segunda-feira, dezembro 17, 2012

Melhores Leituras de 2012 : Dez Livros Estrangeiros





Oi, Pessoas!

Estou de volta com a lista de melhores leituras, desta vez falando de obras estrangeiras. Os parâmetros usados já foram explicados na primeira parte, e, sendo assim... Bom, vamos direto ao assunto.

O Círculo negro, de Catherine Fisher

O primeiro juvenil da minha lista, trata de forma sensível do conflito entre dois irmãos: um adolescente com talento para a pintura e uma menina, pouco mais nova, cujo dom (mantido em segredo) é a escrita. Após um acidente, a criança entra em coma e seu espírito (mente, se preferirem) se torna presa de um mundo feérico fortemente ligado aos mitos celtas. Não vou dar spoilers, mas dois avisos: 1. A parte psicológica é o forte do livro, não a ação; 2. Vale muito a pena.

A Invenção de Hugo Cabret, de Brian Selznick

Dispensa comentários. Narrativa e imagens unidas com mestria e ainda uma bela homenagem a Georges Meliès e ao mundo mágico que cercou os primeiros tempos do cinema. O filme é lindo, mas, por favor, não deixem de dar também uma chance ao livro.

Stravaganza, de Mary Hoffmann

Uma trama conduzida em dois lugares: a Londres atual e uma época que lembra o final do Renascimento em um país que lembra a Itália. Entre ambos, lidando com uma trama que mistura nobres e alquimistas, um menino com o dom de fazer viagens no tempo e no espaço e com o nome mais lindo do mundo: Luciano. Uma fantasia imperdível.

Garota, traduzida, de Jean Kwok

Este é o primeiro em ordem alfabética e, por coincidência, o mais juvenil dos livros para adultos que constam nesta lista. Uma menina e sua mãe, recém-chegadas da China aos Estados Unidos, enfrentam todo tipo de dificuldades a fim de que a garota realize seu sonho de estudar e se formar em medicina. O amor entre elas é de fazer sorrir e chorar. Um ótimo livro. 

Hibisco roxo, de Chimamanda Adichie

Outro livro maravilhoso da autora de "Meio Sol Amarelo". Um casal de irmãos tem como pai um industrial africano, cristão até a medula e que exige o impossível da esposa e dos filhos em meio a um país dilacerado por conflitos. Não percam, vale muito a pena.

Invisíveis, de Stef Penney

Nos anos 80, um detetive inglês é contratado por uma familia de ciganos para investigar um desaparecimento e acaba se envolvendo com um drama familiar envolto em segredos e em séculos de perseguição e preconceito. Juro que não descamba para a existência de ordens secretas, templários nem vampiros - é uma ficção bem realista - mas vocês vão gostar de conhecer  o demônio Poreskoro, "o que não era macho nem fêmea". 

Rei rato, de China Mièville

Confesso que não achei "Perdido Street Station" tão legal assim, mas este é. E a tradução de Alexandre Mandarino é fenomenal. Este livro fala sobre uma figura que existe no folclore e em contos populares, o Rei Rato, que domina os esgotos e o submundo e tem como adversário um temível flautista. Muito bom!

A Resposta, de Kathrynn Stockett

Sim, esse também tem filme. Sim, o filme é bom. E é fiel. Mas o livro é mais detalhado e conta melhor a história de mulheres negras nos estados americanos do sul - quando elas decidem pela primeira vez contar de fato sua história. 

O Último desejo, de Andrzej Sapkowski

O melhor livro de fantasia que li este ano, e foram muitos. Na verdade trata-se de contos entrelaçados, protagonizados pelo bruxo/mutante/criatura mágica Geralt de Rívia, que enfrenta outros bruxos/mutantes/criaturas mágicas em narrativas cheias de sangue, sensualidade, mas também aventura e humor. As duas continuações estão no topo da minha lista para o ano que vem.

O Último Dickens, de Matthew Pearl

Um thriller muito bem escrito sobre o desaparecimento misterioso da última obra (inacabada) de Charles Dickens, história que se entrelaça com o relato da visita do escritor aos Estados Unidos. Os fãs de Dickens vão gostar. Alguns talvez até fazer como eu, que encomendei os dois outros livros de Pearl, sobre Dante e Allan Poe. Acho que valerá a pena.

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Bom, Pessoas, essa foi a minha lista. Espero que se interessem por algumas destas leituras e partilhem as suas. O que vocês leram este ano que podem me recomendar? Contem aí, não sejam tímidos. :)

E pra quem vem sempre por aqui, não se esqueçam: está valendo a promoção 2013. Aguardo participações!

Abraços a todos e até a próxima!

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Imagem retirada deste blog. Espero que o autor não se importe, a intenção aqui também é falar de livros e leituras.

domingo, dezembro 16, 2012

Melhores Leituras de 2012: Dez Livros Nacionais




Oi, Pessoas! Tudo bem?

Bibliotecária, Sol na 4ª. casa astrológica, apreciadora de História e Mitologia... É, tudo aponta para um certo apego às tradições. E, como estamos em dezembro, chegou a hora de cumprir o que se tornou uma tradição aqui na Estante Mágica, falando um pouco sobre os livros que li em 2012.

Antes de começar, devo explicar que desta vez optei por apenas duas categorias: livros nacionais e estrangeiros, tendo por única regra não listar antologias com vários autores. Foi por puro acaso que não entrou nenhum livro de contos na lista final. Também os juvenis, que estariam numa categoria à parte, acabaram se mesclando aos demais, e reservei três posições para eles. Assim, cada lista é aberta por três livros juvenis - que entram primeiro, em ordem alfabética de título – aos quais se seguem sete romances para adultos, também em ordem alfabética.

Deixo claro que não é minha intenção fazer qualquer juízo de valor. Leitura, como vocês sabem, é algo muito pessoal. Um livro pode ser maravilhoso para mim e chatíssimo para outra pessoa; pode fornecer a chave para a compreensão da minha existência e não fazer nenhum sentido para você. Também há aqueles que, como escritora, eu não podia deixar de ler e cuja importância reconheço, mas que não pus na lista porque não foram leituras muito fáceis nem – para mim – tão agradáveis.

Em suma, a intenção aqui não foi enumerar “os melhores livros”, mas partilhar as leituras que mais me deram prazer ao longo deste ano. As listas incluem títulos recentes e alguns lançados há anos, além de uma bela mistura de estilos e gêneros.

Confiram!

A Árvore do medo, de Marco Túlio Costa

É um livro juvenil, mas não só: fala sobre um professor convidado por uma ONG a dar uma oficina de escrita criativa para jovens, e em meio à narrativa se encontram algumas dicas para quem trabalha com isso. A história, porém, encanta, pois, sem deixar em momento algum de ser uma narrativa envolvente, consegue mostrar como a literatura pode realmente cumprir uma função libertária. Boa escrita, bela mensagem.

Duncan Garibaldi, de A. Z. Cordenonsi

Boa parte dos visitantes da Estante Mágica deve conhecer este. É uma aventura muito bem narrada, com pinceladas de mitologia e cultura brasileira, tendo por fundo um bom trabalho de pesquisa sobre a cidade do autor (Santa Maria, RS). E com um gostinho steampunk ainda por cima.

Ouro, fogo e megabytes, de Felipe Castilho

Um livro surpreendente, cheio de aventuras e reviravoltas que combinam jogos online e seres do folclore brasileiro – mas o melhor mesmo é a narrativa de Felipe, cujos diálogos e descrições fogem do jeitão “engessado” que vemos tanto em juvenis quanto em livros de fantasia para adultos e tornam seus personagens e sua história muito mais críveis e envolventes. Trabalho de mestre.

O Andarilho das sombras, de Eduardo Massami Kasse

Um livro de fantasia medieval que segue a linha de Bernard Cornwell: tudo é cru, tudo é sujo, tudo é direto. Ao mesmo tempo, uma narrativa que prende, entrelaçando dois momentos do mesmo personagem para no fim levar o leitor a compreender como ele chegou até ali e o porquê de fazer o que faz. Vale a pena.

Carvão animal, de Ana Paula Maia

Também um livro cru, conta a história de dois irmãos – um bombeiro, um funcionário de crematório – e da cidade onde vivem, onde tudo é cinzento e onde os mortos abastecem os vivos. Ambos têm de lidar com uma tragédia do passado ao mesmo tempo que fazem frente a um cotidiano árido e brutal. Incomoda e surpreende.

O Centésimo em Roma, de Max Mallmann

Uma delícia de livro. Não só pela ambientação fabulosa, mas pelo protagonista – o impagável centurião Desiderius Dolens - , pela trama, recheada de maquinações, surpresas e bastante humor, e pelos diálogos mais do que afiados. Um livro para ler, reler e dar de presente.

Gabriel, de Claudio Parreira

O que fazer quando o “cara lá de cima” dá uma de doido e envia ninguém menos que o anjo Gabriel à terra, numa missão quase impossível? E quando o anjo é ajudado pelas pessoas mais improváveis? Em cima disso, Parreira criou uma ótima história, com humor, suspense e uma boa escrita. Recomendo!

Kaori, perfume de vampira, de Giulia Moon

Embora não seja muito fã de livros de vampiro, posso dizer que este me encantou. Curti tanto a parte dele que se passa em São Paulo quanto a do antigo Japão, lugares por onde transita a sedutora Kaori - e os dois outros livros da saga já estão na minha lista para 2013, com a promessa de mais fascínio em boa narrativa.

A Primeira mulher, de Miguel Sanchez Neto

O autor dispensa comentários: quase todos os anos tem livro dele na minha lista. Este não fica atrás dos primeiros, contando a história de um professor quarentão, solitário e meio entediado que se envolve numa trama criminal de fundo político. Ao fundo desfilam várias mulheres: a ex-namorada, a aluna, a secretária e a mais importante de todas, que é... Ora, leiam! :)

A Tisana, de Roberto de Mello e Souza

Li este livro enquanto trabalhava na organização da coletânea Excalibur, da Editora Draco, que sai no ano que vem. Trata-se da história de Tristão e Isolda transportada para o sertão e contada ao estilo de João Guimarães Rosa – com um resultado incrível. O autor é responsável por levar a história de Percival para o mesmo universo em “O Pão de Cará”, dois livros que recomendo a fãs do mito arturiano e a apreciadores da boa literatura nacional.

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Bom, Pessoas, por enquanto é só. Em breve sairá a lista de livros estrangeiros. E não esqueçam: estamos com uma promoção bem legal aqui no blog, valendo um exemplar de 2013. Aguardo sua participação!

Até a próxima e um grande abraço!

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Post ilustrado com uma imagem que recebi e compartilhei no Facebook. Desde já peço licença ao seu autor para utilizá-la e me comprometo a dar o crédito, se alguém souber de quem é.

segunda-feira, dezembro 03, 2012

Promoção 2013



Adoráveis Pessoas,

O fim do ano se aproxima e eu estou mais atarefada do que nunca. Ainda bem! Assim não tenho tempo pra pensar no fim que se aproxima, a julgar por certas profecias... e que chegou, de fato, no livro cuja capa ilustra este post.

Já conhecem, né? Trata-se do 2013, parceria entre as editoras Literata e Ornitorrinco, no qual os autores contam suas histórias com base naquilo que viria após o fim do mundo. Todas são legais, porém mais legal ainda é que a minha pode ser lida na rede, bastando baixar a edição n. 104 da revista Somnium, publicada pelo Clube dos Leitores de Ficção Científica do Brasil.

Agora, o mais legal mesmo é que, conforme prometi há algum tempo, estou iniciando uma promoção, valendo um exemplar autografado do 2013. Para concorrer, basta sugerir uma continuação ou um final, mesmo que em poucas linhas, para o meu conto Deixando o Condado, que pode ser lido através do link da Somnium.

Entendam bem que não se trata de escrever outro conto, embora eu fosse adorar (e já deixo um prêmio extra prometido a quem fizer isso). É só para pensar no que acontece com meus protagonistas, ou pelo menos alguns deles, em seguida à história que é narrada em Deixando o Condado. Não há restrições para outros autores do livro, funcionários da Literata ou da Ornitorrinco, seus cônjuges ou parentes em qualquer grau.

A promoção está valendo até o dia 21 de dezembro, quando supostamente termina o calendário maia. Se o mundo não acabar, no dia 22 eu anuncio o vencedor, que será aquele cuja sugestão me parecer mais criativa. Se ninguém participar - é triste, mas pode acontecer - o livro será sorteado entre os seguidores deste blog.

Então, Pessoas... Aguardo suas sugestões acerca do futuro de Octavio, Laura, Mauricio e do próprio Condado. É só pensar um pouco, pois, com todos os defeitos que o conto possa ter, trata-se de uma história que pode render várias e surpreendentes continuações.

Abraços e até breve!

terça-feira, novembro 13, 2012

H de Henriqueta, a Espiã





Antes de começar, um esclarecimento: o título acima é a tradução da Ediouro para o livro Harriet, the Spy, da americana Louise Fitzhugh. Essa foi uma das edições de bolso compradas com minha mesada quando eu tinha no máximo uns doze anos, possivelmente menos. Foi um livro que li várias vezes e que me fascinou ainda que eu não soubesse o porquê – o quanto eu tinha em comum com a protagonista, além da idade, do cabelo curto, dos óculos e do caderninho que eu levava para todo lado.

Deu para adivinhar? Henriqueta, ou Harriet, era uma menina que gostava de escrever. Não lembro se, como eu, também inventava histórias, mas o que fazia, principalmente, eram observações – por vezes irônicas e até cruéis – a respeito de seus colegas de escola, inclusive os amigos mais próximos Sport e Janie. Esse é o principal ponto de divergência, pois raramente escrevi ou escrevo sobre pessoas da vida real; mas o fato de Henriqueta viver agarrada ao seu caderno de notas, a inadequação a situações do cotidiano escolar e a atitude intelectualmente precoce/emocionalmente imatura demonstrada por ela a tornam muito próxima do que eu era naquela idade.

Numa análise superficial, as semelhanças iriam parar por aí: a identificação, em vários sentidos, entre a personagem e a sua jovem leitora. De fato, a trama do livro é centrada em um acontecimento que (felizmente) nunca teve lugar em minha vida: Henriqueta perde seu caderninho e as anotações que fez sobre os colegas passam a ser de conhecimento destes, que obviamente ficam zangados e criam um grupo dedicado especialmente a rejeitar a menina (hoje talvez se falasse em bullying, mas lembrem-se, foi ela que começou). Em reação, Henriqueta passa por várias fases, desde a raiva à depressão, mas, aconselhada por sua antiga babá, a pessoa com quem mantinha o vínculo afetivo mais forte – e que em mais de uma ocasião no livro afirma que ela tem de crescer – acaba por retomar a amizade com Sport e Janie e a se tornar editora do jornal da escola (parece que todas as escolas americanas têm jornais legais. As nossas não. Isso não é justo).

Enfim, ao término do livro a vida parece voltar aos eixos e o futuro promete que Henriqueta será, não uma “espiã” como ela dizia no início, mas uma jornalista ou escritora. O que, depois de muitas reviravoltas, eu também me tornei – e com vários percalços de convivência, diferentes dos que foram enfrentados pela personagem. Isso porque, embora nenhum dos meus colegas tenha lido nada desabonador a seu próprio respeito, as poucas situações em que chegaram a ler algo e o simples fato de eu estar escrevendo, inventando, eram motivo de estranheza e de afastamento por parte de pessoas com quem, bem ou mal, eu mantinha ou supunha manter uma relação de amizade. Ou não?

Hoje, com um olhar distanciado, consigo ver que nem era tanto a escrita, mas todo um conjunto que incluía uma  bagagem cultural diferenciada (adquirido por meio de leituras e não de viagens, mas está valendo), uma aparência considerada esquisita (somos tantos!), falta de talento para esportes e muitas outras coisas. Não sei se foi uma defesa minha pensar que toda a rejeição e o isolamento se deviam ao fato de eu gostar tanto de ler e escrever (e ser, portanto, uma pessoa especial, que um dia ganharia o merecido reconhecimento. Bla, bla, bla). Tudo que sei é que mais de uma vez abri meu caderno, depois de algum episódio escolar ou familiar lamentável, e preenchi de cima a baixo várias folhas com a frase que Henriqueta escreveu em seu livro de notas:

EU GOSTO MUITO DE MIM.

Felizmente, acho que sempre foi verdade, ou eu não estaria aqui para contar esta história.

.......

O texto acima foi, como todos os posts da série Memórias de Leitora, escrito com base apenas nas memórias do que li, neste caso, há cerca de trinta anos. Agora, a Wikipedia me informa que Harriet, the Spy, publicado em 1964, ganhou prêmios juvenis de Literatura, foi adaptado para o cinema em 1996 pela Nickelodeon e, em 2010, serviu de argumento para uma filme da Disney chamado “Blog Wars” em que Henriqueta e sua arquiinimiga competem para ver quem tem o melhor blog. A vida avança, assim como a tecnologia. De qualquer forma, “Henriqueta, a Espiã” é um livro de que sempre me lembrarei com carinho e cuja mensagem continua atual. Recomendo a todos, principalmente o pessoal mais novo. E, dentre esses, àqueles que estão aprendendo a lidar com as dores e as alegrias trazidas por seja qual for o seu Dom.

Boa leitura e até a próxima!

domingo, novembro 04, 2012

O Estigma do Feiticeiro Negro : Lançamento na Casa da Leitura


Olá, Pessoas!

É com muito prazer que venho convidá-los para um evento a ser realizado na Casa da Leitura, no dia 10 de novembro (sábado), a partir das 15 h. Trata-se do lançamento do novo livro do veterano Miguel Carqueija, em parceria com a jovem autora Melanie Evarino: a fantasia humorística O Estigma do Feiticeiro Negro.

O evento será acompanhado de um debate sobre literatura infantojuvenil que contará com a minha presença, a de Ana Cristina Rodrigues e a de Estêvão Ribeiro, além, é claro, de Melanie e Miguel. Também estarão presentes os editores Alícia Azevedo e Henrique de Souza, da Editora Ornitorrinco.

Além do Enigma, estará disponível para compra o Bestiário, primeiro livro da série sobre animais fantásticos organizada por mim e por Ana Cristina para a editora. Já estamos planejando os próximos volumes. Quem ainda não conhece pode dar uma espiadinha no site da editora, aproveitando para ver as outras obras do catálogo, saber o que está no prelo e ler a chamada para a antologia Erótica Steampunk, cujo prazo foi prorrogado até 20 de novembro. Basta clicar aqui.

Então, pessoal do Rio e cercanias, já sabem. Esperamos vocês.

Até o dia 10 e um grande abraço!