avós dos meus três universos fantásticos!

Já publicados:
De Amor e Eternidade.

O Eterno Retorno.

O Espetáculo Não Pode Parar.

A Era do Leonte.





*****

Sobre o Quixote aí em cima: pensei muito antes de escolher uma imagem para este post. Não queria usar uma das ilustrações dos contos; elas são específicas. Assim, optei por um personagem literário que já era (no mínimo) grisalho, um Herói de Prata que não tinha netos, mas teria sido um avô daqueles mais maravilhosos. :)

quarta-feira, junho 21, 2017

Ana Merege e Eduardo Kasse na Feira medieval


Pessoas Queridas,

Eu e o Eduardo convidamos vocês para nos encontrar na III Feira Medieval carioca, que terá lugar no sábado e no domingo (dias 23 e 24 de junho) das 11 ás 17 h na Quinta da Boa Vista, um lugar bem central aqui no Rio de Janeiro. A entrada no evento é gratuita e haverá muitas atrações: torneio de armas, prática de arco e flecha, dança e música medieval, venda de hidromel, roupas e artefatos. As crianças terão atividades direcionadas pára elas - vai ser bem divertido.

Para quem quiser adquirir nossos livros, teremos descontos de até 30% nos volumes da Trilogia Athelgard, da Série Tempos de Sangue e das coletâneas Medieval e Excalibur. Aceitaremos cartão, daremos marcadores de brinde e, é claro, autógrafos.

Venha passar conosco um Dia Medieval!

quinta-feira, junho 01, 2017

sexta-feira, maio 05, 2017

Para Quintana



Não lembro muito bem, mas creio que deve ter sido na primeira vez que visitei Porto Alegre com o então namorado João. Curiosamente, apesar de sermos do Rio, sem raízes gaúchas, nós dois curtíamos música nativista, e nessa viagem fomos assistir a um show do cantor João Chagas Leite. Nessa ocasião ouvi a linda canção Ave Sonora, ainda mais linda por homenagear um dos meus poetas favoritos, Mário Quintana – que foi jornalista, traduziu mais de cem livros, viveu solitário pela maior parte da vida e morreu na pobreza. Concorreu três vezes a uma vaga na Academia Brasileira de Letras, mas, apesar dos muitos poemas e muitos prêmios – inclusive da própria ABL --, nunca foi eleito. Razões alheias à magnitude da obra, como diz a letra de “Ave Sonora”, da autoria de Gilvan Retamoso Palma:

Ave sonora, saiba que agora
Não há censura nem linha dura pr'esta passeada
Ave sonora, vamos embora
Que a academia é só mania de quem tem plata
Que a academia é só mania de quem tem plata

Seja como for, hoje faz 23 anos que Mário Quintana se foi para o céu dos anjos e dos cata-ventos. Já o homenageei, anos atrás, com um poema que me recorda os saltimbancos de Athelgard, agora deixo aqui a canção dos conterrâneos e ainda um dos meus poemas favoritos. Conhecido, lá em casa, como o "Poema da Cabrinha".

A Canção da Menina e Moça

Uma paisagem com um só coqueiro.
 Que triste!
 E o companheiro?

Cabrinha que sobes o monte pedrento.
Só, contra as nuvens.
Será teu esposo o vento?

O meu esposo há de cheirar a tronco,
Como eu cheiro a flor.

Um coração não cabe num só peito:
Amor... Amor...

Uma paisagem com um só coqueiro...
Uma igrejinha com uma torre só...
Sem companheira... Sem companheiro...
Ó dor!

O meu esposo há de cheirar a tronco,
Como eu cheiro... como eu cheiro

A amor...

segunda-feira, maio 01, 2017

Sobre Livros e Amizade



          Pedem-me para escrever sobre a amizade e os livros. Por onde começar?
          Há muito a dizer e vários caminhos possíveis. Eu poderia falar sobre a amizade retratada em textos literários, desde Enkidu & Gilgamesh a Sawyer & Finn, Holmes & Watson, Frodo & Sam, sem esquecer os eternos e complementares Sancho & Quixote. Indo por outra vereda, poderia falar sobre a amizade aos livros, aquela que marcou a infância de tantos escritores e acabou se refletindo em suas obras. Ou sobre o colecionismo... Quem sabe?
           Entre tantas opções, escolhi não falar sobre a amizade atribuída por um autor a seus personagens, nem pelo laço criado entre o livro e seu leitor ou possuidor. O que celebro aqui são as amizades entre pessoas de carne e osso, construídas a partir do interesse por livros. Ou melhor, pelo amor às histórias contidas em suas páginas.
           Tenham em mente que hoje isso é bem mais fácil do que já foi. Onde quer que esteja, um jovem que goste de ler – ou de escrever, ou de ambos – só precisa digitar algumas palavras para encontrar pessoas que compartilhem seus livros, séries e personagens favoritos. Para mim foi mais difícil: corriam os anos 1980, quando tudo dependia de estar nos lugares certos (aos quais nem sempre se tinha acesso) e achar as pessoas certas (que você nem sabia se existiam). Ler, portanto, era um ato muitas vezes solitário, e escrever quase sempre um passo para a exclusão social. E para quem, como eu, nasceu querendo contar histórias, a solidão não é algo fácil de suportar.
            Assim, dá para imaginar a alegria que era encontrar, nem digo escritores, mas leitores com preferências afins. Vocês sabem como é, já devem ter passado por isso: aquela coisa de conhecer alguém, ir assuntando, de repente se aproximando devagar: você também está lendo essa série? O que mais conhece no gênero? Autores nacionais, algum? Eu podia te emprestar... Enfim, começa por aí, o resto vai-se construindo como em qualquer amizade. E as que começam através da literatura têm bases sólidas.
            Falo sobre livros com a grande maioria dos meus amigos. Na verdade, até mesmo com os que não gostam de ler: em nossos outros assuntos, cinema, viagens, maternidade, sempre acabo encaixando uma referência, uma citação de autor ou personagem. Outros leem não-ficção, de que também gosto, dependendo do assunto. Na biblioteca onde trabalho, muitos papos iniciados no campo da História ou da Arqueologia levaram a conexões literárias. O círculo se amplia com os que leem ficção realista e se abre com possibilidades infinitas ao pensar nos que partilham meu gosto por literatura fantástica. Alguns deles são pessoas que encontro com certa frequência, outras raramente; com muitas travei contato pelas redes sociais e nunca tive o prazer de encontrar ao vivo e a cores. Não importa: estejam próximos ou não, estamos ligados pelos livros, pela fantasia, por uma teia elástica e inquebrantável em cujos fios se inscrevem todas as palavras do mundo.
             Que ela possa crescer cada vez mais, tecendo novas histórias e unindo amigos que ainda não se conhecem.