segunda-feira, agosto 25, 2014

Espinhos



Ao atravessar o parque, como faço todas as manhãs, frequentemente me deparo com uma dupla formada por um senhor bem idoso e uma mulher de meia-idade. Não sei se ela é sua filha, parente, ou uma pessoa contratada para acompanhá-lo. Sei que os vejo sempre no mesmo lugar, um banco próximo ao portão que uso para sair, e sempre do mesmo jeito: o senhor, quieto, até cabisbaixo, e a mulher falando alto e sem descanso num telefone celular.

Quero crer que é tudo uma coincidência: que sempre passo por ali no exato momento em que ela telefona para saber de alguém, quem sabe um filho adolescente que ficou em casa, e que antes e depois dessa ligação ela dá atenção àquele senhor. E que essa atenção vai além de segurar-lhe o braço quando ele caminha. Mas meus horários variam, e às vezes me demoro olhando as árvores ou o arco-íris do chafariz, e nunca presenciei qualquer coisa diferente disso.

Tenho vontade de me aproximar, sentar-me ao lado desse senhor no banco e puxar conversa, só para ver o que acontece. Mas ainda não me atrevi a fazê-lo. Em vez disso, sigo meu caminho, sentindo que espinhos se enterram, cada vez mais fundo, nos pés e no coração da mulher grisalha.

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Imagem retirada deste site legal.

sábado, agosto 23, 2014

Sobre o Futuro


A ideia de uma ferramenta de busca pré-histórica é divertida, mas me inspirou uma reflexão. 

Semana passada recebi na BN a visita de minha prima Verônica, que vive na Holanda, de seu marido Oscar e de sua filhinha Sophie. Com eles estavam também dois sobrinhos do Oscar, um dos quais ficou intrigado diante de um catálogo de fichas. Ele, que tem 19 anos e frequenta a biblioteca de sua universidade, jamais tinha visto aquilo, e me perguntou, a sério, como se fazia para pesquisar. Quando expliquei, porém, ele entendeu na hora, e até usou uma analogia parecida com essa da imagem, dizendo que era uma base de dados em papel. E isso por quê? Porque o suporte mudou, mas a lógica da organização da informação continua sendo a mesma.

Fico ouvindo dizer que livros e bibliotecas vão morrer, mas acho que devemos reformular essa afirmação. Nada disso vai acabar, mas sim continuar em seu processo de mudança, como aliás vem acontecendo desde o tempo das tabuinhas de argila. E todos nós, leitores, escritores e bibliotecários, vamos nos adaptar belamente. Vocês não acham?

domingo, agosto 03, 2014

Sobre Athelgard e a Construção de Universos : um post para o Leitor Cabuloso



Pessoas Queridas,

Novo mês, nova coluna para o site Leitor Cabuloso. O convite do Lucien era para falar sobre a construção de Athelgard, mas preferi ampliar o foco e dizer algumas coisas sobre a construção de universos fantásticos. Algumas podem parecer óbvias, mas mesmo assim talvez ajudem quem está começando.

Para ler o artigo, é só clicar aqui. Espero que gostem.

Grande abraço e até breve!

domingo, julho 27, 2014

Entrevista no Site Três Sagas



Pessoas Queridas,

Fui entrevistada pelo Vagner Abreu, do site Três Sagas, sobre meu trabalho como escritora: o processo criativo, as influências, como tudo começou. Compartilho com vocês aqui.

Aproveito para pedir desculpas pela pouca atenção que venho dando a este blog. É difícil escrever artigos mais longos sobre Literatura, Mitologia e outros assuntos, com as pesquisas que eles requerem, quando eu estou efetivamente escrevendo mais ficção. Espero, porém, que saibam que não abandonei este espaço; vou-me esforçar para manter uma certa frequência nas postagens, inclusive com posts mais longos e informativos como eu costumava fazer. Nem que seja uma vez por mês apenas.

Obrigada pela constância. Grande abraço!