quarta-feira, abril 02, 2014

Hans Christian Andersen



Pessoas Queridas,

Hoje é Dia Internacional do Livro Infantil, data escolhida para homenagear o aniversário de nascimento de Hans Christian Andersen. E com justiça, pois o escritor dinamarquês nos transmitiu um legado de centenas de páginas maravilhosas, boa parte das quais destinadas às crianças.

Ao contrário de Perrault e dos Grimm, Andersen (1805-1875) provinha de uma família humilde. Seu pai, embora pouco instruído, gostava de ler, e parece ter sido ele que inculcou no filho o gosto pela literatura, através de obras como "As Mil e Uma Noites". O jovem Hans, porém, cedo ficou órfão de pai e passou por várias dificuldades, incluindo a passagem por uma escola onde, a pretexto de formar seu caráter, o mestre não apenas o humilhou como o desencorajou a escrever. Isso o fez passar por um período de depressão, mas - como diria Nietzsche - deve também ter servido para torná-lo mais forte.

Mais tarde, Andersen não apenas relataria esses anos sombrios numa autobiografia - publicada em 1832 - mas também usaria suas lembranças para escrever os mais belos e sensíveis dentre seus contos. Neles, muitas vezes, coisas más acontecem a seres puros e bons como “O Patinho Feio”, a “Pequena Sereia” e “A Pequena Vendedora de Fósforos”. Essas histórias comoventes costumam levar seus leitores às lágrimas, mas muitos críticos as consideram fascinantes, impregnadas de uma força redentora que compensa os sofrimentos do herói/heroína.

Em 1830, Andersen já declarava sua intenção de publicar um ciclo de contos populares dinamarqueses, e em 1835, após um pequeno livro chamado “Contos Contados para Crianças”, tinha três volumes de contos de fadas no prelo. Nessa época, seus contos, embora criticados pela imprensa, já eram bastante lidos pelo público infantil, e em Weimar e Londres ele alcançou o sucesso que não tivera na Dinamarca.

Também ao contrário de Perrault e dos Grimm, Andersen reivindicava a autoria de seus contos, embora admitisse que alguns eram inspirados pelas histórias que ouvira na infância. De fato, embora os estudiosos tenham apontado o eco de contos populares em sua obra, elas não são versões escritas de narrativas tradicionais. Ainda assim, ele é considerado como um dos principais nomes do conto de fadas, não o canônico - que deveria ser anônimo e não autoral - mas o literário, no qual os motivos e narrativas universais são retomados e transformados pelo gênio e pela criatividade do artista.

quarta-feira, março 12, 2014

Dia do Bibliotecário



Pessoas queridas,

Embora, na maioria das vezes, eu me apresente aqui sob o meu outro chapéu - o de escritora de ficção fantástica - acho que a maioria sabe que sou bibliotecária, que tenho muito orgulho da minha profissão e que nos meus contos e romances sempre aparecem livros, bibliotecas e contadores de histórias.

Hoje, 12 de março, é o Dia do Bibliotecário, e eu não poderia deixar de homenagear meus colegas - esses profissionais dedicados, que estão por trás de todos os grandes ensaios e pesquisas e que vêm desempenhando seu papel, frequentemente em silêncio, desde os tempos do cuneiforme. E, claro, dar um sorrisinho ao me lembrar daqueles que dizem que nossa profissão vai acabar. Não vai: ela apenas continuará a se transformar, como já fez tantas vezes, na transição da tabuleta de argila para o papiro e depois para outros suportes, do rolo para o códice, do manuscrito á imprensa e agora a formas cada vez mais avançadas de edição e armazenamento digital. São muitos desafios, os paradigmas da profissão estão mudando, e pode ser que no futuro não haja mais uma formação acadêmica chamada Biblioteconomia, ou Ciência da Informação. Mas o que fazemos sempre será necessário.

E o que fizemos, até agora, ao longo destes quase trinta séculos merece atenção e respeito.

Parabéns, bibliotecári@s e amantes de bibliotecas!

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Obviamente, vocês sabem que a imagem acima é de um quadro do pintor italiano Giuseppe Arcimboldo (1527-1593), chamado... "O Bibliotecário". Mas eu tinha que informar de qualquer jeito. Esse é o orgulho e s alegria do meu ofício. :)

sábado, março 08, 2014

Dia Internacional da Mulher



Primeiro pensei que fosse a Chapeuzinho Vermelho. Depois, vi que era Anais Nin, retratada pela artista Lisa Congdon junto com outras 51 pioneiras no campo das letras, da ciência e das artes no projeto The Reconstructionists. O nome do projeto vem de Nin, assim como as palavras verdadeiras e admiráveis:

"A vida se encolhe ou se expande na mesma proporção da sua coragem".

Hoje, Dia Internacional da Mulher, sabemos que ainda temos muita luta pela frente a fim de garantir nosso espaço, respeito, direitos iguais. Nem por isso devemos deixar de celebrar, pois temos motivos para tanto, nem que seja apenas o fato de estarmos indo em frente.

E quando precisarmos de alento, é só olhar para trás e ver o quanto caminhamos.

quinta-feira, fevereiro 20, 2014

A Ilha dos Ossos : Pré-Venda e Promoção



Queridas Pessoas,

Chegou um momento que muitos aguardavam... Enfim, "A Ilha dos Ossos" entrou em pré-venda! Por um preço muito especial e com um brinde incrível, que é o e-book "A Saga de Thorold" - uma novela de 90 páginas, ou seja, um terceiro livro, ambientado nas Terras Geladas de Athelgard, inteiramente grátis!

E se vocês ainda não têm "O Castelo das Águias", melhor ainda: nessa promoção, os dois livros físicos mais o e-book de "Saga" saem todos por apenas R$ 49,90 - o mesmo preço que "A Ilha dos Ossos" terá nas livrarias!

Passem no site da Draco e confiram. Espero vocês para viver esta aventura!

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

O Solitário Andar Por Entre a Gente


Esta manhã, passando pelo parque a caminho do trabalho, avistei o grupo de terceira idade que pratica T´Ai Chi Chuan na clareira. O instrutor é um senhor de setenta ou mais, cabelos brancos e porte de atleta; os outros também são flexíveis e fortes, favorecidos pela genética e pelo fato de, possivelmente, haverem desde cedo se preocupado com a saúde do corpo e do espírito.

Menos aprumado, mas ainda assim positivo e operante, é o grupo de ginástica, também composto de idosos, com os quais os do T´Ai Chi partilham o espaço aberto. Não sei se há um professor; talvez eles se revezem conduzindo a sequência de movimentos fáceis, mas que já custam um bom esforço a alguns. Esses gemem ao se alongar e flexionar as pernas, enquanto outros riem, fazendo troça de si mesmos e dos companheiros; o ritmo varia uma escala inteira entre o mais lento e o mais allegro, é uma orquestra que afina instrumentos, mas, em meio à cacofonia, a música ainda se adivinha bela.

Na ponta da clareira, um último grupo de idosos está sentado ao redor de uma mesa de pedra e joga cartas. Ontem jogavam dominó, talvez um dia tenha havido uma mulher entre eles, as caras não são sempre as mesmas, porém lá estão todos os dias, salvo nos de chuva. Serão amigos de longa data, ex-colegas, primos e vizinhos; alguns devem ter se conhecido ali mesmo no parque, mas o que me faz pensar é que, para a maioria deles, são esses os amigos que terão até o fim da vida.

Não sei como estarei dentro de vinte, trinta, quarenta anos. Se cumprir as promessas que faço a mim mesma e tiver sorte, serei capaz de executar os movimentos do T´Ai Chi; se assim não for, espero estar bem o suficiente para, pelo menos, fazer parte do grupo de ginástica. E, de um ou de outro jeito, vou adorar se o inverno desta vida me reservar amigos com quem sentar, jogar e recordar os bons e velhos tempos.

Pois hoje, como sempre, a clareira ficou para trás, e eu ainda sou a mulher de cabelos grisalhos, que canta em voz baixa uma canção enquanto se afasta pela trilha entre as árvores.