sábado, janeiro 17, 2015

Poemas do Twitter



           E como inspiração anda escassa, principalmente para a poesia, o jeito foi usar o que escrevi nas redes sociais!

           Este site legal revirou as coisas que eu escrevi no Twitter e compôs dois belos poemas, um em forma de rondel e outro em forma de soneto. E não é que (ao menos em alguns pontos) eles fazem sentido?

           Pois fiquem aí com meus poemas twítticos!

De vista

por Ana Lúcia Merege

Que vai bem além da sexta-feira.
Águias têm exatamente ESSAS cores?
Que me asseguraram ser verdadeira
De Literatura tem vencedores
Eu vi, obrigada, Muito lindo!
Sei se vai adiante, mas está lá.
Pra que setor vc está indo?
Também. Mas a dublagem não está má.
Mas aqui dou a mão à palmatória.
Nova crônica na Estante!
Senta que lá vem história!
Opinião sobre a saga do navegante!!
Quer os livros com dedicatória!

***

Custa nada

por Ana Lúcia Merege

Sei se vai adiante, mas está lá.
Sobre vozes e pontos de vista.
Também. Mas a dublagem não está má.
E, se gostarem, ponham na lista.
Mas aqui dou a mão à palmatória.
Soltas. Sou bem explicadinha!
Senta que lá vem história!
A minha vida. (Brincadeirinha).
Eu vi, obrigada, Muito lindo!
Uma boa presidenta". É. Pois é.
Pra que setor vc está indo?
Que vai bem além da sexta-feira.
Pela apreciação e pelo carinho.
Que me asseguraram ser verdadeira.

***

           (E agora é oficial: está inaugurado o marcador "Besteirol" desta Estante Mágica! :)

           Até a próxima!

quarta-feira, dezembro 31, 2014

Até o Ano Que Vem!

Pessoas Queridas,

Pensei muito no que escrever para me despedir e agradecer por mais este ano, mas acho que as palavras às quais eu tinha direito em 2014 se esgotaram com as histórias. Então, deixarei que as imagens falem por mim.




Estou muito feliz por vocês terem navegado comigo nas águas geladas e visitado a Ilha dos Ossos com a Anna, o Kieran e o Thorold. Espero que continuem a acompanhar as histórias e as novidades de Athelgard. Uma dica: passem sempre lá no blog do Castelo para ver o que há de novo!



Agradeço também ao pessoal que leu meus artigos aqui, os do Leitor Cabuloso e, claro, as postagens em redes sociais. Lamento ter escrito tão pouco este ano e espero compartilhar muito mais no ano que vem. Enquanto isso, dê uma olhadinha no Wattpad e nos arquivos da Estante Mágica, tem muita coisa para ler!



E, no ano que vem, espero trazer muitas novidades. A grande maioria vem de Athelgard, outras vêm deste universo mesmo, mas quase sempre de longe, no espaço e no tempo. Vai ter piratas (um deles viaja num navio como esse aí de cima!), lobisomens, ninjas honrados, animais falantes, uma jornada ao mundo dos espíritos e outra, delirante, num tapete voador. Vai ser muito, muito legal... e quero que vocês estejam lá comigo, para ver, ler e sonhar!

Um grande abraço e até o ano que vem!!


sexta-feira, dezembro 26, 2014

6 Livros Nacionais : Favoritos de 2014

Olá, Pessoas Queridas!

Ano quase no fim, venho compartilhar os títulos nacionais que mais me agradaram este ano. Ficaram de fora contos soltos, coletâneas de mais de um autor e HQs, bem como livros de pegada mais juvenil, que tiveram um post próprio.

Era para ser um Top 5, mas, pesando tudo cuidadosamente, não tive como tirar um título desta lista sem sentir que estava cometendo uma injustiça. Por outro lado, embora tenha curtido outros livros nacionais, os quatro que eu poderia indicar para fazer um "Top 10" ficariam muito aquém destes seis - e, ora, quem disse que todas as listas têm de ser de 10 ou de 5 itens?

´Bora então, por ordem alfabética de título:


Danação, de Marcus Achiles

Uma conhecida criatura do folclore brasileiro ganha vida neste romance histórico que se passa no século XVIII, no interior de São Paulo, O cenário é bem pesquisado, os personagens são muito bem construídos e o ritmo tem poucas quebras. Achiles capricha nas cenas de horror - quem gosta do gênero não deve perder este. Só existe em e-book, até onde sei.




Dias Perfeitos, de Raphael Montes

Que fique claro: eu não gostei da forma como o livro terminou. No entanto, ela foi bem coerente com as atitudes do protagonista, um estudante psicopata; os diálogos são precisos e perfeitos e a narrativa é daquelas que você não consegue largar. Recomendo para os fortes.



Exorcismos, Amores e uma Dose de Blues, de Eric Novello

Sonho, projeção e realidade se misturam na odisseia de um mago urbano em busca da resolução de um crime e do reencontro consigo mesmo. É um livro muito bem escrito, cheio de referências e de nuances que fazem toda a diferença na trama. Sugiro saborear em pequenas doses, com pausas para refletir e assimilar.



Guerras Eternas, de Eduardo Massami Kasse

Harold, o imortal fanfarrão de O Andarilho das Sombras, e Alessio, o cristão atormentado de Os Deuses Esquecidos, se encontram nesse terceiro livro da série Tempos de Sangue. Enquanto tentam se entender, enfrentam, com outros companheiros, a guerra movida pelo arcebispo de Canterbury e pelos nobres locais, dispostos a varrê-los da face da terra. Um livro vigoroso e empolgante.



Homens e Monstros, de Flávio Medeiros Jr.

Numa realidade histórica alternativa, de contornos steampunk, franceses e britânicos (com seus aliados, os astecas) combatem pela hegemonia. Por esse cenário desfilam Jules Verne, H. G. Wells, cada qual ocupando a posição de ministro da ciência de seu país, e algumas de suas criações literárias, como o Dr. Jekyll, Mr. Hyde, o Capitão Nemo. Ou seriam todos impostores, oportunistas, espiões da potência inimiga? Só lendo para descobrir!



As Mil Mortes de César, de Max Mallmann

Tremei, legiões! Desiderius Dolens, o Carniceiro de Bona, está de volta, com todo o seu humor sombrio, seu grande apetite e sua disposição para a briga. É um livro bem escrito e pesquisado, cheio de "Easter Eggs" e uma boa continuação para O Centésimo em Roma. O problema é que me deixou com muita vontade de ler o próximo! :)

.........

Bom, pessoal, estas são minhas recomendações. Imagino que já conheçam alguns desses livros, mas, se não, vale a pena conferi-los.

E vocês, que livros nacionais sugerem? Aguardo suas dicas!

Até breve, e um bom final de ano!

sexta-feira, dezembro 19, 2014

Linha de Montagem: um Conto Natalino





Blixi trabalha na posição central da esteira. Pelas janelas da Fábrica é quase impossível entrar um raio de sol, a não ser no verão, quando ele brilha pálido no céu durante longas horas. A maior parte do pessoal não gosta e prefere que se fechem as janelas, deixando a iluminação a cargo dos globos de cristalneve; é como se o inverno durasse o ano inteiro. Ou talvez o outono, a época de maior demanda, quando o Patrono pede um esforço extra a fim de aumentar a produção. Na prática, isso significa trabalhar dobrado. E como a pausa entre os turnos, quando podem sair um pouco, nunca é ao meio-dia, eles ficam vários meses sem ver a luz do sol.
Blixi é um bom operário, mas o Chefe da Oficina o vigia de perto e às vezes o repreende por se distrair. Isso vem acontecendo com mais frequência nos últimos anos, sem que haja uma razão: o ambiente não oferece novidades, muito menos o trabalho, executado com gestos medidos e perfeitos, Juntar duas peças, pregar, encaixar ou colar, passar ao próximo na esteira; juntar mais duas peças, pregar e assim por diante. Não é um trabalho ruim – a ideia nem passaria pela cabeça deles – mas Blixi está ali há tanto tempo, suas mãos tão habituadas a repetir aqueles movimentos que, mesmo sem querer, seu olhar se desprende da esteira, passeando pela oficina como se estivesse em busca de algo. O quê?, pergunta o Chefe, mais ríspido e irritado a cada vez. Mas a resposta de Blixi é baixar a cabeça e voltar ao trabalho.
Ou pelo menos foi assim até hoje.
É o dia que costumam chamar de Véspera, um dia frenético e atarefado na Fábrica, pois antecede aquele em que se escoa a produção de um ano inteiro. Blixi está em seu posto e maneja um pincel, que mergulha na cola a fim de unir duas partes de uma casinha de brinquedo. Como de costume, todos trabalham sem erguer os olhos, a não ser o Chefe da Oficina, que vai de lá para cá fiscalizando produtos e operários. Suas botas fazem um ruído constante, com um ritmo tão cadenciado quanto o de um relógio; está ali desde o início do turno, incorporado aos outros sons da Fábrica, e, por isso mesmo, chama a atenção de Blixi ao se deter inesperadamente. Ele tenta resistir, concentra-se na seqüência de movimentos diante da esteira, mas o impulso cresce, avolumando-se dentro dele até se tornar mais forte que a vontade. Então, Blixi olha.
O Chefe da Oficina está de pé, lendo um papel que acaba de descer pelo tubogelo. Isso não teria roubado mais que um instante da atenção de Blixi , não fosse por um detalhe: o Chefe precisou de luz para enxergar o memorando, e em vez de usar um globoneve abriu uma janela. E por acaso – só pode ter sido o acaso – ele o fez durante a única hora de sol deste dia de inverno.
Uma estreita faixa de claridade se insinua na oficina, invade os olhos de Blixi, cegando-o para qualquer coisa que não seja essa luz. A esteira continua a rolar, as partes das casinhas passando à sua frente sem que sequer as veja. O operário que o sucede na linha de montagem tenta cobrir a falha, logo ajudado pelo colega seguinte, mas, com sua própria série de movimentos a executar, não demoram a se ver atrapalhados. Sem saber o que fazer, um deles chama Blixi em voz alta, com isso conseguindo trazê-lo de volta a seu posto; mas o grito atrai a atenção do Chefe da Oficina, cujos olhos lampejam ao ver as peças acumuladas na esteira. Ele se volta para Blixi com a pergunta de sempre, mais furiosa que nunca, na ponta da língua – pergunta que, no entanto, morre em sua boca ao perceber que é inútil. Pois pela primeira vez, embora como sempre tenha voltado ao trabalho, a expressão de Blixi deixa claro que ele tem uma resposta.
O procedimento-padrão nesses casos é um só, e o Chefe não teria chegado onde chegou se não cumprisse as regras. Sem nada dizer, ele vira as folhas em sua prancheta até achar o nome de Blixi e escreve o código correspondente, informação que, no fim do turno, será enviada para o pessoal do escritório. Eles vão se encarregar do caso, talvez em um ou dois dias; não é provável que o façam durante a confusão da Véspera, embora, quem sabe? Entre todas as noites do ano, é justamente nesta que tudo pode acontecer.
E de fato acontece. E muito antes do que o Chefe esperava: no meio do turno seguinte, quando uma ordem expedida pelo tubogelo encaminha Blixi ao setor de empacotamento. É uma sala gigantesca, localizada no último andar da Fábrica. Para surpresa de Blixi, lembra muito a oficina, com as mesmas esteiras rolantes onde trabalham centenas de operários. A diferença é que, em vez de montar brinquedos, aqui a série de movimentos serve para embrulhá-los, alguns dentro de caixas, outros em sacos de pano ou de papel colorido. O operário na última posição de cada esteira enfeita o pacote com um laço, e o volume cai por um tubo em algum lugar situado nos andares inferiores. Todas as esteiras, aliás - e são muitas - terminam nesse mesmo tubo, de forma que os pacotes devem estar se acumulando bem rápido lá embaixo.
Blixi está pensando no tamanho da pilha quando o Supervisor de aproxima dele. Ao contrário do Chefe da Oficina, sua expressão não é de impaciência; a voz é monótona, mas suave, e sua cadência leva Blixi a relaxar e a concordar com tudo que é dito. Sim, ele sabe que a Fábrica tem regras e admite que as infringiu várias vezes, nos últimos anos, quando deixou de prestar atenção à esteira. Também está ciente de que a infração de hoje foi mais grave, não só por ter causado uma falha na produção, mas porque – e nesse ponto a voz do Supervisor ganha um tom mais íntimo – com sua atitude, Blixi mostrou estar descontente, e isso contraria a orientação do Patrono quanto aos operários.
Eles não podem trabalhar na Fábrica se não forem felizes.
A imagem do Patrono, até então adormecida em sua moldura na parede, ganha súbita vida à menção do seu nome. Ela cresce diante dos olhos de Blixi; é quase como se o Patrono estivesse ali em pessoa, as longas barbas brancas e as faces que parecem maçãs. Ele sorri, seus olhos transbordando de confiança e bondade, e Blixi se deixa envolver por elas como por uma nuvem. Agora sim, tudo vai dar certo, é o que ele sente, inspirado pela visão. Agora você está pronto para dar sua última contribuição à Fábrica.
Ele segue as próximas instruções sem hesitar, caminhando até a borda do círculo aberto no chão, onde a cada segundo as esteiras despejam presentes. O Supervisor cola um laço em seu avental enquanto o Patrono continua a sorrir: aí está o pequeno Blixi, foi um bom operário, agora servirá à Fábrica em seu maior propósito. Ele põe as mãos na cintura e estufa o peito, cheio de orgulho – e é exatamente ali que, no momento seguinte, os olhos cândidos e azulados do Patrono o atingem com um raio.
A queda é imediata, e a rigidez que atinge seus membros é tão rápida que ele não chega a se debater. Também seu grito some na garganta após os primeiros metros. Some para sempre, ele sabe, como sabe o que vai acontecer a seguir. É um dos efeitos do choque: ele desfaz as ilusões, revela de uma só vez a verdade sobre os que não se adaptam à Fábrica. Blixi não tem dúvidas sobre o que o espera nas próximas horas. Enrijecido, reduzido a talvez um quarto do tamanho, seu corpo irá cair sobre uma esteira, quilômetros abaixo, em meio aos outros pacotes destinados a carregar o trenó. Sua consciência vai durar ainda algum tempo, suficiente para que perceba a partida do veículo e quem sabe – se a posição entre os brinquedos lhe permitir – sentir o toque do vento pela última vez.
E talvez haja estrelas. Ele pensa no seu brilho, o cintilar como cristais de gelo, e se recorda de como o espantou saber que os mortais lhes fazem pedidos. Então, de repente, lembra que para os humanos a Véspera é a noite em que todos os desejos se realizam; e embora não seja um deles, embora não chegue a crer de fato nas estrelas, antes que tudo se apague Blixi ainda tem tempo de formular o seu primeiro e último desejo.
Ficar no fundo do trenó, entre os brinquedos destinados ao outro lado do mundo.
E lá chegando, ser entregue a uma criança que brinque o ano inteiro sob a luz do sol.


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Ilustração feita pelo talentoso  Rafael Narchi na ocasião em que este conto foi publicado pelo blog Quotidianos.

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Esta foi uma pausa entre as indicações de leitura, que ainda virão antes que o ano termine. Por ora... Boas Festas, bom descanso, muita paz e luz pra vocês!!
E não levem este conto muito a sério, ele se passa numa realidade alternativa. Acreditem, Papai Noel é legal e os duendes são felizes. ;)