sábado, março 28, 2015

Onze Coisas Sobre Mim

Bom, Pessoas... Este post é parte de uma dessas brincadeiras ou desafios de rede social, mas fala um pouco sobre mim. Talvez vocês gostem de ler. Se não, podem pular este.


Eduardo Kasse me indicou para participar, com as seguintes demandas:

Escreva 11 fatos sobre você.
Responda às perguntas de quem te indicou.
Indique de 11 a 20 blogs (não vou fazer mesmo!).
Faça 11 perguntas pra quem você indicar.
Insira no post uma imagem com o selo Liebster Award.
Linque de volta quem te indicou.

11 fatos sobre mim:

1. Eu não sei como aprendi a ler. As pessoas da família juram que ninguém sentou comigo para me ensinar, e naquele tempo a gente só ia para a escola aos cinco anos. Eu aprendi com quatro, e quando lia em voz alta fazia as vozes de cada personagem (a Dona Benta com voz de vovó, a Emília com voz fininha), as entonações, tudo. Por isso, a escola queria que eu pulasse os dois primeiros anos, jardim de infância e alfabetização, mas minha mãe não deixou porque achou que aos cinco anos eu seria trucidada pelas crianças de sete. Fez ela muito bem.

2. Fui trucidada aos cinco pelas crianças de cinco mesmo, e assim sucessivamente por muitos anos. Sim, fui vítima de bullying. Por usar óculos (desde os seis), por ser desajeitada socialmente (só convivia com adultos e a maioria falava difícil!), e, mais tarde, por ser gordinha e "esquisita". Sobrevivi, mas não foi fácil. Até hoje não gosto de falar nisso.

3. Aos quinze anos parei de sofrer bullying, me apaixonei seriamente pela primeira vez e me tornei vegetariana e devota de Krishna. Não me perguntem o desenrolar desses fatos trágicos.

4. Aos dezesseis recomecei a comer carne, li "A História Sem Fim" e percebi que meu destino estava selado: eu ia passar a vida contando histórias, não importando que outra profissão tivesse para pagar as contas.

5. Conheci meu futuro marido acampando em Ilha Grande. Ficamos três dias lá, cada um com seu grupo de amigos, e só nos falamos na manhã da partida. Dura até hoje, 27 anos.

6. Comecei minha vida de casada num quarto alugado, numa casa com mais umas dez pessoas e um cachorro, em Lisboa, onde meu marido fazia mestrado. Arranjei trabalho depois de três meses de busca infrutífera. Era um emprego ótimo, na minha área; aprendi muitas coisas nesse emprego e convivi com pessoas muito legais.

7. O cachorro se chamava Joli.

8. Três lições tirei dessa experiência: ser tolerante, não ter medo de perrengue, nunca desanimar. Também aprendi que as coisas podem demorar, mas tendem a se resolver pelo melhor.

9. Mesmo com todo esse aprendizado, sou mega ansiosa. Posso passar a noite em claro me perguntando como algo vai se desenrolar e, se tiver brigado com alguém, a não ser que essa pessoa tenha sido absurdamente grosseira e injusta, não descanso enquanto não converso com ela e resolvo tudo. Isso com pessoas da "vida real", claro. Online a gente encontra um monte de trolls e ofensas gratuitas, aí o negócio é ignorar mesmo.

10. Escrevi meu primeiro livro, "O Caçador", em Lisboa, em 1995. Publiquei-o como independente em 2005, dez anos depois, e só em 2009 ele saiu por uma editora, a Franco, de Juiz de Fora. Mas dali em diante foi um livro por ano, e este ano e no próximo vai ter também, fora os contos, artigos e tudo mais. Prova de que vale a pena não desanimar quando as coisas demoram um pouco a acontecer.

11. Estou desenvolvendo uma arma secreta chamada Raio Meregizador. Não vou dizer como funciona porque ainda não passou pela fase de testes, mas parece bem promissor. Um dia eu explico melhor. Ou não. ;)

As perguntas do Eduardo:

1. Quais suas três maiores paixões?
Como mãe, não poderia deixar de citar minha filha, Luciana, que está com 14 anos. Mas ela é hors-concours, e não vou ficar falando de marido, mãe, irmã... então as três paixões são escrever, trabalhar com mediação de leitura e viajar. 

2. Quais seus principais sonhos?
Sonho com um mundo em paz, sem fome, sem violência, com igualdade e tolerância. Mesmo. Juro que não é pra fazer tipo, e claro que tenho sonhos pessoais, que dizem respeito à minha felicidade e sucesso profissional. Mas o mundo, como um todo, me preocupa. Não quero ir embora dele sabendo que as coisas podem ficar ainda mais sombrias.

3.Autores estrangeiros preferidos?
Tolkien, Ursula Le Guin, Michael Ende, Neil Gaiman, Bernard Cornwell, Michelle Paver...

4.Autores nacionais preferidos?
Moacyr Scliar, Cecília Meireles, Miguel Sanches Neto, Ricardo Lísias...

5. Um livro para ler antes do mundo acabar?
"O Guia do Mochileiro das Galáxias", assim tenho mais chances de ser abduzida e refazer minha vida em outro planeta antes que este exploda. ;)

6. Se pudesse trocar uma ideia pessoalmente com um(a) escritor(a), quem seria?
Gostaria de conhecer o Neil Gaiman.

7. O que falta para você se realizar pessoalmente?
Trabalhar alguns pontos em que eu acho que tenho falhas. Principalmente queria ser mais assertiva e menos ansiosa. E ter a certeza de que o caminho da minha filha está bem pavimentado, pelo menos até onde me cabe acompanhá-la.

8. E profissionalmente?
Ter meu trabalho mais reconhecido e saber que estou contribuindo para um número maior de pessoas passarem a gostar de ler.

9. Você prefere ler ou escrever?
Adoro ler, e não tem como escrever sem ser um leitor voraz, mas escrever é mais prazeroso, me proporciona uma espécie de catarse. Sinto que estou deixando uma marca em alguém, cumprindo meu dever... Talvez pareça estranho, mas é por aí.

10. Qual livro foi viciante?
A série "As Brumas de Avalon", de Marion Zimmer Bradley. Reli trocentas vezes, sabia trechos enormes de cor.

11. Se você tivesse que se apresentar para o “mundo” como seria?
Eu diria: "Oi, eu sou a Ana", e daria um sorrisão. Dali para a frente, é com cada um. :)

Assim como não marquei ninguém, não faço perguntas. Sintam-se à vontade para conversar e falar sobre vocês. Estou sempre por aqui.

Até a próxima!





sexta-feira, março 27, 2015

Audioresenha e Sorteio de Exemplares - O Castelo das Águias e A Ilha dos Ossos - Até 26/04/2015



Pessoas queridas,

As lindas Allana Dilene e Fernanda Eggers, do canal Ideia Transitiva, fizeram uma audioresenha muito legal dos dois livros da série. Ao mesmo tempo, estão sorteando um exemplar de cada livro, autografado por mim e acompanhado de marcador, button e... tcharan... Caderninho temático!

A audioresenha pode ser conferida clicando aqui.

Este é o link do sorteio, que corre até dia 26 de abril no Rafflecopter.

Participem! Compartilhem! Tragam os amigos!

Conto com vocês!

terça-feira, março 17, 2015

The Secret of Kells : o filme



Pessoas Queridas,

Neste dia de São Patrício, sugiro que a Guiness seja acompanhada de um balde de pipoca e um bom filme: a animação "The Secret of Kells" (2009), que traz um relato ficcional (e fantástico) sobre a criação do Livro de Kells, o maior ícone da arte da iluminura britânica do século IX e considerado o maior tesouro da Irlanda.

O filme dirigido por Tomm Moore e Nora Twomey recebeu montes de prêmios, com toda justiça. Não apenas a animação é ótima, mas tanto o roteiro quanto a arte conseguiram captar a mistura de influências que existiram naquele local e período, em que o imaginário herdado dos celtas se harmonizava perfeitamente com os ensinamentos e a vivência do cristianismo.

Como escritora, pesquisadora e bibliotecária - recomendo!

quarta-feira, março 11, 2015

A Avó


Frequentemente me refiro a meu avô e à influência que ele teve na minha infância. Mas creio que nunca falei da minha avó, Abigail Ziller, embora ela estivesse lá o tempo todo e eu a amasse na mesma medida.

Hoje ela completaria 101 anos, e mais uma vez eu não soube escrever um poema ou uma crônica a seu respeito. Ela não era fácil de retratar com palavras. Felizmente minha irmã - a que é não é da escrita e sim das imagens - me enviou esta foto em que nossa avó aparece com seus pais e irmãos mais velhos. É a menininha da esquerda, e seu gesto parece dizer: "veja como éramos, veja onde chegamos".

A partir daí, deixo vocês imaginarem toda a história.


quinta-feira, março 05, 2015

As Três Estrelas de Ouro

           

          Quando vamos à aldeia, os camponeses nos lançam olhares enviesados. Não atiram pedras, pois sabem que revidaríamos e podem intuir o quanto somos fortes; mas as mulheres cospem de lado ao nos ver passar, e os homens empunham seus ancinhos como se fossem armas.
É o velho medo – o medo que sentiam de nosso pai, quando saía da floresta para negociar suas peças de caça, e até de nossa mãe, que usava um manto de pele em vez do antigo capuz vermelho. Dos dois, naquele tempo, dizia-se que viviam entre os lobos, que se transformavam em lobos e uivavam nas noites de lua, e que a maldição havia sido legada a cada um de nós. Nada mais falso, mas nunca nos deram o direito de explicar.
Acho que foi por isso que tardamos vários anos a visitar a aldeia. Foi para nossa proteção: para ficarmos seguros, como só podíamos estar na floresta, com as árvores e o rio e a cabana de nossos pais. Ali ficávamos com nossa mãe a contar histórias enquanto o pai saía para caçar; ali aprendemos, desde muito cedo, a sobreviver com o que tirávamos da terra; e ali teríamos ficado a vida toda, uma vida perfeita, não fôssemos nós sujeitos ao fado de crescer e ver nossos pais envelhecendo. Eles passaram cada vez mais a contar conosco, para a caça e para tudo aquilo que não se podia conseguir na floresta. Assim nos coube enfrentar o medo e o desprezo dos camponeses.
Foi difícil no começo, mas aprendemos como agir e nos comportar – como andar entre eles sem sujar as mãos nem o espírito. Sempre que é lua crescente, pomo-nos em marcha, carregando os fardos de peles, os rostos ensombrados pelos gorros que usamos toda vez que deixamos a floresta. É assim que adentramos a aldeia, fingindo não ouvir o que murmuram às nossas costas. Negociamos as peles, usando o mínimo de palavras, e prendemos à cintura o sal e as facas do pagamento. Quando acaba, damos meia-volta, ansiosos por rever a cabana e os rostos de nossos pais.
A trilha é longa, mas a percorremos rápido, acostumados a encontrar nosso rumo entre as árvores. Às vezes, no verão, ainda está claro, mas quase sempre é noite cerrada, e então tiramos nossos gorros, para que o pai e a mãe saibam que estamos a caminho. É bem verdade que seus olhos já não são o que foram outrora. Mas ainda assim, para sua tranqüilidade, conseguem ver de longe a luz em nossas testas, o brilho das três estrelas de ouro, as marcas nunca apagadas do beijo de nossa madrinha. 

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Ilustração: Babes in the Wood. Randolph Caldecott, 1879.